Mundial de Atletismo – Dia 1

Cinco anos após os Jogos de Londres, o Estádio Olímpico recebe novamente os melhores do mundo no atletismo para um mundial que marca a despedida de Usain Bolt. Nesta sexta-feira, apenas uma final e a estreia do jamaicano.

10.000m masculino

38402781-19d2-429f-a9fa-24510cbf7aff

Mo Farah (GBR)

Em sua despedida das pistas, Mo Farah fez mais uma vez história em casa. O somali que cresceu em terras britânicas fez aquilo que sabe melhor. Passou praticamente toda a corrida no fundo do pelotão, não deixando os africanos abrirem. Faltando duas voltas, assumiu a liderança e forçou o sprint para vencer pela 3ª vez seguida a prova em Mundiais com 26:49.51, melhor marca do mundo em 2017! Foi o 6º título mundial de Farah. Joshua Kiprui Cheptegei, de Uganda, ficou com a prata após acelerar na última reta e passar os quenianos completando com 26:49.94. O queniano Paul Tanui foi bronze com 26:50.60.

Pista

e6d404fc-7e9f-4719-b30e-7f6bd8a05d97

Usain Bolt (JAM)

Usain Bolt estreou na sua última prova individual da carreira. Ele venceu a 6ª bateria da primeira rodada dos 100m com 10.07, soltando bastante nos 20m finais, suficiente para vencer, deixando o britânico James Dasaolu em 2º com 10.13. O melhor tempo da rodada foi do jamaicano Julian Forte, na 3ª bateria com 9.99. Dono do melhor tempo do ano, o americano Christian Coleman venceu a 1ª com 10.01 e Justin Gatlin levou a 5ª com 10.05 após vaias quando foi anunciado.

Nos 1.500m feminino, o melhor tempo veio na 1ª bateria, com a etíope Genzebe Dibaba, prata olímpica. Com 4:02.67, ela deixou a sul-africana Caster Semenya em 2º lugar com 4:02.84. A holandesa Sifan Hassan levou a 2ª eliminatória com 4:08.89 e a queniana Faith Kipyegon a 3ª com 4:03.09.

Campo

e95fe153-bfb7-4220-8a4b-a46cdd9dd474

Radek Juska (CZE)

Duas grandes surpresas vieram nas qualificações deste primeiro dia, ambas com americanos envolvidos. Atual campeão olímpico, Jeff Henderson ficou apenas em 17º no salto em distância com 7,84m, muito longe do seu PB de 8,52m, e ficou fora da final. A melhor maca foi do checo Radek Juska, com 8,24m. Oito saltadores conseguiram marca acima de 8,05m, que classificaria diretamente pra final. Único brasileiro a competir nesta sexta, Paulo Sérgio Oliveira fez 7,53m, foi apenas 27º, piorando em 52cm a marca que fez em junho. E ainda não quis falar com a imprensa.

A outra surpresa foi no salto com vara. Campeã olímpica neste mesmo estádio em 2012, a americana Jenn Suhr foi entrar na prova apenas em 4,55m, mas queimou as 3 e foi eliminada. Todas outras favoritas avançaram, como o pódio do Rio-2016 (grega Ekaterini Stefanidi, a americana Sandi Morris e a neozelandesa Eliza McCartney), a cubana Yarisley Silva e a sueca Angelica Bengtsson.

7dd75e8a-ed59-4b6f-8b22-cc36bd13b19a

Robert Harting (GER)

No lançamento de disco masculino, 6 lançaram acima dos 64,50m necessários. Melhor marca do sueco Daniel Stahl com 67,64m, seguido do lituano Andrius Gudzius com 67,01m e do alemão Robert Harting, campeão olímpico neste mesmo estádio, com 65,32m. Também avançaram os poloneses Piotr Malachowski (65,13m) e Robert Urbanek (63,67m) e o estoniano Gerd Kanter (63,61m). Prata no último mundial, o belga Philip Milanov foi 14º com 63,16m, fora da final.

Anúncios

Mundial de Atletismo – Dia 8

O domínio da Jamaica e o único recorde mundial da competição.

Revezamento 4x100m masculino

Embed from Getty Images

Foi a prova que fechou o sábado, mas foi muito interessante. A equipe americana no papel tinha o favoritismo, mas, como já é sabido há alguma tempo, eles não treinam revezamento. E isso ficou claro nesta final. Eles abriram com Trayvonn Bromell e Justin Gatlin para disparar, e funcionou. Tyson Gay manteve a liderança, mas, na passagem para Mike Rodgers, um confusão e muito tempo perdido. A Jamaica aproveitou e, fechando com Usain Bolt, venceram com 37.36, melhor tempo de 2015 e o 11º título mundial do jamaicano. Os americanos chegaram em 2º, mas a última passagem foi fora da área e eles foram desclassificados. Surpresa enorme com a China, que subiu pra prata com 38.01 e o Canadá levou o bronze com 38.13.

A última vitória americana em uma competição importante foi no Mundial de 2007. Desde 2004 foam 3 Olimpíadas e 6 mundiais. Os americanos só tiveram 1 ouro e 3 pratas…

Revezamento 4x100m feminino

Embed from Getty Images

A prova foi parecida, mas quem abriu mito bem foi a Holanda. Dafne Schippers foi a 2ª e disparou. Correndo muito, entregou na frente e sua equipe tinha tudo para pegar um bronze, mas uma troca desastrosa na última passagem também as desclassificou. A Jamaica com sua equipe espetacular venceu com 41.07, recorde do campeonato e 2º melhor tempo da história. As americanas ficaram com a prata com 41.68 e Trinidad & Tobago levou o bronze com 42.03. Sem Ana Cláudia, o Brasil ficou com o 9º tempo nas eliminatórias.

Salto em altura feminino

Embed from Getty Images

Quem passou em 2,01m levou medalha. Numa prova perfeita, a russa Maria Kuchina não cometeu nenhum erro até os 2,03m e levou o ouro. Bicampeã mundial em 2007 e 2009, a croata Blanka Vlasic perdeu o ouro por uma bobagem, quando queimou o 1º salto ainda em 1,92m! Campeã olímpica em Londres, a russa Anna Chicherova queimou uma em 1,97m e uma nos 2,01m e acabou com o bronze.

Decatlo masculino

Ashton Eaton e seu novo recorde mundial. Foto: Franck Fife/AFP/Getty Images

Ashton Eaton chegou pra prova de 1.500m, a última do decatlo, precisando correr abaixo de 4:18 para bater o recorde mundial dele mesmo. Com 4:17.52 e 829 pontos, ele não apenas venceu com 9.045 pontos, como bateu o recorde mundial! Ele fez uma prova impecável, com 1.040 pontos nos 100m (10.23!), 1.030 no salto em distância (7,88m), 1.015 nos 110m com barreiras (13.69) e espetaculares 1.060 pontos nos 400m com 45.00! Foi a melhor performance nos 400m na história de um decatlo.

Campeã do Pan, o canadense Damian Warner foi prata com 8.695 e o alemão Rico Freimuth foi bronze com 8.561. Interessante ver um argelino em 5º com 8.461, novo recorde africano. Felipe dos Santos começou muito bem com 968 nos 100m e 945 no salto em distância, mas foi caindo até desistir na 9ª prova. Luiz Alberto de Araujo não fazia uma boa prova e abandonou ainda na 4ª, no salto em altura.

Lançamento de Disco masculino

Embed from Getty Images

O polonês Piotr Malachowski abriu com 65,09 na final e na 2ª tentativa fez o lançamento de ouro, com 67,40m. O belga Philip Milanov bateu o recorde nacional com 66,90m e levou a prata enquanto o polonês Robert Urbanek foi bronze com 65,18m. Campeão olímpico neste mesmo estádio em 2008, o estoniano Gerd Kanter foi 4º na prova marcada pela ausência de Robert Harting, tricampeão mundial.

800m feminino

Embed from Getty Images

Campeã europeia, a bielorrussa Marina Arzamasova deixou as favoritas para trás e levou o ouro com 1:58.03. Campeão no Pan, a canadense Melissa Bishop conquistou a prata com 1:58.12 e a campeã mundial em 2013, a queniana Eunice Sum, foi bronze com 1:58.18.

5.000m masculino

Embed from Getty Images

Mo Farah é o cara mesmo. Assim como nos 10.000m, ele ficou no pelotão para disparar no finalzinho e vencer com 13:50.38, para se tornar o primeiro tricampeão mundial da prova. O queniano Caleb Ndiku foi prata com 13:51.75 e o etíope Hagos Gebrhiwet foi bronze com 13:51.86.

Marcha 50km masculina

Embed from Getty Images

Dono do melhor tempo do ano, o eslovaco Matej Toth confirmou o favoritismo para vencer a prova mais longa do atletismo olímpico com 3:40:32. Dono de 3 medalhas olímpicas, o australiano Jared Tallent levou a prata com 3:42:17, sua 3ª medalha em mundiais na prova. O japonês Takayuki Tanii completou o pódio com 3:42:55. Campeão surpreendente há dois anos, o irlandês Robert Heffernan ficou em 5º. Mario José dos Santos começou muito bem e na parcial de 15km era o 3º colocado, mas abandonou a prova.

Mundial de Atletismo – Prévia III

Terceira prévia do Mundial, com as provas de fundo de pista, a maratona e os lançamento e arremessos.

Fundo

Mo Farah

Não dá muito pra medir favoritos pelos tempos do ano, afinal cada prova é uma prova diferente, com ritmo diferente, com ou sem coelho. Tanto que os 8 melhores tempos do ano dos 5.000m masculino foram na Diamond League de Roma, quando o etíope Yomif Kejelcha venceu com 12:58.39. Em 6 provas da Diamond League, 6 campeões diferentes. Mas de olho no etíope Hagos Gebrhiwet, na equipe queniana sempre forte e, claro, no britânico atual campeão olímpico e mundial Mo Farah.

Nos 10.000m, Mo Farah também é o favorito, onde também é o atual campeão olímpico e mundial e tem o melhor tempo do ano com 26:50.97. Claro, de olho na força etíope e queniana. Já na maratona, prova que abre o Mundial nesta sexta a noite, o vice-campeão da maratona de Londres este ano e bronze em Londres-2012 tem o melhor tempo de inscrição, com 2:04:47. Mas de olho mesmo no Stephen Kiprotich (UGA), atual campeão olímpico e mundial, que pode ser o 4º bicampeão mundial seguido de maratona.

Genzebe Dibaba

Sem ainda correr esse ano, a etíope Meseret Defar é bicampeã olímpica e bi mundial e não pode ser deixada de lado. Já Genzebe Dibaba venceu 3 etapas da Diamond League no ano e tem 14:15.41, surgindo como grande favorita. Também vem bem a queniana Mercy Cherono, prata em 2013 e vencedora de 2 etapas. Nos 10.000m, o melhor tempo é da etíope Gelete Burka co 30:49.68. Apenas ela e mais 3 etíopes em Pequim correram para abaixo de 31min este ano. Atual campeã mundial e olímpica, Tirunmesh Dibaba não estará na China. Também fortes Vivian Cheruiyot (KEN), Shalane Flanagan (USA) e Sara Moreira (POR).

Na maratona, melhor marca da etíope Mare Dibaba (sim, Dibaba é um nome bem comum na Etiópia) com 2:19:52 na maratona de Xiamen, única a baixar dos 2:20 este ano. Atual campeã mundial, a queniana Edna Kiplagat tem apenas 2:27:16 este ano, com o 11º lugar em Londres.

Arremessos e Lançamentos

David Storl

A disputa no arremesso de peso promete com o americano Joe Kovacs (22,56m e 22,35m este ano) e o alemão David Storl (22,20m) na disputa. Kovacs nunca disputou uma competição grande, mas chega forte, enquanto Storl é o atual bicampeão mundial e cada um venceu 3 vezes este ano na Diamond League. Bicampeão olímpico Tomas Majewski (POL) tem apenas 20,80m este ano. Já no disco, o nome é do polonês Piotr Malachowski, com 68,29m no ano e 4 vitórias na Diamond League. Machucado, o alemão campeão olímpico e tricampeão mundial Robert Harting não estará em Pequim, abrindo caminho também pro jamaicano Jason Morgan e pra outro alemão, seu irmão Christoph Harting.

Um ouro quase certo pra Polônia é no martelo. Atual campeão, Pawel Fajdek tem apenas as 9 melhores marcas do ano! Ele lidera o ranking com 83,93m, seguido um pouco longe pelo campeão olímpico, o húngaro Kristian Pars com 79,91m. Já o lançamento do dardo tem sido bem imprevisível ultimamente. Depois de bater na trave em 2013, o queniano Julius Yego chega como favorito, com espetaculares 91,39m em Birmingham esse ano! Também vem muito bem o campeão olímpico, o trinitino Keshorn Walcott com 90,16m, o checo atual campeão mundial Vitezslav Vesely e o finlandês Tero Pitkamaki, bronze nesse mesmo estádio em 2008.

Sandra Perkovic

No peso feminino, a alemã Christina Schwanitz tem 12 das 20 melhores marcas do ano, liderando o ranking com 20,77m e aproveita a ausência da super campeã e quase imbatível neozelandesa Valerie Adams. A chinesa Lijia Gong, bronze em Londres e em 2013, também vem muito regular e tem 20,34m no ano. A única outra atleta a arremessar acima de 20m foi a americana Michelle Carter, com 20,02m. Sandra Perkovic dominou as últimas temporadas no disco, mas a croata começa a ver seu domínio ameaçado pela cubana Denia Caballero, que fez excelentes 70,65m este ano. Perkovic tem 70,08m e prometem um duelo bem apertado.

Polônia deve fazer a dobradinha no martelo, também faturando no feminino, com a Anita Wlodarczyk. Campeã mundial em 2009 em Berlim, quando bateu o WR. Este ano, ela já bateu o recorde mundial por duas vezes e se tornou a primeira mulher a lançar acima de 80m, com 81,08m! Ex-recordista mundial e campeã mundial em 2007, a alemã Betty Heidler se firma como a segunda força no ano, com 75,73m e mais 4 acima de 75m. No dardo, a melhor marca é da sul-africana Sunette Viljoen, mas não levou nenhuma Diamond League. A checa Barbora Spotakova é bicampeã olímpica e tem 65,66m no ano. Já a atual campeã mundial, Christina Obergföll, tem apenas 64,11m em 2015 e vem por fora.