Mundial de Ciclismo Pista – Resumo

A cidade polonesa de Pruszkow recebeu o Mundial de pista de 2019, encerrado no domingo de Carnaval. Apesar de não classificar diretamente para os Jogos de Tóquio, o Mundial é importantíssimo para o ranking mundial que definirá todas as vagas olímpicas na pista.

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Harrie Lavreysen (NED) após vencer o sprint

A Grã-Bretanha segue em uma entressafra e não deslancha desde os Jogos do Rio, contando apenas com o talento de Laura Kenny. O país ficou com apenas um ouro em uma prova não-olímpica, na scratch feminina com Elinor Barker. Em provas olímpicas, apenas 2 pratas e 1 bronze, muito abaixo do que se espera do país.

Em compensação, a Holanda melhora a cada ano. Foram 6 ouros sendo 5 em provas olímpicas. Harrie Lavreysen e Jeffrey Hoogland fizeram a final no sprint masculino, vencida por Lavreysen. Os dois competiram ao lado de Roy van der Berg para levar o ouro no sprint por equipes, vencendo na decisão a França. Pra fechar o domínio no sprint, Matthijs Büchli venceu a Keirin masculina. No feminino, Kirsten Wild foi o nome do Mundial. Ela foi ouro na Omnium e, ao lado de Amy Pieters, venceu a Madison, que volta ao programa olímpico em Tóquio. Wild foi ainda prata na Scratch e bronze na corrida por pontos.

A Austrália também saiu com 6 ouros, mas foram apenas 3 em provas olímpicas. A Austrália venceu as duas provas de perseguição por equipes, com direito a recorde mundial na final masculina: 3:48.012, baixando o recorde anterior em 1s8. A dupla Kaarle McCulloch e Stephanie Morton foram ouro no sprint por equipes, desbancando a forte dupla russa de Daria Shmeleva e Anastasia Voinova.

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Lee Wai Sze (HKG)

Lee Wai Sze, de Hong Kong, foi o nome da velocidade no feminino. A atleta venceu o sprint sem perder um combate sequer durante a competição, derrotando a australiana Stephanie Morton na decisão. Lee também venceu a final da Keirin. Completaram os títulos em provas olímpicas o neozelandês Campbell Stewart na Omnium e os alemães Roger Kluge e Theo Reinhardt venceram a Madison.

Este Mundial marcou o retorno do Brasil a mundiais de pista. Kácio Fonseca disputou a Keirin. Na 1ª rodada ficou em 3º e na repescagem foi 4º na sua bateria, terminando em 23º no geral. Na repescagem deu muito azar e caiu na mesma bateria de 2 holandeses, incluindo o campeão Büchli.

O próximo Mundial será em 2020 em Berlim, que fechará o ranking para os Jogos de Tóquio.

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Mundial de Esqui Nórdico – Dia 5

Domingo animado em Seefeld com mais Noruega no cross-country, Alemanha brilhando onde tem salto e um ouro inédito de Stina Nilsson.

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Stina Nilsson e Maja Dahlqvist (SWE)

A Noruega segue 100% no cross-country masculino. Emil Iversen e Johannes Klaebo deram o 5º ouro pra Noruega nesse Mundial no sprint por equipes. Após passar tranquilamente pela semifinal, eles venceram a final liderando praticamente do início ao fim. Na última troca, a dupla da Suécia chegou a liderar com Oskar Svensson entregando para Calle Halfvarsson, mas este não fechou bem. Klaebo fez a melhor parcial final para vencer com 18:49.86, apenas 1.88 mais rápido que os russos Gleb Retivykh e Alexander Bolshunov. A forte dupla italiana de Francesco De Fabiani e Federico Pellegrino foi bronze a 4.03, ultrapassando os suecos no final.

Na final feminina, a dupla sueca de Stina Nilsson e Maja Dahlqvist desbancou a Noruega para levar o ouro no sprint por equipes com 15:14.93. Suécia e Noruega lideraram nas 4 primeiras pernas da prova. Na última troca, a dupla da Rússia entregou primeiro, mas nada estava definido. Dahlqvist fechou bem para ficar com o ouro, mas quem brilhou foi Anamarija Lampic, da Eslovênia. Lampic e Katja Visnar estavam junto com as outras 3 duplas, mas Lampic conseguiu a melhor parcial da perna final para derrubar Noruega e Rússia e ficar com a prata, a 0.37 das suecas. Maiken Caspersen Falla colocou a Noruega com o bronze, numa duplaça ao lado de Ingvild Oestberg, a 0.60 das suecas. Após 5 pratas em Mundiais, esse foi o 1º título de Nilsson.

Foi uma lavada alemã na final por equipes do Large Hill masculino. Na 1ª rodada, a Alemanha, que contou com Karl Geiger, Richard Freitag, Stephan Leyhe e Markus Eisenbichler, já liderava na 1ª rodada de saltos com 487,0 pontos, bem a frente da Áustria, com 462,8 e do Japão com 454,2. Na 2ª rodada, os alemães seguiram voando longe e, com mais 500,5 pontos (espetacular 132,2 de Geiger) e somaram 987,5 para levar o ouro com sobra. A boa equipe da Áustria, que está em fase de transição, foi prata com 930,9 e o Japão, com uma equipe nova liderada pelo jovem Ryoyu Kobayashi que vem voando na temporada, foi bronze com 920,2. A Noruega, campeã olímpica em 2018, ficou em 5º.

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Fabian Riessle e Eric Frenzel (GER)

Na prova não olímpica do combinado nórdico do sprint por equipes Large Hill/2×7,5km, mais um ouro alemão. Eric Frenzel e Fabian Riessle foram os melhores nos saltos com 258,2 pontos contra 254,1 da dupla japonesa de Akito Watabe e Yoshito Watabe, resultando em uma vantagem de 8s no cross-country, e 247,2 da Áustria, 22s. No cross-country, os alemães lideraram até o fim para fechar os 15km com 28:29.5, com 8.2 de vantagem sobre a dupla da Noruega (Jan Schmid e Jarl Magnus Riiber) e 9.2 sobre a Áustria. Com o ouro, Frenzel chega a 7 títulos mundiais e 14 medalhas, fora os 3 ouros olímpicos e 6 medalhas.

Mundial de Esqui Nórdico – Dias 1 e 2

Começou na quarta-feira em Seefeld, na Áustria, o Mundial de Esqui  Nórdico, que reúne as provas de Esqui Cross-Country, Saltos em Esqui e o Combinado Nórdico.

Pódio do sprint Masculino. Foto: FIS

Na quarta-feira, tivemos as corridas qualificatórias da prova de saída intervalada. As mulheres disputaram uma prova de 5km no estilo clássico e os homens 10km. Os 10 primeiros de cada prova se classificam para a prova principal de 10km para mulheres e 15km pros homens.

Nesta quali feminina, Jaqueline Mourão foi muito bem e completou a distância em 16:27.0, ficando em 2º lugar, atrás apenas da chinesa Meng Honglian, que fez 15:57.0. No masculino, o melhor brasileiro foi Victor Santos (que esteve em PyeongChang-2018), em 18º com 30:59.7, e Yuri Rocha foi 35º com 33:12.6. O vencedor foi o belga Thibaut De Marre, com 27:56.7.

Mas as primeiras medalhas só saíram na quinta-feira, nas provas de Sprint individual. E não tivemos surpresa.

Líder da Copa do Mundo e atual campeão olímpico da prova, o norueguês Johannes Hoesflot Hlaebo venceu a final com 3:21.17, deixando o italiano Federico Pellegrino, que defendia o título mundial, em 2º a apenas 0.23. O russo Gleb Retivykh completou o pódio a 1.37 de Klaebo. Um dos favoritos era o russo Sergey Ustiugov, que foi desclassificado na semifinal ao levar 2 cartões amarelos. Três brasileiros disputaram a qualificação da prova. Matheus Vasconcellos fez uma ótima prova ficando em 89º com 3:29.27. Rhaick Bomfim foi 112º com 3:44.36 e Victor Santos 113º com 3:44.47, entre 145 que competiram.

Pódio do sprint Feminino. Foto: FIS

Na prova feminina, vitória tranquila da norueguesa Maiken Caspersen Falla, maior nome da prova na atualidade. Ela completou a final em 2:32.35, 1.66 a frente da sua principal rival na prova, a sueca Stina Nilsson e a 2.84 da norueguesa Mari Eide, a zebra da prova. Caspersen Falla conquistou o bicampeonato mundial da prova, é tricampeã do Sprint na Copa do Mundo e foi ouro nos Jogos de Sochi-2014 e prata em PyeongChang-2018. Nilsson vinha do ouro olímpico no ano passado, mas havia sido desclassificada na semifinal do último mundial. Já Eide tem apenas uma vitória na carreira na Copa do Mundo, em uma prova de Sprint por equipe em dezembro de 2011! Jamais sequer teve um pódio individual. Jaqueline Mourão competiu na qualificação, ficando em 75º com 2:55.91 entre 110 atletas. A melhor na quali foi a sueca Maja Dahlqvist, que vinha brigando pela prata, quando caiu na última curva na final e terminou em 6º.

Mundial de Esqui Alpino – Dia 7

Sem a equipe dos EUA (e portanto sem Mikaela Shiffrin), a prova por equipes foi dominada pelas potências Áustria e Suíça, que reeditaram a final olímpica de PyeongChang.

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Suíça comemora o título por equipes

Cabeça 1, a Áustria começou com um tranquilo 4-0 sobre a Argentina e fez mais um 4-0 na Eslováquia, que não contou com Petra Vlhová. Já a Suíça, cabeça 2, fez 4-0 na frágil Bélgica, mas empatou em 2-2 com a Suécia nas 4as. Na soma dos tempos, primeiro critério de desempate, 48.27 da Suíça a 48.60 da Suécia.

Na 1ª rodada, as maiores potências venceram, com França fazendo 3-1 na Rússia, Itália 3-1 na Finlândia, Alemanha 3-1 na Grã-Bretanha e Noruega 4-0 na República Checa.

Nas 4as, a Itália venceu a Noruega por 3-1 e a Alemanha passou por 3-1 pela França, que viu sua principal atleta do feminino, Tessa Worley, perder o combate de abertura do confronto.

Nas semifinais, provas muito equilibradas. A Áustria abriu 1-0 na Itália, que empatou, fez 2-1 e viu a Itália empatar novamente, mas na soma dos tempos, 49.23 a 49.52 pros austríacos. Na outra semi, a Alemanha fez 1-0, a Suíça virou 2-1 e a Alemanha empatou com Linus Strasser, mas nos tempos 48.75 a 48.95 pra Suíça.

Na disputa do bronze, a Itália abriu 2-0 sobre os alemães, que diminuíram pra 2-1. No último confronto, Strasser venceu Alex Vinatzer, que não terminou e parecia que ia dar Alemanha, mas Strasser foi desclassificado e, com 3-1, o bronze foi italiano.

Na decisão, mais um 2-2. Wendy Holdener, ouro na combinada, abriu 1-0 pra Suíça ao vencer Katharina Liensberger. Michael Matt venceu Daniel Yule e Katharina Truppe venceu Aline Danioth e a Áustria virou pra 2-1. Na descida decisiva, Ramon Zanhäusern empatou pra Suíça ao derrotar Marco Schwarz. Na soma dos tempos, um banho dos suíços com 48.13 a 48.90. Foi o 1º título mundial da Suíça na prova por equipes. Mas vale lembrar que a Suíça venceu a Áustria também na decisão olímpica. Holdeneer, Yule e Zenhäusern são os únicos remanescentes do ouro em solo sul-coreano em 2018.

Mundial de Esqui Alpino – Dia 6

Numa prova espetacular, a francês Alexis Pinturault levou a combinada de maneira brilhante.

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Alexis Pinturault (FRA). Foto: AFP

O melhor no downhill foi o italiano Dominik Paris, ouro no Super-G neste Mundial, com 1:07.27, seguido do americano Ryan Cochran-Siegle com 1:07.30 e do norueguês Aleksander Aamodt Kilde com 1:07.65. Os especialistas no slalom ficaram lá pra trás, com Luca Aerni, campeão da prova em 2017, em 20º, o austríaco Marco Schwarz em 21º, o francês Victor Muffat-Jeandet em 23º, Pinturault em 24º, o alemão Linus Strasser em 29º e o esloveno Stefan Hadalin em 30º. Apesar de terem ficado lá pra trás, a diferença de tempo não era tão grande, menor que 2s.

No slalom, Hadalin foi o 1º a descer voando com 38.80, que seria o melhor tempo de toda a prova, somando 1:47.95. Strasser desceu em seguida fazendo 39.52, 1:48.51 no total. 7º a descer, Pinturault marcou ótimos 38.92 para assumir a liderança com 1:47.71 , 0.24 melhor que o esloveno. Marco Schwarz, 9º a descer, fez 1:48.17 e assumiu o 2º lugar. Mal sabiam que o pódio já estava formado.

Apesar de virem com vantagem do downhill, os especialistas desta prova não faziam um bom slalom. Apesar de ser uma prova bem mais curta, a diferença de tempos era muito maior e elas iam ficando muito pra trás. O que chegou mais perto foi o suíço Mauro Caviezel, 8º no downhil e 8º no slalom, terminando em 7º com 1:48.57. Aamodt Kilde fez o 34º tempo do slalom, Cochran-Siegle 36º e Paris o 26º tempo, para terminarem bem longe do pódio, dominado pelos atletas do slalom.

A última vez que um cara do downhill venceu a combinada em um Mundial foi em 2011, com Aksel Lund Svindal.

Mundial de Esqui Alpino – Dia 5

Assim como na prova masculina, o downhill feminino também foi reduzido em pouco mais de 500m também com a saída do Super-G.

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Ilka Stuhec e Lindsey Vonn. Foto: Reuters

A prova foi marcada pela despedida da americana Lindsey Vonn, que fez uma super descida. Após cair no Super-G e terminar o downhill da combinada, Vonn foi a 3ª a descer com 1:02.23, assumindo a liderança. A forte equipe italiana veio em seguida com Nadia Fanchini, Sofia Goggia e Nicol Delago, mas ninguém passava Vonn, até a eslovena Ilka Stuhec. Campeã mundial em 2017, Stuhec ficou fora dos Jogos de PyeongChang em 2018 por conta de lesão. Na prova, marcou 1:01.74 e assumiu a liderança.

As 20 primeiras desciam, mas nada mudava no toip-5 da prova. Nem as austríacas Ramona Siebenhofer e Nicole Schmidhofer, nem Tina Weirather ou a suíça Lara Gut-Behrami ameaçavam.

19ª a descer, foi outra suíça que tirou a prata de Vonn: Corinne Suter. Com 1:01.97, jogou a americana pro 3º lugar, levando um inesperado bronze para encerrar sua brilhante carreira.

Vonn se aposenta com 3 medalhas olímpicas (1 ouro e 2 bronzes), 8 medalhas mundiais (2-3-3, sendo 1-2-2 no downhill), 4 títulos gerais da Copa do Mundo, 16 títulos de disciplinas e 82 vitórias em etapas, sendo 43 no downhill.

Stuhec mostrou que é o principal nome da prova na atualidade entrando no lugar da sua compatriota Tina Maze e se tornando a 1ª bicampeã mundial do downhill desde Maria Walliser em 1989.

Mundial de Esqui Alpino – Dia 4

Depois de uma prova ruim no Super-G, os favoritos noruegueses brilharam na final do downhill.

Por conta do mau tempo, a final foi adiada por 1 hora e ainda por cima foi encurtada em quase 1km (234m verticais). A largada foi a mesma do Super-G.

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Kjetil Jansrud (NOR)

Mesmo assim, foi dominada pelos noruegueses Kjetil Jansrud e Aksel Lund Svindal, dois fortíssimos nessa prova.

De baixo de neve, o primeiro a descer foi o austríaco Hannes Reichelt que marcou 1:21.87, tempo que seria melhorado muito ainda. O francês Adrien Théaux veio em seguida com 1:21.23 se tornando o novo líder, mas o suíço Mauro Caviezel assumiu a ponto em seguida com 1:20.81. E cada um que vinha melhorava: o canadense Benajmin Thomsen fez 1:20.73, o austríaco campeão olímpico em 2014 Matthias Mayer 1:20.63 e finalmente Jansrud com 1:19.98.

Dono de 5 medalhas olímpicas, 2 delas no downhill e 2 no Super-G (1 ouro em 2014), Jansrud se aproveitou da redução do percurso para faturar seu 1º título mundial.

Svindal veio um pouco depois e marcou 1:20.00, a apenas 0.02 do seu compatriota. Atual campeão olímpico no downhill e bicampeão mundial da prova (2007 e 2013), Svindal segue entre os melhores mesmo com 36 anos.

O suíço Beat Feuz assumiu o 3º lugar da prova com 1:20.42, mas logo depois veio o austríaco Vincent Kriechmayr, prata no Super-G dias antes, para roubar o bronze com 1:20.31. O campeão do Super-G, o italiano Dominik Paris, terminou em 6º com 1:20.72