Jogos Mundiais Wroclaw-2017 – Resumo

A cidade polonesa de Wroclaw recebeu na semana passada os Jogos Mundiais, uma espécie de Olimpíadas para modalidades não olímpicas.

É uma competição bem interessante que coloca esportes nem tão diferentes como ginástica aeróbica, bilhar, boliche, ju-jitsu, patinação artística, patinação de velocidade, squash e esqui aquático com outros bem menos usuais, como natação com nadadeiras, cabo de guerra, corrida de orientação, punhobol, floorball, canoagem-pólo, paraquedismo, dança esportiva, korfball, lacrosse e sumo.

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Korfball

Mais de 3.200 atletas de 102 países competiram em 219 eventos (199 oficiais e 20 demonstrativos).

Brasil em Wroclaw

O Brasil enviou 72 atletas em 13 modalidades (ginástica aeróbica, paraquedismo, handebol de praia, boules, dança esportiva, punhobol, karatê, kickboxing, corrida de orientação, levantamento de peso básico, patinação artística, sumô e ginástica de trampolim) e venceu 8 medalhas nas provas regulares, sendo 4 ouros, 2 pratas e 2 bronzes, e um ouro em esportes de demonstração.

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Handebol de praia

Depois que a CBH disse que não pagaria as viagens das equipes de handebol de praia, que defendiam o ouro, por falta de recursos, os atletas fizeram uma vaquinha online e conseguiram viajar pra Polônia. E trouxeram dois ouros! No masculino, ficaram em 2º lugar no Grupo B, vencendo Austrália e Uruguai, mas perdendo pro Qatar. Nas 4as, 2-0 na Polônia, na semi 2-0 na Hungria e na decisão venceu por 2-1 (22-28, 24-18, 9-8) a Croácia. No feminino,foram 6 vitórias sem perder um set sequer. Na 1ª fase venceu Austrália, Polônia e Taipei, depois no mata-mata venceu Tunísia, Espanha e, na decisão, a

Argentina por 22-10 15-12.

Vice mundial, Valéria Kumizaki venceu o ouro no karatê kumitê 55kg com 1-0  na final sobre a taiwanesa Wen Tzu-Yun. No levantamento de peso básico, a bicampeã mundial Ana Castellain ficou com o ouro na categoria pesada após somar 651,83kg corrigidos (635,0kg no total, sendo 247,5kg no agachamento, 175,0kg no supino e 212,5kg no levantamento terra).

As pratas vieram no sumo peso leve com Luciana Higuchi, após perder final para ucraniana, e com a dupla Ana Caroline Martins e Noeli Corte no boules modalidade Raffa em duplas femininas. Hernani Veríssimo foi bronze no karatê 75kg e Rafaela Freitas também foi bronze na patinação artística, com 325,10 pontos, atrás de italiana e espanhola. Guto Inocente venceu o ouro no kickboxing +91kg, mas a modalidade era de demonstração.

Olímpicos em Wroclaw

Apesar de ser uma competição de modalidades que não estão no Jogos Olímpicos, há muitas provas (e, portanto, vários atletas) que tem relação com os Jogos. O karatê e a escalada esportiva farão suas estreias olímpicas em Tóquio-2020, mas ainda fizeram parte dos Jogos Mundiais. Na escalada, ficaram com as medalhas de ouro: Keiichiro Korenaga (JPN, no lead masculino), Anak Verhoeven (BEL, no lead feminino), Reza Alipourshenazandifar (IRI, na velocidade masculina), Iuliia Kaplina (RUS, na velocidade feminina), Yoshiyuki Ogata (JPN, no boulder masculino) e Stasa Gejo (SRB, no boulder feminino). No karatê, 19 medalhistas do último mundial subiram ao pódio na Polônia! Os campeões mundiais que venceram ouro nos Jogos Mundiais foram: Ryo Kyuna (JPN – kata masculino), Kiyou Shimizu (JPN – kata feminino) e Alexandra Recchia (FRA – 50kg feminino).

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Lisa Unruh (GER)

O tiro com arco recebeu disputas da modalidade Field no arco recurvo e no instintivo (recurvo sem mira), que coloca alvos a distâncias variadas (marcadas ou não marcadas), e nos combates como tivemos nos Jogos Olímpicos, mas no arco composto. Na prova do recurvo, foram 5 arqueiros que estiveram nos Jogos do Rio, incluindo 3 medalhistas: o francês Jean-Charles Valladont (prata no individual no Rio), o americano Brady Ellison (3 medalhas olímpicas) e a alemã Lisa Unruh (prata no individual no Rio). Unruh ficou com o ouro no feminino e Ellison foi prata no masculino.

A ginástica rítmica tem nos Jogos Mundiais as disputas por aparelho, completamente dominadas pelas irmãs gêmeas russas Arina e Dina Averina. Arina venceu no arco, na bola e na fita e foi bronze nas maças. Dina foi ouro nas maças e prata nos outros 3 aparelhos. 10 ginastas em Wroclaw estiveram nos Jogos do Rio. No trampolim, temos nos Jogos Mundiais as 3 provas que não são olímpicas: trampolim sincronizado, mini trampolim duplo e o tumbling. No sincronizado, tivemos 7 atletas que disputaram os Jogos do Rio, incluindo os medalhistas chineses Dong Dong (uma medalha olímpica de cada cor) e Li Dan (bronze no feminino no Rio). Dong Dong e Tu Xiao foram ouro no masculino e as ucranianas Nataliia Moskvina e Svitlana Malkova venceram no feminino.

A Rússia dominou o quadro geral com 28 ouros, 21 pratas e 14 bronzes, seguida de Alemanha (18-10-14), Itália (16-13-13), França (14-14-15), Ucrânia (10-7-8) e Colômbia (9-10-2).

A próxima edição dos Jogos Mundiais será na cidade americana de Birmingham, Alabama, em 2021.

Tiro com arco faz sua estreia no ano

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Bernardo Oliveira (direita) e Oleksii Hunbin (UKR)

A CBTARCO optou por enviar para a 2ª etapa da Copa do Mundo de tiro com arco, em Antalya, na Turquia, apenas 3 arqueiros e todos no masculino. A mesma equipe que defendeu o país nos Jogos do Rio (Marcus Vinícius D’Almeida, Daniel Xavier e Bernardo Oliveira) foi pra Turquia enquanto nenhuma mulher foi enviada, nem mesmo Ane Marcelle dos Santos, melhor brasileira nos Jogos do Rio e vencedora da seletiva nacional. A federação alegou que ela não atingiu o índice mínimo de 640 no Duplo 70m.

Na Turquia, Marcus Vinícius foi o melhor brasileiro no ranqueamento com 650 pontos e o 43º lugar. Bernardo foi 46º com 649 e Daniel 60º com 641 entre 88 arqueiros. Por equipes, o Brasil ficou na 15ª posição entre 18 e avançou pra chave final.

Daniel e Marcus venceram dois combates na chave masculina. Daniel passou com 6-4 pelo belga Nico Thiry e depois com 6-4 no malaio Haziq Kamaruddin, perdendo na 3ª rodada de 6-2 pro francês Thomas Chirault. Já Marcus venceu por 6-2 o iraniano Sadegh Ashrafi e também por 6-2 o japonês Naoya Oniyama, mas caiu para o japonês Hideki Kikuchi por 6-4. Ele fez um 21 no 4º set… Bernardo caiu logo na estreia por 6-5 com 10-9 na flecha da morte para o ucraniano Oleksii Hunbin.

Por equipes, o Brasil fez a favorita França suar e quase perder. Os franceses abriram 4-0 (56-53, 56-53), mas o Brasil empatou com 58-57 e 57-53. Nas flechas de desempate, um apertado 30-29 deu a vitória pros franceses.

O título da etapa ficou com o francês vice campeão olímpico Jean-Charles Valladont, que venceu o bronze no Rio-2016 Brady Ellison por 6-2. No feminino, vitória da russa Ksenia Perova com 6-5 (9*-9 nas flechas de desempate) na taiwanesa Lin Shih-Chia. Por equipes, ouro pra Itália no masculino (5-3 no Cazaquistão) e Taiwan no feminino (6-0 no Japão). Nas duplas mistas, agora olímpica, Taiwan fez 5-3 na França na decisão.

Resumo Rio-2016 – Tiro com Arco

Pela primeira vez desde que o formato atual com provas individuais e por equipe existe, o tiro com arco foi dominado por um único país. A Coreia do Sul, maior potência da modalidade, venceu os 4 ouros em disputa. Em 1988, 2000, 2004 e 2012, os sul-coreanos venceram 3 das 4 provas.

Individual masculino

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No dia da abertura, tivemos o primeiro recorde mundial antes mesmo da Cerimônia de Abertura. Kim Woojin, até então o favorito ao ouro, fez 700 pontos em 720 possíveis na rodada de ranqueamento, batendo o recorde em 1 ponto, que vinha de Londres-2012. O americano Brady Ellison foi o 2º melhor com 690 e o italiano David Pasqualucci o 3º com 685. Marcus Vinícius D’Almeida foi o melhor brasileiro com a 34ª posição com 658 pontos.

Nas fases de eliminação, Kim Woojin foi surpreendido pelo indonésio Riau Ega Agatha na 2ª rodada, perdendo por 6-2. Pasqualucci também caiu na 2ª rodada, por 6-2 para o espanhol Antonio Fernandez. Enquanto isso, os outros favoritos avançavam, como os sul-coreano Ku Bonchan e Lee Seung-yun, o americano Brady Ellison, o francês Jean-Charles Valladont, o holandês Sjef van den Berg e o japonês Takaharu Furukawa. Entre os brasileiros, Daniel Xavier perder 6-2 pro Lee e Marcus Vinícius caiu na estreia por 6-2 pro americano Jake Kaminski. Bernardo Oliveira venceu na estreia 6-4 o australiano Alec Potts, mas perdeu na 2ª rodada por 7-1 pro jovem chileno de 16 anos Ricardo Soto.

Nas 4as, Valladont eliminou na flecha de morte o italiano Mauro Nespoli, ouro por equipes em Londres. Van den Berg tirou Lee Seung-yun num belíssimo combate que foi 6-4 pro holandês. Ku Bonchan venceu também na flecha de morte a surpresa australiana Taylor Worth e Ellison venceu 6-2 o japonês Fukuhara.

Nas semis, confrontos de altíssimo nível com Valladont fazendo 7-3 no van den Berg e Ku Bonchan vencendo na flecha decisiva 9-8 sobre o Ellison. Na final, o coreano abriu 4-0, mas viu o francês encostar com 5-3. Na última série, Bonchan 27-26 e o ouro pra Coreia do Sul. Na disputa do bronze, Brady Ellison aproveitou que o holandês não atirava bem para fechar com 6-2 e completar o pódio.

Equipes masculinas

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Como esperado, a Coreia do Sul ficou em 1º lugar no ranqueamento com 2057 pontos contra 2024 dos EUA e 2007 da Itália. O Brasil ficou em 11º entre 12 equipes com 1948.

Nas 8as, o Brasil caiu logo na estreia por 6-2 para China. Nas 4as, a Coreia do Sul fez 6-0 na Holanda, a Austrália, 4ª colocada, tirou a forte França, 5ª, com 5-3. Do outro lado da chave, a China surpreendeu a forte equipe italiana, que contava com 2 arqueiros campeões em Londres-2012, por 6-0 e os EUA eliminaram a Indonésia por 6-2.

Nas semifinais, a Coreia fez 6-0 na Austrália e EUA também venceu sem perder nenhum set, com 6-0 na China. Na disputa do bronze, a Austrália foi mais constante para levar o bronze inédito com 6-2 sobre os chineses e na grande final, mais um show do trio Kim Woojin, Ku Bonchan e Lee Seung-yun, que fechou com 6-0, com parciais excepcionais de 60-57, 58-57, 59-56. EUA fica pela 2ª vez seguida com a prata e a Coreia do Sul é ouro pela 5ª vez na história.

Individual feminino

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No ranqueamento, um dia perfeito pra Coreia do Sul, com os 3 primeiros lugares: Choi Misun 1ª com 669, Chang Hyejin 2ª com 666 e Ki Bobae, campeã em Londres, em 3º com 663. Tan Ya-ting, de Taipei, foi 4ª com 656. Ane Marcelle dos Santos foi a melhor brasileira na ótima 26ª posição com 637. Ela ficou boa parte do ranqueamento entre as 10 primeiras.

As 3 coreanas seguiram até as 4as de final. Uma das principais surpresas foi a eliminação logo na estreia da vice-campeã olímpica em Londres, a mexicana Aida Roman, que perdeu de 6-4 para Alexandra Mirca, da Moldávia. Entre as brasileiras, Sarah Nikitin caiu na estreia 6-0 para a norte-coreana Kang Un-ju e Marina Canetta perdeu 7-1 para a chinesa Qi Yuhong. Ane Marcelle foi a melhor do Brasil nessa edição. Ela venceu 7-3 japonesa na estreia, depois passou com 6-0 sobre australiana. Nas 8as, não atirou bem e perdeu para a britânica Naomi Folkard por 6-2.

Nas 4as, Choi Misun atirou mal e perdeu de 6-0 para a mexicana Alejandra Valencia e a alemã Lisa Unruh surpreendeu Tan Ya-ting na flecha decisiva. Do outro lado da chave, as coreanas sobraram. Ki Bobae fez 6-2 na chinesa Wu Jiaxin e Chang Hyejin passou pela Folkard com 7-1. Nas semis, Unruh seguiu sua excelente campanha e venceu a mexicana por 6-2 e no duelo sul-coreano, Chang bateu a campeã olímpica e mundial Ki Bobae por 7-3. Na disputa do bronze, Ki e Valencia fizeram um belo duelo, vencido pela coreana por 6-4, com um belo 30-25 no último set. Na grande final, Chang fez 6-2 na alemã para levar o ouro, o 8º do país na prova pela 8ª arqueira diferente!

Equipe feminina

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Com tranquilidade, a Coreia do Sul sobrou na prova. No ranqueamento ficou em 1º com 1998, 60 a mais que a 2ª colocada, a Rússia, e 65 a mais que a 3ª, a China. O Brasil terminou em 11º com 1845 entre 12 equipes.

Nas 8as, o Brasil perdeu por 6-0 para a Itália, atirando bem mal. Nas 4as, a Coreia do Sul passou com 5-1 pelo Japão e Taipei virou o combate sobre o México. As mexicanas abriram 4-0 e Taipei empatou. Nas flechas de desempate, 26-25 para as asiáticas. A Itália fez 5-3 na China e a Rússia eliminou a Índia por 5-4, com 25-23 no desempate.

Nas semifinais, a Coreia começou com um brilhante 60 sobre Taipei e fechou em 5-1. Na outra partida, as vicecampeãs mundiais russas começaram perdendo de 3-1, mas viraram para 5-3. A Itália tinha a vaga na final na mão. Estava empatada em 3-3 e a Rússia fez 52 no 4º set. A Itália tinha 28 e só precisava de de 25, mas uma das arqueiras fez um 3 e tirou a Itália da final. Muito abaladas, as italianas até tentaram, mas perderam de 5-3 para Taipei, que levou o bronze. Na final, a Coreia fez 58-49 e 55-51. No último set, 51-51 com Ki Bobae fechando com um 8 e dando o 4º ouro do tiro com arco pra Coreia do Sul. Em 8 edições da equipe feminina em Jogos, são 8 ouros sul-coreanos!

Diário de um Voluntário no Evento-Teste – Dia 2

O evento não poderia ter um nome mais apropriado: Aquece Rio. Se bem que o “aquece” foi pouco para esta quinta-feira. Talvez, “ferva” ou “derreta” fossem mais apropriados. Um calor digno de verão de Rio de Janeiro assolou o Sambódromo e promete continuar nos próximos dias.

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Placar com o Cristo Redentor ao fundo. Foto: Acervo pessoal

O dia começou parecido com o anterior, chegando no local de competição as 7 da manhã. Desta vez fiquei levando flecha de volta aos arqueiros pela manhã e algumas outras atividades menores depois. Na volta do almoço, passei o resto do meu período na tenda de experimentação, onde qualquer pode atirar algumas flechas com um arco-escola e ter o primeiro gostinho do esporte.

A ausência de público faz a atividade ser sub-aproveitada e apenas voluntários, prestadores de serviços e alguns poucos convidados presentes no evento puderam dar seu primeiro tiro. É sempre legal explicar para um leigo sobre o meu esporte, explicar o porquê das coisas, como é um arco, como funciona a competição, quanto custa a brincadeira, onde praticar. Nota-se um certo olhar de gratidão e curiosidade nos outros, que descobrem um novo esporte que até então era algo muito, mas muito distante.

Outro ponto muito legal do evento é ver o comprometimento dos voluntários. Quase todos, assim como eu, estão lá por conta própria, sem receber e fazendo tudo com muito boa vontade. E o mosquitinho picou bem boa parte deles, pois muitos já pediram para participar de vários eventos-teste de outros esportes que estão por vir, como os de ciclismo BMX, mountain bike, tênis, bocha, badminton e outros que ocorrerão até o fim do ano. Podemos esperar uma animação enorme nos Jogos!

A Competição

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Brady Allison. Foto: Acervo pessoal

A grande surpresa do dia no masculino foi com certeza a eliminação do americano Brady Ellison. Ele tem um jeito muito interessante de atirar, com as pernas posicionadas de uma maneira meio peculiar, mas que o dão muito equilíbrio para ele. A sua corda é tão pesada que os tiros saíam a mais de 200km/h toda vez, contra pouco mais de 190km/h do chinês Zhiwei Yong, seu adversário na 1ª rodada. E foi uma bela disputa. Com o vento atrapalhando bastante em alguns momentos, o americano chegou a empatar, mas se fazer uma prova tão limpa, acabou eliminado na estreia por 6-4. O chinês pegou na 2ª rodada logo um dos favoritos, o sul-coreano Ku Bonchan, que venceu por 6-4.

Outro fato muito inusitado veio logo no 1º combate do dia. Campeão olímpico em Pequim-2008, o ucraniano Viktor Ruban não atirava bem, perdendo na estreia para o australiano Taylor Worth. Mas o inusitado veio na 3ª série, quando uma das flechas do Ruban foi pra fora do alvo, acertando a madeira do cavalete. Algum raríssimo pra esse nível de prova. Ele não vem em boa fase já há algum tempo.

No feminino, outra surpresa enorme. A ucraniana Anastasia Pavlova eliminou a 2ª favorita, a sul-coreana Kang Chae Young, por 6-4! A Ucrânia, aliás, vem fazendo uma ótima competição no feminino, colocando as suas 3 arqueiras nas 8as de final! Nenhum brasileiro competiu nesta quinta-feira.

Jogos Pan-Americanos Toronto-2015 – Prévia III

Seguindo as prévias dos esportes e minhas previsões de medalha.

Natação (32 provas na disputa)

Thiago Pereira

Brasil mandou sua equipe A para Toronto, com a grande ausência de César Cielo. O Pan serve de preparação para boa parte da equipe que vai a Kazan e deve novamente trazer muitas medalhas.

A equipe masculina em 2011 levou 10 ouros, 3 pratas e 4 bronzes nas 16 provas, mas não deve repetir o feito. Thiago Pereira tem 12 ouros em Pan e deve levar mais alguns em Toronto, além de ser o responsável por entrar com a bandeira brasileira na cerimônia de abertura. Felipe França e Felipe Lima devem fazer a dobradinha nos 100m peito. São favoritos também Leonardo de Deus nos 200m borboleta, Bruno Fratus nos 50m livre e Matheus Santana nos 100m livre. O Canadá vem muito forte, liderados pelo Ryan Cochrane, prata em Londres. Ele é o favorito pros 400m e 1.500m livre. A equipe americana é B/C, mas tem nomes fortes como Cullen Jones, prata em Londres nos 50m livre e Darian Townsend (ouro em Atenas pela África do Sul).

A equipe feminina busca o ouro inédito. Inédito de fato, pois Rebeca Gusmão venceu os 50m e 100m livre no Rio-2007, mas perdeu ambos os ouros por doping. Quem pode chegar perto disso são Etiene Medeiros nos 50m livre e 100m costas e Joanna Maranhão nos 200m e 400m medley. Foram 7 medalhas no 2007 e em 2011, mas essa equipe tem chances de melhorar isso, como Larissa Oliveira nos 200m livre, Daynara de Paula nos 100m borboleta, Graciele Hermann nos 50m livre, além dos 3 revezamentos. Além das equipes americanas e canadenses, vale ressaltar nomes fortíssimos, como Arianna Vanderpool-Wallace, das Bahamas, a jamaicana Alia Atkinson e a chilena Kristel Kobrich.

Minha previsão: 29 medalhas (10O-11P-8B)

Tiro com Arco (4)

A última medalha brasileira no esporte foi em 1983 e nunca passou de um bronze (foram 5 no total), mas o Brasil chega com sua melhor equipe num esporte que vem crescendo bastante. Marcus Vinícius D’Almeida se redimiu com o título mundial cadete há algumas semanas e pode surpreender o favorito no papel, o americano Brady Ellison, 2º do mundo e campeão em 2011. Por equipe, os EUA nunca perderam o ouro, mas podem ser surpreendidos pelo Brasil ou pelo México.

Aida Roman

No feminino, a mexicana Aida Roman, 4ª do mundo e vice-campeã olímpica, é a favorita. Sarah Nikitin tem melhorado e pode brigar por medalha, assim como a americana Khatuna Lorig e as colombianas Ana Maria Rendon e Natalia Sanchez. Por equipe, o Brasil já fica mais distante e um bronze já seria uma surpresa.

Minha previsão: 3 medalhas (1O-1P-1B)

Vôlei de Praia (2)

Logicamente, o Brasil chega como favorito a dois ouros no vôlei de praia, embora não conte com suas principais duplas. No masculino, Vítor e Álvaro Filho foram quadrifinalistas no Mundial semana passada. Outras boas duplas são os mexicanos Ontiveros/Virgen e os canadenses Binstock/Schachter. No feminino, Brasil contará com Carol/Lili, hoje a 4ª ou 5ª dupla do Brasil. Suas maiores adversárias serão as canadenses Humana-Paredes/Pischke. Nos dois últimos Pans, o Brasil foi ouro no masculino e no feminino.

Minha previsão: 2 mealhas (2O)

Basquete (2)

A equipe brasileira é formada basicamente por atletas que atuam no Brasil e com 3 que jogam na Espanha. Apesar do Pan não valer grande coisa, o Canadá vem com uma forte equipe, com 3 jogadores que atuam na NBA. Já os EUA contam com uma equipe basicamente formada por universitários, o que não quer dizer que é fraca. A Argentina também não pode ser desconsiderada, apesar de ser uma equipe B. O último título americano em Pans foi em 1983! O Brasil vinha de um tri, mas nem chegou às semifinais em 2011. No feminino, a equipe também é mista e deve novamente ficar entre as quatro, assim como Canadá, EUA e Cuba.

Minha previsão: 2 medalhas (1P-1B)

Levantamento de Peso (15)

Fernando Reis

Fernando Reis é o maior nome do esporte no Brasil. Campeão em 2011, tem figurado entre os 10 melhores do mundo na sua categoria e deve levar o ouro. Seu maior adversário é o canadense George Kobaladze, mas ainda está uns 20kg atrás do brasileiro. Boas chances de medalha com Jaqueline Ferreira, Rosane Santos e com os irmãos Marco Túlio e Mateus Machado. Colômbia e Cuba devem dominar no masculino, assim como República Dominicana, Colômbia e Equador no feminino. Destaque pro colombiano Oscar Figueroa, prata em Londres.

Minha previsão: 4 medalhas (1O-1P-2B)

Boxe (13)

Claressa Shields

A equipe brasileira conta com bons nomes que inclusive podem brigar por medalha em 2016, mas com poucas chances de ouro. Quando o assunto é boxe, Cuba vem a cabeça. Em 2011, eles venceram 8 das 10 categorias masculinas e podem repetir o feito. A equipe americana é sempre boa, mas não tem nenhum nome. Vale lembrar que os americanos não levaram nenhuma medalha nos Jogos de Londres nem no último mundial no masculino. Já entre as mulheres, o maior nome é a americana Claressa Shields, campeã olímpica em Londres, além de Marlen Esparza, bronze na mesma edição. Ambas foram campeãs mundiais ano passado.

Minha previsão: 4 medalhas (1P-3B)

Ciclismo Pista (10)

Sarah Hammer

A equipe brasileira tem evoluído bastante e pode quebrar o jejum que vem do bronze na perseguição por equipes masculina em 1995! Flávio Cipriano vem forte principalmente na Keirin e Gideoni Monteiro está muito bem na Omnium. Em 2011, a Venezuela surpreendeu com 5 ouros em 10 provas, mas a Colômbia é o país mais forte da modalidade nas Américas, contando com a veteraníssima de 46 anos Maria Luisa Calle, medalhista olímpica em 2004 e ainda em boa forma. Mas o maior nome em Toronto é sem dúvida Sarah Hammer. A americana é pentacampeã mundial na perseguição individual (que não está no programa) e atual bicampeã mundial na Omnium, prova em que foi prata Londres. Com a forte equipe americana, pode levar também a perseguição por equipes, onde farão um grande duelo com o Canadá, que é atual vice-campeão mundial.

Minha previsão: 1 medalha (1B)

Ginástica Rítmica (8)

Angélica Kvieczynski tem melhorado muito no individual e pode beliscar uma medalha no geral e nas provas por aparelho. Em 2011, ela levou 1 prata e 3 bronzes. As favoritas são a americana Jasmine Kerber e a canadense Patricia Bezzoubenko, finalistas no último mundial. Nos grupos, o Brasil tem dominado os 4 últimos Pans, com todos os ouros. Agora, a equipe está boa, mas no último mundial ficou atrás das americanas por muito pouco. O Pan é a chance da virada e de mostrar que estão bem para pegar a final olímpica no Rio-2016.

Minha previsão: 7 medalhas (3O-2P-2B)

Golfe (3)

Além das provas individuais, também haverá um geral por equipe mista. Apesar de não contar com nenhum das suas dezenas de grandes jogadores, o EUA são a equipe mais forte pela tradição. Argentina, Chile, Colômbia e Canadá também tem tradição. O Brasil está com seu principal jogador, Adilson da Silva, mas dificilmente levará uma medalha.

Minha previsão: 0

Esgrima (12)

Mariel Zagunis

A disputa da esgrima esbarra num problema sério de calendário. O Mundial em Moscou acaba no dia 19 e a esgrima no Pan começa no dia 20! Apesar disso, a equipe americana é sensacional e conta com líderes do ranking, medalhistas mundiais e olímpicos e deve repetir o feito do Pan do esporte realizado em abril, quando levou 10 ouros em 12 provas. Conto com Mariel Zagunis, Eli Dershwitz, Lee Kiefer, Alexander Massialas entre outros. De olho também no venezuelano campeão olímpico Ruben Limardo. O Brasil também está com sua equipe principal, com a campeã pan-americana Nathalie Moellhausen, Renzo Agresta, Ghislain PerrierGuilherme Toldo e deve repetir a performance do Pan de abril.

Minha previsão: 5 medalhas (1P-4B)

Brasil na final da Copa do Mundo! De tiro com arco

Já falei do Marcus Vinicius D’Almeida algumas vezes este ano. Foi nos Jogos Sul-Americanos e na primeira etapa da Copa do Mundo, em Xangai. Agora em Medellin, ele e Sarah Nikitin, top 8 no último mundial, conseguiram mais um resultado espetacular e histórico para o tiro com arco brasileiro!

Na fase de ranqueamento nesta quarta, Marcus foi o melhor brasileiro com o 24º lugar e 662 pontos e Sarah foi a melhor brasileira em 30ª com 638. Nas duplas mistas, eles ficaram em 11º. Mas o mais impressionante veio a tarde, nas disputas do mata-mata.

Na primeira rodada, pegaram logo de cara os Estados Unidos, com Brady Ellison (foto acima, com a Sarah), que liderou por um bom tempo o ranking mundial. E vitória histórica por 5-1 (lembrando que os combates do arco recurvo no tiro com arco são em esquema de sets, inclusive para as provas em equipe a partir deste ano). Nas quartas, mais uma vitória, agora por 5-3 sobre o Canadá. Na semifinal, mais um duelo pan-americano, agora com o México, contando com Aida Roman, prata nos jogos de Londres.

Foi um duelo duríssimo. O Brasil abriu 4-0, aí veio um perfeito 40 do México no 3º set e um fraco 33 do Brasil no 4º. Com isso, a partida empatou em 4-4. Isso levou às flechas de desempate. Sarah fez um 8 e Roman um 9. Pedro Vivas só conseguiu um 7 e Marcus teve um perfeito 10. Brasil na final!

Na grande final no domingo, o Brasil enfrenta a Coreia do Sul, formada pela dupla Lee Tuk Young e Oh Jin Hyek, campeão olímpico no individual em Londres! Parada duríssima, mas já uma medalha mais que histórica!!

De olho na final!