Tiro com arco perto de uma medalha

Depois de uma 2ª etapa ruim, os arqueiros brasileiros foram muito bem na 3ª etapa da Copa do Mundo, em Salt Lake City.

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Marcus Vinícius na disputa do bronze, ao fundo

No ranqueamento, Marcus Vinícius D’Almeida foi o melhor, apenas em 45º com 645 pontos. Teve uma ótima 1ª metade com 335, mas caiu na 2ª, para 310. Daniel Xavier, que esteve em duas Olimpíadas, foi 50º com 643 e Marcelo Costa 72º com 624. Já por equipes, o Brasil ficou em 17º com 1912 e não se classificou pro mata-mata por 3 pontos.

Marcus fez uma excelente campanha nos combates. Derrotou japonês na estreia por 6-4, depois passou por americano com 7-1 e pelo cazaque Denis Gankin com 6-5 (9-7 nas flechas da morte). Nas 8as, novamente venceu na flecha de desempate, com 10-9 e nas 4as derrotou malaio por 7-3. Na semifinal, acabou caindo para o cabeça, o sul-coreano Im Dong Hyun por 7-3 e foi disputar o bronze contra o taiwanês Wei Chun-Heng. Wei abriu 2-0 com 28-27, Marcus empatou com 29-28. Wei abriu 4-2 após 28-27. Depois foram dois empates, com 27-27 e 28-28, dando o bronze pro taiwanês. O título ficou com Im Dong Hyun, que fez uma espetacular final coreana contra Kim Woojin. Kim vencia por 5-4 e só precisava de 9 pro ouro, mas fez um 7 e Im empatou. Na flecha de desempate, Kim fez um 9 quase na linha e Im fez um 10 quase um 9!

Outro que fez uma grande etapa foi Marcelo Costa. Com apenas 17 anos e já com um bronze por equipes no Mundial Cadete de 2015, começou derrotando o americano Jake Kaminski, 2 pratas por equipe em Olimpíadas, por 6-4. Depois 6-0 em chinês, 7-3 em cazaque, 6-4 no forte italiano Mauro Nespoli. Nas 4as de final, atirou mal e perdeu pro Im Dong Hyun por 6-0 (27-25, 29-25, 29-24). Ainda assim, um ótimo torneio dele.

A próxima etapa será apenas em agosto, em Berlim.

Tiro com arco faz sua estreia no ano

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Bernardo Oliveira (direita) e Oleksii Hunbin (UKR)

A CBTARCO optou por enviar para a 2ª etapa da Copa do Mundo de tiro com arco, em Antalya, na Turquia, apenas 3 arqueiros e todos no masculino. A mesma equipe que defendeu o país nos Jogos do Rio (Marcus Vinícius D’Almeida, Daniel Xavier e Bernardo Oliveira) foi pra Turquia enquanto nenhuma mulher foi enviada, nem mesmo Ane Marcelle dos Santos, melhor brasileira nos Jogos do Rio e vencedora da seletiva nacional. A federação alegou que ela não atingiu o índice mínimo de 640 no Duplo 70m.

Na Turquia, Marcus Vinícius foi o melhor brasileiro no ranqueamento com 650 pontos e o 43º lugar. Bernardo foi 46º com 649 e Daniel 60º com 641 entre 88 arqueiros. Por equipes, o Brasil ficou na 15ª posição entre 18 e avançou pra chave final.

Daniel e Marcus venceram dois combates na chave masculina. Daniel passou com 6-4 pelo belga Nico Thiry e depois com 6-4 no malaio Haziq Kamaruddin, perdendo na 3ª rodada de 6-2 pro francês Thomas Chirault. Já Marcus venceu por 6-2 o iraniano Sadegh Ashrafi e também por 6-2 o japonês Naoya Oniyama, mas caiu para o japonês Hideki Kikuchi por 6-4. Ele fez um 21 no 4º set… Bernardo caiu logo na estreia por 6-5 com 10-9 na flecha da morte para o ucraniano Oleksii Hunbin.

Por equipes, o Brasil fez a favorita França suar e quase perder. Os franceses abriram 4-0 (56-53, 56-53), mas o Brasil empatou com 58-57 e 57-53. Nas flechas de desempate, um apertado 30-29 deu a vitória pros franceses.

O título da etapa ficou com o francês vice campeão olímpico Jean-Charles Valladont, que venceu o bronze no Rio-2016 Brady Ellison por 6-2. No feminino, vitória da russa Ksenia Perova com 6-5 (9*-9 nas flechas de desempate) na taiwanesa Lin Shih-Chia. Por equipes, ouro pra Itália no masculino (5-3 no Cazaquistão) e Taiwan no feminino (6-0 no Japão). Nas duplas mistas, agora olímpica, Taiwan fez 5-3 na França na decisão.

Resumo do fim de semana

Tiro com Arco

No Brasileiro da modalidade em Campinas, os arqueiros da Íris deram show e levaram tudo no recurvo. Marcus Vinícius D’Almeida, que tinha ficado em 2º na classificatória atrás de Gustavo dos Santos, enfrentou na final o também arqueiro olímpico Daniel Xavier. Eles empataram em 5-5 e, na flecha de desempate, Marcus venceu por 10-8 para ficar com mais um título brasileiro. No feminino, Ane Marcelle dos Santos venceu Larissa Feitos na final por 7-3.

Nas competições por equipes, os Arqueiros da Íris venceram o Círculo Militar de Campinas tanto no masculino por 6-2 como no feminino, por 5-1. Nas duplas mistas, Marcus e Ane Marcelle completaram a semana perfeita com 6-2 sobre Gustavo e Larissa, da Fundação Amazonas Sustentável, na final.

Outros Esportes

Emily Lima

Emily Lima foi anunciada como a nova técnica da seleção feminina de futebol pela CBF. Será a 1ª mulher a comandar a seleção do Brasil. Ótima escolha.

Marcelo Melo, jogando com o canadense Vasek Pospisil, chegou à semifinal do Masters 1.000 de Paris, último torneio regular do ano. Eles perderam na semifinal para o finlandês Henri Kontinen e para o australiano John Peers por 6-4 6-4. Marcelo, que anunciou o novo parceiro para a temporada de 2017, o polonês Lukas Kubot, agora encerra o ano no ATP Finals em Londres ao lado de Ivan Dodig. Bruno Soares e Jamie Murray também jogam.

– Com a saída do técnico Ettore Ivaldi da comissão de canoagem slalom, a CBCa anunciou a nova equipe técnica, que será liderada pelo ex-atleta Cássio Petry, na nova realidade econômica da federação.

– Após muita confusão na última semana por conta dos problemas judiciais na CBDA, principalmente envolvendo o eterno presidente Coaracy Nunes, a Confederação de Esportes Aquáticos confirmou a realização dos brasileiros de natação que faltavam no ano: Campeonato Open e Sênior, em Palhoça, Brasileiro juvenil em Curitiba e Brasileiro Infantil em Aracaju.

Diogo Sclebin foi prata em prova de triatlo no Marrocos, no circuito africano. Ele completou a distância olímpica em 1:53:10, 13s atrás do espanhol Uxio Abuin Ares.

Gabriela Cecchini disputou a Copa do Mundo de florete feminino em St. Maur, na França. Ela avançou para a chave final, mas perdeu para a favorita, a italiana Arianna Errigo, por 15-3. O ouro ficou com a russa campeã olímpica Inna Deriglazova.

– Seleção feminina de rugby 7s foi campeã do Torneio Valentin Martinez, no Uruguai. A equipe venceu todos os 5 jogos e levou o título com 19-14 na Argentina na final.

Resumo Rio-2016 – Tiro com Arco

Pela primeira vez desde que o formato atual com provas individuais e por equipe existe, o tiro com arco foi dominado por um único país. A Coreia do Sul, maior potência da modalidade, venceu os 4 ouros em disputa. Em 1988, 2000, 2004 e 2012, os sul-coreanos venceram 3 das 4 provas.

Individual masculino

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No dia da abertura, tivemos o primeiro recorde mundial antes mesmo da Cerimônia de Abertura. Kim Woojin, até então o favorito ao ouro, fez 700 pontos em 720 possíveis na rodada de ranqueamento, batendo o recorde em 1 ponto, que vinha de Londres-2012. O americano Brady Ellison foi o 2º melhor com 690 e o italiano David Pasqualucci o 3º com 685. Marcus Vinícius D’Almeida foi o melhor brasileiro com a 34ª posição com 658 pontos.

Nas fases de eliminação, Kim Woojin foi surpreendido pelo indonésio Riau Ega Agatha na 2ª rodada, perdendo por 6-2. Pasqualucci também caiu na 2ª rodada, por 6-2 para o espanhol Antonio Fernandez. Enquanto isso, os outros favoritos avançavam, como os sul-coreano Ku Bonchan e Lee Seung-yun, o americano Brady Ellison, o francês Jean-Charles Valladont, o holandês Sjef van den Berg e o japonês Takaharu Furukawa. Entre os brasileiros, Daniel Xavier perder 6-2 pro Lee e Marcus Vinícius caiu na estreia por 6-2 pro americano Jake Kaminski. Bernardo Oliveira venceu na estreia 6-4 o australiano Alec Potts, mas perdeu na 2ª rodada por 7-1 pro jovem chileno de 16 anos Ricardo Soto.

Nas 4as, Valladont eliminou na flecha de morte o italiano Mauro Nespoli, ouro por equipes em Londres. Van den Berg tirou Lee Seung-yun num belíssimo combate que foi 6-4 pro holandês. Ku Bonchan venceu também na flecha de morte a surpresa australiana Taylor Worth e Ellison venceu 6-2 o japonês Fukuhara.

Nas semis, confrontos de altíssimo nível com Valladont fazendo 7-3 no van den Berg e Ku Bonchan vencendo na flecha decisiva 9-8 sobre o Ellison. Na final, o coreano abriu 4-0, mas viu o francês encostar com 5-3. Na última série, Bonchan 27-26 e o ouro pra Coreia do Sul. Na disputa do bronze, Brady Ellison aproveitou que o holandês não atirava bem para fechar com 6-2 e completar o pódio.

Equipes masculinas

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Como esperado, a Coreia do Sul ficou em 1º lugar no ranqueamento com 2057 pontos contra 2024 dos EUA e 2007 da Itália. O Brasil ficou em 11º entre 12 equipes com 1948.

Nas 8as, o Brasil caiu logo na estreia por 6-2 para China. Nas 4as, a Coreia do Sul fez 6-0 na Holanda, a Austrália, 4ª colocada, tirou a forte França, 5ª, com 5-3. Do outro lado da chave, a China surpreendeu a forte equipe italiana, que contava com 2 arqueiros campeões em Londres-2012, por 6-0 e os EUA eliminaram a Indonésia por 6-2.

Nas semifinais, a Coreia fez 6-0 na Austrália e EUA também venceu sem perder nenhum set, com 6-0 na China. Na disputa do bronze, a Austrália foi mais constante para levar o bronze inédito com 6-2 sobre os chineses e na grande final, mais um show do trio Kim Woojin, Ku Bonchan e Lee Seung-yun, que fechou com 6-0, com parciais excepcionais de 60-57, 58-57, 59-56. EUA fica pela 2ª vez seguida com a prata e a Coreia do Sul é ouro pela 5ª vez na história.

Individual feminino

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No ranqueamento, um dia perfeito pra Coreia do Sul, com os 3 primeiros lugares: Choi Misun 1ª com 669, Chang Hyejin 2ª com 666 e Ki Bobae, campeã em Londres, em 3º com 663. Tan Ya-ting, de Taipei, foi 4ª com 656. Ane Marcelle dos Santos foi a melhor brasileira na ótima 26ª posição com 637. Ela ficou boa parte do ranqueamento entre as 10 primeiras.

As 3 coreanas seguiram até as 4as de final. Uma das principais surpresas foi a eliminação logo na estreia da vice-campeã olímpica em Londres, a mexicana Aida Roman, que perdeu de 6-4 para Alexandra Mirca, da Moldávia. Entre as brasileiras, Sarah Nikitin caiu na estreia 6-0 para a norte-coreana Kang Un-ju e Marina Canetta perdeu 7-1 para a chinesa Qi Yuhong. Ane Marcelle foi a melhor do Brasil nessa edição. Ela venceu 7-3 japonesa na estreia, depois passou com 6-0 sobre australiana. Nas 8as, não atirou bem e perdeu para a britânica Naomi Folkard por 6-2.

Nas 4as, Choi Misun atirou mal e perdeu de 6-0 para a mexicana Alejandra Valencia e a alemã Lisa Unruh surpreendeu Tan Ya-ting na flecha decisiva. Do outro lado da chave, as coreanas sobraram. Ki Bobae fez 6-2 na chinesa Wu Jiaxin e Chang Hyejin passou pela Folkard com 7-1. Nas semis, Unruh seguiu sua excelente campanha e venceu a mexicana por 6-2 e no duelo sul-coreano, Chang bateu a campeã olímpica e mundial Ki Bobae por 7-3. Na disputa do bronze, Ki e Valencia fizeram um belo duelo, vencido pela coreana por 6-4, com um belo 30-25 no último set. Na grande final, Chang fez 6-2 na alemã para levar o ouro, o 8º do país na prova pela 8ª arqueira diferente!

Equipe feminina

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Com tranquilidade, a Coreia do Sul sobrou na prova. No ranqueamento ficou em 1º com 1998, 60 a mais que a 2ª colocada, a Rússia, e 65 a mais que a 3ª, a China. O Brasil terminou em 11º com 1845 entre 12 equipes.

Nas 8as, o Brasil perdeu por 6-0 para a Itália, atirando bem mal. Nas 4as, a Coreia do Sul passou com 5-1 pelo Japão e Taipei virou o combate sobre o México. As mexicanas abriram 4-0 e Taipei empatou. Nas flechas de desempate, 26-25 para as asiáticas. A Itália fez 5-3 na China e a Rússia eliminou a Índia por 5-4, com 25-23 no desempate.

Nas semifinais, a Coreia começou com um brilhante 60 sobre Taipei e fechou em 5-1. Na outra partida, as vicecampeãs mundiais russas começaram perdendo de 3-1, mas viraram para 5-3. A Itália tinha a vaga na final na mão. Estava empatada em 3-3 e a Rússia fez 52 no 4º set. A Itália tinha 28 e só precisava de de 25, mas uma das arqueiras fez um 3 e tirou a Itália da final. Muito abaladas, as italianas até tentaram, mas perderam de 5-3 para Taipei, que levou o bronze. Na final, a Coreia fez 58-49 e 55-51. No último set, 51-51 com Ki Bobae fechando com um 8 e dando o 4º ouro do tiro com arco pra Coreia do Sul. Em 8 edições da equipe feminina em Jogos, são 8 ouros sul-coreanos!

Rio-2016 – Dia 7

Fiquei uns dias sem escrever, mas vou falar sobre a sexta-feira antes, meu último dia de trabalho como voluntário.

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Dia de finais masculinas, a manhã estava muito chuvosa, garoando, fria e parecia que teríamos um dia horrível no Sambódromo. Pela manhã, as 8as de final, sem brasileiros. Fiquei como “walker”, levando os atletas para as disputas e trazendo-os de volta, pois havia um pedaço que passava no meio do público. Nos intervalos, o clima era de festa para os que perdiam e todo mundo aproveitava para tirar fotos e trocar pins.

Na hora do almoço, clima de despedida, com fotos da equipe no campo de combates. Na última sessão, abrindo com as quartas-de-final, onde o francês Jean-Charles Valladont venceu na flecha de morte o italiano Mauro Nespoli. No 2º combate, surpresa com o jovem holandês Sjef van den Berg eliminando o favorito sul-coreano Lee Seung-yun por 6-4. O outro sul-coreano na disputa, Ki Bonchan, foi muito ameaçado pelo australiano Taylor Worth e venceu apenas na flecha de desempate, por 10-9. No último combate da rodada, o americano Brady Ellison venceu por 6-2 o japonês Takaharu Furukawa.

Nas semifinais, em duelo europeu, onde Valladont venceu van den Berg por 7-3 e se garantiu na final. Na final antecipada, Ku Bonchan e Brady Ellison fizeram um duelo espetacular, que foi para a flecha de desempate, onde o sul-coreano venceu por 9-8, para alívio da sua equipe.

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Ellison voltou em seguida para a disputa de bronze, vencendo o holandês por 6-2 e ficando com um bronze. O americano chorou demais ao conquistar sua 1ª medalha olímpica individual. Já na final, muita disputa com uma final sensacional, vencido por Ku Bonchan por 7-3! Com isso, pela 1ª vez na história, a Coreia do Sul faturou os 4 ouros da modalidade em uma Olimpíada!

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Galera do FOP (Field of Play)

Encerrada, assim, a minha participação ativa nos Jogos Olímpicos Rio-2016! Foram 9 dias de trabalho, muito trabalho. Carregando flecha, levando atleta, carregando alvo, prancheta, trabalhando com o público na experimentação, debaixo de muito sol, de chuva, e pé e andando 8 horas por dia, mas foi tudo muito gostoso.

Alguns problemas, claro, algumas situações chatas, muitos momentos bem divertidos e, claro, se sentir parte do maior evento do planeta. Ótimo reencontrar muita gente que trabalhou no evento-teste no ano passado, que descobriu o tiro com arco há menos de um ano e já ama o esporte, que aprendeu as regras e conhece os atletas de longe. Que descobriram os coreanos e idolatram Ki Bo Bae, Ku Bonchan e Kim Woojin. Não sei se trabalharei novamente em Tóquio, mas fica o gostinho de quero mais. Obrigado a todos!

Rio-2016 – Dia 0

Eu no Rio-2016

Que dia! A única competição esportiva do dia foi o ranqueamento do tiro com arco e todos os olhos estavam voltados ao Sambódromo. Como treinamos no dia anterior, eu e mais 9 voluntários ficamos responsáveis pela entrega das planilhas e tablets para os atletas no ranqueamento.

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Ranking round feminino. Sou o segundo de amarelo da direita pra esquerda. Foto: acervo pessoal

Pela manhã, a prova masculina. Eu fiquei com os alvos 17, 18 e 19, sendo que nos dois primeiros estavam os brasileiros Marcus Vinícius e Bernardo Oliveira e dois coreanos (entre outros atletas). A prova ocorreu muito bem de baixo de um sol bem forte e muito calor. Mas nada disso foi empecilho para o favorito ao ouro, o sul-coreano Kim Woojin. Ele não estava no meu alvo, e sim no 16. Atirando de forma espetacular, Kim fez incríveis 700 pontos em 720 possíveis para não só pegar o 1º lugar no ranqueamento como para bater o recorde mundial do round olímpico! Prova espetacular com 26 Xs, 26 10s e 20 9s. Com 690 veio o americano Brady Ellison em 2º lugar.

Muito nervosos, os brasileiros não fizeram boas provas. Marcus Vinícius D’Almeida foi o melhor em 34º com 568 pontos. Bernardo Oliveira foi 45º com 651 e Daniel Xavier 53º com 639. Por equipe, o Brasil 11º entre 12 com 1948 pontos.

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Os voluntários e um dos árbitros. Foto: acervo pessoal

A tarde tivemos a prova feminina. Nos mesmo alvos, cuidei das planilhas de russas, georgianas, japonesas e outras. Sem recordes na prova, a melhor da tarde foi a coreana Choi Misun com 669, ficando a 3 pontos do recorde olímpico. Logo depois dela, as outras 2 coreanas! Ane Marcelle dos Santos surpreendeu na prova e terminou em 26º com 637. Sarah Nikitin mal em 50ª com 609 e Marina Canetta em 54ª com 599. Por equipe, também o 11º lugar com 1845. Ane Marcelle chegou a ficar em 6º lugar em certo momento da prova!

Com resultados ruins, os brasileiros pegam adversários fortes na chave de mata-mata. Agora resta aguardar sábado com a equipe masculina para ver o que dá.

Cerimônia de Abertura

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Fui ao Maracanã para acompanhar pela 1ª vez na vida a Cerimônia de Abertura de uma Olimpíada. Em minha 3ª Olimpíada, foi minha primeira vez na abertura. Num estádio lotado e muito animado, achei a cerimônia simpática. Bonita, sem momentos inesquecíveis, mas tudo correto, sem falhas, e de certa forma surpreendente.

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A primeira parte gostei bastante, com destaque para as coreografias de Deborah Colker e para as projeções no chão do Maracanã. Gisele Bundchen deu show na maior passarela do mundo e aquele momento da floresta, com as fitas penduradas que ficavam cruzando foi de uma beleza singular.

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Legal no final ver todas as escolas de samba tocando juntas e simplesmente adorei a escolha pela Vanderlei Cordeiro de Lima para acender a pira. Tinham falado que seria o Guga, mas ele só entrou no estádio. Bom ver que realmente foi uma surpresa o final. E que pira, não? Efeito sensacional!

Pois é, começou! E neste sábado estou de folga então partiu Parque Olímpico!

Prévias Rio-2016: Tiro com Arco

Individual masculino

Pódio Londres-2012: Ouro – Oh Jin-hyek (KOR); Prata – Takaharu Furukawa (JPN); Bronze – Dai Xiaoxiang (CHN)

Último Mundial (2015): Ouro – Kim Woo-jin (KOR); Prata – Rick van der Ven (NED); Bronze – Takaharu Furukawa (JPN)

Kim Woo-jin (KOR)

Quando o assunto é tiro com arco, não da para não falar de Coreia do Sul. O campeão olímpico Oh Jin-hyek não passou pela seletiva sul-coreana e não estará no Rio. Mas o campeão mundial Kim Woo-jin estará e é o favorito ao ouro olímpico. Apesar do país dominar o esporte, o ouro de Oh Jin-hyek foi o 1º no individual masculino da Coreia do Sul, e Kim pode continuar o domínio. Ele foi campeão mundial em 2011 e em 2015. Seu compatriota Lee Seung-yun foi campeão mundial em 2013 e, junto com Ku Bon-chan, pode formar um pódio completo da Coreia do Sul.

O americano Brady Ellison (1P) nunca ganhou um título mundial individual, mas é um dos maiores arqueiros do mundo. Com 22 vitórias em Copas do Mundo, uma medalha de cada cor em Mundiais, 3 ouros em Pans, ele é um forte candidato ao pódio, após fracassar no individual nas duas últimas Olimpíadas, caindo na 2ª rodada. Os holandeses vem mostrando grande evolução na prova e hoje estão entre os melhores, como o atual vice-campeão mundial Rick van der Ven e seu compatriota Sjef van den Berg.

Também ficar de olho no francês Jean-Charles Valladont, atual campeão europeu, no espanhol Miguel Alvariño, ouro nos Jogos Europeus, no japonês Takaharu Furukawa (1P) e no italiano Mauro Nespoli (1O-1P).

E o Brasil? O país cresceu bastante no tiro com arco e a equipe é liderada por Marcus Vinícius D’Almeida. Com 18, ele é campeão mundial cadete e foi prata nos Jogos Olímpicos da Juventude de 2014, mas não vem num bom ano. Ainda assim, é uma ótima aposta, mas a pressão pode pesar sobre ombros tão novos. Bernardo Oliveira teve bons resultados na Copa do Mundo em 2015, mas este ano ainda não passou da 2ª rodada. Daniel Xavier esteve em Londres-2012 e teve resultados parecidos. Marcus é o que deve chegar mais longe entre os 3.

Meu Pódio: Ouro – Kim woo-jin (KOR); Prata – Ku Bon-chan (KOR); Bronze – Rick van der Ven (NED)

Equipe masculina

Pódio em Londres-2012: Ouro – Itália; Prata – Estados Unidos; Bronze – Coreia do Sul

Último Mundial (2015): Ouro – Coreia do Sul; Prata – Itália; Bronze – Taipei

Difícil não prever mais um título sul-coreano na prova. Eles venceram 7 dos últimos 8 mundiais e 3 das últimas 4 Olimpíadas, mas a derrota na semi de Londres-2012 e a ausência no pódio do mundial de 2013 podem colocar o título em dúvida. A equipe é formada por Kim Woo-jin, Ku Bon-chan e Lee Seung-yun, nenhum deles com experiência olímpica, mas todos tem títulos mundiais na carreira. Este ano, venceram as 3 etapas da Copa do Mundo e estão mais que credenciados pro topo do pódio, onde já estiveram no evento-teste em setembro de 2015.

Há outras excelentes equipes capazes de destronar os coreanos. Atuais campeã olímpica, a Itália tem 2 arqueiros da campanha de ouro de 2012, Mauro Nespoli (1O-1P) e Marco Galiazzo (2O-1P), mas só conquistaram um bronze nos últimos dois anos em Copas do Mundo. Em compensação, foram vice-campeões mundiais em 2015 com a mesma formação que virá ao Rio. A equipe americana tem dois vice-campeões olímpicos em Londres: o excelente Brady Ellison (1P) e Jake Kaminski (1P), mas nenhum pódio esse ano em Copas do Mundo. A equipe da Holanda é muito boa, com Sjef van den Berg e Rick van der Ven, mas não subiram muito ao pódio em provas recentes. Outras equipe que podem beliscar uma medalha são o Brasil, China, Taipei e França. São apenas 12 equipes na disputa.

E o Brasil? A equipe cresceu demais e pode causar uma enorme surpresa logo no 1º dia dos Jogos. Sem Marcus Vinícius D’Almeida, ficaram em 4º na etapa turca da Copa do Mundo. Completa, pode surpreender, mas dependerá de um bom ranqueamento para fugir dos favoritos.

Meu Pódio: Ouro – Coreia do Sul; Prata – Holanda; Bronze – Itália

Individual feminino

Pódio em Londres-2012: Ouro – Ki Bo-bae (KOR); Prata – Aída Roman (MEX); Bronze – Mariana Avitia (MEX)

Último Mundial (2015): Ouro – Ki Bo-bae (KOR); Prata – Lin Shih-chia (TPE); Bronze – Choi Mi-sun (KOR)

A atual campeã olímpica, a sul-coreana Kim Bo-bae (2O) vem com todo o favoritismo pro ouro. Ano passado venceu o único título que ainda não tinha, o mundial, mas não vence uma prova individual em Copa do Mundo desde 2012! Sua maior rival é sua compatriota Choi Mi-sun, que fará sua estreia olímpica. Ela venceu duas etapas esse ano, em Medellin e Antalya, e chegou a duas finais no ano passado no circuito. O bronze no Mundial só melhora suas chances. As arqueiras de Taipei Lin Shih-chia e Tan Ya-ting são boas ameaças às coreanas. Lin foi vice no último mundial e Tan esteve esse ano nos 3 pódios de Copas do Mundo, a única a conseguir tal feito em 2016.

As russa estão em ótima fase. Ksenia Perova foi vice na etapa de Antalya e Tuyana Dashidorzhieva foi prata no europeu. As duas ao lado de Inna Stepanova foram campeãs mundiais por equipe no ano passado. De olho também nas mexicanas, lideradas pela vice-campeã olímpica Aida Roman (1P), nas indianas, em especial na Deepika Kumari e na chinesa Wu Jiaxin. Também podem surpreender a alemã Lisa Unruh e a americana Mackenzie Brown.

E o Brasil? Sarah Nikitin é a arqueira brasileira com o melhor resultado da história, quando chegou às 4as de final do Mundial de 2013. Se juntam a ela Ane Marcelle dos Santos e Marina Canetta. Ane Marcelle é quem vem de melhores resultados esse ano e dominou a seletiva brasileira. Ela e a Sarah tem melhores condições de chegar mais longe. Canetta não deve chegar muito longe, não.

Meu Pódio: Ouro – Ksenia Perova (RUS); Prata – Choi Mi-sun (KOR); Bronze – Tan Ya-ting (TPE)

Equipe feminina

Pódio em Londres-2012: Ouro – Coreia do Sul; Prata – China; Bronze – Japão

Último Mundial (2015): Ouro – Rússia; Prata – Índia; Bronze – Coreia do Sul

Coreia do Sul

Dificilmente a Coreia do Sul perde o ouro neste prova. Em 7 edições olímpicas que a prova por equipes foi disputada, jamais a Coreia não ficou com o ouro. Em Mundiais, são 10 títulos nas últimas 14 edições! Ki Bo-bae (4O), Choi Mi-sun e Chang Hye-jin formam uma das equipes mais fortes dos Jogos. As três foram ouro por equipe nas últimas duas Copas do Mundo e tem tudo para manter a escrita no Sambódromo.

Cinco equipes vem fortes e podem subir ao pódio. A Ucrânia vem do título europeu este ano e a Rússia levou duas medalhas na Copa do Mundo, mas contam com o título mundial em 2015, após vencer a Coreia na semifinal por 5-4, com 28-27 nas flechas de desempate! A equipe da Índia tem Deepika Kumari e Laxmirani Majhi e tem a medalha de prata do último mundial. China e Taipei são muito fortes, podendo pegar uma medalha também.

E o Brasil? As meninas do Brasil tem poucas chances de medalha. No ranqueamento, devem ficar de fora do top4 e precisarão disputar a preliminar, onde provavelmente vão encarara logo na estreia uma das equipes favoritas. Podem surpreender? Se atirarem bem, sim, mas não é o provável.

Meu Pódio: Ouro – Coreia do Sul; Prata – Rússia; Bronze – Índia