Como está a corrida olímpica do judô brasileiro

Alguns brasileiros foram até a Austrália para o Aberto de Perth de judô em busca de pontos preciosos para a corrida olímpica, que começa a se definir. Foram 3 medalhas, a prata de Rafael Macedo nos 90kg e os bronzes de Beatriz Souza no +78kg e de Eduardo Yudy Santos nos 81kg.

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Rafaela Silva com o bronze do Mundial este ano

No momento, o Brasil teria equipe completa se classificando para os Jogos de Tóquio, com as 14 vagas possíveis.

O ranking final será o 30 de maio de 2020. Este ano ainda temos o Grand Slam de Osaka e o Masters na China. Em 2020 temos os Grand Slams de Paris, Düsseldorf, Ekaterinburg e Baku, o Masters de Doha e os Grand Prix de Tel Aviv, Rabat, Tbilisi e Antalya. Além disso, teremos o campeonato pan-americano em abril e vários Opens continentais. Tem muito ponto em jogo ainda. Ou seja, tudo pode mudar.

Vou dar uma panorama de como está a definição da equipe:

60kg masculino

Eric Takabatake é o 11º da corrida olímpica com 2422 e ficaria com a vaga. Phelipe Pelim em 32º com 1079, Allan Kuwabara em 34º com 1035 e o medalhista olímpico Felipe Kitadai em 38º com 935  estão um pouco longe do Takabatake, que se garantiria graças à boa fase entre o final de 2018 e início de 2019, que levam apenas 50% dos pontos. A final do Grand Slam de Brasília (700 pts) foi fundamental. Kuwabara só aparece bem pois surpreendeu com o ouro em Brasília (1.000 pts).

66kg masculino

Daniel Cargnin está em 6º no ranking com 2872 pontos e dificilmente perde a vaga. Tem aí os 1.000 pontos do ouro em Brasília e o ouro no campeonato pan-americano de 2019. Campeão mundial júnior em outubro, Willian Lima é o 26º com 1315 e estaria em posição de classificação, mas precisa de muitos bons resultados para passar o Cargnin.

73kg masculino

Nossa pior categoria masculina, só consegue a vaga hoje pelas cotas continentais. Eduardo Barbosa é o 35º com 1166 pontos e teria a 2ª vaga das 10 para as Américas contemplando todas as categorias masculinas. Prata em Brasília, David Lima é 48º com 809 e corre por fora pela vaga da categoria.

81kg masculino

Até semana passada, o Brasil não tinha vaga nesta categoria. Graças ao bronze em Perth (350 pontos), Eduardo Yudy Santos subiu para 23º com 1597 e entra na zona de classificação direta. Os outros brasileiros estão bem longe: João Macedo em 50º com 709 e Guilherme Schmidt em 52º com 704.

90kg masculino

Rafael Macedo é provavelmente o nome mais certo em Tóquio. 10º no ranking com 2341 pontos, faturou 490 hoje com a prata em Perth e não é ameaçado por nenhum outro judoca brasileiro. O 2º melhor é Igor Morishigue na distante 102ª colocação com apenas 182 pontos conquistados com o 7º lugar no Mundial Jr.

100kg masculino

Rafael Buzacarini é o 13º no geral com 2333 pontos, após a prata em Brasília (700 pts). Leonardo Gonçalves não está tão longe, em 21º lugar, mas tem 1562 pontos, 771 atrás de Buzacarini. Tem chances de passá-lo, já que há muito ponto em jogo ainda. A disputa por essa vaga deve ser boa.

Acima de 100kg masculino

Aqui a decisão da vaga deve ir pro photo finish. David Moura hoje tem a preferência, com o 5º lugar com 2777 pontos, que incluem a prata em Brasília, o 7º lugar no Mundial e a prata no campeonato pan-americano. Rafael Silva, bronze nas últimas duas Olimpíadas, vem colado em 7º com 2575, que incluem o 5º lugar no Mundial (720), o 5º lugar em Brasília (360) e o ouro no Pan sobre o David (350 pontos). A disputa será emocionante e pode ficar para a última competição.

48kg feminino

Gabriela Chibana está em 25º com 1298 pontos e estaria com a penúltima vaga direta da categoria ajudada pelo vice em Brasília. Nathalia Brígida vem em 29º  com 1005 pontos, mas não competiu nesse 2º semestre de 2019. Esta é a categoria feminina que o Brasil está pior ranqueado, mas mesmo que nenhuma brasileira consiga a vaga direta da categoria, herdaria uma das vagas das cotas continentais.

52kg feminino

Larissa Pimenta está em 11º lugar com 2632, vindo da prata em Brasília e do bronze no Mundial Jr em outubro. Também carrega do 1º período de pontuação o título pan-americano e algumas medalhas em Grand Slam e Grand Prix. Eleudis Valentim é 23ª com 1493 e teria poucas chances de alcançar a Larissa. A campeã olímpica Sarah Menezes é 43ª, mas não embala nesta nova categoria. Jéssica Pereira, que vinha de bons resultados no final de 2018, segue afastada por doping.

57kg feminino

Campeã olímpica Rafaela Silva já pode comprar sua passagem para Tóquio. É a 2ª do mundo com 4319 pontos, atrás apenas da sino-canadense Christa Deguchi, com 5256. Rafa faz uma temporada excepcional e vem super embalada. A 2ª melhor brasileira é Ketelyn Nascimento, em 44º lugar com 713 pontos.

63kg feminino

Bronze em Pequim-2008, Ketleyn Quadros é a 7ª do mundo com 2768 e vem se firmando como a favorita pra vaga. Foi ouro em Brasília, bronze no Grand Slam de Abu Dhabi e prata no GP de Budapeste. Alexia Castilhos é a 15ª com 2029, mas não tem a constância da Ketleyn. Difícil brigar pela vaga.

70kg feminino

Maria Portela é a 16ª com 2338 pontos e tem a vaga praticamente garantida. Foi bronze em Brasília e carrega pontos importantes do 1º período de pontuação. Embora não tenha emplacado este ano, não deve perder a vaga. Ellen Santana em 45º com 607 é a 2ª melhor brasileira.

78kg feminino

Mayra Aguiar segue rumo a sua 3ª medalha olímpica com folga. É a 6ª do ranking com 3550 pontos, incluindo os 1.000 pontos do bronze no Mundial, o ouro no GP de Budapeste, o título do campeonato pan-americano e do GS de Düsseldorf. Samanta Soares está teoricamente na zona de classificação olímpica, em 26º lugar, mas com 1135, muito longe da Mayra.

Acima de 78kg feminino

Assim como ocorre no pesado masculino, a disputa do pesado feminino está boa entre Maria Suelen Altheman e Beatriz Souza. Sussu é a 3ª do ranking com 4152 e Bia a 5ª com 3592. As duas estão em ótima fase. Bia foi ouro em Brasília, 5ª no Mundial, bronze nesta semana em Perth enquanto Sussu também foi 5ª no Mundial, prata em Brasília  e bronze no Grand Slam de Abu Dhabi. Neste 2º período de pontuação, Bia vem melhor, mas sua idade e menor experiência podem pesar na decisão. As duas estarão no Grand Slam de Osaka no fim do mês em disputa direta pela vaga olímpica.

Atletismo brasileiro finalmente confirma critérios olímpicos

Demorou, mas finalmente a CBAt divulgou nesta semana os critérios para a equipe olímpica brasileira de atletismo.

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Darlan Romani. Foto: Wagner Carmo/CBAt

Sem grandes novidades, ela adotou os mesmos critérios da IAAF. Quem conseguir índice nos períodos estabelecidos ou quem conseguir classificação pelo ranking mundial irá para Tóquio. As únicas alterações são para quando mais de 3 conseguirem índice e para a composição dos revezamentos. Os detalhes estão aqui.

Sendo assim, temos já 16 atletas com índice:

Masculino
Paulo André Camilo de Oliveira (Pinheiros) – 100 m – 10.04 (0.9)
Aldemir Gomes Junior (Pinheiros) – 200 m – 20.17 (0.9)
Gabriel Constantino (Pinheiros) – 110 m com barreiras – 13.18 (0.8)
Eduardo de Deus (Orcampi) – 110 m com barreiras – 13.30 (0.7)
Alison Brendom dos Santos (Pinheiros) – 400 m com barreiras – 48.28
Márcio Teles (Orcampi) – 400 m com barreiras – 48.60
Thiago Braz (Pinheiros) – salto com vara – 5,92 m
Augusto Dutra (Pinheiros) – salto com vara – 5,80 m
Alexsandro Melo (Orcampi) – salto triplo – 17,20 m
Almir Cunha dos Santos (Sogipa) – salto triplo – 17.15 (1.0)
Darlan Romani (Pinheiros) – arremesso do peso – 22,61 m
Daniel Chaves (Instituto ICB) – maratona – 2:11:10
Caio Bonfim (CASO) – 20 km marcha atlética – 1:18:47

Feminino
Vitória Cristina Rosa (Pinheiros) – 200 m rasos – 22.72 (0.4)
Erica Rocha de Sena (Orcampi) – 20 km marcha atlética – 1:27:37
Andressa Oliveira de Moraes (Pinheiros) – lançamento do disco – 65,34 m

Além disso, o Brasil já está garantido no 4x100m masculino e no 4x400m misto. Apenas Paulo André está confirmado como membro dos revezamentos. Lembrando que a Andressa está provisionalmente suspensa por doping, mas essa marca do índice foi obtida antes desse exame positivo.

Não foi nenhuma surpresa a atitude tomada pela CBAt, sem exigir confirmação de índice ou índices mais exigentes. O Mundial de Doha mostrou que o Brasil tem dois níveis de atletas: aqueles que se sobressaem em competições importantes, batendo marcas pessoais e aqueles que apenas vão para completar a equipe, fazendo marcas fracas e bem longe dos índices.

Claro que eu quero ver uma equipe enorme nas Olimpíadas, no maior número de provas, mas ter um alto número de atletas apenas para passear não é o ideal. A CBAt deveria exigir índices mais fortes que a IAAF ou então que o atleta confirmasse o índice em 2020. Pelo jeito isso vai ter que esperar…

Arthur Nory faz história e é campeão mundial!

Estava um mundial cheio de emoções distintas para o Brasil.

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Foto: Ricardo Bufolin

Primeiro Jade Barbosa se machucou, aí o Brasil não conseguiu vaga olímpica por equipes no feminino, mas Flávia Saraiva pegava pela 1ª vez na carreira vaga em 3 finais individuais. Os meninos ficaram em 3º no 1º dia de qualificação, aí foram caindo com as apresentações do 3º dia, mas conseguiram a vaga para Tóquio. Flávia foi 7ª no individual geral, Caio Souza 13º, só que no sábado, Arthur Zanetti ficou sem medalha.

Aí veio o domingo, com 3 finais pro Brasil. Flávia Saraiva foi a última a entrar na final da trave, mas caiu no meio da prova. Ainda assim, fez uma ótima apresentação tirando 13,400. Caso não tivesse caído, tiraria no mínimo 14,400, que lhe daria o bronze. Depois veio a dramática final do solo, onde ele foi lindíssima, mas com 13,966 acabou numa frustrante 4ª posição. A comissão técnica pediu revisão, que foi rejeitada.

Para fechar o Mundial, a sempre espetacular final da barra fixa, que começou o campeão mundial de 2017, o croata Tin Srbic tirando 14,666. Em seguida veio Tang Chia-hung, de Taiwan, o melhor na quali com 14,933, mas ele sofreu uma queda e tirou apenas 12,766. O russo Artur Dalaloyan, dono de 3 ouros nesse Mundial, foi muito bem com 14,533. Em seguida veio Arthur Nory.

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Foto: Ricardo Bufolin

Bronze no solo no Rio-2016, Nory tinha ficado em 4º no Mundial de 2015. Após lesões nos membros inferiores, Nory focou nesta prova e o resultado apareceu. Após a prata no Pan de Lima, o brasileiro foi muito seguro e fez uma apresentação espetacular, com pouquíssimos erros de execução e tirou um incrível 14,900. Restando 3 atletas, veio a tensão. O japonês Daiki Hashimoto tirou 14,233 e o brasileiro garantia o bronze. Quando o australiano Tyson Bull caiu, a prata estava no colo do brasileiro. Para fechar a prova, o forte americano Sam Mikulak, que mudou sua série para aumentar a dificuldade (6,300, igual a do brasileiro), mas cometeu muitos erros de execução e acabou na 5ª colocação com 14,066.

Nory se tornou apenas o 6º brasileiro a medalhar em um Mundial de ginástica artística. O Brasil chegou a 14 medalhas, sendo 5 de ouros, 5 de prata e 4 de bronze:
Diego Hypolito: 🥇🥇🥈🥉🥉
Arthur Zanetti: 🥇🥈🥈🥈
Arthur Nory: 🥇
Daiane dos Santos: 🥇
Daniele Hypolito: 🥈
Jade Barbosa: 🥉🥉

Brasil em busca de vagas olímpicas na ginástica artística

Começou nesta sexta em Stuttgart o Mundial de ginástica artística, que dará a maioria das vagas olímpicas do esporte para Tóquio.

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Para conseguir as vagas, o Brasil precisa ser top-12 na qualificação (são 9 vagas em jogo, sendo que as 3 equipes medalhistas no Mundial de 2018 já estão garantidas em Tóquio e muito provavelmente ficarão novamente no top-12 neste

No masculino, o Brasil chega com uma ótima equipe e deve conseguir tranquilamente uma das vagas. A equipe tem Arthur Nory, Arthur Zanetti, Caio Souza, Francisco Barretto e Lucas Bittencourt, praticamente a mesma equipe ouro no Pan de Lima. Já no feminino, o Brasil sente a falta de Rebeca Andrade, mas tem Flávia Saraiva, Jade Barbosa, Thaís Fidelis, Lorrane Oliveira e Letícia Costa. Com praticamente essa equipe, o Brasil foi bronze no Pan com 158,550 sem nenhuma reserva, já que Jade foi poupada, e com uma passagem desastrosa na trave.

Nesta sexta tivemos o 1º dia da qualificação feminina com 12 das 24 equipes participantes competindo. A China (que já tem vaga) fechou o dia em 1º lugar com 169,161, seguida de França (166,713), Canadá (162,922) e Alemanha (161,897). Se o Brasil repetir a pontuação do Pan, o Brasil ficaria em 6º nesta sexta-feira, brigando por uma das últimas vagas.

A equipe feminina compete na última subdivisão deste sábado, ao mesmo tempo que os Estados Unidos. Já os homens estão na subdivisão 4, a última a se apresentar no domingo. Na torcida!

Mundial de Atletismo – Dia 1

Começou nessa sexta-feira em Doha, no Qatar, o mundial de atletismo. Pela primeira vez em um país árabe, o mundial está com uma programação um pouco atípica, com sessões únicas, começando no fim de tarde e com provas de rua ocorrendo bem tarde por conta do calor. Logo no primeiro dia tivemos uma única final, a maratona feminina, que começou a meia-noite, horário local.

Mas antes disso, no estado climatizado e com baixo público, apenas classificações, sem nenhuma final.

Maratona feminina

Numa noite extremamente quente, com temperaturas passando dos 30°C, a maratona feminina foi extremamente dura e intensa. Das 70 inscritas, 68 largaram e apenas 40 terminaram. Na marca de 15km, a prova já começou a ser definida, com 5 atletas indo pra frente do pelotão: as três quenianas Ruth Chepngetich, Edna Kiplagat e Visiline Jepkesho, a barenita Rose Chelimo e Helalia Johannes, da Namíbia. O quinteto seguiu na frente e abrindo do resto.

Na marca de 25km, Jepkesho ficou pra trás e as quatro seguiram na frente até pouco antes dos 40km, quando Chepngetich apertou o passo e foi abrindo. Com 40km, ela já abria 30s sobre Chelimo, que defendia o título mundial, conquistado em 2017, no mundial de Londres.

Sozinha, Chepngetich foi pro título com muita folga, vencendo com 2:32:43. Chelimo foi prata com 2:33:46 e Johannes faturou o bronze pra Namíbia com 2:34:15. Curiosamente, nenhuma das três equipes terminou a prova. Todas abandonaram antes mesmo da marca da metade. Valdilene dos Santos Silva foi 30ª com 2:59:00 e Andréia Hessel 36ª com 3:06:13.

Pista

De volta ao estádio, começamos com os 100m masculinos. Com poucos inscritos, tivemos apenas quatro séries preliminares, que contam com os piores tempos, e 6 baterias na 1ª rodada, algumas com apenas 5 corredores, sendo que os 3 primeiros de cada séries avançariam. Paulo André de Oliveira fez uma boa prova e venceu a sua série com 10.11 (-0,3), deixando o americano favorito Michael Rodgers em 2º com 10.14. Mas o melhor tempo das 1ª rodada foi com o americano Christian Coleman na última bateria com 9.98, único a baixar dos 10s. Rodrigo do Nascimento com 10.25 e Vitor Hugo dos Santos com 10.42, não avançaram.

Correndo apenas para classificar, já que os 4 primeiros de cada série avançavam, Alison dos Santos ficou em 2º na sua bateria dos 400m com barreiras com 49.66, ficando atrás de Kyron McMaster, das Ilhas Virgens Britânicas, com 49.60. Alison claramente correu solto, para classificar. O melhor tempo das baterias foi do Abderrahman Samba, do Bahrein, com 49.08, Márcio Teles com 51.03 (32°) e Artur Terezan com 51.62 (34º) não avançaram.

Nos 800m feminino, o melhor tempos das eliminatórias foi de Winnie Nanyondo, de Uganda, com 2:00.36. Todos os principais nomes da prova avançaram. Lembrando que Caster Semenya está fora do Mundial.

A queniana Beatrice Chepkoech fez o melhor tempo nas eliminatórias dos 3.000m com obstáculos, com 9:18.01, com a americana Courtney Frerichs colada com 9:18.42.

O americano Paul Chelimo marcou o melhor tempo nos 5.000m masculino, ao vencer a segunda bateria com 13:20.18, seguido do etíope Telahun Bekele com 13:20.45. Um dos favoritos, o norueguês Jakob Ingebrigtsen havia chegado em 4º na sua bateria e tinha sido desclassificado, mas recorreu e seu resultado foi restabelecido e ele estará na final, ao lado do seu irmãos Henrik.

Campo

Almir dos Santos conseguiu vaga na final do salto triplo com 16,92m obtidos na sua primeira tentativa. Com 17,10m ele já estaria na final direto. O cubano naturalizado português Pedro Pablo Pichardo fez 17,38m na sua primeira chance e ficou com a melhor marca do dia. Alexsandro Melo marcou apenas 16,26m, ficando fora da final em 27º. Também ficaram fora da final o português Nelson Evora e o americano Onar Craddock.

No salto em distância, apenas o cubano Juan Pablo Echevarria saltou acima dos 8,15m necessários para ir a final, voando com 8,40m na 1ª tentativa. Campeão olímpico no Rio, o americano Jeff Henderson ficou em 2º com 8,12m.

Nove atletas conseguiram lançar o martelo acima dos 72m na quali feminina. A melhor marca foi da americana DeAnna Price com 73,77m. Ela chega a final como favorita, já que a polonesa Anita Wlodarczyk, ouro nos três últimos mundiais, está fora por lesão.

No salto com vara, 17 atletas conseguiram a marca de 4,60m e passaram para a final, incluindo as americanas Sandi Morris e Jenn Suhr, a grega Katerina Stefanidi, a cubana Yarisley Silva, a sueca Angélica Bengtsson e a britânica Holly Bradshaw.

No salto em altura, tivemos apenas 8 passando dos 1,94m, incluindo a americana Vashti Cunningham e a favoritíssima russa Marina Lasitskene. Ficaram fora da final a bicampeã do Pan Levern Spencer, de Santa Lúcia, a britânica Morgan Lake e a lituana Airine Palsyte.

Bárbara Domingos brilha no individual e Brasil briga por vaga olímpica no grupo na rítmica

O Mundial de ginástica rítmica terminou neste domingo em Baku, no Azerbaijão, mas o Brasil, apesar de sair sem medalha, finais ou vagas olímpicas, termina com um bom saldo e com boas perspectivas.

Bárbara Domingos. Foto: CBG

Bárbara Domingos foi o destaque individual. Quarta no Pan em Lima, ele fez excelentes provas e terminou na qualificação do individual geral na excelente 31ª colocação, a melhor da história para uma brasileira. Bárbara tirou 19,100 na bola (25ª no aparelho), 19,650 (28ª) nas maças, 18,450 (41ª) na bola, indo mal apenas na fita, aparelho que lhe deu a medalha no prata no Pan, mas no Mundial fez apenas 13,850, a 84ª nota. Como pra quali do individual geral contam apenas as 3 melhores notas e as notas da fita costumam ser bem mais baixas, não fez grande diferença. Natália Gáudio, bronze no Pan, ficou em 44º lugar com 53,750.

Mas a boa notícia veio com a ótima participação das ginastas americanas, que pegaram final e conquistaram duas vagas olímpicas. Assim, a Bárbara e Natália brigarão com as canadenses e mexicanas pela única vagas para as Américas em jogo no Pan de 2020.

No grupo, o Brasil consolidou a boa evolução e acabou no geral em 13º com 49,700, ficando atrás, nas Américas, dos Estados Unidos (10°) e México (11º). Nas 5 bolas, o Brasil obteve a melhor nota dos 3 países, mas pecou novamente o aparelho misto, das maçãs+fitas, que ironicamente foi a prova que nos deu o ouro no Pan.

Estados Unidos e México não pegaram vaga olímpico nos grupos, o que só trará mais dificuldade para o Pan de 2020, onde os 3 países disputarão a única vaga para Tóquio em jogo.

Apesar da vaga olímpica no conjunto ser difícil, a chance no individual é enorme. Veremos no Pan, que será em maio de 2020.

A Rússia levou 8 dos 9 ouros em jogo, com mais um domínio de Dina Averina, ouro no individual geral à frente de sua irmã gêmea Arina, ouro na equipe, na bola, nas maças e na fita. No arco, ela foi bronze e o ouro ficou com a russa Ekaterina Selezneva. Nos grupos, Rússia levou no geral e na final das maças+fita, mas o Japão venceu na final de 5 bolas.

Ítalo Ferreira vence Jogos Mundiais após quase ficar de fora!

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Ítalo Ferreira vence Jogos Mundiais de Surfe. Foto: ISA

Com certeza essa será uma das principais histórias do esporte brasileiro de 2019. Exemplo perfeito da superação do esporte e de não desistir jamais.

Os Jogos Mundiais da ISA foram disputados em Miyazaki, no Japão, num modelo parecido com o que teremos em Tóquio-2020, numa praia com condições parecidas as com a disputa olímpica do ano que vem. Esta edição valia vaga olímpica direta apenas para os melhores de cada continente (tirando as Américas, cujas vagas foram definidas nos Jogos Pan-Americanos), mas já seria uma bela prévia da disputa olímpica.

Por isso, estavam todos os principais nomes do esportes tanto no masculino como no feminino. E o Brasil levou o que tinha de melhor, com Gabriel Medina, Filipe Toledo e Ítalo Ferreira no masculino e Silvana Lima, Tatiana Weston-Webb e Tainá Hinckel no feminino.

Antes de embarcar para o Japão, Ítalo teve seu passaporte roubado e precisou correndo tirar os documentos e correr atrás do visto japonês, enquanto o resto da equipe já havia embarcado para o Japão. Ítalo foi pra praia direto do aeroporto, chegou em cima da hora para competir na 1ª rodada, pegou uma prancha emprestada e competiu de bermuda jeans, faltando apenas 9min pra sua bateria terminar. Ainda assim ele a venceu pegando apenas 3 ondas! Ítalo, Medina e Filipinho seguiram avançando no longo torneio de 7 rodadas antes da decisão. Filipinho caiu na na 5ª rodada e parou na repescagem.

Na última rodada antes da final, Medina e Ítalo enfrentaram os americanos Kolohe Andino e o mito Kelly Slater. Andino venceu com 15,47, seguido de Medina com 14,40 e Ítalo acabou em 4º com 11,93, indo pra repescagem, onde ele venceu a bateria eliminando Slater.

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Brasil é ouro por equipes. Foto: ISA

Na grande final, o brasileiro fez uma grande final conseguindo uma nota 10 na decisão, somando 17,77 contra 17,06 de Andino e 14,53 de Medina, que acabou com a medalha de bronze!

Mais cedo na semana tivemos a vitória no feminino da peruana Sofia Mulanovich com a brasileira Silvana Lima na 2ª colocação com 12,77 na final contra 13,80 da peruana. Por equipes, o Brasil somou 4.060 pontos para levar o ouro a frente de Estados Unidos e Japão.

Brasil deve ficar sem atiradores em Tóquio

Depois do fracasso do tiro brasileiro no Pan, onde 4 atletas ficaram muito próximos das vagas olímpicas, mas fizeram bobagem nos últimos tiros, o Rio de Janeiro recebeu em Deodoro a última etapa regular da Copa do Mundo de rifle e pistola, que deu 2 vagas olímpicas por prova.

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Emerson Duarte na prova da pistola de fogo rápido 25m em Lima. Foto: Pedro Ramos/rededoesporte.gov.br

Por esse motivo, contou com praticamente todos os melhores do mundo, e era a última chance dos brasileiros conseguirem uma vaga para Tóquio.

Logo na quinta-feira, Felipe Wu e Julio Almeida precisavam ir bem na pistola de ar 10m. Wu, prata nesta prova no Rio-2016, havia ficado de fora dos Jogos Pan-Americanos e vinha atirando bem mal desde os Jogos do Rio. Desta vez não foi diferente. Julio ficou em 49º na qualificação e Wu foi apenas 75º com fraquíssimo 563 pontos. No Rio-2016 ele havia feito 580 na quali.

A outra boa chance brasileira era no domingo, com Emerson Duarte na pistola de fogo rápido 25m. Ele até fez uma boa prova, mas terminou em 15º, a 6 pontos da vaga olímpica.

Assim, só restaria ao Brasil conquistar vaga pelo ranking mundial, que dará apenas uma por prova em 31 de maio. As vagas são nominais aos atiradores, e apenas para atletas que não conquistaram nenhuma quota, desde que o seu país não tenha nenhuma vaga no evento específico.

Para se ter uma ideia, na pistola de ar 10m masculina, Julio é o 60º e Wu o 80º. Na pistola de fogo rápido, Emerson Duarte é o 30º e é o que estaria mais próximo do feito, mas tem outros 6 países na frente brigando por essa vaga, só que ainda teremos classificatórios continentais para a Europa, Ásia, África e Oceania.

Mundial de Judô – Final

Brasil fatura bronze na prova por equipes e encerra um Mundial com 3 medalhas, mas com sinal amarelo, quase vermelho, ligado.

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Equipe brasileira celebra a medalha de bronze. Foto: IJF

No 1º confronto por equipes, o Brasil pegou a Alemanha. E viu logo a Alemanha abrir 3-0, com derrotas de Maria Portela, Rafael Macedo e Maria Suelen Altheman, que levou um ippon em 11s! Rafael Silva e Rafaela Silva venceram e a pressão caiu sobre Eduardo Barbosa contra Anthony Zingg. O alemão derrubou o brasileiro, mas com um golpe ilegal, puxando-o pelo braço e foi desclassificado sumariamente. Empatado em 3-3, o confronto foi pro desempate. E a luta sorteada foi justamente a entre Barbosa e Zingg. Como o alemão havia sido desclassificado, não houve luta e o Brasil avançou com 4-3.

Nas 4as, pegou o Azerbaijão, que eliminara Portugal por 4-3. Eduardo Yudy Santos e Maria Suelen Altheman abriram 2-0, Rafael Silva perdeu, mas Rafaela Silva e Eduardo Barbosa fecharam o 4-1. Já na semifinal, o Brasil pegou o Japão e perdeu de 4-0.

Na disputa do bronze contra a Mongólia, Rafael e Rafaela Silva abriram 2-0. Eduardo Barbosa perdeu, mas Maria Portela abriu 3-1. Rafael Macedo perdeu novamente, mas Maria Suelen Altheman venceu sua adversária em menos de 1min e deu um dos bronzes pro Brasil. O outro ficou com a Rússia, que fez 4-1 no Azerbaijão.

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Japão é ouro por equipes. Foto: IJF

Na decisão, Japão e França. Kokoro Kageura abriu 1-0 com vitória sobre Cyrille Maret, mas Sarah Cysique lutou demais para vencer a vice-campeã mundial Tsukasa Yoshida e empatar o confronto. O mito Shohei Ono atropelou Guillaume Chaine e Chizuru Arai venceu a campeã mundial Marie-Eve Gahie e o Japão tinha 3-1. Numa luta sensacional, Axel Clerget derrotou Sanshiro Murao nos 90kg e diminuiu para 3-2. Na decisiva, a reedição da final dos 78kg da sexta-feira, mas diferente do que aconteceu lá, Shori Hamada atropelou Madeleine Malonga para vencer e selar a vitória japonesa por 4-2.

O Japão sai do mundo com a melhor campanha, 16 medalhas, sendo 5 ouros, 6 pratas e 5 bronzes, o que seria espetacular para qualquer país. Mas para eles, em casa, à véspera dos Jogos de 2020, foi abaixo do esperado, já que 6 judocas perderam em suas finais. França com 3-1-2 foi o único outro país com mais de 1 ouro. 9 países saíram com ouro e 25 medalharam.

Pro Brasil ficou um gosto amargo. Foram 3 bronzes, 3 quintos lugares e 1 sétimo, mas, tirando a Beatriz Souza, todos os outros 5 que disputaram medalhas já haviam ganho medalha em outros mundiais. Foram várias derrotas para atletas piores ranqueados e alguns atletas perderam na estreia de maneira decepcionante.

A CBJ tem dinheiro, faz o povo viajar, mas a equipe brasileira não consegue sair dos mesmos nomes. Em 2020, dificilmente o Brasil terá um nome no pódio que não seja o da Rafaela Silva, Mayra Aguiar e Rafael Silva, os mesmos que medalharam no Rio-2016. A equipe, claro, tem boas chances e, dependendo da chave, Maria Suelen Altheman ou Beatriz Souza podem chegar ao pódio. Ainda tenho esperanças com Daniel Cargnin e Larissa Pimenta, que teve um azar danado neste Mundial, pegando japonesa na 2ª luta.

Para que isso não aconteça em 2020, os brasileiros precisariam ser cabeças de chave. Portanto, a CBJ tem que priorizar torneios que dão muitos pontos e que costumam ser esvaziados, além de mandar a equipe A pro campeonato pan-americano de 2020. Em outubro teremos o Grand Slam de Brasília, que deve nos ajudar bastante no ranking.

O próximo Mundial será em 2021 em Viena.

Mundial de Judô – Dia 7

Brasil coloca 4 judocas nas finais, mas sai sem medalhas no último dia de disputas individuais em Tóquio.

+78kg feminino

Em seu 2º Mundial, Beatriz Souza começou voando. Precisou de apenas 33s para dar ippon em americana e 1min14s para imobilizar húngara. nas 4as, pegou a temida cubana Idalys Ortiz. Bia já venceu a cubana 3 vezes na carreira, mas dessa vez acabou sendo imobilizada no finzinho da luta. Maria Suelen Altheman conseguiu vencer giagnte chinesa na 1ª luta, depois passou por porto-riquenha e venceu a azeri Iryna Kindzerska nas 4as. Mas na semifinal pegou Ortiz, que nunca perdeu pra brasileira. Não só está invicta como tem um retrospecto pelo circuito da IJF de 16 vitórias!

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Pódio do +78kg. Foto: IJF

Suelen começou bem, tentando causar shidos na cubana, mas acabou se perdendo ao levar um shido bem questionável e levou um wazaari com 30s de golden score. Bia venceu na repescagem Kindzerska e pegou na disputa do bronze a turca Kayra Sayit. Logo no início da luta, Sayit caiu sobre o joelho da brasileira, que sentiu muito e mal conseguia se levantar. Ela tentou lutar, quase aplicou 2 golpes, mas, chorando muito, acabou perdendo de maneira dura. Suelen não teve sorte e pegou na disputa do bronze a campeã mundial de 2018, a japonesa Sarah Asahina, que dominou por completo a brasileira.

Na decisão, a outra japonesa, Akira Sona, de 19 anos, soube segurar Idalys Ortiz e se tornar a campeã mais jovem da história nesta categoria. Sona tinha 2 shidos contra 1 da cubana no golden score e não deixava Ortiz atacar. Ela acabou levando o 2º shido e, com 4 min de golden score, o 3º e foi eliminada com hansokumake. Foi apenas o 2º ouro japonês no feminino no Mundial, apesar de terem colocado judocas em 6 das 7 finais.

+100kg masculino

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Lucas Krpalek (CZE). Foto: IJF

Dono de 2 medalhas olímpicas, Rafael Silva venceu bósnio e romeno, mas acabou derrotado nas 4as para o japonês Hosayoshi Harasawa por hansokumake. David Moura também venceu duas lutas sobre saudita e esloveno, mas acabou eliminado pelo jovem sul-coreano Kim Min-jeong de 18 anos. Ambos foram pra repescagem contra holandeses. Rafael venceu o forte Henk Grol com um belo ippon, mas David foi superado por Roy Meyer. Na disputa do bronze, Rafael pegou o sul-coreano e seguia impassível com os ataques do coreano. Rafael vinha muito bem e se encaminhava para o bronze, quando tentou dar o ippon, mas meio que caiu para trás e levou o ippon do coreano.

Na final, o checo campeão olímpico no Rio na categoria abaixo (até 100kg) Lukas Krpalek pegou o japonês Hisayoshi Harasawa, prata no Rio-2016. Krpalek venceu todas as suas lutas por ippon, normalmente no ne-waza, a luta de solo. Na final, segurou o japonês, que não conseguia imprimir um ataque e foi levando até a prorrogação. Com preparo físico melhor, Krpalek atacava antes até forçar o 3º shido pro japonês e levar o ouro com quase 4min de golden score.