Rio-2016 – 1 ano

Eu sei que o estado está em crise (embora ache que com ou sem Olimpíadas teria crise), que as arenas ainda não estão em uso direito, que o legado olímpico está em suspensão, que a crise no país reduziu drasticamente o investimento no esporte, sei de tudo isso.

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Mas foi incrível. Espetacular. Inesquecível. Foram 20 dias no Rio que vão deixar saudades, que o mundo soube aproveitar o Rio e, mesmo com piscina verde, deu tudo certo. Foi um show desde a Gisele desfilando no Maracanã até o apagar da pira no dia 21 de agosto de 2016. Em uma palavra:

FODA!

Obrigado pelas lembranças de 20 dias que nunca sairão da minha memória. Como torcedor, voluntário, espectador e brasileiro. Obrigado, Rio-2016.

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Resumo Rio-2016 – Ciclismo: Estrada

Estrada masculina

Greg van Avermaet (BEL)

Greg van Avermaet (BEL)

 

Na prova mais longa dos Jogos, os 144 ciclistas de 63 países deveriam percorrer 241,5km pelas ruas do Rio de Janeiro, na prova que foi considerada uma das mais difíceis da história olímpica. Começando no Forte de Copacabana, o pelotão seguia por Ipanema, Leblon e Barra até a reserva de Marapendi, chegando ao circuito de Pontal, onde dariam 4 voltas. Voltando pela mesma estrada costeira, entrava-se na Vista Chinesa, dando 3 voltas nesse circuito na Gávea, até retornar ao Forte. Era o primeiro dia dos Jogos e um fortíssimo esquema de segurança foi montado.

Seis ciclistas abriram logo no início da prova, chegando a abrir 7min do pelotão. Entre eles, o alemão Simon Geschke, o polonês Michal Kwiatkowski e o colombiano Jarlinson Pantano. Ainda no circuito de Pontal, a diferença caiu para 5min. Mas o que chamava mais atenção eram os inúmeros acidentes e problemas mecânicos. Garrafas de água caíam das bicicletas e muitos tiveram problemas nas ruas de paralelepípedo. Ainda no circuito de Grumari-Pontal, o pelotão começou a apertar, buscando os 6 ciclistas que haviam se desgarrado. Os britânicos Ian Stannard e Geraint Thomas forçaram o ritmo e foram seguidos por Chris Froome, pelo suíço Fabian Cancellara e pelos belgas Philippe Gilbert e Greg Van Avermaet. A diferença já era agora de 3min. Chegando ao fim desta parte da prova, a diferença caía para menos de 1min. Froome chegou a parar para trocar de bicicleta, enquanto Thomas parou para espera-lo, para assim retornarem ao pelotão. Antes da chegada a Vista Chinesa, a diferença agora tinha alimentado para 2min.

Lá na frente, eram agora apenas 4 ciclistas antes do duro circuito com fortes subidas na Gávea. Kwiatkowski assumiu a liderança e forçava nas subidas, deixando os outros para trás, menos o russo Pavel Kochetkov. Ainda na primeira subida, o pelotão perseguidor chegava mais perto, enquanto o italiano Damiano Caruso, Van Avermaet e Geraint Thomas forçando um pouco mais a frente, mas foram alcançados pelo estoniano Rein Taaramae e pelo colombiano Sergio Henao. A equipe espanhola vinha atrás, pronta pro ataque com Jonathan Castroviejo. Na 2ª volta da Vista Chinesa, Castroviejo atacou Kwiatkowski e, faltando 45km pro fim, os perseguidores chegaram ao líderes. Os italianos Fabio Aru e Vicenzo Nibali estavam na frente agora, num grupo grande, que contava com o polonês Rafal Majka, o dinamarquês Jakob Fuglsang e o britânico Adam Yates. Este grupo abria 50s de vantagem sobre o resto, com 29km pra chegada, deixando a equipe espanhola com Joaquim Rodriguez e Alejandro Valverde.

Na última volta, 3 italianos estavam na frente: Aru, Nibali e Damiano Caruso. Mas Cancellara forçava atrás e diminuía a vantagem para 30 segundos, enquanto Caruso e Nibali seguiam a frente. Atrás, forçavam o sul-africano Louis Meintjes, Joaquim Rodriguez e o cazaque Andrey Zeits. Nibali tentava se desgarrar, mas os perseguidores apertavam, entre eles o colombiano Sergio Henao, Geraint Thomas, Van Avermaet e Majka. Na descida final, restando apenas 11km, Nibali e Henao surpreendentemente se chocam, deixando o polonês Majka sozinho. Logo depois, foi a vez de Geraint Thomas bater, enquanto o polonês seguia só no plano, com 11s de vantagem. Sentindo muitas dores, Majka não aguentou e viu Greg Van Avermaet e Jakob Fuglsang o passarem e, num belo sprint final, o belga passava em primeiro para garantir o ouro.

Apenas 65 dos 144 ciclistas terminou a prova. O ouro do belga Greg Van Avermaet foi o primeiro ouro belga na prova desde André Noyelle em Helsinque-1952 e o primeiro ouro belga no ciclismo desde Los Angeles-1984. O belga havia vencido no ano também a tradicional prova Tirreno-Adriático e levou o Tour da Bélgica de 2015. A prata pro dinamarquês Jakob Fuglsang foi a primeira medalha do país na prova de Atlanta-1996, enquanto o bronze de Rafal Majka quebrou um jejum de medalhas polonesas no ciclismo masculino de 28 anos.

Contrarrelógio masculino

Fabian Cancellara (SUI)

Fabian Cancellara (SUI)

Com 37 atletas na disputa, a decisão logicamente sairia apenas no final, pois os melhores ciclistas da prova seriam os últimos a sair. Os 5 últimos foram, na ordem, o suíço Fabian Cancellara, campeão em Pequim-2008 e tetracampeão mundial, o alemão Tony Martin, o bielorrusso Vasil Kiryienka, o holandês Tom Dumoulin e o britânico Chris Froome. Todos já haviam medalhado em Jogos Olímpicos ou em mundiais na prova.

O primeiro a fazer um tempo razoável foi o checo Leopold Konig, que completou os 54,5km da prova em 1:15:23.64. 5 ciclistas depois, foi a vez do britânico Geraint Thomas melhorar, assumindo a liderança com 1:14:52.85. Ele perdeu depois para o espanhol Jonathan Castroviejo, que fez em 1:13:21.50, restando ainda 12 ciclistas cruzarem a linha de chegada. Lá atrás, Cancellara dava o ritmo e completou a 1ª parcial de 9,95km com o melhor tempo, tirando pouco menos de 1s do australiano Rohan Dennis. Na 2ª parcial, de 19,7km, Dennis tinha o melhor tempo enquanto o suíço passava apenas em 4º. Campeão mundial em 2015, Kiryienka não vinha bem e aparecia abaixo dos 10 primeiros nas primeiras parciais. Tony Martin já estava melhor no início, mas foi caindo de ritmo e cada vez mais longe do pódio na sua especialidade.

Dumoulin e Froome, por outro lado, começaram bem e forçavam o ritmo, chegando cada vez mais perto da liderança. Com 34,6km, Cancellara já era novamente o líder ao fazer uma parcial espetacular de 19min19, tirando 18s do australiano. Dumoulin e Froome passaram logo depois pela mesma parcial, mas sem o mesmo brilho do suíço. Na 4ª parcial, de 44,35km, mais um show de Cancellara, que fez a marca em 1:01:53.65. Enquanto Martin e Kiryienka ficavam bem para trás, Dumoulin e Froome seguiam bem, mas perdiam terreno pro suíço, que aumentava sua vantagem de 26s para 33s. Na perna final, Cancellara seguia forte até completar em 1:12:15.42, tirando 1:06 de Castroviejo, que ainda era o líder e sonhava com o pódio. Tony Martin, com apenas 1:15:33.75 terminaria em 12º e Vasil Kiryienka com 1:16:05.70 seria o 17º. Tom Dumoulin perdeu mais tempo que o suíço e completou em 1:13:02.83. Quando Chris Froome se aproximava do final, não havia mais como tirar o tempo do Cancellara. Ao completar em 1:13:17.54, o suíço garantiu o ouro e Castroviejo saiu do pódio.

Foi o 2º ouro olímpico de Fabian Cancellara no contrarrelógio, repetindo o feito de 8 anos antes. Ele se iguala ao russo Viatcheslav Ekimov com 2 ouros, mas Ekimov foi bicampeão olímpico seguido, em Sydney-2000 e Atenas-2004. A prata de Tom Dumoulin foi a 1ª medalha da Holanda na prova e a 1ª medalha na estrada masculina desde Barcelona-1992. Já Chris Froome repetiu o bronze conquistado em casa, em Londres-2012.

Estrada feminina

RIO DE JANEIRO, BRAZIL - AUGUST 07:  Anna van der Breggen of the Netherlands celebrates after winning the Women's Road Race on Day 2 of the Rio 2016 Olympic Games at Fort Copacabana on August 7, 2016 in Rio de Janeiro, Brazil.  (Photo by Patrick Smith/Getty Images)

Anna van der Breggen (NED)

Num domingo de sol com temperatura por volta dos 30ºC, 68 ciclistas largaram no Forte de Copacabana para percorrer 136,9km em busca do ouro, mas com mais vento que os homens tiveram que lidar no dia anterior. O circuito começava no Forte de Copacabana, seguia margeando a praia até Marapendi até chegar ao circuito de Pontal/Grumari, onde as ciclistas deveriam dar 2 voltas. Voltando pela praia na Barra até o circuito da Vista Chinesa/Gávea onde dariam apenas 1 volta, até chegar novamente ao Forte.

A belga Lotte Kopecky foi a primeira a atacar e logo ela abriu 2 minutos do pelotão e assim ficou por um bom tempo. Com 45km de prova, a holandesa Elle van Dijk liderou um grupo de fuga com outras 3 ciclistas, mas logo foram seguidas pela americana Kristin Armstrong e pela britânica Emma Pooley. Ainda no trecho de Grumari, a holandesa campeã de Londres-2012 Marianne Vos também forçou para alcançar as líderes. A diferença de Kopecky caiu para 1min30s e seguia diminuindo, até que, graças aos esforços da russa Olga Zabelinskaya, o pelotão já avistava a belga e o grupo de perseguição. No fim da subida, todas juntas novamente.

Na descida rápida e cheia de curvas, dois grupos se formaram, com Vos no 2º e as suas 3 compatriotas no da frente. Logo depois, todas juntas novamente na marca de 60km. Após as 2 voltas em Grumari e no plano de volta da Barra, um único grupo antes da temida subida Vista Chinesa. Antes de chegar na subida, um grupo com Vos e mais 6 ciclistas tinha pouco mais de 1min de vantagem.

A americana Evelyn Stevens diminuiu a diferença para 1min na subida do Joá, mas sua compatriota Mara Abbott começou a aparecer na prova e encostou nas líderes. A italiana Elisa Longo Borghini e a holandesa Anna van der Breggen começaram a forçar, deixando Stevens para trás. Logo depois, 4 ciclistas despontavam: Abbott, van der Breggen, Longo Borghini e a holandesa Annemiek van Vleuten, seguidas pela sueca Emma Johansson. Na descida, van Vleuten e Abbot abriram, mas a holandesa foi com tanta sede ao pote que sofreu um acidente e a americana chegava à Gávea sozinha na liderança, em situação parecida com o ocorrido na prova masculina no dia anterior.

As 3 perseguidoras viram van Vleuten caída e aumentaram a velocidade em busca da americana. Abbott relaxou e, com 300m pra linha de chegada, acreditando que ganharia, bobeou e viu as 3 a passarem. No sprint final, Anna van der Breggen foi mais forte para cruzar em primeiro lugar, com a sueca Emma Johansson em segundo e a italiana logo atrás em 3º. Desacreditada, Mara Abbott cruzou em 4º, 4s depois. Excelente prova da brasileira Flávia Oliveira, que buscou as líderes, cruzando na excepcional 7ª posição, a melhor da história de uma ciclista brasileira em Jogos Olímpicos.

Vice-campeã mundial em 2015, a holandesa Anna van der Breggen ficou com o ouro, repetindo o feito de sua compatriota Marianne Vos em Londres-2012. Em 9 edições olímpicas da prova, foi o 4º ouro para uma ciclista holandesa. A sueca Emma Johansson ganhou sua 2ª medalha olímpica, repetindo a prata de Pequim-2008 enquanto a italiana Elisa Longo Borghini ficou com o bronze, repetindo o feito de Tatiana Guderzo também em 2008.

Contrarrelógio feminino

Kristin Armstrong (SUI)

Kristin Armstrong (SUI)

Com as 3 últimas campeãs mundiais na disputa, a americana Kristin Armstrong buscava um raríssimo tricampeonato olímpico no ciclismo. 25 ciclistas largavam intervaladas a cada 1min30spara percorrer 29,7km no circuito de Grumari.

A primeira a fazer uma marca para medalha foi a canadense Tara Whitten, apenas a 8ª a largar. Forçando bem, completou a distância em 45:01.16 e ficou por um bom tempo na liderança. Bons nomes vinham em seguida, mas não melhoravam o tempo, como a britânica Emma Pooley, prata em Pequim-2008, que fez 46:31.98. Quase 15min na liderança para finalmente alguém melhorar a marca de Whitten. A italiana Elisa Longo Borghini, bronze na estrada uns dias antes, baixou para 44:51.94m assumindo a liderança. Pouco depois, foi a vez da holandesa Ellen van Dijk, campeã mundial em 2013, virar líder com 44:48.74. A americana Evelyn Stevens foi a próxima, mas com 46:00.08, estava fora do pódio.

Bronze em Londres-2012 e inscrita praticamente no limite por conta da suspensão da Rússia, Olga Zabelinskaya fez um excelente meio de prova e cruzou com o melhor tempo, fazendo 44:31.97. A campeã mundial de 2014, a alemã Lisa Brennauer, também deixou a desejar, marcando 45:22.62, já fora do pódio, apesar de ter feito a melhor 3ª parcial da prova, mas pecou por ter começado lenta. Quando a campeã da prova de estrada, a holandesa Anna van der Breggen cruzou com 44:37.80, a russa já comemorava uma medalha. Campeã mundial em 2015, a neozelandesa Linda Villumsen também ficou além do esperado, fazendo 44:54.71, em 5ª no momento, restando apenas Armstrong.

A americana começou bem forte, fazendo o melhor tempo da 1ª parcial, 22s melhor que Zabelinskaya. Na 2ª tomada de tempo, com 19,7km, a americana piorou, perdendo 25s, cruzando atrás da russa por apenas 2s88. Destinada na busca pelo tri, a americana aproveitou a leve queda da russa na parte final, para cruzar com 44:26.42, apenas 5.55 melhor que Zabelinskaya e conquistar o inédito tricampeonato olímpico da prova.

Pela primeira vez na história, uma mulher conquista o tricampeonato seguido de uma prova no ciclismo olímpico. A americana Kristin Armstrong se junta ao seleto grupo com os britânicos Ed Clancy (perseguição por equipes) e Jason Kenny (sprint por equipes), únicos tricampeões olímpicos seguidos. A russa Olga Zabelinskaya termina com a prata, melhorando do bronze conquistado em Londres-2012. Com o bronze, a holandesa Anna van der Breggen se torna a 3ª da história a vencer em uma mesma Olimpíada um ouro na estrada e ganhar uma medalha no contrarrelógio e 5ª a medalhar nas 2 provas em uma mesma Olimpíada.

Resumo Rio-2016: Boxe – pesos leves

Até 49kg masculino

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Hasanboy Dusmatov (UZB)

Com a profissionalização do bicampeão da categoria, o chinês Zou Shiming, o favoritismo recaiu sobre os campeões mundiais recentes, o cazaque Birzhan Zhakypov e o cubano Joahnys Argilagos, mas ambos decepcionaram. O cubano, de apenas 19 anos, derrotou na estreia o britânico Galal Yafai por 2-1 e depois o queniano Peter Mungai Warui por 3-0, mas na semifinal foi surpreendido pelo colombiano Yuberjen Martínez por 2-1. Outro grande favorito, o irlandês Paddy Barnes, bronze nas últimas 2 Olimpíadas, foi a grande decepção, perdendo na estreia para o espanhol Samuel Carmona.

Pela chave de baixo, Zhakypov perdeu nas 4as para o uzbeque Hasanboy Dusmatov por decisão unânime. Enquanto isso, o russo vice-campeão mundial Vasily Yegorov também parou na estreia, perdendo de 3-0 para o americano Nico Hernandez. O americano venceu o equatoriano Carlos Quipo nas 4as, mas na semifinal caiu pro uzbeque campeão asiático. Na decisão, Dusmatov começou melhor e foi aumentando o ritmo dos golpes na 1ª final do boxe no Rio-2016. Martínez tentou buscar no 3º round, mas já era tarde e o uzbeque ficou com a medalha de ouro.

Hasanboy Dusmatov venceu o 1º ouro do esporte nos Jogos e a 1ª medalha do Uzbequistão no peso mosca-ligeiro e a 3ª seguida da Ásia na categoria. A prata de Yuberjén Martínez foi a 1ª medalha da Colômbia no boxe desde Seul-1988. Joahnys Argilagos ficou com um dos bronzes, colocando Cuba de volta ao pódio da categoria após ficar de fora em Londres-2012. O americano Nico Hernández ficou com o outro bronze, a 1ª medalha do país na categoria desde Seul-1988. Depois de 3 presenças seguidas no pódio, a China ficou de fora.

Até 52kg masculino

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Shakhobidin Zoirov (UZB)

Campeão mundial em 2015 e dos Jogos Europeus no mesmo ano, o azeri Elvin Mamishzada venceu cazaque na estreia, mas perdeu nas 4as para o uzbeque Shakhobidin Zoirov por 3-0, em mais uma boa atuação de um boxeador do Uzbequistão. Prata nos Jogos Asiáticos de 2014, Zoirov venceu por 3-0 na semifinal o venezuelano Yoel Finol, grande surpresa da categoria, que eliminou o britânico Muhammad Ali, homônimo do grande ídolo, e o argelino Mohamed Flissi, 2 medalhas em mundiais.

Na parte do baixo, o favoritismo era todo do russo Misha Aloyan, bronze em Londres-2012 e bicampeão mundial em 2011 e 2013. O russo passou bem pelas 2 lutas iniciais, sempre por unanimidade, até vencer o chinês Hu Jianguan na semifinal também por 3-0. O chinês, aliás, se vingou da derrota na semi do último mundial pro cubano Yosvany Veitia, eliminando-o nas 4as. Na decisão, Aloyan começou melhor e venceu o 1º round, mas Zoirov voltou melhor do intervalo, empatando o confronto. No round decisivo entrou de maneira devastadora para vencer por decisão unânime dos árbitros e levar o ouro com 3-0.

Shakhobidin Zoirov faturou o 2º ouro uzbeque no boxe no Rio-2016, sendo que o 3º viria menos de uma hora depois. Assim como na categoria abaixo, foi a 1ª medalha da história do país na categoria mosca e encerrando a sequencia de ouros de Cuba e Tailândia na categoria, que venceram o ouro nas últimas 5 Olimpíadas. O russo Misha Aloyan ficou com a prata melhorando o bronze conquistado 4 anos antes. O bronze de Yoel Finol foi a 1ª medalha da Venezuela no boxe em 32 anos. O outro bronze foi pro chinês Hu Jianguan, a 1ª medalha do país no peso mosca.

Até 56kg masculino

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Robeisy Ramirez (CUB)

O irlandês Michael Conlan era o cabeça de chave 1 e atual campeão mundial. Ele começou bem com 3-0 sobre o armênio Aram Avagyan, mas foi derrotado nas 4as pro russo Vladimir Nikitin, vice mundial em 2013. A luta foi muito criticado por ambos os lados por conta das decisões dos juízes, algo que infelizmente foi comum nos Jogos. Por conta de uma lesão adquirida nesse luta, Nikitin não disputou a semifinal, dando a vaga na decisão pro americano Shakur Stevenson. O americano havia eliminado nas 8as o brasileiro Robenílson de Jesus.

Na chave de baixo, todo favoritismo do cubano Robeisy Ramirez, campeão olímpico em Londres-2012 na classe inferior, peso mosca. Agora lutando no peso galo, Ramirez estreou vencendo o indiano Shiva Thapa, bronze no último mundial. Nas 4as boa vitória sobre o chinês Zhangh Jiawei e na semifinal mais uma vitória por 3-0, agora sobre o uzbeque Murodjon Akhmadaliev, atual vice mundial. A final foi espetacular entre o cubano de 22 anos e o americano de apenas 19. Ramirez venceu o 1º round enquanto o americano levou o 2º. O 3º foi muito disputado, mas com ligeira vantagem pro cubano, que acabou com o ouro por 2-1 (29-28, 29-28, 28-29).

Robeisy Ramirez faturou seu 2º ouro olímpico e deu o 4º ouro cubano em 7 Olimpíadas na categoria. Cuba esteve em todos os pódios do peso galo desde Barcelona-1992. Shakur Stevenson ficou com a prata e se tornou o 1º americano a chegar em uma final olímpica desde André Ward em Atenas-2004. O bronze do russo Vladimir Nikitin foi a 1ª medalha russa na categoria desde Atlanta-1996. O outro bronze ficou com o uzbeque Murodjon Akhmadaliev.

Até 60kg masculino

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Robson Conceição (BRA)

Assim que saíram as chaves do torneio de boxe dos Jogos Olímpicos do Rio-2016, havia uma certeza: a final do peso leve masculino seria na semifinal. Bicampeão mundial, o cubano Lázaro Álvarez é o nome de Cuba para uma categoria que teve Mario Kindelán, bicampeão olímpico e tri mundial. Do outro lado, o brasileiro Robson Conceição, que subiu ao pódio nos dois últimos mundiais e era a grande esperança do país no esporte. Álvarez iniciou sua campanha vencendo o italiano Carmine Tommasone e depois o americano Carlos Balderas. Robson venceu por nocaute técnico o tadjique Anvar Yunusov e passou pela uzbeque Hurshid Tojibaev. A semifinal foi como esperado, de altíssimo nível e valendo o ouro. Robson tomou a iniciativa da luta desde o início, vencendo os 3 rounds. No último, o cubano deu um golpe que abriu o supercílio do brasileiro, mas nada que tenha atrapalhado a vitória e a vaga na final.

A outra vaga na final ficou com o francês Sofiane Oumiha, prata nos Jogos Europeus em 2015. Ele passou por um boxeador da Nicarágua e por um tailandês, até eliminar nas 4as o azeri Albert Selimov, de quem tinha perdido na final dos Jogos Europeus. Na semi, Oumiha enfrentou o mongol Dorjnyambuugiin Otgondalai, vencendo por 3-0. A decisão lotou o Pavilhão 6 do Riocentro e traria a 3ª medalha de ouro do Brasil nos Jogos, após as vitórias no judô e no salto com vara. O brasileiro começou mais agressivo e o francês buscava o contra-ataque. Mesmo tomando um soco no final do 1º round, Robson saiu vitorioso para todos os juízes. No 2º, fez boas esquivas e dava golpes precisos, que derrubaram o francês, mas o árbitro não abriu contagem. Mais uma vitória do brasileiro que já tinha quase nas mãos o ouro. No 3º e decisivo, Robson foi mais conservador, mas continuou se impondo, apesar de 2 dos 3 árbitros darem a vitória no round para Oumiha. Na soma dos pontos, 3-0 pro brasileiro e o ouro inédito para delírio de 9.000 torcedores presentes no Pavilhão 6.

O ouro de Robson Conceição foi o 1º do Brasil na história do boxe, superando a prata de Esquiva Falcão em Londres-2012. Sofiane Oumiha ficou com a prata, repetindo o feito do francês Daouda Sow na mesma categoria em Pequim-2008. O cubano Lázaro Álvarez ficou com um dos bronzes, sua 2ª medalha olímpica, a 2ª de bronze. Foi o 3º bronze seguido da ilha na categoria e o 5º pódio seguido. O bronze do mongol Dorjnyambuugiin Otgondalai foi a 1ª medalha do país na categoria desde Barcelona-1992.

Até 64kg masculino

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Fazliddin Gaibnazarov (UZB)

Campeão mundial em 2015, o russo Vitaly Dunaytsev viu em seu caminho para a final o uzbeque Fazliddin Gaibnazarov, no que seria a reedição da final do último mundial ainda na semifinal. Dunaytsev estreou vencendo um boxeador da Mongólia e depois passou por um chinês. Enquanto isso, Gaibnazarov passou por congolês, indiano e por um americano até chegar na semifinal. Em uma luta apertadíssima, Dunaytsev começou vencendo o 1º round, mas sem unanimidade. Gaibnazarov foi melhor no 2º, mas Dunaytsev acabou indo melhor no 3º. Apesar do enorme equilíbrio, na soma das pontuações dos juízes, o uzbeque venceu por 2-1 e foi para a final, concluindo a revanche.

A chave de baixo tinha dois cubanos que se enfrentariam nas 4as. Duas medalhas em mundiais, o cubano Yasniel Toledo venceu britânico e chegou às 4as. Já Lorenzo Sotomayor, sobrinho de Javier Sotomayor, decidiu defender o Azerbaijão, onde teria menor concorrência. Ele venceu duas lutas até enfrentar Toledo. Mas Sotomayor dominou o combate, vencendo por 3-0 e se garantindo na semifinal contra o alemão Artem Harutyunyan. O azeri-cubano mais uma vez dominou e venceu o alemão por 3-0 se garantindo na final. Sotomayor começou melhor e venceu o 1º round da final, mas Gaibnazarov aumentou a velocidade e dominou o resto da decisão, vencendo por unanimidade e levando o 3º ouro do Uzbequistão no Rio-2016, o 2º do último dia dos Jogos.

O ouro de Fazliddin Gaibnazarov foi o 2º da história do Uzbequistão na categoria meio-médio ligeiro. Lorenzo Sotomayor defende o Azerbaijão, mas é cubano de nascimento. Foi a 7ª Olimpíada seguida com um cubano no pódio da prova, apesar de defender outro país. O bronze do alemão Artem Harutyunyan foi a 1ª medalha alemã na categoria desde Atlanta-1996 e a 1ª medalha alemã no boxe olímpico desde Atenas-2004. O russo Vitaly Dunaytsev completou o pódio com o 2º bronze se tornando o 1º russo a medalhar na prova desde Tóquio-1964.

 

Resumo Rio-2016 – Esgrima: feminino

Espada individual feminina

Emese Szasz (HUN)

Emese Szasz (HUN)

Bicampeã mundial, a italiana Rossella Fiamingo chegou como grande favorita em busca da 1ª medalha italiana da história na prova. E começou bem sua campanha, com 15-8 sobre a canadense Leonora Mackinnon, deposi 15-11 sobre Vivian Kong, de Hong Kong e 15-8 na sul-coreana Choi In-jeong nas 4as, garantindo lugar nas semifinais. Uma de suas maiores adversárias seria a tunisiana número 1 do mundo Sarra Besbes, que estava a mesma chave da italiana. Na estreia, Besbes eliminou a brasileira Rayssa Costa por 15-8, depois a forte estoniana Erika Kirpu por 15-11, mas foi surpreendida pela chinesa Sun Yiwen por 14-11, evitando a 1ª medalha africana da história na esgrima feminina. Na parte de cima da chave de baixo, a húngara Emese Szász chegou à semifinal, eliminando nas 4as por fáceis 15-4 a japonesa Nozomi Nakano. A italiana naturalizada brasileira Nathalie Moullhausen ficou perto de um feito inédito! Medalhista em mundiais pela Itália, virou brasileira e obteve muitos bons resultados no ciclo olímpico e não foi diferente nos Jogos. Começou eliminando a americana Kelley Hurley por 15-12 e depois despachou a francesa Marie-Florence Candassamy por 15-12. Candassamy havia surpreendido na estreia a chinesa número 2 do mundo Xi Anqi por 15-8. Já nas 4as, Nathalie fez um belo duelo contra outra francesa, Lauren Rembi, mas perdeu por 15-12, conquistando o melhor resultado da história pra esgrima feminina do Brasil logo no 1º dia dos Jogos do Rio.

Na semifinal, Fiamingo sofreu contra a chinesa Sun Yiwen. Muito estudado, o combate estava apenas 5-4 pra chinesa no fim do 2º período, mas ambas começaram os ataques no período final. Yiwen abriu 11-8 e parecia que iria pra final, mas, numa recuperação sensacional, a italiana empatou em 11-11 e levou o combate pro ponto decisivo. Fiamingo tocou e garantiu seu lugar na final. Na outra semi, Szasz foi bem superior à francesa Rembi e venceu por 10-6, controlando bem o combate. Sem tempo pra descansar, Rembi voltou logo depois pra disputa do bronze e fez um duelo apertado com a chinesa, apertado até o final, mas a Sun Yiwen ficou a frente praticamente o combate todo e venceu por 15-13.

A decisão foi espetacular. Fiamingo começou muito forte, abrindo 3-1, mas a húngara logo encostou, até 6-5 pra italiana no final do 1º período. Fiamingo disparou, abrindo 10-6, mas criou tanta confiança que viu a húngara encostar até 11-10. Novamente focada, a italiana fez 12-10 e se aproximava do ouro, mas, numa recuperação espetacular, Emese Szasz fez 5 toques seguidos até fechar com 15-13, com direito a um ponto duplo no final.

O ouro de Emese Szasz foi o 3º ouro húngaro na história da espada feminina, em 6 vezes que a prova foi disputada em Jogos Olímpicos. Com a prata, Rossella Fiamingo conquistou a 1ª medalha da história pra Itália na espada individual feminina. Sun Yiwen ficou com o bronze, repetindo o feito da sua compatriota Sun Yujie em Londres-2012.

Florete individual feminino

Inna Deriglazova (RUS)

Inna Deriglazova (RUS)

Quando o assunto é florete feminino, a Itália é o país a ser batido. Mesmo sem o mito tricampeão olímpico Valentina Vezzali na disputa, o favoritismo era todo de Elisa Di Francisca, campeã em Londres-2012 e de sua compatriota Arianna Errigo, vice em Londres e bicampeã mundial. Entretanto, a russa Inna Deriglazova, campeã mundial em 2015, queria estragar a festa italiana. Número 1, Errigo começou com fáceis 15-9 sobre uma atleta do Vietnã, mas foi surpreendida pela canadense Eleanor Harvey por 15-11 ainda nas 8as de final. Nas 4as, Harvey perdeu pra tunisiana Ines Boubakri por 15-13. Di Francisca, entretanto, passeou nas rodadas iniciais, com 15-8 em atleta de Hong Kong, 15-6 em polonesa e 15-10 em chinesa, chegando às semifinais. Na parte de baixo, dois confrontos entre Rússia e França nas 4as, ambos vencidos pelas russas. Aida Shanayeva derrotou por 15-13 Ysaora Thibus e Inna Deriglazova passou com 15-6 por Astrid Guyart.

Nas semifinais, as favoritas derrotaram suas concorrentes. Di Francisca controlou o combate para derrotar Boubakri por 12-9, mas na outra semi, Deriglazova passou o caminhão em Shanayeva com arrasadores 15-3, chegando a fazer 13 pontos seguidos! Pelo bronze, Shanayeva chegou a abrir 7-4 sobre a tunisiana, mas ao pouco foi levando a virada, até perder por 15-11. A decisão foi atípica. Elisa Di Francisca abriu 3-0 no 1º período, mas simplesmente foi destruída no 2º pela russa Inna Deriglazova, que virou e abriu 7-3. No decisivo, a italiana se recuperou, diminuindo para 7-6, mas a russa abriu 10-6. A campeã olímpica de Londres buscou e foi apertando até 12-10. Faltando segundos, diminuiu para 12-11, mas com o fim do tempo, Deriglazova venceu o ouro olímpico.

Com o ouro de Inna Deriglazova, a Rússia quebrou a sequencia de 4 ouros italianos na prova e se tornou a 1ª russa a vencer a prova desde que Elena Novikova-Belova venceu pela União Soviética na Cidade do México-1968. Com a prata de Elisa Di Francisca, a Itália chegou a 7 pódios seguidos na prova, mas quebrou a sequencia de 5 pódios seguidos com pelo menos duas italianas. Em Londres-2012, o pódio foi inteiro italiano. O bronze de Ines Boubakri foi histórico, pois foi a primeira medalha africana na história da esgrima feminina.

Sabre individual feminino

Yana Egorian (RUS)

Yana Egorian (RUS)

Antes dominada pelas americanas, o sabre feminino tem dois nomes recentes: a ucraniana Olha Kharlan (leia-se “Olga”) e a russa Sofiya Velikaya, ambas bicampeãs mundiais. Velikaya chegou como número 1 do mundo e começou bem com 15-5 sobre a poloesa Bogna Jozwiak, mas sofreu nas 8as com a francesa Charlotte Lembach, precisando vencer no ponto decisivo, com 15-14. Nas 4as, eliminou outra francesa, Cécilia Berder, por 15-10. Ela marcou encontro com uma terceira francesa na semifinal, Manon Brunet, que eliminou nas 4as a forte tunisiana Azza Bebses por 15-14. Bicampeã olímpica, a americana Mariel Zagunis não vinha em grande fase e caiu nas 8as para a russa Yekaterina Dyachenko por 15-12. Nas 4as, Dyachenko perdeu o confronto russo com Yana Egorian, dois ouros nos Jogos da Juventude de Singapura-2010, por 15-10. Fechando as classificadas para a semifinal, Kharlan passeou nos 3 combates, incluindo um arrasador 15-4 nas 4as para a italiana Loreta Gulotta, que tirou a campeã de Londres-2012 nas 8as, a sul-coreana Kim Ji-yeon por 15-13.

Na 1ª semifinal, Velikaya obteve uma espetacular virada sobre Brunet, que vencia ao fim do 1º período por 8-5. A francesa cegou a ter 14-12, mas com 3 toques seguidos, a russa se garantiu na final. A outra semi foi bem apertada até 7-7, mas Yana Egorian se impôs até fechar em 15-9 sobre Olha Kharlan, confirmando a final russa. Na disputa do bronze, a ucraniana começou abrindo 4-1 sobre Brunet chegando a 9-4, mas viu a francesa empatar em 9-9 e depois em 10-10. Mais experiente, Kharlan fez 5 toques seguidos e venceu o bronze em 15-10. Na final toda russa, um equilíbrio gigantesco. Vice em Londres-2012, Velikaya começou melhor chegando a liderar por 8-5 ao fim do 1º período. Egorian, que tinha como melhor resultado individual um bronze no Mundial de 2014, empatou o combate, mas Velikaya abriu novamente para 11-8. Egorian encostou novamente em 11-10 e as russas empataram em 12-12, 13-13 e 14-14, indo para o toque do ouro. No ponto decisivo, as duas foram para o ataque, mas Velikaya recuou. Egorian aproveitou, foi pro ataque e conseguiu o toque, conquistando o ouro olímpico.

Yana Egorian conquistou o 1º ouro russo no sabre feminino. Em 4 edições olímpicas da prova, foi a segunda vez que ocorreu uma final de um único país, repetindo o feito dos Estados Unidos em Pequim-2008, quando fizeram o pódio completo. Sofiya Velikaya ficou pela 2ª vez com a medalha de prata, repetindo a derrota de Londres-2012. Olha Kharlan conquistou pela 2ª Olimpíada seguida o bronze. As 3 voltariam a vencer uma medalha dias depois na prova por equipes.

Espada por equipe feminina

Romênia

Romênia

Vindo do título mundial em 2015 e do ouro olímpico em Londres-2012, a equipe da China era a cabeça de chave 1 e começaram fortes, eliminado a Ucrânia nas 4as por 42-34. Na preliminar, as ucranianas haviam derrotado a equipe brasileira por 45-32. Na semifinal, a China pegou a boa equipe da Estônia, que havia eliminado a Coreia do Sul por um equilibrado 27-26. A Estônia começou melhor na semi, mas nos últimos confrontos a China virou e abriu bem, até Xu Anqi fechar com 8-6 em Irina Embrich e encerrar o confronto em 45-36.

Na chave de baixo, a Romênia, cabeça 2, teve grandes dificuldades contra a equipe dos Estados Unidos, mas passou com 24-23, enquanto a Rússia eliminou a França por 44-41. Na semi, as romenas arrasaram a equipe russa com 45-31, perdendo apenas 1 dos 9 confrontos. Na disputa do bronze, a Estônia abriu 3-2 na Rússia no 1º confronto com a Embrich sobre Tatiana Logunova, mas logo Violetta Kolobova virou para 10-8 e as russas não perderam mais a vantagem, até fecharem com 37-31. Na final, um show romeno sobre as atuais campeãs chinesas. Após um 1º combate de apenas 1-0 de Ana Maria Popescu, as romenas foram abrindo pouco a pouco até que Popescu voltou no 5º contra Hao Jialu e abriu 4-0, somando 14-9. Ela pegou com a vantagem de 30-25 para frechar contra Xu Anqi e as duas fizeram um grande combate de 14-13, mas as chinesas não conseguiram encostar e a Romênia conquistou o ouro com 44-38.

Foi a 1ª medalha da Romênia na história da prova e o 2º ouro da história pro país na esgrima feminina. Com a prata, a China desceu um degrau em relação à Londres-2012, mas leva a 3ª medalha do país em 5 edições da prova em Jogos. Com o bronze, a Rússia voltou ao pódio depois de ficar de fora em 2012, conquistando a sua 4ª medalha da história na espada por equipes.

Sabre por equipe feminino

Rússia

Rússia

Rússia, Ucrânia e Estados Unidos dominam a prova na história recente e não foi diferente no Rio. As russas começaram bem com 45-31 no México e armaram o encontro contra as americanas, que derrotaram por duros 45-43 a equipe da Polônia. Na semi, as russas começaram muito bem, comandadas pelas finalistas da prova individual Yana Egorian e Sofya Velikaya, abrindo 30-25. No 6º confronto, Ibtihaj Muhammad entrou e virou para as americanas com 35-34, fazendo 10-4 em Ekaterina Dyachenko. Mas Velikaya retomou o controle com 6-0 em Dagmara Wozniak. No grande combate final entre as campeãs olímpicas Mariel Zagunis e Yana Egorian, 7-5 para a americana, mas 45-42 para Rússia, garantindo a vaga na final.

Na outra parte da chave, a Ucrânia fez 45-40 na Coreia do Sul enquanto a Itália derrotou a França por 45-36. Na semifinal, as italianas começaram melhor, chegando a 25-19, mas aí veio Olha Kharlan, que destruiu por 11-3 Irene Vecchi, virando o combate para 30-28. A Itália virou no combate seguinte para 35-34 e a Ucrânia reassumiu a liderança no 8º com 40-39. No decisivo, mais uma vez Kharlan definiu, derrotando Rossella Gregorio por 5-3 e fechando em 45-42. As finais foram bem menos disputadas. As americanas lideraram desde o início até faturar o bronze sobre as italianas com tranquilos 45-30. Na decisão, situação bem semelhante, com a forte equipe da Rússia galgando 5 pontos por combate até chegar as 45-30 também sobre a Ucrânia.

Com o ouro russo, Yana Egorian foi a única esgrimista no Rio a faturar duas medalhas douradas e a Rússia saiu dos Jogos com 3 ouros em 5 possíveis na esgrima feminina e 4 ouros no esporte. A prata pra Ucrânia foi a 2ª medalha da equipe na prova, piorando o ouro conquistado em Pequim-2008. A prova não foi disputada em Londres-2012. Já os Estados Unidos repetiram o bronze de 8 anos atrás e Mariel Zagunis conquistou sua 4ª medalha olímpica, somando 2 ouros e 2 bronzes.

Resumo Rio-2016 – Ciclismo de Pista

Sprint individual masculino

Jason Kenny (GBR)

Jason Kenny (GBR)

Campeão em Londres-2012, o britânico Jason Kenny chegou forte rumo ao bicampeonato, vindo do título mundial obtido em março deste ano no Velódromo de Londres. E já se impôs fazendo o melhor tempo da qualificação com 9.551, novo recorde olímpico, bem a frente do seu compatriota Callum Skinner com 9.703, com o australiano Matthew Glaetzer em 3º com 9.704. Os 18 melhores avançaram, sendo que 16 percorreram os 200m abaixo de 10s. O corte foi com o alemão Maximilian Levy com 10.035. Na 1ª rodada, Kenny venceu Levy com 10.245, com vantagem e 0.066. Campeão mundial em 2014, o francês François Pervis já dominou as provas de velocidade, mas perdeu ainda na 1ª rodada pro holandês Jeffrey Hoogland e não avançou na repescagem.

Na 2ª rodada, Kenny, Skinner e Glaetzer venceram suas baterias e avançaram às 4as, assim como o veterano tetracampeão mundial francês Gregory Baugé. Nas 4as, todos venceram por 2-0 na melhor-de-três: Kenny, Skinner e Glatzer e o russo Denis Dmitriev, que eliminou Baugé. Na semi, Dmitriev surpreendeu Kenny na 1ª, mas levou a virada e o britânico fez 2-1 com direito a boa vantagem de 0.302 na bateria decisiva. Na outra semi, Skinner fez 2-0 no australiano e tivemos uma final britânica.

Dmitriev controlou Glaetzer e ficou com o bronze, vencendo por 2-0. Na final, Kenny venceu a 1ª com 10.164, 0.113 de vantagem e novamente na decisão, com excelentes 9.916, 0.086 na frente do compatriota, faturando o bicampeonato olímpico!

Jason Kenny se tornou o 3º ciclista da história a ser bicampeão olímpico do Sprint individual, repetindo os feitos do francês Daniel Morelon em 1968-1972 e do alemão Jens Fiedler em 1992-1996. Foi o 3º ouro seguido da Grã-Bretanha na prova e a 6ª medalha olímpica de Kenny, que havia ganho a 5ª três dias antes e venceria mais uma dois dias depois. Com a prata de Callum Skinner, a Grã-Bretanha fez a 1ª dobradinha da prova em Olimpíadas desde a Itália em Tóquio-1964. O bronze de Denis Dmitriev foi a 1ª medalha russa da história no Sprint masculino.

Keirin masculina

Jason Kenny (GBR)

Jason Kenny (GBR)

Na prova da motocicleta que fechou o ciclismo de pista no Rio, esperava-se uma grande disputa com os últimos campeões mundiais: o britânico Jason Kenny (2013), o francês François Pervis (2014 e 2015) e o alemão Joachim Eilers (2016). Jason Kenny chegava embalado com 2 ouros conquistados no Velódromo nos dias anteriores e não decepcionou. Na 1ª rodada, Kenny venceu a última bateria, seguido do colombiano Fabián Puerta, vice mundial em 2014. O francês Michael D’Almeida, o polonês Damian Zielinski e o neozelandês Sam Webster venceram as outras baterias. Pervis ficou em 3º na sua e foi pra repescagem, onde venceu a sua prova e passou para a semifinal, assim como o malaio Azizulhasni Awang.

Nas semifinais, Kenny novamente sobrou para vencer, seguido do holandês Matthijs Büchli e de Awang. Na outra semi, o favoritismo de Eilers se confirmou e ele avançou à final, assim como Zielinski e Puerta. Pervis decepcionou mais uma vez no Rio e ficou fora da final.

Awang assumiu a liderança na final na fila atrás da motocicleta, seguido de Puerta e Kenny. Quando a moto sai de cena, Eilers força e vai pra frente com Kenny e polonês na sua cola. Na marca de 2 voltas pro final, Zielinski foi pra frente, passando o alemão, enquanto Kenny seguia em 3º, só esperando para dar o bote. Na última volta, Eilers foi pra frente, ultrapassando o polonês no início da 1ª curva com quase 2 bicicletas de vantagem sobreo britânico. Só que no final da curva, Kenny já estava emparelhado com o polonês para ultrapassar o alemão, assim como Awang e Büchli, que vinham por fora. Na metade da curva final, Kenny já liderava e se manteve para levar seu 3º ouro no Rio-2016! O malaio e o holandês aproveitaram a queda de rendimento do alemão e garantiram seus lugares no pódio, com a prata e o bronze respectivamente.

Jason Kenny sai coroado do Rio com 3 ouros em 3 provas, somando 6 ouros olímpicos na carreira, além de uma prata. Em 5 edições olímpicas da Keirin, foram 3 ouros seguidos para a Grã-Bretanha, com 2 do grande Chris Hoy e 1 de Jason Kenny. Matthijs Büchli, bronze em 2 mundiais, ficou com a prata, melhorando o bronze de seu compatriota Teun Mulder de Londres-2012. Bronze nos 2 últimos mundiais, o malaio Azizulhasni Awang conquistou a 1ª medalha da história da Malásia no ciclismo e a 1ª sem ser do badminton ou dos saltos ornamentais.

Sprint por equipes masculino

Philip Hindes, Jason Kenny e Callum Skinner (GBR)

Philip Hindes, Jason Kenny e Callum Skinner (GBR)

Na primeira final do velódromo, o início do domínio britânico nas velocidades. Mesmo sem o mito Chris Hoy, aposentado, a Grã-Bretanha mostrou sua força desde a qualificação, batendo o recorde olímpico com 42.562, com Jason Kenny, Callum Skinner e Philip Hindes na equipe. Vale ressaltar que o país não vence a prova em um mundial desde 2005 e não subiu ao pódio da prova nas últimas 5 edições. Logo atrás vieram Nova Zelândia com 42.673 e Austrália com 43.158. Na 1ª rodada, a Nova Zelândia fez o melhor tempo, diminuindo o recorde olímpico para 42.535, garantido a vaga na final, assim como os britânicos, que fizeram o 2º tempo com 42.640. França e Austrália venceram suas baterias, mas com tempos inferiores, e foram para a disputa de bronze.

Na decisão do 3º lugar, a Austrália deu o ritmo por quase toda a prova, ficando na frente quase até o final. Na última volta, quando restava apenas um ciclista por equipe e a Austrália tinha 0.108 de vantagem, Michael D’Almeida forçou e tirou a diferença sobre Patrick Constable para dar o bronze para a França com 43.143 contra 43.298 dos australianos. Na decisão, a Nova Zelândia abriu mais forte que os britânicos, liderando até a metade da prova. No fim da 2ª volta, quando Jason Kenny entregou para Callum Skinner, a Grã-Bretanha tinha 0.086 de vantagem. No duelo de Skinner com Edward Dawkins, a diferença aumentou mais um pouco e a Grã-Bretanha levou o ouro com 42.440, novo recorde olímpico! Nova Zelândia foi prata com 42.542.

Foi o 3º ouro seguido da Grã-Bretanha na prova e Jason Kenny fez parte das 3 equipes. Philip Hindes levou seu 2º ouro, pois também estava em 2012. Este foi o 4º ouro de Kenny na carreira, sendo que mais 2 viriam no Rio. Campeões mundiais este ano em Londres, a Nova Zelândia faturou a sua 1ª medalha na prova e a França manteve a escrita e é o único país a subir no pódio em todas as 5 edições que o Sprint por equipes foi disputado em Olimpíadas. François Pervis, que dominou as provas de velocidade nos últimos mundiais, faturou sua única medalha olímpica por conta do bronze da França.

Perseguição por equipes masculina

Grã-Bretanha

Grã-Bretanha

A Austrália dominou a prova no último ciclo olímpico, vencendo 3 dos últimos 4 Mundiais, incluindo o deste ano. Mas quem deu o tom na qualificação foi a Grã-Bretanha, fazendo o melhor tempo de 3:51.943, com a Dinamarca em 2º com 3:55.396 e a Austrália apenas em 3º com 3:55.606. Na 1ª rodada, os britânicos seguiram dando show e com espetaculares 3:50.570, bateram o recorde mundial da prova! Com o 2º melhor tempo, os australianos se garantiram na final com 3:53.429. Dinamarca e Nova Zelândia ficaram logo atrás e foram para a disputa de bronze.

A Dinamarca não teve dificuldades para levar o bronze. Desde a 1ª parcial já liderava a prova e só aumentou a diferença no decorrer da prova. Com 3:53.789, a equipe da Dinamarca repetiu a performance do mundial deste ano e ficou com o bronze. Na final, a Austrália sabia que teria dificuldades com os britânicos e por isso apertou no início. Com 1km de prova, liderava por apenas 0s3 e aumentou para 0s7 com 2km. Aí começou o ataque britânico, que ia diminuindo a diferença até assumir a liderança faltando 500m para o final! Mais rápidos em todas as voltas da segunda metade, os britânicos levaram o ouro com 3:50.265 contra 3:51.008 da equipe australiana, batendo mais uma vez o recorde mundial da prova!

Assim como ocorreu nas 3 provas de Sprint, a Grã-Bretanha completou o tricampeonato olímpico também na perseguição por equipes! Ed Clancy foi o único ciclista presente nas 3 Olimpíadas. Steven Burke levou seu 2º ouro, Owain Doull seu 1º e veterano Bradley Wiggins faturou sua 5ª medalha de ouro olímpica e 8ª medalha no geral. A Austrália repetiu a prata de Londres-2012 e a Dinamarca voltou ao pódio olímpico após ficar de fora há 4 anos.

Omnium masculina

Elia Viviani (ITA)

Elia Viviani (ITA)

O colombiano Fernando Gaviria chegava ao Rio como favorito vindo de dois títulos mundiais seguidos. Na prova de abertura da combinada, a scratch, o dinamarquês Lasse Norman Hansen forçou e venceu a prova, começando bem a busca pelo bicampeonato olímpico. Hansen e o alemão Roger Kluge abriram uma volta do pelotão. O francês Thomas Boudat foi 3º, o britânico Mark Cavendish 6º e o italiano Elia Viviani 7º. Na perseguição individual, Hansen novamente deu show, vencendo com 4:14.982, novo recorde olímpico, e quase 2s de vantagem sobre Cavendish, com 4:16.878. Kluge foi 4º e manteve o 2º lugar geral com 72 pontos contra 80 de Hansen e 68 de Cavendish e Boudat. Encerrando o 1º dia, na corrida de eliminação, Elia Viviani levou a prova e com isso subiu para o 2º lugar com 104 pontos. Hansen foi péssimo, sendo o 1º eliminado e despencando para 5º lugar. Boudat foi o 2º e subiu para a liderança geral. O brasileiro Gideoni Monteiro teve um excelente dia, encerrando com o 6º lugar na eliminação e o 9º no geral.

O segundo dia contava com duas provas de Sprint, No quilometro contra relógio, o melhor tempo foi do neozelandês Dylan Kennett com 1:00.923, bem a frente do australiano Glenn O’Shea com 1:02.332 e do italiano Viviani com 1:02.338. Com a 3ª colocação, Viviani se tornou o novo líder com 140 pontos, abrindo boa vantagem sobre Mark Cavendish, 6º no contra relógio e 2º geral com 126, empatado com Boudat, apenas o 11º nesta prova. Hansen e Gaviria se recuperaram e estavam em 4º empatados com 118 pontos. Na volta lançada, mais uma bela prova de Kennett, vencendo com 12.506 e subindo para 4º no geral com 150. Viviani mostrou novamente ótima forma na velocidade e foi o 2º com 12.660, mantendo a liderança com 178 pontos, enquanto Cavendish se isolava em 2º com 162, ao fazer o 3º tempo com 12.793. Após duas provas ruins, Gideoni caiu para 13º com 90 pontos.

Para encerrar a Omnium, a espetacular corrida por pontos. Viviani chegava com 178 pontos, com 16 de vantagem sobre Cavendish, 26 sobre Hansen e 28 sobre Kennett e Boudat. Como sempre acontece, vários atletas tentam dar uma volta no pelotão, que significa 20 pontos a mais. Os favoritos brigavam pelos pontos nos sprints, mas Viviani seguia bem a frente. Mark Cavendish seguiu forte rumo a sua 1ª medalha olímpica, pontuando em quase todos os sprints. O neozelandês ameaçou ao dar uma volta no grupo, mas cansou tanto que perdeu duas e ficou lá pra trás. No meio da prova, Viviani sofreu uma queda feia, mas voltou para a prova. Quem começou a aparecer foi o colombiano Gaviria, que pontou bem em vários sprints e conseguiu dar uma volta, assim como Hansen. Após o 14º sprint, Viviani seguia líder com 202 pontos, 10 de vantagem sobre Cavendish e 12 sobre Hansen. Com 2 sprints faltando, a único opção seria dar uma volta no pelotão, o que Viviani jamais deixaria acontecer. O italiano ainda venceu o penúltimo sprint e garantiu o ouro com 207 pontos. O britânico fez 1 pontos em cada um dos dois restantes e, com Hansen zerando em todos, garantiu a prata com 194, enquanto o dinamarquês foi bronze com 192. Gaviria terminou em 4º com 181 e Boudat em 5º com 172. Gideoni Monteiro ganhou apenas 4 pontos na prova, ficando na boa 13ª posição com 94 pontos.

Elia Viviani conquistou sua 1ª medalha olímpica, apesar de jamais ter vencido um mundial. Foi o 1º ouro italiano em uma prova de ciclismo de pista desde Antonella Bellutti vencer a corrida por pontos feminina em Sydney-2000. Mark Cavendish finalmente venceu sua medalha olímpica, mesmo com títulos por pontos nas 3 maiores competições do mundo (Tour de France, Vuleta a España e Giro d’Itália) e 48 vitórias em etapas dessas competições. Lasse Norman Hansen faturou sua 3ª medalha olímpica, o 2º bronze no Rio.

Sprint individual feminino

Kristina Vogel (GER)

Kristina Vogel (GER)

Nenhuma britânica subiu ao pódio nos últimos 3 mundiais nessa prova, então esperava-se uma disputa entre a alemã Kristina Vogel e as chinesas, que fizeram dobradinha no mundial deste ano. Mas foi Becky James que fez o melhor tempo na qualificação com 10.721, novo recorde olímpico, seguida de sua compatriota Katy Marchant com 10.787 e de Lee Wai Sze, de Hong Kong, com 10.800. Vogel foi apenas a 6ª. Na 1ª rodada, a única favorita que perdeu foi a australiana Anna Meares para a lituana Simona Krupeckaite, mas Meares venceu sua repescagem e voltou pra 2ª rodada.

Na 2ª rodada, vitórias de James, Marchant, Vogel, Lee Wai Sze, da holandesa Elis Ligtlee e da russa Anastasia Voynova, eliminando a chinesa campeã mundial Zhong Tianshi, mas ela voltou na repescagem. Nas 4as, apenas vitórias por 2-0 nas disputa de melhor-de-três. Becky James derrotou Zhong e Katy Marchant passou pela Krupeckaite, garantindo medalha pra Grã-Bretanha. Vogel eliminou Lee Wai Sze e Ligtlee, vice mundial em 2015, passou pro Voynova. Nas semifinais, Becky James passou tranquila pela holandesa, com 11.246 e 10.970. Já a alemã também venceu por 2-0 Katy Marchant, mas precisou forçar mais nos sprints. Marchant voltou logo depois para vencer o bronze com 2-0 sobre Ligtlee, incluindo uma vitória apertada por apenas 0.007. Na decisão, grande disputas entre Vogel e James. A alemã se sobressaiu e fechou a vitória por 2-0, mas venceu a 1ª bateria por apenas 0.016 e a 2ª por míseros 0.004!

O ouro de Kristina Vogel foi o 1º da Alemanha no Sprint individual feminino e a 3ª medalha olímpica da atleta, que havia medalha no sprint por equipes 4 dias antes. Becky James garantiu pela 3ª vez seguida a Grã-Bretanha na final do sprint individual. Com o bronze de Katy Marchant, pela 1ª vez na história um mesmo país venceu 2 medalhas neste prova em uma Olimpíada.

Keirin feminina

Elis Ligtlee (NED)

Elis Ligtlee (NED)

Campeã mundial em 2014 e 2016, a alemã Kristina Vogel era uma das favoritas, assim como a espetacular australiana Anna Meares, pódio em 5 dos últimos 6 mundiais. Na 1ª rodada, Vogel e Meares estavam na mesma bateria e ficaram em 1º e 2º. respectivamente, avançando de fase. Na 2ª bateria, Lee Wai Sze, de Hong Kong, e a chinesa Zhong Tianshi avançaram tranquilamente, assim como a britânica Becky James na 3ª e a holandesa Elis Ligtlee na 4ª. Na repescagem, surpresa com a passagem da colombiana Martha Bayona, deixando a australiana Stephanie Morton fora das semifinais.

Na primeira semi, Vogel venceu com 0.398 de vantagem sobre Ligtlee e 0.533 sobre Voynova. Enquanto isso, a favorita Zhong Tianshi foi desclassificada, por entrar na linha de Sprint quando já havia uma ciclista lá. Na 2ª semi, Anna Meares, Becky James e a ucraniana Liubov Basova passaram quase juntas para a final, enquanto Lee Wai Sze, bronze em Londres-2012, chegou em 6º. Na final, assim que a moto saiu, Ligtlee, Voynova e Vogel estavam na frente. Na última volta, Meares começou a forçar por fora, assim como Becky James, que vinha pela linha azul. No fim da curva final, a holandesa já tinha uma vantagem de quase uma bicicleta com Voynova em 2º e Meares em 3º, enquanto a britânica aparecia em 5º, mas nos metros finais, Becky James deu um show de recuperação passando 3 atletas para chegar em 2º, com a australiana em 3º, enquanto Voynova caía para 4º.

A vitória de Elis Ligtlee foi a maior surpresa do ciclismo de pista no Rio-2016, apesar dela ser bicampeã europeia da prova. Foi a 1º medalha da Holanda em uma prova feminina na pista desde o ouro de Marianne Vos na corrida por pontos em Pequim-2008. A prata de Becky James foi sua 1ª medalha olímpica da carreira. Ela ganharia mais uma 3 dias depois no Sprint. Anna Meares venceu a sua 6ª medalha olímpica, somando agora 2 ouros, 1 prata e 3 bronzes, conquistados em 4 Olimpíadas seguidas.

Sprint por equipes feminino

Gong Jinjie e Zhong Tianshi (CHN)

Gong Jinjie e Zhong Tianshi (CHN)

As alemãs Kristina Vogel e Miriam Welte venceram em Londres-2012 e foram tricampeãs mundiais seguidas, mas ficaram fora do pódio em 2015 e em 2016. Já a dupla da China formada por Gong Jinjie e Zhong Tianshi venceu o Mundial em 2015 e foi prata neste ano, perdendo para a Rússia. Na qualificação, a China fez o melhor tempo com 32.305, novo recorde olímpico, seguidas das russas Daria Shmeleva e Anastasia Voynova com 32.655 e das alemãs com 32.673. Na 1ª rodada, mas um show chinês, com 31.928, batendo o recorde mundial da prova, garantindo a vaga na final para enfrentar novamente a Rússia, que venceram o Canadá na sua bateria com 32.324. Austrália e Alemanha venceram suas provas, mas com tempos inferiores e foram para a disputa de bronze.

Na disputa do bronze, a Austrália, que contava com Anna Meares e Stephanie Morton, começou melhor que a Alemanha. Com metade da prova, a vantagem era de apenas 0.109. Mas na hora de fechar, Morton ficou pra trás de Kristina Vogel, que tirou a diferença e veneu por uma mínima vantagem. Alemanha fechou com 32.636 contra 32.658 da Austrália! Na decisão, a dupla da China foi impiedosa com as russas. Gong Jinjie e Zhong Tianshi tinham 0.177 de vantagem após a primeira volta. Para fechar, Zhong aumentou a vantagem não deixando Anastasia Voynova chegar perto. Com 32.107, o ouro foi chinês e a prata foi pra Rússia com 32.401.

A China, que havia sido prata em Londres-2012, subiu um degrau no pódio. A Rússia, apesar de ter vencido a China no mundial deste ano com as mesmas formações, foi prata. E a dupla da Alemanha, que dominou por anos a prova, foi apenas bronze.

Perseguição por equipes feminina

Grã-Bretanha

Grã-Bretanha

Em Londres-2012 a prova da perseguição por equipes feminina ainda era disputada em 3.000m quando a Grã-Bretanha levou. De 2014 em diante, mudou para 4.000m e a equipe americana venceu o mundial neste ano. Na qualificação, o melhor tempo foi das britânicas, que bateram o recorde mundial com 4:13.260, seguidas da equipe dos Estados Unidos com 4:14.286 e da Austrália com 4:19.059. Na 1ª rodada, mais um recorde mundial pras britânicas, com ótimos 4:12.152, mas a equipe dos EUA ficou muito perto, com 4:12.282, quando o recorde minutos antes e prometendo uma grande final. O Canadá fez o 3º tempo com 4:15.636 e enfrentaria a Nova Zelândia na disputa do bronze, que fez 4:17.592. A Austrália decepcionou, ficando em 5º com 4:20.262 fora das finais.

O Canadá não deu chances à Nova Zelândia na disputa do bronze, liderando desde a primeira parcial com 125m. Com metade da prova, a vantagem canadense era de pouco mais de 1s e foi aumentando até o Canadá vencer com 4:14.627 contra 4:18.459 das neozelandesas. A final foi bem mais disputada. As americanas começaram melhor, mas as britânicas vinham logo atrás, não as deixando desgarrar. Na parcial de 625m, as europeias estavam na frente, mas na seguinte a liderança foi retomada pelas americanas, que lideraram até os 1.500m. Na volta seguinte, a Grã-Bretanha já liderava para não perder mais. Com 2.000m de prova, liderava por pouco menos que 0s9, mas seguiram forçando. Com 3.000m, a vantagem era de 1s4 até fecharem os 4.000m em 4:10.236, mais um recorde mundial nos Jogos! Prata para os Estados Unidos liderados por Sarah Hammer com 4:12.454.

Nas duas edições em que a prova foi disputada em Olimpíadas, o pódio foi exatamente o mesmo. A equipe britânica repetiu o ouro com apenas 2 nomes que estava em Londres-2012: Laura Trott e Joanna Rowsell. Já na equipe americana, apenas Sarah Hammer estava presente há 4 anos, enquanto que no Canadá, o único nome que se repetiu foi o de Jasmin Glaesser.

Omnium feminina

Laura Trott (GBR)

Laura Trott (GBR)

Depois de vencer em Londres-2012 e no mundial do mesmo ano, Laura Trott acumulou 3 pratas seguidas em mundiais, para voltar a vencer na edição deste ano, chegando novamente como favorita ao ouro olímpico, mas sempre ameaçada pela americana multicampeã mundial Sarah Hammer. Na primeira prova, a Scratch, a bielorrussa Tatsiana Sharakova venceu, dando uma volta em todo o pelotão, com Trott em 2º, a belga Jolien D’Hoore em 3º em Hammer em 4º. A americana é pentacampeã mundial da perseguição individual, mas foi Trott que fez o melhor tempo da prova, com 3:25.054 contra 3:26.988 da americana e 3:30.202 da belga. Na corrida de eliminação, a britânica venceu novamente e seguiu líder no geral com 118 pontos. D’Hoore foi 2ª colocada e aparecia logo atrás com 110, enquanto Hammer foi a 3ª na prova e no geral com 108.

Nos 500m contra relógio, melhor tempo da australiana Annette Edmondson, bronze em Londres-2012, com 34.938, enquanto a versátil britânica fazia o 2º tempo com 35.253, aumentando sua liderança. D’Hoore seguiu em 2º no geral, fazendo o 4º tempo e Hammer manteve o 3º lugar com o 5º tempo na prova. Na volta lançada, mais um show da britânica, que venceu com 13.708 e já disparava com 196 pontos. A belga teve um pouco mais de dificuldade e fez o 7º tempo com 14.195, mas manteve-se em 2º, com 172 pontos, bem longe da britânica, enquanto Hammer empatava com a belga ao fazer o 5º tempo nesta prova. Logo atrás, com 168 pontos, aparecia Edmondson, também brigando por pódio.

A corrida por pontos foi um show de ultrapassagens, com pelo menos 10 ciclistas dando volta no pelotão, algumas mais de uma vez. Foi o que aconteceu com a neozelandesa Lauren Ellis, a dinamarquesa Amalie Dideriksen e a cubana Marlies Garcia que estavam bem atrás na classificação geral, mas começaram a ameaçar as líderes. Trott controlava a prova, já contando com ótima vantagem. Ela, Hammer e D’Hoore também deram uma volta no grupo. A britânica pontuava em vários sprints, o que deixava as concorrentes longe do ouro e a briga seria mesmo pela prata. Com 2 sprints pro final, Hammer aparecia em 2º lugar com 200 pontos contra 199 da belga, que não conseguiu mais pontuar, enquanto a americana fez um ponto no 9º e venceu o 10º, garantindo o bronze com 206 contra os mesmos 199 da belga. Trott andava tranquila para garantir o bicampeonato olímpico com ótimos 230 pontos. Graças às 3 voltas sobre o pelotão, um ótimo 4º lugar para Ellis e um 5º para Dideriksen.

Laura Trott confirmou o bicampeonato olímpico na Omnium chegando ao seu 4º ouro olímpico na carreira aos 24 anos. Já Sarah Hammer chega a 4 pratas olímpicas, todas em provas perdidas para Trott (2 Omniums e 2 perseguições por equipe). O bronze de Julien D’Hoore foi a primeira medalha da Bélgica em uma prova de ciclismo feminino na história dos Jogos. A Grã-Bretanha encerrou os provas de pista com 6 ouros e ficando fora do pódio apenas no Sprint por equipes feminino.

Resumo Rio-2016 – Esgrima: masculino

Espada individual masculina

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Park Sang-young (KOR)

Por conta do chaveamento, que segue o ranking mundial, os dois principais favoritos ao ouro iriam se encontrar na semifinal: o húngaro Géza Imre, campeão mundial em 2015, e o número 1 do mundo, o francês Gauthier Grumier. E eles não decepcionaram. Grumier venceu na estreia o brasileiro Athos Schwantes por 15-7, depois passou por egípcio e por japonês. Imre também avançou sem muitas dificuldades, vencendo colombiano, o seu compatriota húngaro Gébor Bozkó por 15-8 e o estoniano Nikolai Novosjolov, campeão mundial em 2010 e 2013, por 15-9. Ouro em Londres, o venezuelano Rubén Limardo caiu logo na estreia pro egípcio Fayez por tranquilos 15-5.

Na parte de baixo da chave, o suíço Benjamin Steffen, tetracampeão europeu por equipes, se garantiu na semifinal ao vencer o francês Yannick Borel por 15-10. O único outro medalhista de Londres na prova era o sul-coreano Jung Jin-sun, 3º há 4 anos. Ele venceu na estreia, mas perdeu na rodada seguinte pro italiano Enrico Garozzo, 2º do mundo. Garozzo acabou perdendo nas 8as para o sul-coreano Park Sang-young por 15-12. Nas 4as, Park venceu por fáceis 15-4 o suíço Max Heinzer.

Nas semifinais, grande duelo entre os favoritos Imre e Grumier. O húngaro saiu na frente desde o começo, mas não conseguia abrir mais que 4 pontos, quando Grumier empatou em 10-10. Mas Imre fechou em 15-13, se garantindo na final. Na outra semi, um combate mais demorado, mas Park venceu em 15-9, se tornando o 1º sul-coreano finalista olímpico na espada. Na disputa do bronze, Gauthier Grumier começou perdendo, mas logo virou até fechar em 15-11 e conquistar a medalha. Na final, uma virada espetacular. Imre fechou o 1º período com 8-6 e parecia dominar o combate. Park chegou a empatar em 9-9, mas o húngaro fez 4 toques seguidos, encerrando o 2º período em 13-9, colocando uma mão no ouro. Quando ele abriu 14-10, o sul-coreano entrou na partida e jogou muito até empatar e fechar em 15-14 para faturar o ouro inédito para a Coreia do Sul.

Com a vitória, Park Sang-young se tornou o 1º sul-coreano campeão na espada e o 2º na história da esgrima olímpica. Géza Imre fatura sua 3ª medalha olímpica aos 41 anos e levaria a sua 4ª alguns dias depois. Ele foi bronze no individual em Atlanta-1996! Gauthier Grumier fatura sua 1ª medalha olímpica.

Florete individual masculino

Daniele Garozzo (ITA)

Daniele Garozzo (ITA)

Não foi uma prova boa pros campeões mundiais e olímpicos anteriores. Ouro em Londres, o chinês Lei Sheng perdeu na estreia, assim como os últimos campeões mundiais, o russo Aleksey Cheremisinov e o japonês Yuki Ota. Enquanto isso, na chave de cima, o brasileiro Guilherme Toldo teve um dia dos sonhos. Ele começou vencendo com dificuldades o austríaco René Pranz por 15-14, mas aí surpreendeu o mundo ao derrotar o campeão mundial e número 1 do mundo, o japonês Ota por 15-13! Embalado, Guilherme venceu nas 8as Cheung Ka Long, de Hong Kong, por 15-10 e chegou às 4as de final onde enfrentou o italiano Daniele Garozzo, campeão mundial por equipe no ano passado. O combate foi apertado até o 4-4, mas aí o italiano começou a abrir, chegando a 9-4 e depois a 13-5, até vencer por 15-8. Resultado espetacular de Guilherme Toldo nos Jogos.

Garozzo enfrentou na semifinal o russo Timur Safin, campeão europeu em junho. Na chave do russo, o brasileiro Ghislain Perrier perdeu por pouco, por 15-14 pro forte chinês Ma Jianfei, vice mundial em 2014. Na parte de baixo da chave, os americanos mostraram força no florete. Prata no último mundial, Alexander Massialas chegou como um dos grandes favoritos e não decepcionou. Venceu bem seus dois primeiros combates, mas sofreu nas 4as para eliminar o italiano Giorgio Avola, ouro por equipe em Londres-2012, por 15-14. Na semifinal, Massialas enfrentou o britânico Richard Kruse, que eliminou nas 4as o outro forte americano da chave, Gerek Meinhardt, por 15-13.

Nos duelos de semifinal, Garozzo venceu bem Safin por 15-8 assim como Massialas eliminou Kruse por 15-9, se tornando o primeiro americano finalista olímpico no florete desde Los Angeles-1932! Na disputa do bronze, Safin dominou o combate desde o início, chegando a 12-5 no britânico, que tentou buscar, mas não o suficiente, dando a vitória e a medalha ao russo por 15-13. Na decisão, o americano começou se impondo, chegando a 4-2, mas Garozzo forçou e virou em 7-4. Massialas chegou ao empate em 7-7, mas aí foi um show italiano, fazendo 7 pontos seguidos até terminar o 1º período na frente em 14-8. O americano esboçou uma reação, mas com grande vantagem, Daniele Garozzo fechou em 15-11 para levar o ouro.

Os 3 fizeram sua estreia em um pódio olímpico. Com o ouro, Daniele Garozzo quebrou um jejum dourado italiano de 20 anos no florete. Já a prata de Alexander Massialas foi a 1ª medalha americana no florete desde um bronze em Roma-1960! Com o bronze, Timur Safin colocou a Rússia de volta ao pódio na prova depois de 16 anos.

Sabre individual masculino

Áron Szilágyi (HUN)

Áron Szilágyi (HUN)

Campeão mundial em 2015, o russo Alexey Yakimenko era um dos grandes favoritos ao ouro, mas se tornou a maior decepção ao perder logo na estreia para o desconhecido búlgaro Pancho Paskov por 15-14! Sem o russo na chave, o americano vice mundial em 2015 Daryl Homer aproveitou e chegou à semifinal. O sul-coreano Gu Bon-gil também vinha entre os favoritos, mas foi surpreendido na 2ª rodada pelo iraniano Mojtaba Abedini por 15-12. Abedini avançou até a semifinal para enfrentar Homer.

Na chave superior, outro sul-coreano chegava como favorito. Número 1 do mundo, Kim Jung-hwan também avançou até a semifinal, sofrendo na 2ª rodada para o georgiano Sandro Bazadze, mas vencendo por 15-14. Bazadze, aliás, arrasou o brasileiro Renzo Agresta logo na estreia por 15-3. Campeão em Atenas-2004, o veterano italiano Aldo Montano parou na 2ª rodada. Já o campeão de Londres, o húngaro Áron Szilágyi não decepcionou e venceu todos os combates com firmeza, derrotando nas 4as o romeno multimedalhista mundial Tiberiu Dolniceanu.

Nas semifinais, Szilágyi seguiu rumo ao bicampeonato, derrotando Kim por 15-12. Na outra chave, o americano Homer e o iraniano Abedini fizeram um grande combate, vencido pelo americano por 15-14. O sul-coreano foi mais focado para a disputa de bronze e começou arrasando o iraniano, abrindo 6-0 e manteve a boa vantagem até vencer por 15-8 e faturar o bronze. Na decisão, Szilágyi foi com tudo rumo ao bi, abrindo 3-0 sobre Daryl Homer e seguiu com a vantagem até fechar o 1º período com 8-4. No retorno, manteve-se firme sem deixar o americano encostar até vencer por 15-8 e levar a medalha de ouro.

Áron Szilágyi se tornou o quinto bicampeão olímpico no sabre masculino e é o 11º húngaro diferente a ser campeão olímpico. A prova foi amplamente dominada pela Hungria entre 1924 e 1964, com 9 ouros olímpicos seguidos. Aí veio um jejum enorme até Bence Szabó vencer em Barcelona-1992 e o próximo ouro húngaro foi apenas com Szilágyi em Londres. Daryl Homer foi o 1º finalista americano no sabre desde St. Louis-1904 e a 1ª medalha americana na prova desde Los Angeles-1984. A medalha de bronze de Kim Jung-hwan foi a 1ª da história do país no sabre individual.

Espada por equipes masculina

Equipe da França

Equipe da França

Depois ficar com o bronze na prova individual, Gauthier Grumier liderou a França na busca do tricampeonato olímpico. Por conta do rodízio olímpico de provas por equipes, a espada masculina não foi disputada em Londres, mas a França havia vencido em Atenas-2004 e em Pequim-2008. A França, aliás, levou 6 mundiais seguidos entre 2005 e 2011. E no Rio não foi diferente. Na estreia, venceram facilmente a Venezuela por 45-29 e tiveram como maior desafio a semifinal contra a Hungria. A França liderava por 25-22, quando Geza Imre ajudou a Hungria a encostar em 35-34. Grumier e Gabor Boczko ficaram zerados e restou a Yannick Borel fechar em 45-40. A Itália passou com 45-32 pela Suíça e derrotou a Ucrânia por 45-33 para chegar na final.

Na disputa do bronze, o combate começou nervoso. Nos dois primeiros confrontos, 0-0. A pontuação seguiu bem baixa até o 6º combate com apenas 12-9 para a Hungria. Aí Anatolii Herey fez 12-11 em Geza Imre para diminuir a diferença, mas Peter Somfai aumentou com 6-3 para 29-24. Bogdan Nikishin forçou pela Ucrânia, fazendo 13-10 em Andras Redli, mas o tempo terminou a Hungria ficou com o bronze. Na decisão, a França entrou para arrasar a Itália. Após 4 combates, tinham 20-14. No 6º confronto, Enrico Garozzo, irmão mais velho do campeão do florete Daniele Garozzo, levou 10-5 de Yannick Borel e a França seguia com ótima vantagem. Os 3 combates finais foram 5-4 para os franceses até Borel tocar em Marco Fichera e garantir o ouro com 45-31.

Foi o 9º ouro da história para a França na espada por equipes masculina, sendo o 3º seguido, passando a Itália, com 8 ouros na prova, agora prata. Com o bronze, o veterano de 41 anos Géza Imre venceu sua 4ª medalha olímpica. Ó outro veterano húngaro, Gabor Boczkó, faturou a sua 2ª após a prata por equipe em Atenas-2004.

Florete por equipes masculino

Equipe da Rússia

Equipe da Rússia

Quando o assunto é florete, o país é Itália. Pelo menos deveria ser. Número 1 do mundo, a equipe italiana foi ouro em Atenas e em Londres (a prova não foi disputada em Pequim) e em 3 dos últimos 4 mundiais. A campanha italiana começou contra o Brasil nas 4as e venceu tranquilamente, com 45-27. Mas na semifinal, foi arrasada pela França, mesmo com o campeão olímpico individual Daniele Garozzo na equipe. A Itália abriu 10-7, mas Enzo Lefort virou pros franceses, que foram vencendo cada combate até fecharem em 45-30, garantindo a vaga na final. Na parte de baixo da chave, a Rússia mostrou sua fora, derrotando por muito pouco a Grã-Bretanha com 45-43 e os americanos por 45-41.

O Brasil perdeu mais dois combates, de 43-41 para a China e de 45-39 para o Egito, terminando em 8º. Na disputa do bronze, a equipe americana foi muito superior aos italianos. No começo, o duelo foi mais disputado, com a Itália abrindo 20-17, mas Gerek Meinhardt fez 8-0 no Andrea Baldini e virou o jogo. Daí em diante, mais duas lavadas de 5-0 até o vice-campeão olímpico Alexander Massialas fechar com 45-31, encerrando a sequencia de 3 pódios olímpicos seguidos para a Itália.

Na final, um grande duelo entre França e Rússia. A equipe francesa abriu muito bem e liderou por quase toda a final. Após o 5º combate, Erwan le Pechoux venceu Timur Safin por 5-2 e a França liderava com 25-16. O ouro parecia encaminhado. Parecia. O campeão mundial de 2014 Alexey Cheremisinov fez 9-5 em Jeremy Cadot e diminui a diferença para 30-25. Enzo Lefort e Timur Safin empataram em 5-5 e a França tinha 35-30. Só que o reserva Jean-Paul Helissey teve que entrar na disputa e foi a chance de Artur Akhmatkhuzin diminuir. O russo fez 10-3 e os russos viraram para 40-38! Le Pechoux e Cheremisinov fecharam o confronto, mas o russo segurou e com 5-3 venceu por 45-41 dando o ouro para a Rússia.

A Rússia, que jamais foi campeã mundial, faturou seu 2º título olímpico na prova, repetindo Atlanta-1996. A França volta a subir no pódio olímpico, o que não acontecia desde Sydney-2000, apesar de 5 títulos mundiais desde então. O bronze dos Estados Unidos foi a 1ª medalha americana na prova desde Los Angeles-1932.

Resumo Rio-2016 – Atletismo: provas de rua e combinadas

Maratona masculina

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Eliud Kipchoge (KEN)

A tradicional prova abriu o último dia dos Jogos Olímpicos com saída e chegada no Sambódromo. O percurso seguia pela Avenida Presidente Vargas, percorria ruas do centro do Rio até o Aterro do Flamengo, onde os corredores dariam 3 voltas em um percurso de 10km. Depois seguiam até o Boulevard Olímpico, onde dariam uma volta no belo Museu do Amanhã, retornando ao Sambódromo.

A prova começou com uma leve chuva e nada menos que 155 atletas, fazendo desta a maior maratona olímpica da história. O pelotão se manteve firme pela 15km iniciais, liderados pelo queniano Eliud Kipchoge, que começou a forçar o ritmo, diminuindo o pelotão da frente de 62 para 46 corredores. O grupo foi diminuindo e o ritmo aumentando e o campeão de Londres, Stephen Kiprotich, de Uganda, ficou pra trás. Com 30km de prova, apenas 8 na frente e, com 32km, apenas 4: os etíopes Lemi Berhanu e Feyisa Lilesa, Kipchge e o americano Galen Rupp. Berhanu não aguentou e os outros 3 se mantiveram na frente.

O ritmo seguia muito forte e o americano foi ficando para trás, aos 35km. Lilesa pisou no calcanhar de Kipchoge, que, irritado, pediu para ele correr ao seu lado, o que o etíope não fez. Assim, o queniano acelerou e deixou o etíope para trás. Com 40km, Kipchoge tinha 36s de vantagem sobre Lilesa e 48s de Rupp. Eliud Kipchoge entrou no Sambódromo para o último quilometro, vencendo com 2:08:44. Feyisa Lilesa ficou com a prata com 2:09:54 e Galen Rupp o bronze com 2:10:05.

Paulo Roberto Paula foi o melhor brasileiro na prova, terminando em 15º com 2:13:56. Marilson dos Santos foi o 59º com 2:19:09 e Solonei da Silva o 78º com 2:22:05. Um recorde de 140 maratonistas terminaram a prova. Alguns tiveram problemas para terminar, como o americano Meb Keflezighi, que tropeçou na chegada, o iraniano Mohammad Jafar Moradi, que rompeu o tendão e cruzou engatinhando, e o argentino Federico Bruno que completou a reta do Sambódromo com muita dificuldade por conta de câimbras.

Eliud Kipchoge conquistou sua 3ª medalha olímpica, a 1ª na maratona e foi a penas o 2º queniano a vencer a maratona olímpica. Ele também foi bronze em Atenas-2004 e prata em Pequim-2008 nos 5.000m. Ao cruzar a linha de chegada, Feyisa Lilesa cruzou os braços sobre a cabeça como forma de protesto num gesto político contra as prisões feitas em seu país. Galen Rupp faturou sua 2ª medalha olímpica. A primeira também foi na pista: o bronze nos 10.000m em Londres.

Marcha 20km masculina

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Wang Zhen (CHN)

Mesmo com o campeão mundial de 2015, o espanhol Miguel Ángel López, e o campeão de Londres, o chinês Chen Ding, presentes, o favoritismo caía sobre outro chinês: Wang Zhen.

Quem deu o ritmo da prova no início foi o britânico Tom Bosworth, que liderou por maisa da metade dos 20km. No início, foi seguido de perto pelo campeão africano, o queniano Samuel Gathimba, mas não aguentou o ritmo e abandonou a prova com 18km. Bosworth completou os 10km com 40:10, seguido pelo japonês Daisuke Matsunaga, 5s atrás, e por um pelotão com 22 atletas a 7s. Neste momento, Chen Ding já mostrava que dificilmente brigaria por medalha, ficando para trás desse pelotão, assim como López.

Bosworth aumentou o ritmo, assim como Matsunaga e o chinês Cai Zelin, que largou o pelotão e se juntou aos 2 líderes, até finalmente passá-los. O pelotão também acelerou e engoliu os 3. Com 15km, um grupo de 12 marchadores estava agora na frente, incluindo o brasileiro Caio Bonfim. Na marca de 17km, surgiu Wang Zhen. Prata em Londres, o chinês já pôs 4s sobre os perseguidores. Completou os 2km entre 16-18 em 7:42, a melhor parcial da prova até o momento e fechou com rapidíssimos 7:26! Ouro pro chinês com 1:19:14. Cai Zelin fez a dobradinha levando a prata com 12s de diferença. A briga pelo bronze estava entre o brasileiro e o australiano Dane Bird-Smith, que apertou e começou a se distanciar do Caio faltando 1km. Bird-Smith completou e 1:19:37 enquanto Caio fechou na espetacular 4ª posição com 1:19:42, novo recorde brasileiro.

Foi a segunda vitória seguida de um chinês em Olimpíadas nos 20km e a primeira dobradinha de um país desde Los Angeles-1984, quando 2 mexicanos foram ouro e prata. Wang levou sua 2ª medalha olímpica, melhorando o bronze de Londres e Dane Bird-Smith se tornou o 3º australiano diferente a levar bronze na prova nas últimas 4 edições de Jogos Olímpicos.

Marcha 50km masculina

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Matej Toth (SVK)

Alguns nomes despontavam na prova mais longa do atletismo: o eslovaco Matej Toth, o francês Yohann Diniz, dono do recorde mundial e da melhor marca do ano, o irlandês campeão mundial em 2015 Robert Heffernan e o australiano Jared Tallent, campeão olímpico em Londres após a desclassificação do russo Sergey Kirdyapkin. por doping.

O sérvio Vladimir Savanovic começou na frente e apareceu na TV por 4 minutos. Yohann Diniz foi atrás e buscou a liderança. Nove perseguidores foram atrás do francês, que com 5km de prova já tinha 29s de vantagem. Entre os 9, fortes nomes como Toth, Tallent, Heffernan, o equatoriano Andres Chocho e os japoneses Hirooki Arai e Takayuki Tanii. Com 15km, Diniz acelerou e já tinha quase 1min de vantagem e com 20km a diferença aumentou para 1:24. Um segundo pelotão estava a 2min do líder. Com 25km, Diniz liderava por 1:41 e o 1º pelotão diminuiu. Alguns ataques sem sucesso, o canadense Evan Dunfee começou a buscar o francês e diminuiu a diferença para 1:15.

Aí veio inesperado! Com 33km de prova, Diniz simplesmente parou na frente de seu técnico por 1min15s. Dunfee chegou e deu um tapinha nas costas do francês, que voltou para a prova acompanhando o canadense, mas não aguentou por muito tempo e Dunfee abriu. Alguns minutos depois, já bem mais pra trás, Diniz parou novamente e caiu no chão, sendo rapidamente atendido com gelo e água. Ele voltou à prova na 7ª posição, bem atrás de Dunfee, do pelotão (com Toth, Tallent, Arai e o chinês Yu Wei) e de Heffernan.

Com 39km, os 4 perseguidores apertaram o passo para alcançar Dunfee. O australiano disparou e se tornou o novo líder, enquanto Toth e Arai o perseguiam e um cansado Dunfee ficava para trás.Por 7km, Tallent seguiu líder e, por volta da marca de 44km, Toth se separou do japonês. O eslovaco seguiu forçando até alcançar Tallent e o ultrapassando na última volta. A briga pela bronze estava entre Arai e Dunfee, que acabaram se encostando por duas vezes, atrapalhando demais o canandense, que ficou pra trás. O eslovaco Matej Toth fechou em 3:40:58 para levar o ouro, seguido do australiano Jared Tallent com 3:41:16 e do japonês Hirooki Arai com 3:41:24. Dunfee terminou em 4º a 14s do pódio, novo recorde canandense de 3:41:38, Heffernan foi 6º, Diniz terminou em 8º e o brasileiro Caio Bonfim fez mais uma excelente prova para ficar em 9º com 3:47:02, quebrando mais um recorde brasileiro.

Campeão olímpico e mundial, Matej Toth faturou a 1ª medalha da história da Eslováquia na Marcha. Já Jared Tallent faturou a sua 4ª medalha olímpica e subiu pela 3ª vez seguida ao pódio dos 50km, repetindo o feito do mito polonês Robert Korzeniowski, tricampeão de 1996 a 2004. Hirooki Arai venceu a 1ª medalha do Japão na história da marcha em Olimpíadas também.

Decatlo masculino

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Ashton Eaton (USA)

Ashton Eaton venceu tudo desde os Jogos de Londres. Foram 2 ouros em mundiais outdoor e 2 em mundiais indoor no heptatlo, além de ter quebrado o recorde mundial no Mundial de 2015, em Pequim. Seria muito difícil ele perder o ouro. Não perdeu, mas nunca alguém chegou tão perto como no Rio.

Na 1ª prova do decatlo, o canadense Damian Warner deu show nos 100m, fazendo excelentes 10.30 (1.023 pontos), a melhor marca da prova em um decatlo olímpico, mas pior que sua marca pessoal, de 10.15. Eaton não ficou longe, fazendo 10.46 (985) ficando 38 pontos atrás. Luiz Alberto de Araújo fez o 6º tempo com 10.77 (912). No salto em distândia, Eaton assumiu a liderança, fazendo 7,94 (1.045). Warner não ficou muito longe, saltando 7,67m (977) ficando 30 pontos atrás. No arremesso de peso, apareceu a figura do francês Kévin Mayer, com a melhor marca de ótimos 15,76m (836), subindo para a 3ª colocação. Eaton foi apenas o 10º com 14,73m (773), mas esta foi uma das piores provas do canandense, com apenas 13,66m (708). Ótima prova do brasileiro com a 3ª marca: 15,26m (806) e a 4ª colcoação no geral no momento!

Mas com o salto em altura, Luiz Alberto despencou. Foi um dos piores com apenas 1,92m (731) e caiu para 12º. Eaton também não foi bem, ficando com 2,01m (813), mas seguia líder. Warner e Mayer empataram com 2,04m (840), e o americano seguia na frente por 68 pontos. Outro americano, Jeremy Taiwo, foi o melhor isolado com ótimos 2,19m (982). Para encerrar o 1º dia, Eaton sobrou nos 400m, vencendo com 46.07 (1.005) e fechando a primeira metade do decatlo com 4.621 pontos. O alemão Kai Kazmirek fechou o dia em 2º lugar, após 46.75 (971) nos 400m, 121 pontos atrás do americano. Warner caiu para 3º com 4489 e Mayer era o 4º com 4435, enquanto o brasileiro subiu para 9º com 4281.

Na abertura do 2º dia, mais uma espetacular prova de Damian Warner, agora nos 110m com barreiras, com 13.58 (1029), com Ashton Eaton colado com 13.80 (1000). O canadense reassumiu a 2ª posição a 103 pontos do americano. Kévin Mayer subiu para 3º após a 3ª marca na 6ª prova: 14.02 (972). No lançamento de disco, o granadino Lindon Victor foi o melhor, com 53,24m (938), muito a frente dos outros. Nada mudou entre os 3 primeiros, mas Mayer diminui a diferença pro canadense de 111 pontos para 72. Na longuíssima prova do salto com vara, Mayer e o belga Thomas van der Plaetsen deram show, com 5,40m (1035) e o francês assumiu o 2º lugar. Eaton ficou perto, com 5,20m (972) enquanto Warner foi mal, com apenas 4,70m (819), caindo para 3º.

No dardo, a disputa esquentou, com Mayer fazendo 65,04m (814) enquanto o americano foi apenas o 18º com 59,77 (734) e a diferença entre os dois caiu para apenas 44 pontos! Com 72,32 (925), o cubano Leonel Suárez foi o melhor. Esta é a pior prova do brasileiro, que fez apenas 697 pontos, caindo para 10º. Warner seguiu em 3º. Para sonhar com o ouor, o francês tinha a difícil missão de tirar 8s de Ashton Eaton. Com essa difícil missão, Mayer ficou satisfeito com a prata e só ficou de olho no canadense. O argelino Larbi Bourrada venceu a última série com 4>14.60 (849), com Eaton em 3º com 4:23.33 (789) e o ouro assegurado. Warner cruzou logo atrás e Mayer veio em seguida, nada mudando na classificação geral.

Ashton Eaton faturou o bicampeonato com 8.893, igualando o recorde olímpico do checo Roman Sebrle de Atenas-2004, se tornando o 3º na história a conquistar o bicampeonato olímpico do decatlo. Kévin Mayer levou a prata com 8834, recorde francês, conquistando a 1ª  medalha do país na prova desde Londres-1948! Com 8666, Damian Warner foi bronze. Kazmirek foi 4º com 8580, Bourrada na excelente 5ª posição com 8521, recorde africano, e Luiz Alberto de Araújo terminou na 10ª posição, com 8315 pontos.

Maratona feminina

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Jemima Sumgong (KEN)

Com 157 atletas de 80 países, esta foi a maior prova dos Jogos do Rio. Realizada dois dias depois do final do tiro com arco, a organização precisou desmontar toda a estrutura do Setor 11 do Sambódromo em menos de 30h.

Com 10km de prova, o pelotão da frente tinha quase 30 atletas e o número diminuía a cada quilometro. Na metade, 10 atletas seguiam juntas, incluindo as 3 quenianas, 2 etíopes, 2 barenitas, 2 americanas e a bielorrussa Volha Mazuronak. Com 30km, o número caiu para 7 e duas americanas começaram a ficar, assim como Mazuronak, restando apenas 5 africanas. Restando 5km, ficou claro que a briga seria entre duas: a queniana Jemima Sumgong e a barenita Eunice Kirwa,  queniana de nascimento.

As duas ficaram lado a lado até o quilometro final e, ao entrarem na reta final do Sambódromo, Sumgong começou a apertar e a abrir, vencendo em 2:24:04 contra 2:24:13 de Kirwa. A etíope Mare Dibaba levou o bronze com 2:24:30. Quarto lugar para a etíope Tirfi Tsegaye e o 5º para a bielorrussa Mazuronak. Três americanas ficaram entre as 9 primeiras e as duas norte-coreanas da prova terminaram juntas, em 10º e 11º com o mesmo tempo. Adriana Aparecida da Silva foi a melhor brasileira, terminando na 69ª posição com 2:43:22.

As 3 medalhistas venceram suas primeiras medalhas olímpicas. E por mais improvável que possa parecer, esta foi a 1ª vez que uma queniana venceu a maratona olímpica.

Marcha 20km feminina

Liu Hong (CHN)

A chinesa Liu Hong era a grande favorita. Campeã e recordista mundial, ela também havia vencido a Copa do Mundo este ano, mas acabou desclassificada depois por conta de um doping pegando um gancho de 3 meses. Ainda assim, chegou como favorita e não decepcionou.

Um enorme pelotão se formou desde o início com as 3 chinesas na prova puxando. Após a primeira volta, as 3 começaram a apertar o ritmo, tirando mais de 20s no tempo da volta. Com isso, o grupo diminuía a cada volta e na metade da prova, restavam apenas 15, incluindo a brasileira Érica de Sena. Após 11km, o grupo caiu para 6: Érica, a mexicana María Guadalupe González, as italianas Antonella Palmisano e Eleonora Giorgi e as chinesas Liu e Lu Xiuzhi. Logo depois, Giorgi recebeu o 3º cartão e foi desclassificada e a portuguesa Ana Cabecinha junto com a 3ª chinesa, Qieyang Shenjie, se juntaram ao pelotão da frente, com esta chinesa assumindo a liderança. Com 16km, Cabecinha e Érica de Sena foram deixando o grupo, assim como Palmisano um pouco depois. Virou um confronto entre 3 chinesas e uma mexicana.

Gonzalez não se intimidou e ditava o ritmo da prova, fazendo com que Qieyang ficasse para trás, sendo inclusive ultrapassada pela italiana. Cada uma tinha uma única advertência. Gonzalez liderava e as chinesas brigavam para alcançá-la. Na última reta, Liu Hong foi se aproximando até finalmente ultrapassá-la fechando com 1:28:35, 2s a frente da mexicana Maria Guadalupe González e 7s na frente de Lu Xiuzhi.

As 3 estrearam em pódio olímpico. Liu Hong se tornou a 2ª chinesa a vencer a prova dos 20km e a 3ª a vencer uma prova de marcha em Olimpíadas. A prata de González foi a 1ª medalha mexicana na marcha feminina.

Heptatlo feminino

Nafissatou Thiam (BEL)

Campeã em Londres-2012, a britânica Jessica Ennis-Hill parou para engravidar após os Jogos e voltou com tudo, vencendo o título mundial em Pequim em 2015. Sua principal adversária era a canadense Brianne Theisen-Eaton, esposa do campeão do decatlo Ashton Eaton. Era.

Ennis-Hill começou o heptatlo com 12.84 nos 100m com barreiras, resultando na excelente pontuação de 1149 pontos, seguida de Akela Jones, de Barbados, com 13.00 (1124), enquanto Theisen-Eaton fazia o 6º tempo, de 13.18 (1097). Aí veio uma espetacular prova do salto em altura, que começou com apenas 1,56m e chegou a quase 2m! A belga Nafissatou Thiam e a britânica Katarina Johnson-Thompson fizeram uma prova dos sonhos, chegando a 1,98m! Melhores marcas da história de um heptatlo, recorde britânico e marca superior inclusive à que Ruth Beitia fez para levar  ouro no salto em altura, que foi 1,97m! Com isso, as duas somaram 1211 pontos e Johnson-Thompson assumiu a liderança do heptatlo com 2264 seguida de Thiam com 2252 e Ennis-Hill com 2242.

No arremesso de peso, Thiam novamente foi a melhor, com 14,91m (855), seguida da francesa Antoinette Nana Djimou Ida, com 14,88m (853). A belga foi para a liderança com 3107, Ennis-Hill foi pro 2º lugar com 3027 e Johnson-Thompson foi muito mal, caindo para 6º. Para encerrar o 1º dia, Johnson-Thompson se recuperou fazendo o melhor tempo dos 200m com 23.26 (1053) subindo para o 4º lugar. Jessica fez a 2ª marca com 23.49 (1030) e voltou à liderança com 4057, enquanto Thiam fez apenas o 24º tempo, caindo para 2º com 3985.

No 2º dia, Nafissatou Thiam brilhou mais uma vez, agora no salto em distância. A belga fez 6,58m (1033) para novamente chegar à liderança com 5018, apenas 5 pontos melhor que Ennis-Hll. Johnson-Thompson subia para 3º com 4967 desbancando Akela Jones. Theisen Eaton seguia variando entre o 5º eo 6º lugar. No dardo, muita coisa mudou. Thiam foi muito bem, com a 3ª marca (53,13m – 921) e manteve a liderança, enquanto a campeã de Londres fez apenas 46,06m (784), seguindo em 2º, mas a distantes 142 pontos. A letã Laura Ikauniece-Admidina, bronze no último mundial, fez a melhor marca no dardo com 55,93m (975), subindo para o 5º lugar.

Restavam apenas os 800m. Para buscar o bi, Ennis-Hill precisava cruzar a linha de chegada 10s na frente de Thiam. E ela bem que tentou. A britânica disparou para tentar tirar a diferença e venceu a última bateria com 2:09.07 (978) e torcia contra a belga, que fechou com 2:16.54 (871). Resultado, Nafissatou Thiam levou o ouro com 6810 pontos contra 6775 de Jessica Ennis-Hill. Brianne Theisen Eaton, que tinha assumido o 3º lugar no dardo, ficou com o bronze com 6653. A letã foi 4ª com 6617 enuanto Johnson-Thompson terminou em 6º com 6523, perdendo medalha justamente no dardo.

O ouro de Nafissatou Thiam foi a 1ª medalha da história da Bélgica em uma prova combinada. Jessica Ennis foi prata encerrando a sua carreira com 2 medalhas olímpicas. A medalha de Brianne Theisen Eaton foi a 1ª do Canadá numa prova combinada feminina.