Mundial de Atletismo Indoor – Final

Para encerrar o Mundial, 8 belas finais e um recorde mundial para fechar com chave de ouro.

Pista

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Andrew Pozz (GBR) comemorando o título nos 60m com barreiras. Foto: IAAF

O britânico Andrew Pozzi fez o melhor tempo nas semifinais dos 60m com barreiras, marcando 7.46, seguido do cipriota Milan Trajkovic com 7.51, recorde nacional indoor. O brasileiro Guilherme Constantino ficou em 4º na sua semi com 7.61 e pegou a última vaga por tempo para a decisão. Na final, Trajkovic queimou a largada e foi desclassificado. Na prova, Pozzi ficou lado a lado com o americano Jarret Eaton e o britânico fechou com o ouro com 7.46 contra 7.47 de Eaton. O francês Aurel Manga completou o pódio com 7.54. O brasileiro terminou na ótima 6ª posição com 7.71.

Nos 3.000m masculino, dobradinha etíope com Yomif Kejelcha vencendo com 8:14.41 e Selemon Barega com 8:15.59. O queniano Bethwell Birgen foi bronze com 8:15.70, prevenindo um pódio todo etíope por apenas 0.06. Bronze no Rio-2016 nos 5.000m, Hagos Gebrhiwet acabou em 4º com 8:15.76.

Prata no Rio, Francine Niyonsaba, de Burundi, venceu os 800m feminino com 1:58.31, melhor marca do mundo este ano, para selar o bicampeonato mundial indoor da prova. Com a prata a americana Ajeé Wilson fez 1:58.99 e a britânica Shelayna Oskan-Clarke foi bronze com 1:59.81. Nos 1.500m masculino, o título ficou com o etíope Samuel Tefera com 3:58.19, numa prova muito lenta, mas muito disputada. O polonês Marcin Lewandowski ficou em 2º com 3:58.39 e o marroquino Abdelaati Iguider bronze com 3:58.43. Os 7 primeiros chegaram juntos, com uma diferença de apenas 0.73!

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Revezamento 4x400m masculino polonês com o WR. Foto: IAAF

A equipe dos Estados Unidos sobrou para vencer o revezamento 4x400m feminino com 3:23.85, recorde do campeonato. Polônia com 3:26.09 e Grã-Bretanha com 3:29.38 completaram o pódio. Na última prova de pista do Mundial, o 4x400m masculino, uma grande disputa entre EUA e Polônia. Os americanos lideraram por toda a prova, mas no final Jakub Krzewina ultrapassou Vernon Norwood para dar o ouro pra Polônia com 3:01.77, novo recorde mundial por apenas 0.19! O recorde havia sido batido há menos de um mês por uma equipe americana com 3:01.96. No Mundial, os EUA fizeram 3:01.97 pra levar a prata. A disputa do bronze foi pro photo finish e a Bélgica comandada pelos 3 irmãos Borlée fez 3:02.51 contra 3:02.52 de Trinidad & Tobago.

Campo

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Renaud Lavillenie (FRA). Foto: IAAFG

Oito atletas chegaram pra disputa do salto com vara masculino com mais de 5,85m este ano! Numa longuíssima final, a vitória acabou com o grande francês Renaud Lavillenie, o que adora os brasileiros. Ele chegou com uma prova perfeita em 5,90m ao lado de outros 6 atletas que vinham tendo mais dificuldade nos saltos. Lavillenie passou na 2ª tentativa, forçando o americano Sam Kendricks a ir para 5,95m com apenas uma chance, que não foi bem-sucedida, dando o 3º ouro ao francês em mundiais indoor e a prata ao americano. O polonês Piotr Lisek foi o único outra a passar de 5,85m, mas queimou as 3 em 5,90m e ficou com o bronze. O brasileiro Thiago Braz pra variar não fez uma boa prova em Mundiais. Precisou dos 3 saltos para passar por 5,60m, não salto em 5,70m e foi direto para 5,80m, errando as 3 e terminando em 12º.

Bronze no Rio, a sérvia Ivana Spanovic abriu a final do salto em distância feminino com 6,89m, mas viu as americanas Quanesha Burks e Brittney Reese ameaçarem-na com 6,81m e 6,76m respectivamente. No 2º salto, a alemã Sosthene Moguenara-Taroum marcou 6,85m e foi pro 2º lugar. Reese melhorou para 6,77m e, no 4º salto, fez 6,89m para empatar com a sérvia, mas ficar na frente pelos critérios de desempate. Logo em seguida, Spanovic saltou 6,96m para selar o ouro e não perdê-lo mais. Rees acabou com a prata e Moguenara-Taroum com o bronze.

Após 26 finais, os EUA ficaram na frente no quadro de medalhas com 18 medalhas, sendo 6 ouros, 10 pratas e 2 bronzes. A Etiópia com 4-1-0 veio em seguido. Polônia 2-2-1, Grã-Bretanha 2-1-4, Atletas Neutros (Rússia) 2-1-0 e França 2-0-1 foram os outros a vencerem mais de 1 ouro. Ao todo, 14 países ficaram com um ouro e 33 medalharam.

Foi um bom Mundial pro Brasil, com a bela prata de Almir dos Santos no salto triplo, o 4º lugar de Darlan Romani no peso e o 6º de Gabriel Constantino nos 60m com barreiras. O próximo Mundial indoor será em 2020 em Nanjing, na China.

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Mundial de Atletismo – Prévia III

Terceira prévia do Mundial, com as provas de fundo de pista, a maratona e os lançamento e arremessos.

Fundo

Mo Farah

Não dá muito pra medir favoritos pelos tempos do ano, afinal cada prova é uma prova diferente, com ritmo diferente, com ou sem coelho. Tanto que os 8 melhores tempos do ano dos 5.000m masculino foram na Diamond League de Roma, quando o etíope Yomif Kejelcha venceu com 12:58.39. Em 6 provas da Diamond League, 6 campeões diferentes. Mas de olho no etíope Hagos Gebrhiwet, na equipe queniana sempre forte e, claro, no britânico atual campeão olímpico e mundial Mo Farah.

Nos 10.000m, Mo Farah também é o favorito, onde também é o atual campeão olímpico e mundial e tem o melhor tempo do ano com 26:50.97. Claro, de olho na força etíope e queniana. Já na maratona, prova que abre o Mundial nesta sexta a noite, o vice-campeão da maratona de Londres este ano e bronze em Londres-2012 tem o melhor tempo de inscrição, com 2:04:47. Mas de olho mesmo no Stephen Kiprotich (UGA), atual campeão olímpico e mundial, que pode ser o 4º bicampeão mundial seguido de maratona.

Genzebe Dibaba

Sem ainda correr esse ano, a etíope Meseret Defar é bicampeã olímpica e bi mundial e não pode ser deixada de lado. Já Genzebe Dibaba venceu 3 etapas da Diamond League no ano e tem 14:15.41, surgindo como grande favorita. Também vem bem a queniana Mercy Cherono, prata em 2013 e vencedora de 2 etapas. Nos 10.000m, o melhor tempo é da etíope Gelete Burka co 30:49.68. Apenas ela e mais 3 etíopes em Pequim correram para abaixo de 31min este ano. Atual campeã mundial e olímpica, Tirunmesh Dibaba não estará na China. Também fortes Vivian Cheruiyot (KEN), Shalane Flanagan (USA) e Sara Moreira (POR).

Na maratona, melhor marca da etíope Mare Dibaba (sim, Dibaba é um nome bem comum na Etiópia) com 2:19:52 na maratona de Xiamen, única a baixar dos 2:20 este ano. Atual campeã mundial, a queniana Edna Kiplagat tem apenas 2:27:16 este ano, com o 11º lugar em Londres.

Arremessos e Lançamentos

David Storl

A disputa no arremesso de peso promete com o americano Joe Kovacs (22,56m e 22,35m este ano) e o alemão David Storl (22,20m) na disputa. Kovacs nunca disputou uma competição grande, mas chega forte, enquanto Storl é o atual bicampeão mundial e cada um venceu 3 vezes este ano na Diamond League. Bicampeão olímpico Tomas Majewski (POL) tem apenas 20,80m este ano. Já no disco, o nome é do polonês Piotr Malachowski, com 68,29m no ano e 4 vitórias na Diamond League. Machucado, o alemão campeão olímpico e tricampeão mundial Robert Harting não estará em Pequim, abrindo caminho também pro jamaicano Jason Morgan e pra outro alemão, seu irmão Christoph Harting.

Um ouro quase certo pra Polônia é no martelo. Atual campeão, Pawel Fajdek tem apenas as 9 melhores marcas do ano! Ele lidera o ranking com 83,93m, seguido um pouco longe pelo campeão olímpico, o húngaro Kristian Pars com 79,91m. Já o lançamento do dardo tem sido bem imprevisível ultimamente. Depois de bater na trave em 2013, o queniano Julius Yego chega como favorito, com espetaculares 91,39m em Birmingham esse ano! Também vem muito bem o campeão olímpico, o trinitino Keshorn Walcott com 90,16m, o checo atual campeão mundial Vitezslav Vesely e o finlandês Tero Pitkamaki, bronze nesse mesmo estádio em 2008.

Sandra Perkovic

No peso feminino, a alemã Christina Schwanitz tem 12 das 20 melhores marcas do ano, liderando o ranking com 20,77m e aproveita a ausência da super campeã e quase imbatível neozelandesa Valerie Adams. A chinesa Lijia Gong, bronze em Londres e em 2013, também vem muito regular e tem 20,34m no ano. A única outra atleta a arremessar acima de 20m foi a americana Michelle Carter, com 20,02m. Sandra Perkovic dominou as últimas temporadas no disco, mas a croata começa a ver seu domínio ameaçado pela cubana Denia Caballero, que fez excelentes 70,65m este ano. Perkovic tem 70,08m e prometem um duelo bem apertado.

Polônia deve fazer a dobradinha no martelo, também faturando no feminino, com a Anita Wlodarczyk. Campeã mundial em 2009 em Berlim, quando bateu o WR. Este ano, ela já bateu o recorde mundial por duas vezes e se tornou a primeira mulher a lançar acima de 80m, com 81,08m! Ex-recordista mundial e campeã mundial em 2007, a alemã Betty Heidler se firma como a segunda força no ano, com 75,73m e mais 4 acima de 75m. No dardo, a melhor marca é da sul-africana Sunette Viljoen, mas não levou nenhuma Diamond League. A checa Barbora Spotakova é bicampeã olímpica e tem 65,66m no ano. Já a atual campeã mundial, Christina Obergföll, tem apenas 64,11m em 2015 e vem por fora.

Mundial Juvenil de Atletismo – Dia 4

Ouro pro Brasil e os Estados Unidos desencantam.

Sessão diurna

A única final da manhã foi a Marcha 10.000m masculina. Com 39:27.19, recorde da competição, o japonês Daisuke Matsunaga levou o ouro, seguido do espanhol Diego Garcia com 39:51.59 e do peruano Paolo Yurivilca com 40:02.07.

Nas eliminatórias dos 800m masculino, Thiago André, mordido por ter ficado fora do pódio nos 1.500m, ficou em 2º na sua bateria com 1:48.05 e passou para as semifinais, com o segundo melhor tempo do dia. O melhor tempo foi do queniano Joshua Masikonde com 1:47.84.

Na quali do salto triplo, Mateus de Sá fez 16,15m, melhor marca pessoal, e avançou para a final com a 7ª marca. Bruno de Souza não disputou a quali. A melhor marca foi do cubano Lazaro Martinez com 16,63m.

No peso feminino, Izabela da Silva fez 14,54m, terminando em 16º, não avançando. A melhor marca foi da americana Raven Saunders com 16,73m. No salto em altura feminino, Ana Paula de Oliveira ficou com 1,79m, apenas na 22ª colocação não avançando. Ana Paula foi 5ª colocada no Mundial de Menores em 2013. No dardo masculino, a melhor marca foi de Andrian Mardare, da Moldávia, com 74,46m. E no disco masculino, melhor lançamento do croata Martin Markovic com 63,71m.

Na pista, eliminatórias dos 3.000m com obstáculos masculino com o queniano Barnabas Kipyego com melhor tempo de 8:31.72. Nos 1.500m feminino, a etíope Dawit Seyaum fez a melhor marca com 4:14.72. E nos 100m com barreiras feminino, a americana Kendell Williams correu para 13.00.

Sessão noturna

E veio a primeira medalha brasileira! E foi de ouro! Izabela da Silva já havia passado em 1º na qualificação. Na final, começou com 53,93m, ficando em 4º lugar após a primeira série. Mas na 2ª, com um espetacular 58,03m, melhor marca juvenil do ano no mundo e novo recorde juvenil brasileiro,  assumiu a liderança e não perdeu mais. Izabela ainda teve dois lançamentos acima de 57m, com 57,39m e 57,12m. A prata ficou com a americana Valarie Allman com 56,75m e o bronze com a indiana Navjeet Kaur Dhillon com 56,36m. Foi o primeiro ouro feminino brasileiro em Mundiais juvenis. Em 2010, Geisa Arcanjo havia vencido o arremesso de peso, mas foi desclassificada após exame antidoping.

Nas provas de pista, show dos Estados Unidos. Nos 200m masculino, Trentavis Friday venceu com 20.04, seguido do nigeriano Ejowvokoghene Oduduru com 20.25 e do jamaicano Michael O’Hara com 20.31. Segundo a IAAF, ele é o primeiro atleta a disputar uma final mundial em qualquer categoria no dia da semana do seu sobrenome.

Nos 200m feminino, o segundo ouro americano veio por Kaylin Whitney, com 22.82. A sueca Irene Ekelund foi prata com 22.97 e a equatoriana Angela Tenorio foi bronze com 23.15. Quarta medalha mundial da Tenorio, que foi prata nos 100m e em 2013 no mundial de menores foi prata nos 200m e bronze nos 100m.

Nos 400m feminino, mais um ouro americano, dessa vez com Kendall Baisden com 51.85. Prata para a cubana Gilda Casanova com 52.59 e bronze para outra americana, Olivia Baker com 53.00. Nos 400m com barreiras masculino, o ouro foi para o jamaicano Jaheel Hyde com 49.29, melhor tempo juvenil do ano. Prata para Ali Khamis Khamis, do Bahrein, com 49.55 e bronze para o americano Tim Holmes com 50.07.

Fechando as finais de pista, os 5.000m masculino, com dobradinha da Etiópia. Yomif Kejelcha venceu com 13:25.19 e Yasin Haji foi prata com 13:26.21. Fechando o pódio africano, bronze para o queniano Moses Letoyie com 13:28.11.

Nas provas de campo, o russo Mikhail Akimenko fez uma prova do salto em altura quase perfeita. Passou em todas as altura na primeira tentativa até chegar em 2,24m. Com ele, mais 6 atletas ainda estavam na competição! Mas ninguém passou de primeira. O russo passa na 2ª e assume a liderança. O bielorrusso Dzmitry Nabokau também passa de 2ª, e estava com a mão na prata. Dois atletas passam na 3ª e outros 3 não conseguem. Em 2,26m, ninguém consegue passar e o ouro é confirmado para o Akimenko. Nabokau fica com a prata e o bronze vai para o coreano Sanghyeok Woo.

No martelo masculino, Ashraf Elseify (foto) do Qatar fez uma prova espetacular e sem adversários e conquistou o bicampeonato mundial da prova. Os seus seis lançamentos foram acima de 80m e a marca da vitória foi o 84,71m, melhor marca juvenil do ano. A prata ficou com o húngaro Bence Pasztor com 79,99m. Ou seja, ninguém chegou mesmo em 80m além de Elseify. Bronze para o russo Ilya Terentyev com 76,31m.

No arremesso de peso feminino, o domínio absoluto foi da chinesa Tianqian Guo. Todos os arremessos dela foram superiores aos da medalhista de prata. A chinesa venceu com 17,71m. Com a prata a americana Raven Saunders com 16,63m e o bronze para a turca Emel Dereli.

Nas eliminatórias do revezamento 4x100m feminino, o Brasil ficou com a segunda colocação na sua bateria e terceiro tempo no geral, passando para a final com 44.61. Melhor tempo das americanas com 44.03, melhor tempo do ano. Na prova masculina, sem Brasil, o Japão fez o melhor tempo com 39.23, também melhor tempo do ano juvenil. Nas semifinais dos 400m com barreiras feminino, a britânica Shona Richards fez o melhor tempo com 57.08.