Mundial de Atletismo – Dia 1

Cinco anos após os Jogos de Londres, o Estádio Olímpico recebe novamente os melhores do mundo no atletismo para um mundial que marca a despedida de Usain Bolt. Nesta sexta-feira, apenas uma final e a estreia do jamaicano.

10.000m masculino

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Mo Farah (GBR)

Em sua despedida das pistas, Mo Farah fez mais uma vez história em casa. O somali que cresceu em terras britânicas fez aquilo que sabe melhor. Passou praticamente toda a corrida no fundo do pelotão, não deixando os africanos abrirem. Faltando duas voltas, assumiu a liderança e forçou o sprint para vencer pela 3ª vez seguida a prova em Mundiais com 26:49.51, melhor marca do mundo em 2017! Foi o 6º título mundial de Farah. Joshua Kiprui Cheptegei, de Uganda, ficou com a prata após acelerar na última reta e passar os quenianos completando com 26:49.94. O queniano Paul Tanui foi bronze com 26:50.60.

Pista

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Usain Bolt (JAM)

Usain Bolt estreou na sua última prova individual da carreira. Ele venceu a 6ª bateria da primeira rodada dos 100m com 10.07, soltando bastante nos 20m finais, suficiente para vencer, deixando o britânico James Dasaolu em 2º com 10.13. O melhor tempo da rodada foi do jamaicano Julian Forte, na 3ª bateria com 9.99. Dono do melhor tempo do ano, o americano Christian Coleman venceu a 1ª com 10.01 e Justin Gatlin levou a 5ª com 10.05 após vaias quando foi anunciado.

Nos 1.500m feminino, o melhor tempo veio na 1ª bateria, com a etíope Genzebe Dibaba, prata olímpica. Com 4:02.67, ela deixou a sul-africana Caster Semenya em 2º lugar com 4:02.84. A holandesa Sifan Hassan levou a 2ª eliminatória com 4:08.89 e a queniana Faith Kipyegon a 3ª com 4:03.09.

Campo

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Radek Juska (CZE)

Duas grandes surpresas vieram nas qualificações deste primeiro dia, ambas com americanos envolvidos. Atual campeão olímpico, Jeff Henderson ficou apenas em 17º no salto em distância com 7,84m, muito longe do seu PB de 8,52m, e ficou fora da final. A melhor maca foi do checo Radek Juska, com 8,24m. Oito saltadores conseguiram marca acima de 8,05m, que classificaria diretamente pra final. Único brasileiro a competir nesta sexta, Paulo Sérgio Oliveira fez 7,53m, foi apenas 27º, piorando em 52cm a marca que fez em junho. E ainda não quis falar com a imprensa.

A outra surpresa foi no salto com vara. Campeã olímpica neste mesmo estádio em 2012, a americana Jenn Suhr foi entrar na prova apenas em 4,55m, mas queimou as 3 e foi eliminada. Todas outras favoritas avançaram, como o pódio do Rio-2016 (grega Ekaterini Stefanidi, a americana Sandi Morris e a neozelandesa Eliza McCartney), a cubana Yarisley Silva e a sueca Angelica Bengtsson.

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Robert Harting (GER)

No lançamento de disco masculino, 6 lançaram acima dos 64,50m necessários. Melhor marca do sueco Daniel Stahl com 67,64m, seguido do lituano Andrius Gudzius com 67,01m e do alemão Robert Harting, campeão olímpico neste mesmo estádio, com 65,32m. Também avançaram os poloneses Piotr Malachowski (65,13m) e Robert Urbanek (63,67m) e o estoniano Gerd Kanter (63,61m). Prata no último mundial, o belga Philip Milanov foi 14º com 63,16m, fora da final.

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Resumo Rio-2016 -Atletismo: meio-fundo e fundo

1.500m masculino

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Matthew Centrowitx (USA)

Prova bem fraca pro nível esperado. Na 1ª rodada, 2 das baterias foram com bons tempos. Na 1ª, o queniano Asbel Kiprop, um dos favoritos, venceu com 3:38.97 com Ayanleh Souleiman, de Djibuti, em 3º. Na 2ª, vitória do argelino Taoufik Makhloufi com 3:46.82. Na 3ª bateria, o melhor tempo da rodada veio com o checo Jakub Holusa com 3:38.31. A principal ausência nas semifinais foi o norueguês Filip Ingebrigtsen, campeão europeu este ano e desclassificado por obstruir outro atleta. Nas semifinais, prova um pouco mais fracas que as eliminatórias. Kiprop levou a 1ª com 3:39.73 e o queniano Ronald Kwemoi faturou a 2ª com 3:39.42.

Na final, ritmo muito fraco, com ninguém querendo assumir a liderança, que estava com os americanos Matthew Centrowitz e Ben Blakenship. Kiprop, Makhloufi e Souleiman estavam no fundo, só estudando. Primeira volta fraca com 66.83. Na 2ª volta, começou a aparecer o neozelandês Nick Willis, que assumiu a ponta. Mas logo viu o Kiprop ir pra frente e o queniano Ronald Kwemoi cair, mas ele buscou o pelotão, já que o ritmo estava bem fraco, tanto que a 2ª volta foi mais lenta ainda com 69.76. Na 3ª volta, Souleiman começou a crescer e se tornou o novo líder, mas ele manteve o ritmo, sem disparar e com isso Centrowitz passou o africano.Na última volta, o Kiprop apertou o passo para acompanhar o americano, que jogou o queniano para a raia 2, que não aguentou o ritmo do americano e teve que se segurar para que o neozelandês Willis não o passasse, mas 4 atletas o passaram no final. Vitória de Matthew Centrowitz com 3:50.00, seguido do argelino Taoufik Makhloufi com 3:50.11 e do neozelandês Nick Willis com 3:50.24. Foi a primeira vitória de um americano na prova desde Londres-1908 e ainda quebrou uma sequência de 5 ouros africanos na prova. Makhloufi, que havia vencido em Londres, caiu uma posição no pódio e Willis, prata em Pequim, volta ao pódio olímpico.

5.000m masculino

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Mo Farah (GBR)

Na 1ª rodada, o etíope Hagos Gebrhiwet venceu a 1ª bateria com 13:24.65 enquanto o americano Paul Chelimo levou a 2ª com 13:19.54. Aliás, os 10 primeiros da 2ª bateria fizeram tempo melhor que o etíope. Vale observar que os 3 quenianos na prova não avançaram para a final. Entretanto, outros 3 quenianos chegaram à final, mas competindo por outros países: 2 pelos Estados Unidos e 1 por Bahrain.

O britânico nascido na Somália Mo Farah queria completar o duplo-duplo (5.000m e 10.000m), tendo vencido a prova mais longa uns dias antes. A prova começou como esperado, com dois etíopes assumindo a liderança e Farah ficando por último. Mas Dejen Gebremeskel e Gebrhiwet aumentaram o ritmo seguidos do americano Paul Chelimo. Com isso, Farah teve que mudar sua tática e foi pra frente do pelotão antes do esperado. A partir da metade da prova, Farah manteve a liderança e controlava o ritmo, com uma fila indiana atrás dele. Nos últimos 600m, a corrida começou a apertar. Farah segurou a tentativa de Joshua Cheptegei, de Uganda, de abrir, mas aí apareceu o etíope Gebrhiwet, que passou por fora dos outros e por fim passou o britânico, não querendo repetir os 2 últimos mundiais, vencidos por Farah.

O etíope não aguentou e com isso o americano Chelimo forçou e ficou no meio dos dois.Os dois disputaram metro a metro na última volta, mas não alcançavam o britânico. Na última curva, Chelimo foi pra fora tentando passar Farah e Gebrhiwet e quase o conseguiu, mas o britânico aumentou o passo e venceu com 13:03.30. Paul Chelimo foi prata com 13:03.90 e Hagos Gebrhiwet completou o pódio com 13:04.35. Em sua 5ª Olimpíada, o americano Bernard Lagat com 41 anos foi 5º com 13:06.78, batendo o recorde mundial máster.

10.000m masculino

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Mo Farah (GBR)

Sem perder em uma competição importante na distância desde 2011, Mo Farah controlou a prova para levar mais um ouro. O queniano Paul Tanui foi para a frente do pelotão e Mo Farah se manteve lá o fundo, como de costume. Permaneceu no final por mais de 2km de prova. Na 7ª volta, Farah e o americano Galen Rupp se chocaram e o britânico caiu na pista. Levantando-se rapidinho, Farah alcançou o pelotão e se manteve em 4º. Com 4 voltas pro final, 6 atletas se destacavam e Farah assumiu a frente, mas sem disparar, apenas controlando a corrida.

Na última volta, o britânico seguia na frente, mas Tanui apertou para tentar passá-lo. Com 300m pro fim, o queniano abriu e passou Farah, mas na última curva o britânico ligou o turbo e deixou o etíope para trás para vencer com 27:05.17. Tanui foi prata com 27:05.64. Na briga pelo bronze, Rupp viu dois etíopes o passarem quase na chegada, mas Tamirat Tola passou com 27:06.26, apenas 1 centésimo mais rápido que Yigrem Demelash. Com 27:08.92, Rupp cruzou em 5º. Farah se tornou o 6º da história a vencer os 10.000m por duas vezes e o 5º a fazê-lo de maneira seguida. Aliás, foi o 3º atleta consecutivo a fazer a dobradinha, seguindo os mitos Haile Gebrselassie e Kenenisa Bekele.

3.000m com obstáculos masculino

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Conseslus Kipruto (KEN)

Expectativa de mais um pódio dominado pelos quenianos na prova. Mas não foi bem assim. Nas eliminatórias, o americano Hillary Bor venceu a 1ª bateria com 8:25.01 e o quenaino Ezekiel Kemboi, ouro em 2004 e 2012, foi o 3º com 8:25.51, ficando entre os 3 primeiros que passavam automaticamente para a final. Na 2ª bateria, mais um americano na frente: Evan Jager com 8:25.86. Na 3ª, a mais forte das 3, venceu o queniano Conseslus Kipruto com 8:21.40. O forte ritmo foi ótimo pro brasileiro Altobeli da Silva, que fechou em 6º com 8:26.59 e garantiu vaga na final por tempo.

Na final, realizada pela manhã do dia 17 de agosto, Conseslus Kipruto largou na frente e já havia uma fila e não um pelotão na prova. Na 2ª volta, Kipruto apertou e só foi acompanhado pelo americano Evan Jager e abriu-se um buraco na prova. O bicampeão olímpico Kemboi, o queniano campeão de Pequim Brimin Kipruto, Jacob Araptany, de Uganda, e Yemane Haileselassie, da Eritreia, se juntaram e estravam se aproximando dos líderes. Quando, no último obstáculo da 3ª volta, Araptany se desequilibrou e levou um tombo feio. Faltando 2 voltas, mais uma queda, agora com o tunisiano Amor Ben Yahia.

A corrida seguiu da mesma maneira, com Jager na frente até pouco antes do sino da última volta. No penúltimo salto sobre o rio, Kemboi passou na frente, mas no obstáculo seguinte o líder já era Kipruto e os quenianos foram lado a lado. No último salto sobre o rio, Kipruto forçou e um cansado Kemboi ficou para trás, assim, Conseslus Kipruto fechou com 8:03.28, novo recorde olímpico e o ouro. Evan Jager aproveitou o cansaço do outro queniano e o passou na reta final para levar a prata com 8:04.28, enquanto Ezekiel Kemboi passou em 3º. Bem longe, o francês Mahiedine Mekhissi-Benabbad, prata nas últimas 2 Olimpíadas, cruzou em 4º com 8:11.52.

Mas depois da corrida, a equipe da França entrou com um recurso, dizendo que Kemboi pisou fora da pista após um obstáculo. Os árbitros viram o vídeo e confirmaram a desclassificação do queniano. Com isso, o francês herdou o bronze. O brasileiro Altobeli da Silva ficou na ótima 9ª posição com 8:26.30. Kemboi anunciou sua aposentadoria após a corrida. Com a vitória de Kipruto, o Quênia agora tem uma sequencia espetacular de 9 ouros olímpicos seguidos na prova e o francês se torna o 1º atleta a subir 3 vezes seguidas ao pódio da prova.

1.500m feminino

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Faith Kipyegon (KEN)

Na 1ª rodada, sem surpresas, pois mais da metade avançava para as semifinais. O melhor tempo foi da etíope Dawit Seyaum com 4:05.33. Nas semifinais, duas provas de nível bem parecido, com a favorita etíope Genzebe Dibaba fazendo o melhor tempo com 4:03.06. Principal ausência na final seria da americana Brenda Martinez, bronze no mundial de 2013 nos 800m.

Na final, o objetivo era não deixar Genzebe Dibaba escapar. A prova começou muito lenta, com a primeira volta sendo completada em altíssimos 1:16.57, com a etíope indo pro fim da fila. Cansadas do ritmo lento, as atletas aumentaram o passo e com 700m Dibaba e a holandesa Sifan Hassan foram pra frente, mas com o pelotão colado. Quem foi pra disputa com a etíope foi a britânica Laura Muir, com 6 vindo logo atrás. No toque do sino, a queniana Faith Kipyegon chegou ao lado de Dibaba e as duas ficaram lado a lado.

Fatando 200m, Kipyegon disparou deixando a etíope pra trás para vencer com 4:08.92. A briga pelo bronze aumentou atrás com as americanas Jennifer Simpson e Shannon Rowbury, Sifan Hassan e Laura Muir. Na entrada da reta final, Simpson abriu e no sprint final quase ultrapassou Dibaba. A etíope foi prata com 4:10.27 enquanto Simpson pegou o bronze com 4:10.53.

5.000m feminino

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Vivian Cheruiyot (KEN)

Nas eliminatórias, o foco foi todo para a 2ª bateria, mas não pelos tempos das vencedoras, mas sim pelo que aconteceu entre as últimas. A americana Abbey D’Agostino e a neozelandesa Nikki Hamblin se chocaram e ambas caíram. A americana levantou antes e, ao invés de correr, parou para ajudar Hamblin. Um pouco depois, D’Agostino sentiu uma lesão e caiu novamente. Aí foi a vez de Hamblin parar para encorajar a americana a levantar e terminar a corrida. Elas foram as últimas, mas ainda assim os árbitros cederam vagas na final. Além disso, ambas receberam o prêmio de Fair Play pelo Comitê Internacional de Fair Play. O melhor tempo das eliminatórias foi da etíope Almaz Ayana nesta mesma bateria com 15:04.35.

A final começou meio confusa com os árbitros corrigindo a saída por 3 vezes. No início, as 4 quenianas na disputa (3 por Quênia e 1 pela Turquia) foram pra frente e forçaram Ayana a acelerar. A etíope disparou e abriu 25m sobre o pelotão e a distância aumentava a cada volta. No último quilometro, a distância entre Ayana e as quenianas parou de aumentar. Com 300m faltando, Vivian Cheruiyot e Hellen Obiri chegaram em Ayana e passaram a etíope. Vivian Cheruyot venceu com 14:26.17, bem a frente de Hellen Obiri com 14:29.77. Almaz Ayana sofreu para terminar e pegar o bronze com 14:33.59. As 3 correram abaixo do recorde olímpico anterior. Por incrível que pareça, esse é o 1º ouro do Quênia nos 5.000m feminino.

10.000m feminino

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Almaz Ayana (ETH)

Foi a primeira final do atletismo nos Jogos e já tivemos um recorde mundial logo na abertura! Foi na manhã do dia 12 de agosto, uma sexta-feira, que Almaz Ayana brilhou. A etíope já tinha corrido no ano para 30:07.00, melhor tempo em 7 anos, mas tinha como grandes adversárias a campeão olímpica em Londres, sua compatriota Tirunesh Dibaba, e a campeã mundial em Pequim-2015, a queniana Vivian Cheruiyot.

Eram 37 atletas na prova, mas após 2km o pelotão da frente já tinha apenas 8 corredoras: 3 quenianas, 3 etíope, a americana Molly Huddle e a turca Yasemin Can. O ritmo foi muito forte, algo inesperado para uma competição mundial, já que não há coelho. Na metade da prova, Ayana assumiu a liderança, que era da queniana Alice Nawowuna e não perdeu mais. Com o fortíssimo ritmo de 71s por volta, Ayana deu pelo menos uma volta em quase 25 atletas e completou com o incrível tempo de 29:17.45! Baixou o tempo do recorde anterior, que vinha desde 1993, em 14 segundos! Prata para Vivian Cheruiyot com 29:32.53, recorde nacional, e bronze para a etíope Tirunesh Dibaba. A prova foi tão forte que tivemos a quebra de 8 recordes nacionais! Em 8 edições olímpicas da prova, este foi o 5º ouro etíope, o 3º seguido.

3.000m com obstáculos feminino

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Ruth Jebet (BRN)

A primeira bateria das eliminatórias foi bem forte com a favorita Ruth Jebet, do Bahrain, vencendo com 9:12.62. Na 2ª, vitória da queniana Beatrice Chepkoech com 9:17.55 e na 3ª da também queniana Hyvin Jepkemoi com 9:24.61.

Na final, Jebet fez sua estratégia, que tem sido bem sucedida em outras competições. Ficou as 2 primeiras voltas com o pelotão, mas, faltando pouco mais de 5, começou a forçar e abrir. Apenas a queniana Jepkemoi e a americana Emma Coburn acompanhara o seu ritmo, e as 3 abriam cada vez mais do pelotão. Após mais 2 voltas, Jebet abriu das duas e já tinha uma boa vantagem, enquanto a queniana deixava a americana para trás. As duas travavam uma boa batalha pela prata, enquanto Jebet estava tranquila na frente. Tanto que Ruth Jebet cruzou pro ouro com 8:59.75, estabelecendo o novo recorde asiático. Na reta final, Coburn passou a queniana, que tirou do fundo energias para um sprint final para ultrapassar a americana. Hyvin Jepkemoi foi prata com 9:07.12 e Emma Coburn bronze com 9:07.63, novo recorde continental. Foi o 1º ouro da história olímpica pra o Bahrain e a 1ª medalha americana nesta prova nos Jogos. O tempo da barenita foi o 2º melhor da história, ficando a menos de 1s do recorde mundial, que ela quebraria alguns dias depois dos Jogos, em Paris.

Mundial de Atletismo – Dia 8

O domínio da Jamaica e o único recorde mundial da competição.

Revezamento 4x100m masculino

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Foi a prova que fechou o sábado, mas foi muito interessante. A equipe americana no papel tinha o favoritismo, mas, como já é sabido há alguma tempo, eles não treinam revezamento. E isso ficou claro nesta final. Eles abriram com Trayvonn Bromell e Justin Gatlin para disparar, e funcionou. Tyson Gay manteve a liderança, mas, na passagem para Mike Rodgers, um confusão e muito tempo perdido. A Jamaica aproveitou e, fechando com Usain Bolt, venceram com 37.36, melhor tempo de 2015 e o 11º título mundial do jamaicano. Os americanos chegaram em 2º, mas a última passagem foi fora da área e eles foram desclassificados. Surpresa enorme com a China, que subiu pra prata com 38.01 e o Canadá levou o bronze com 38.13.

A última vitória americana em uma competição importante foi no Mundial de 2007. Desde 2004 foam 3 Olimpíadas e 6 mundiais. Os americanos só tiveram 1 ouro e 3 pratas…

Revezamento 4x100m feminino

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A prova foi parecida, mas quem abriu mito bem foi a Holanda. Dafne Schippers foi a 2ª e disparou. Correndo muito, entregou na frente e sua equipe tinha tudo para pegar um bronze, mas uma troca desastrosa na última passagem também as desclassificou. A Jamaica com sua equipe espetacular venceu com 41.07, recorde do campeonato e 2º melhor tempo da história. As americanas ficaram com a prata com 41.68 e Trinidad & Tobago levou o bronze com 42.03. Sem Ana Cláudia, o Brasil ficou com o 9º tempo nas eliminatórias.

Salto em altura feminino

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Quem passou em 2,01m levou medalha. Numa prova perfeita, a russa Maria Kuchina não cometeu nenhum erro até os 2,03m e levou o ouro. Bicampeã mundial em 2007 e 2009, a croata Blanka Vlasic perdeu o ouro por uma bobagem, quando queimou o 1º salto ainda em 1,92m! Campeã olímpica em Londres, a russa Anna Chicherova queimou uma em 1,97m e uma nos 2,01m e acabou com o bronze.

Decatlo masculino

Ashton Eaton e seu novo recorde mundial. Foto: Franck Fife/AFP/Getty Images

Ashton Eaton chegou pra prova de 1.500m, a última do decatlo, precisando correr abaixo de 4:18 para bater o recorde mundial dele mesmo. Com 4:17.52 e 829 pontos, ele não apenas venceu com 9.045 pontos, como bateu o recorde mundial! Ele fez uma prova impecável, com 1.040 pontos nos 100m (10.23!), 1.030 no salto em distância (7,88m), 1.015 nos 110m com barreiras (13.69) e espetaculares 1.060 pontos nos 400m com 45.00! Foi a melhor performance nos 400m na história de um decatlo.

Campeã do Pan, o canadense Damian Warner foi prata com 8.695 e o alemão Rico Freimuth foi bronze com 8.561. Interessante ver um argelino em 5º com 8.461, novo recorde africano. Felipe dos Santos começou muito bem com 968 nos 100m e 945 no salto em distância, mas foi caindo até desistir na 9ª prova. Luiz Alberto de Araujo não fazia uma boa prova e abandonou ainda na 4ª, no salto em altura.

Lançamento de Disco masculino

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O polonês Piotr Malachowski abriu com 65,09 na final e na 2ª tentativa fez o lançamento de ouro, com 67,40m. O belga Philip Milanov bateu o recorde nacional com 66,90m e levou a prata enquanto o polonês Robert Urbanek foi bronze com 65,18m. Campeão olímpico neste mesmo estádio em 2008, o estoniano Gerd Kanter foi 4º na prova marcada pela ausência de Robert Harting, tricampeão mundial.

800m feminino

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Campeã europeia, a bielorrussa Marina Arzamasova deixou as favoritas para trás e levou o ouro com 1:58.03. Campeão no Pan, a canadense Melissa Bishop conquistou a prata com 1:58.12 e a campeã mundial em 2013, a queniana Eunice Sum, foi bronze com 1:58.18.

5.000m masculino

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Mo Farah é o cara mesmo. Assim como nos 10.000m, ele ficou no pelotão para disparar no finalzinho e vencer com 13:50.38, para se tornar o primeiro tricampeão mundial da prova. O queniano Caleb Ndiku foi prata com 13:51.75 e o etíope Hagos Gebrhiwet foi bronze com 13:51.86.

Marcha 50km masculina

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Dono do melhor tempo do ano, o eslovaco Matej Toth confirmou o favoritismo para vencer a prova mais longa do atletismo olímpico com 3:40:32. Dono de 3 medalhas olímpicas, o australiano Jared Tallent levou a prata com 3:42:17, sua 3ª medalha em mundiais na prova. O japonês Takayuki Tanii completou o pódio com 3:42:55. Campeão surpreendente há dois anos, o irlandês Robert Heffernan ficou em 5º. Mario José dos Santos começou muito bem e na parcial de 15km era o 3º colocado, mas abandonou a prova.

Mundial de Atletismo – Dia 1

Três finais com boas emoções e algumas surpresas no dia que abre o 15º Mundial de Atletismo no antológico estádio Ninho de Pássaro em Pequim.

Maratona Masculina

Ghirmay Ghebreslassie. Foto: AFP

Na primeira prova do Mundial, muito calor, muita humidade e muita poluição atrapalharam muito os atletas. Um grande pelotão se formou com mais de 30 atletas e assim ficou por uns 20km, incluindo o brasileiro Solonei da Silva. Aos 25km, dois italianos abriram, mas foram engolidos pelo pelotão. Aos 30km, a surpresa foi um corredor do Lesoto liderar e chegou a abrir mais de 1min do resto. Seria a primeira medalha da história do Lesoto. Seria. Aí surgiu a figura do eritrino Ghirmay Ghebreslassie. Aos 19 anos, Ghebreslassie disparou para vencer desbancando todos os favoritos e entrar no Estádio para cruzar com 2:12:28. O etíope Yemane Tsegay foi prata com 2:13:08 e o ugandense Munyo Solomon Mutai completou o pódio com 2:13:30. Solonei foi o único brasileiro a completar, em 18º com 2:19:20.

Arremesso de Peso Feminino

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Sem a pentacampeã mundial Valerie Adams na disputa, o pódio era quase certo, só faltava definir as colocações das 3 favoritas. A chinesa Gong Lijiao, bronze em Londres-2012, abriu com 20,30m. A alemã Christina Schwanitz foi aproximando com 19,80m e 20,00m até passar com 20,37m, assumir a liderança e não perder mais! Gong não conseguiu melhorar e teve que ficar com a prata. A americana Michelle Carter foi bronze com 19,76m. E 4º, a húngara Anita Marton com 19,48m, novo recorde nacional. Geisa Arcanjo está voltando aos pouco e foi 15ª na quali com 17,42m.

10.000m Masculino

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Num ritmo bem forte a partir da metade da prova, um pelotão de 5 atletas disparou, com 3 queniano, o campeão mundial e olímpico Mo Farah e o americano Galen Rupp, único que consegue acompanhar o ritmo dos africanos. Na última volta, Mo Farah fez o que sabe melhor, abrir no final. Faltando 300m, ele quase tropeçou e perdeu tudo, mas terminou com 27:01.13 para levar seu 4º título mundial. O campeão mundial de cross-country este ano, Geoffrey Kamworor foi prata com 27:01.76 e Paul Tanui completou o pódio com dois quenianos com 27:02.83, repetindo o bronze de 2013.

Outras Provas

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Decepção brasileira no salto com vara. 4º do mundo este ano, Thiago Braz sofreu com 5,55, passando apenas na 3ª chance, mas não conseguiu passar em 5,70m e fica fora da final. Já Augusto de Oliveira também penou em 5,55m, mas passou de 1ª em 5,65m e em 5,70m e se garantiu na final. Fábio da Silva, longe da sua melhor forma, não passou em 5,40m. Renaud Laviellenie só entrou na prova em 5,70m, passando de 1ª e se garantindo na final. Atual campeão mundial, o alemão Raphael Holzdeppe fez a mesma estratégia, mas só passou na 3ª tentativa e também está na final.

Keila Costa chega em sua 3ª final do salto triplo, após atingir 14,03m e passar em 10º lugar. Núbia Soares sofreu para acertar sua marca e só conseguiu um salto válido, 13,52m, melhor salto da temporada e 22ª. A búlgara Gabriela Petrova fez a melhor marca com 14,44m, seguida da favorita colombiana Caterina Ibarguen com 14,42m na 1ª tentativa.

Wagner Domingos em seu 1ª mundial terminou em 22º no lançamento de martelo com 71,82m na frente de bons nomes. Sem esforço, o polonês Pawel Fajdek que defende o ouro fez 78,38m.

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Justin Gatlin venceu sua bateria dos 100m com impressionantes 9.83 (+2,1), melhor tempo do dia nos 100m. A sensação americana de 20 anos Trayvon Bromell fez o 2º tempo com 9.91. Ao todo 8 atletas correram abaixo de 10s, incluindo Asafa Powell com 9.95 e o bicampeão mundial Usain Bolt, com 9.96 soltando demais no final. Campeão mundial de 2003, o veterano Kim Collin (SKN) não avançou.

Grande surpresa nos 400m com barreiras masculino, com o campeão mundial em 2005, o americano Bershawn Jackson correu bem mal para 50.14 e não avançou. Melhor tempo do queniano Nicholas Bett com 48.37. Favoritos como Javier Culson (PUR) e Kerron Clement (USA) avançaram.

Quenianos dominaram as eliminatórias dos 3.000m com obstáculos masculino, vencendo as 3 baterias. Melhor tempo do favoritíssimo Ezekiel Kemboi com 8:24.75. Pintando mais um pódio todo queniano na prova. Kemboi busca o tetra!

Já ns 1.500m feminino, as etíopes que dominaram. Recordista mundial Genzebe Dibaba fez o melhor tempo com 4:02.59. Na bateria mais fraca, Sifan Hassan (NED) quebrou a hegemonia etíope, vencendo com 4:09.52. Abeba Aregawi (SWE) e Jennifer Simpson (USA) também avançaram.

Nos 800m masculino, melhor tempo do queniano Ferguson Rotich com 1:45.83. Outros favoritos como Amel Tuka (BIH), Adam Kszczot (POL), Nijel Amos (BOT) e Mohammd Aman (ETH) venceram suas baterias. Cleiton Abrão fez um dos piores tempos do dia, 1:49.79, terminando em 42º e eliminado.

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O primeiro dia do heptatlo viu a campeã olímpica Jessica Ennis-Hill liderar em sua volta às pistas com 4.005 pontos, seguida da sua compatriota Katarina Johnson-Thompson com 3.925 e da holandesa Nadine Visser com 3.871. Vanessa Spinola não faz bom Mundial, bem abaixo da sua marca do Pan. Ela tem 3.438 pontos e está em 27ª entre 33.

Mundial de Atletismo – Prévia III

Terceira prévia do Mundial, com as provas de fundo de pista, a maratona e os lançamento e arremessos.

Fundo

Mo Farah

Não dá muito pra medir favoritos pelos tempos do ano, afinal cada prova é uma prova diferente, com ritmo diferente, com ou sem coelho. Tanto que os 8 melhores tempos do ano dos 5.000m masculino foram na Diamond League de Roma, quando o etíope Yomif Kejelcha venceu com 12:58.39. Em 6 provas da Diamond League, 6 campeões diferentes. Mas de olho no etíope Hagos Gebrhiwet, na equipe queniana sempre forte e, claro, no britânico atual campeão olímpico e mundial Mo Farah.

Nos 10.000m, Mo Farah também é o favorito, onde também é o atual campeão olímpico e mundial e tem o melhor tempo do ano com 26:50.97. Claro, de olho na força etíope e queniana. Já na maratona, prova que abre o Mundial nesta sexta a noite, o vice-campeão da maratona de Londres este ano e bronze em Londres-2012 tem o melhor tempo de inscrição, com 2:04:47. Mas de olho mesmo no Stephen Kiprotich (UGA), atual campeão olímpico e mundial, que pode ser o 4º bicampeão mundial seguido de maratona.

Genzebe Dibaba

Sem ainda correr esse ano, a etíope Meseret Defar é bicampeã olímpica e bi mundial e não pode ser deixada de lado. Já Genzebe Dibaba venceu 3 etapas da Diamond League no ano e tem 14:15.41, surgindo como grande favorita. Também vem bem a queniana Mercy Cherono, prata em 2013 e vencedora de 2 etapas. Nos 10.000m, o melhor tempo é da etíope Gelete Burka co 30:49.68. Apenas ela e mais 3 etíopes em Pequim correram para abaixo de 31min este ano. Atual campeã mundial e olímpica, Tirunmesh Dibaba não estará na China. Também fortes Vivian Cheruiyot (KEN), Shalane Flanagan (USA) e Sara Moreira (POR).

Na maratona, melhor marca da etíope Mare Dibaba (sim, Dibaba é um nome bem comum na Etiópia) com 2:19:52 na maratona de Xiamen, única a baixar dos 2:20 este ano. Atual campeã mundial, a queniana Edna Kiplagat tem apenas 2:27:16 este ano, com o 11º lugar em Londres.

Arremessos e Lançamentos

David Storl

A disputa no arremesso de peso promete com o americano Joe Kovacs (22,56m e 22,35m este ano) e o alemão David Storl (22,20m) na disputa. Kovacs nunca disputou uma competição grande, mas chega forte, enquanto Storl é o atual bicampeão mundial e cada um venceu 3 vezes este ano na Diamond League. Bicampeão olímpico Tomas Majewski (POL) tem apenas 20,80m este ano. Já no disco, o nome é do polonês Piotr Malachowski, com 68,29m no ano e 4 vitórias na Diamond League. Machucado, o alemão campeão olímpico e tricampeão mundial Robert Harting não estará em Pequim, abrindo caminho também pro jamaicano Jason Morgan e pra outro alemão, seu irmão Christoph Harting.

Um ouro quase certo pra Polônia é no martelo. Atual campeão, Pawel Fajdek tem apenas as 9 melhores marcas do ano! Ele lidera o ranking com 83,93m, seguido um pouco longe pelo campeão olímpico, o húngaro Kristian Pars com 79,91m. Já o lançamento do dardo tem sido bem imprevisível ultimamente. Depois de bater na trave em 2013, o queniano Julius Yego chega como favorito, com espetaculares 91,39m em Birmingham esse ano! Também vem muito bem o campeão olímpico, o trinitino Keshorn Walcott com 90,16m, o checo atual campeão mundial Vitezslav Vesely e o finlandês Tero Pitkamaki, bronze nesse mesmo estádio em 2008.

Sandra Perkovic

No peso feminino, a alemã Christina Schwanitz tem 12 das 20 melhores marcas do ano, liderando o ranking com 20,77m e aproveita a ausência da super campeã e quase imbatível neozelandesa Valerie Adams. A chinesa Lijia Gong, bronze em Londres e em 2013, também vem muito regular e tem 20,34m no ano. A única outra atleta a arremessar acima de 20m foi a americana Michelle Carter, com 20,02m. Sandra Perkovic dominou as últimas temporadas no disco, mas a croata começa a ver seu domínio ameaçado pela cubana Denia Caballero, que fez excelentes 70,65m este ano. Perkovic tem 70,08m e prometem um duelo bem apertado.

Polônia deve fazer a dobradinha no martelo, também faturando no feminino, com a Anita Wlodarczyk. Campeã mundial em 2009 em Berlim, quando bateu o WR. Este ano, ela já bateu o recorde mundial por duas vezes e se tornou a primeira mulher a lançar acima de 80m, com 81,08m! Ex-recordista mundial e campeã mundial em 2007, a alemã Betty Heidler se firma como a segunda força no ano, com 75,73m e mais 4 acima de 75m. No dardo, a melhor marca é da sul-africana Sunette Viljoen, mas não levou nenhuma Diamond League. A checa Barbora Spotakova é bicampeã olímpica e tem 65,66m no ano. Já a atual campeã mundial, Christina Obergföll, tem apenas 64,11m em 2015 e vem por fora.

Mundial de Atletismo – Dia 1

E começou! O principal Mundial do ano, cheio de ídolos e na sombra do doping, começou neste sábado com 2 finais e a grande maioria dos favoritos avançando.

Maratona feminina

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Edna Kiplagat se tornou a 1ª bicampeã seguida da maratona feminina em Mundiais após vencer a primeira final de Moscou com 2:25:44. Não parecia que a queniana levaria após passar na marca de 10km 29s após as lideres, mas ela se recuperou e nos 15km já estava no pelotão da liderança. A italiana Valeria Straneo esteve no pelotão da frente por quase toda a prova e ficou com uma excelente prata. A italiana se torna a primeira europeia a medalhar nesta prova em Mundiais desde 2005 e se torna a pessoa mais velha da história a vencer uma medalha em Mundiais em provas de corrida individuais, entre homens e mulheres! Ela tem 37 anos e completou com 2:25:58.
O bronze veio para a japonesa Kayoko Fukushi com 2:27:45, que só percebeu que era o bronze quando entrou no estádio. É que junto com as 2 outras medalhistas estava a etíope Meselech Melkamu, que abandonou aos 30km.
A prova foi disputada sob muito sol e calor. Tanto que a 4ª colocada chegou 4min depois da japonesa!

10.000m masculino

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A primeira final dentro do estádio foi justamente a mais longa e que é disputada em final direta. A prova foi bem parecida com a de Daegu-2011. O britânico Mo Farah, campeão olímpico nos 5 e nos 10.000m, e o etíope Ibrahim Jeilan duelaram no sprint final, mas, diferente de 2 anos atras, a vitoria foi para o britânico. Com 27:21.71, Farah conquistou o ouro que faltava para a sua coleção e acabou com uma sequência de 5 vitorias seguidas de etíopes na prova! Jeilan, que não completava uma prova de 10.000m há quase 2 anos e perdeu os Jogos Olímpicos por contusão, completou com 27:22.23 e o queniano Paul Tanui fechou com 27:22.61. O etíope Dejen Gebremeskel, que possui o melhor tempo do ano na prova ficou apenas em 16º.

Provas da manhã

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A primeira prova foi a qualificação do lançamento de disco feminino, com 6 mulheres atingindo acima de 63,00m, se classificando direto para a final. Com 64,16m, a lituana Zinaida Sendriute foi a melhor no Grupo A e a favorita, a croata Sandra Perkovic, foi a melhor do B com 63,62m. A decepção ficou com a número 2 do mundo, a chinesa Gu Siyu que, assim como a brasileira Fernanda Borges, queimou as 3 tentativas e ficou sem marca.
Na qualificação do salto com vara masculino, 3 brasileiros estavam na disputa. Apenas Augusto de Oliveira, com 5,55m, atingiu a final. Thiago Braz, que fez 5,83m há um mês, parou no 5,40m e João Gabriel Sousa ficou nos 5,25m. O favorito francês, Renaud Lavillenie foi direto para o 5,65m e precisou de 2 tentativas. Todos que passaram no 5,55m estarão na final, que contará com 12 nomes.
Nas eliminatórias dos 800m, Kleberson Davide foi apenas 5º na sua bateria com 1:48.28 e não passou para a semi. Sem o queniano David Rudisha, a melhor marca da manha ficou com o etíope Mohammed Aman com 1:44.93, o único abaixo de 1:45.
Na preliminar dos 100m masculino, onde só deveriam ter nomes desconhecidos, o finalista em Daegu Daniel Bailey, de Antigua e Barbuda, venceu a sua bateria com 10.51.
Apôs 3 primeiras provas do decatlo, o favoritíssimo Ashton Eaton liderava com 2.755 pontos contra 2.707 do alemão Michael Schrader. Carlos Chinin começou bem nos 100m com 10.78 (910 pontos), fez 7,54m (945) no salto em distancia e no arremesso de peso atingiu 14,49m (758) e aparecia numa excelente 6ª posição com 2.613!

Provas da tarde

Na quali do martelo masculino, apenas 5 atingiram a marca de 77m, e com 79,06, o húngaro Kristian Pars dez a melhor marca. No salto em distancia feminino, apenas 3 conseguiram 6,75m e a britânica Shara Proctor foi a melhor com 6,85. A americana campeã olímpica Brittney Reese passou no limite! Ficou em 12ª com 6,57m empatada com outra americana. No critério de desempate (2º melhor salto), Reese foi melhor que a outra e passou. Ufa!
Na primeira rodada dos 100m, sem surpresas. Usain Bolt venceu sua serie com 10.07 e os outros 3 jamaicanos avançaram. O melhor tempo do dia foi do americano Mike Rodgers com 9.98, seguido do americano Justin Gatlin, campeão olímpico em 2004, com 9.99. Surpresa a eliminação de um americano! Com 10.34, Charles Silmon fica fora da semi.
Nos 400m feminino, Joelma Sousa fez 53.01, 6ª em sua bateria e fora da semi. A britânica campeã olímpica em 2008, Christine Ohuruogu fez o melhor tempo com 50.20. Nos 3.000m com obstáculos feminino, a etíope Etenesh Diro fez a melhor marca com 9:24.02.
Após mais 2 provas do decatlo, Carlos Chinin caiu para 10º após um fraco salto em altura com 1,96m (767) e 48.80 (871) nos 400m, totalizando 4.251. Ashton Eaton perdeu a liderança após o salto em altura, mas recuperou, somando 4.502 após o 1º dia, pouco a frente do outro americano Gunnar Nixon com 4.993.
Amanha serão 6 finais: Marcha 20km, 100m e decatlo no masculino e salto em distancia, lançamento de disco e 10.000m no feminino.

Diário de Londres – 11 de agosto

Que dia! Brasil em 3 finais, não levou 3 ouros, mas o que levou foi espetacular!

Futebol

Comecei no futebol, indo ao fantástico estádio de Wembley assistir a final entre Brasil e México. Impressiona pela multidão que chegava do metrô. Ele é só um pouco maior que o Estádio Olímpico, mas parece que as pessoas se concentram mais e dá a impressão que ele tem o triplo de capacidade, embora o público tenha sido de 86.162 pessoas. Sobre o jogo não tem muito o que falar, já que o Brasil jogou de forma medonha. O México abriu asos 30 segundos do 1º tempo e ampliou aos 30 do 2º tempo. O Brasil ainda descontou com Hulk aos 46 do 2º e por pouco não empatou aos 49. E o país do futebol segue sem o seu ouro olímpico.

Vôlei

De Wembley, correndo para Earl’s Court, pegando 2 metrôs. Eu e muitos outros brasileiros. O ginásrio era praticamente nosso. Mas começou muito sofrido. EUA humilhou o Brasil no 1º set com inacreditáveis 25-11. No 2º, um novo jogo! Brasil começa a acertar tudo e os EUA começam a ficar perdidos em quadra. Empatamos com 25-17. No 3º, novo show. Jaqueline joga muito e Sheilla começa a entrar no jogo. Ou melhor, Sheílla (com ênfase do “i”, como o narrador do ginásio falava).

No 4º, foi só trabalhar para vencer uma equipe americana que não se encontrava e quadra. Hugh McCutcheon, o técnico delas, tentava fazer substituições mas não surtia efeito. Só Logan Tom e Destinee Hooker conseguiam jogar enquanto Jordan Larson e Megan Hodge atrapalharam mais do que ajudaram. E num ataque de Fernanda Garay, que bateu em Logan Tom e foi para fora, o Brasil foi bicampeão!

Ótimo para calar uma americana que sentava perto do nosso grupo de brasileiros, que no primeiro set gritava a cada ponto americano e nos encarava, falando “Vocês vão perder”, “Vocês vão pra casa”. Depois de algumas vezes falando isso, falei que ninguém estava ali para brigar e que ela não deveria ficar gritando para a gente, mas a grossa me mandou sentar e calar a boca. Quem calou a boca no final?

Foram 3 anos perdendo para as americanas, incluindo na 1ª fase da Olimpíada, mas venceram quando mais precisavam, na final olímpica! Um dos gfatores que com certeza ajdou muito à seleção foi a torcida brasileira, que compareceu em peso em Londres. Com gritos de “O campeão voltou!”, o Brasil se superou e já começou a sentir o que vai ser Rio-2016. Parabéns às meninas, aos Zé Roberto e à comissão técnica, que se superaram num jogo praticamente perdido com a Rússia nas quartas e venceram de forma brilhante os Estados Unidos na final!

E domingo tem mais! Haja coração e haja voz, porque minha garganta já está podre…

Por aí

Na 3ª final do dia, Esquiva Falcão lutou muito bem, mas, devido a uma punição sofrida no 3º round, que faz com que o adversário ganhe dois pontos, perdeu para o japonês Ryota Murata na final do 75kg no boxe por 14-13.

No encerramento do Atletismo, dia russo com 4 ouros! Na Marcha de 50km, no salto em altura, nos 800m feminino e na Marcha de 20km, onde Elena Lashmanova venceu com novo recorde mundial de 1h25min02s. Surpresa no lançamento do dardo, onde Keshorn Walcott, de Trinidad & Tobago, país conhecido pelos velocistas, venceu com 84,58m, apenas 7cm melhor que a prata. Favorito norueguês Andreas Thorkildsen ficou apenas em 6º. Nos 5.000m, Mo Farah fez a festa local, e venceu seu 2º ouro após levar nos 10.000m. Encerrando com os revezamentos, no 4x400m feminino, vitória tranquila dos Estados Unidos, mas no 4x100m masculino, novo recorde mundial de Usain Bolt e companhia, com 36s84. Bolt defende seus 3 ouros de Pequim e já soma 6! 100% para ele!

O queridinho britânico dos Saltos Ornamentais, Tom Daley não saiu de mão abanando. Mas foi por pouco! Com apenas um 15º na preliminar da plataforma de 10m, quase não passou para a semifinal. Já na semi e na final saltou tudo que tinha e conseguiu um bronze numa prova extremamente apertada, que teve a vitória do americano David Boudia com 568,65 contra 566,85 do chinês Qiu Bo. No último dia do taekwondo, quase uma vitória inédita! Na final do Acima de 80kg masculino, o italiano Carlo Molfetta venceu na bandeirada Anthony Obame, do Gabão, que terminou com a prata. Foi a 1ª medalha olímpica da história para o país africano!

Nos coletivos, Estados Unidos levou fácil o basquete feminino, com 86-50 sobre a França. No handball feminino, a Noruega, que eliminou o Brasil nas quartas, faturou o ouro com 26-23 sobre Montenegro, e no hóquei na grama masculino a Alemanha defendeu seu ouro em Pequim, vencendo a Holanda por 2-1.

Programação de domingo:

13:00 – Vôlei Masculino – Final: Brasil x Rússia

18:00 – Pentatlo Moderno – Final feminina: Prova Combinada

21:00 – Cerimônia de Encerramento

Números

Medalhas Brasileiras: 3-4-8 (mais 1 assegurada: vôlei masculino)

Medalhas Distribuídas: 287-289-344 = 920

Países com Ouro: 53

Maior número de ouros: Estados Unidos (44)

Países com Medalhas: 84

Maior número de medalhas: Estados Unidos (102)

Maior medalhista: Michael Phelps (USA – natação) 4-2-0

Finais restantes: 15

Recordes Mundiais: 39 + 5 igualados

Recordes Olímpicos: 101 + 5 igualados