Vôlei de Praia respira

Após um Mundial para esquecer, as principais duplas do mundo seguiram viagem para Gstaad, na Suíça, para a disputa do 1º Major do ano.

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Pódio feminino em Gstaad. Foto: FIVB

E dessa vez as duplas brasileiras conseguiram 3 medalhas, algo que era esperado para o Mundial de Hamburgo, o que mostra que não estamos tão mal assim.

Maria Elisa/Carol tiveram uma semana excelente e ameaçam embolar a corrida olímpica. Correndo por fora, elas foram avançando até chegar na semifinal, onde pegaram Ana Patrícia/Rebecca e venceram por 21-16 21-16! Na decisão, enfrentaram as americanas vice-mundiais Klineman/Ross, que venceram de virada por 15-21, 21-17, 15-12.

Na disputa do bronze feminino, Ana Patrícia/Rebecca derrotaram as suíças Betschart/Hüberli por tranquilos 21-14 21-12. Essas suíças foram nossa algozes no Mundiak, eliminando Ana Patrícia/Rebecca nas 8as e Bárbara/Fernanda nas 4as. Agora as coisas voltaram ao normal.

No masculino, Evandro/Bruno Schmidt seguem como a melhor dupla brasileira. Eles perderam na semifinal para os noruegueses Mol/Sørum por 21-18, 21-14, mas venceram na disputa do bronze os italianos Nicolai/Lupo de virada por 16-21, 21-17, 15-12. As coisas voltaram tão ao normal que o noruegueses foram os campeões da etapa com 21-17, 21-15 sobre os holandeses Brouwer/Meeuwsen faturando a 5ª etapa da temporada.

A corrida olímpica no Brasil está assim:

Feminino:
Ana Patrícia/Rebecca – 4.260
Ágatha/Duda – 3.830
Maria Elisa/Carol – 3.370
Bárbara/Fernanda Berti – 2.570
Talita/Taiana – 2.530

Masculino:
Evandro/Bruno Schmidt – 4.160
Alison/Álvaro Filho – 3.030
André/George – 2.800
Pedro Solberg/Vítor – 2.480
Guto/Saymon – 1.500

As duplas seguem agora para Portugal, para o torneio 4 estrelas de Espinho.

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Um Mundial para esquecer…

Acho que nem o torcedor mais pessimista esperaria um mundial de vôlei de praia tão desastroso das duplas brasileiras como foi esta edição em Hamburgo, na Alemanha.

Foi uma primeira fase muito boa das 8 duplas brasileiras, todas avançando em 1º ou 2º em seus grupos. As mulheres vencerem 11 dos 12 jogos e os homens 10 dos 12, dando uma falsa sensação de segurança. Claro que na primeira fase existem duplas mais fracas, mas ainda assim a expectativa era das melhores.

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Agatha contra russa em partidas das 8as de final. Foto: FIVB

Ana Patrícia e Rebecca vinham de 3 títulos importantes no ano no circuito mundial e Ágatha/Duda venceram o torneio 4 estrelas de Ostrava no início de junho, ganhando na final justamente de Ana Patrícia/Rebecca. No masculino a expectativa era pior. As duplas brasileiras mal chegavam às 4as dos torneios importantes, mas a vitória de Evandro/Bruno Schmidt sobre os noruegueses Mol/Sorum na final do Aberto de Varsóvia na semana anterior ao Mundial deu muita esperança.

Só que na hora do mata-mata, as esperanças não se concretizaram. No feminino, Maria Elisa/Carol caíram logo na 1ª rodada 21-15, 13-21, 15-11 para a boa dupla americana Klineman/Ross. Não se acertando, Ana Patrícia/Rebecca perderam de virada nas 8as para as suíças Betschart/Hüberli por 19-21, 21-15, 15-12 e Ágatha/Duda fora surpreendidas pela inexpressiva dupla russa Makroguzova/Kholomina por 22-20, 18-21, 22-20. Apenas Bárbara e Fernanda avançaram, mas caíram nas 4as também de virada para as mesmas suíças Betschart/Hüberli por 19-21, 21-13, 15-13. Seria a 1ª vez na história que o Brasil não subiria ao pódio em um Mundial no feminino. Somando Mundiais e Olimpíadas, foi a 1ª vez que não tivemos uma dupla brasileira na semifinal.

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Crabb comemora vitória sobre André/George nas 4as. Foto: FIVB

Entre os homens, os favoritos Evandro/Bruno Schmidt perderam 21-19, 21-18 logo na 1ª rodada para os americanos Allen/Slick e Pedro Solberg/Vítor Felipe perderam 21-19, 21-18 para os letões Plavins/Tocs. Nas 8as, foi a vez de Alison/Álvaro caírem para os jovens alemães Thole/Wickler por feios 21-14, 21-15. Restavam apenas André, campeão em 2017 ao lado do Evandro, e George, que perderam neste sábado de manhã nas 4as para os americanos Bourne/Crabb de virada por 16-21, 21-15, 17-15.

Assim como no feminino, é a 1ª vez que o Brasil não chega às semifinais na chave masculina em um Mundial. Somando Jogos Olímpicos, a única vez que não tivemos brasileiros na semi foi nos Jogos de Atlanta-1996. Apenas no Mundial de 2007 não tivemos uma dupla brasileira na final!

Pelos resultados vistos na temporada, o feminino ainda não é uma preocupação. Tivemos títulos importantes de duplas diferentes, que vem jogando muito bem e de maneira bem entrosada. Este mundial foi uma fatalidade, mas fica o alerta, pois algumas duplas perderam para equipes bem inferiores em momentos importantes.

Agora o masculino está com sinal amarelo, quase vermelho, ligado. As duplas ainda não jogam bem, não estão entrosadas e tivemos derrotas feias. Não vem bem na temporada, tendo apenas Evandro/Bruno Schmidt com bons resultados.

O circuito já volta na semana que vem o fortíssimo Major de Gstaad, que deve ter quase o mesmo nível deste Mundial. Veremos…

Dois ouros no Mundial Sub21 de vôlei de praia

Na Tailândia, o Brasil saiu com dois ouros do Mundial de vôlei de praia sub21! Foi o 3º ouro seguido do Brasil tanto no masculino como no feminino.

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Renato e Rafael. Foto: FIVB

Na chave masculina, os irmãos gêmeos Renato e Rafael Carvalho fizeram uma campanha excelente. Na 1ª fase fizeram 21-15 21-16 em russos, 21-15 21-12 em noruegueses e 21-13 21-15 em chilenos. Nas 8as seguiram destruindo dupla da Nicarágua por 21-12 21-16, 21-13 21-13 em russos nas 4as, tiveram mais dificuldade na semifinal contra os mexicanos Sarabia/Stephens vencendo por 19-21 21-14 15-11 e, na decisão, derrotaram os italianos Windisch/Di Silvestre por tranquilos 21-11 21-15. Foi o 7º ouro brasileiro masculino no Mundial Sub21.

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Victoria e Vitória. Foto: FIVB

Já entre as mulheres, Victoria Pereira/Vitoria de Souza também fizeram campanha perfeita pro título. Na estreia, bastante dificuldade contra russas com 34-32 25-27 15-12, mas depois 21-5 21-5 em marroquinas e 21-14 21-10 em polonesas. Nas 8as 21-10 21-11 em alemãs, 21-17 21-13 em tailandesas nas 4as, 21-16 21-12 em espanholas na semifinal e na final 17-21 21-15 15-13 nas russas Bocharova/Voronina. Foi o 9º título do Brasil na chave feminina em Mundiais Sub21.

Já foram campeões mundiais Subs21 Pedro Solberg (2 vezes), Bruno Schmidt, o italiano Paolo Nicolai (2 vezes), os poloneses Kantor/Losiak, a holandesa van Iersel, a americana Summer Ross e a brasileira Duda Lisboa (2 vezes).

Alerta vermelho pro vôlei de praia!

Com um torneio de 4 estrelas em casa, era de se esperar uma boa campanha das duplas brasileiras em Itapema. Mas as coisas não foram bem, principalmente no masculino. E a luz vermelha está acesa!

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André/George na derrota nas 8as. Foto: FIVB

A corrida olímpica começou com o torneio de Doha, em março, um torneio de 4 estrelas. No fim de abril tivemos mais um 4 estrelas em Xiamen, na China. E agora este no Brasil. Nos 3 torneios, nenhuma duplas brasileira masculina chegou às quartas-de-final! Nenhuma!

Agora em Itapema, as duplas que chegaram mais longe foram Evandro/Bruno Schmidt e André/George, que perderam nas 8as. Evandro/Bruno caíram por 21-17, 21-19 para os holandeses Varenhorst/van de Velde enquanto André/George perderam de 21-15, 21-14 para os poloneses Kantor/Losiak. Alison/Álvaro, que venceram há duas semanas o torneio 3 estrelas em Kuala Lumpur, na Malásia, perderam ainda na rodada preliminar para André/George.

Essa dança das cadeiras no masculino não está sendo benéfica para o vôlei de praia brasileiro. Nem um pouco.

Já no feminino, a situação é um pouco menos preocupante. Ana Patrícia/Rebecca vem surpreendendo e venceram este ano o 4 estrelas de Haia em janeiro e o 4 estrelas de Xiamen, em abril. Mas desta vez em casa, perderam nas 8as 21-16, 21-13 para Taiana/Talita em duelo brasileiro.

Entre as mulheres, duas duplas chegaram às quartas, mas também caíram. Taiana/Talita por 26-24, 21-17 para as holandesas Stubbe/van Iersel e Ágatha/Duda por duros 25-27, 21-18, 15-13 para as americanas Klineman/Ross. Apesar do resultado ruim, as duplas femininas não preocupam tanto.

As duplas seguem agora para a China, para mais um 4 estrelas em Jinjiang e depois para a Europa, em Ostrava, República Checa, e Varsóvia, Polônia, antes do Mundial em Hamburgo no fim de junho.

Vamos ver se se recuperam…

Título do ano para Ágatha e Duda

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Duda e Ágatha após o título em Hamburgo. Foto: FIVB

Em um ano meio apagado do vôlei de praia brasileiro, Ágatha Bednarczuk e Duda Lisboa se sagraram campeãs do principal torneio do ano, a etapa final do Circuito Mundial, em Hamburgo, que reuniu as 10 melhores duplas do ano.

Elas começaram com uma derrota para as australianas Artacho del Solar/Clancy por 2-0 na fase de grupos, mas venceram as canadenses Humana-Paredes/Pavan, as checas Hermannova/Slukova e as alemãs Schneider/Bieneck, terminando em 2º lugar no grupo B. Nas quartas, venceram as alemãs Sude/Labourer de virada 12-21, 21-14, 15-9.

Nas semifinais, confronto brasileiro contra Maria Elisa e Carol numa partida muito disputada, que Ágatha e Duda venceram por 31-29, 21-18. Na decisão, novo encontro com as checas Hermannova/Slukova e vitória brasileira por 21-15, 21-19.

Foi o 3º título da dupla no circuito mundial e o 1º fora do Brasil. Elas jogam juntas desde janeiro de 2017 na maior premiação da história no vôlei de praia, USD 150.000 para a dupla. O Mundial de 2017 deu USD 60.000 pra dupla campeã e a Final do circuito de 2017 premiou o título com USD 100.000. Ágatha e Duda terminam a temporada como a melhor dupla do mundo.

Já no masculino, o Brasil não colocou nenhuma dupla na etapa, já que foi um ano de grande transição e mudança de parcerias. O título ficou com o norueguês Anders Mol e Christian Sorum, o 3º da dupla no ano, após os Majors de Gstaad e Viena.

O circuito de 2019 já começa na próxima semana com etapas menores, mas esse ano ainda teremos 2 etapas de 4 estrelas, e Yangzhou, na China, e em Las Vegas, ambas em outubro.

Semana para esquecer o vôlei e o vôlei de praia…

Não seria exagero falar que esta foi uma das piores semanas para o vôlei e vôlei de praia brasileiro da história. Não foram apenas derrotas, mas muitas derrotas e algumas bem feias.

Começou com a fase da Liga das Nações ainda na outra semana, quando a seleção masculina levou um feio 3-0 (25-17, 25-18, 25-14) da Rússia na semifinal e depois mais um 3-0 (25-21, 28-26, 28-26) dos EUA na disputa do bronze.

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Brasil na derrota pra República Dominicana na Copa PanAm. Foto: CSV

Na Colômbia, a seleção sub18 feminina fez um sul-americano bem fraco. Sofreu na 1ª fase contra as donas da casa, mas venceu por 3-2. Mas na semifinal apanhou muito feio do Peru por 3-0 (25-9, 25-15, 25-11). Sim, 25-9, não está errado. Na disputa do bronze, derrotou a Colômbia por 3-0 e medalhou, garantindo vaga pro Mundial do ano que vem, mas deixou demais a desejar.

Com uma equipe B, mas que tinha Dani Lins e Thaisa, o Brasil foi pra Copa Pan-Americana na República Dominicana e ficou sem medalha. Sofreu para vencer Colômbia e Argentina na 1ª fase por 3-2, mas passou em 1º no grupo. Na semifinal levou um 3-0 (25-16, 25-12, 25-23) das donas da casa e na disputa do bronze perdeu pro Canadá também por 3-0 (25-19, 25-20, 25-21), ficando sem medalha, mas pelo menos garantiu vaga pros Jogos Pan-Americanos.

No vôlei de praia, foi um show de horrores do lado masculino no Major de Gstaad, na Suíça. Das 4 duplas, apenas uma passou pro mata-mata. Pedro Solberg/Bruno Schmidt ficaram em 3º no seu grupo, venceram no playoff americanos, mas caíram nas 8as 2-1 para os noruegueses Mol/Sorum, que foram os campeões. No feminino, as 3 duplas pelo menos avançaram, mas apenas Agatha/Duda chegaram nas 4as. Na semi, perderam 2-1 para as canadenses Humana-Paredes/Pavan e na disputa do bronze também perderam, mas 2-0 para as também canadenses Bansley/Wilkerson. Sinal amarelo no vôlei de praia masculino no 1º torneio importante após a dança de cadeiras da troca de duplas.

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Agatha na derrota na disputa do bronze. Foto: FIVB

Pra fechar essa semana horrorosa (não, não acabou), pela 1ª vez desde 2012 o Brasil ficou sem medalha num Mundial Sub19 de vôlei de praia. O país vinha de 3 títulos seguidos no feminino e 2 no masculino. Duas duplas nem passaram do qualificatório. Na chave principal, Thamela/Anne Karolayne caíram nas 8as para holandesas e Gabriel/Pisco perderam também nas 8as para tailandeses (!!). Os dois ouros foram para duplas da Rússia.

Não está nada animador, ainda mais por estarmos no meio do ciclo olímpico. E daqui a pouco tem Mundial masculino e feminino de vôlei. Tomara que tenha sido apenas uma semana ruim…

Dança das cadeiras no vôlei de praia

Campeões olímpicos no Rio-2016 e mundiais em 2015, Alison Cerutti e Bruno Schmidt encerram uma parceria extremamente vitoriosa nas areis.

Jogando juntos desde 2014, Alison e Bruno disputaram 38 torneios no circuito mundial de vôlei de praia, 2 Mundiais e 1 Olimpíada. Foram 12 títulos: um Olímpico, um mundial, 2 da Final do Circuito e 8 torneios do circuito mundial, e mais 7 pódios. Além disso, conquistaram o título geral da temporada de 2015 e 2 circuitos brasileiros.

Este ano vinham de um 9º lugar em Fort Lauderdale (torneio 5*), um bronze em Xiamen (4*) e um 17º em Huntington Beach (4*). A ausência da dupla foi sentida no Aberto de Itapema na última semana e o anúncio veio nesta quarta-feira.

Bruno voltará a fazer parceria com Pedro Solberg, com quem jogou em 2013 e subiu 6 vezes ao pódio no circuito mundial. Mas a surpresa veio com o anúncio do Mamute, que jogará com André Stein, atual campeão mundial.

O único problema é que André vinha numa fase excepcional com Evandro, com quem foi campeão mundial em 2017. Nesta temporada, eles venceram o Aberto de Itapema no domingo e foram vice no Aberto de Huntington Beach, no início do mês.

A troca de parceiros é comum no vôlei de praia, assim como ocorre no tênis.

Trocas assim são esperadas nessa temporada, que é a última antes do início da corrida para a classificação olímpica, então não surpreendem tanto. Agora é ver como as novas parcerias se saem no circuito mundial, que começa forte no fim de junho com praticamente 9 semanas seguidas de torneio 4 ou 5 estrelas.