Mundial de Atletismo – Dia 1

Começou nessa sexta-feira em Doha, no Qatar, o mundial de atletismo. Pela primeira vez em um país árabe, o mundial está com uma programação um pouco atípica, com sessões únicas, começando no fim de tarde e com provas de rua ocorrendo bem tarde por conta do calor. Logo no primeiro dia tivemos uma única final, a maratona feminina, que começou a meia-noite, horário local.

Mas antes disso, no estado climatizado e com baixo público, apenas classificações, sem nenhuma final.

Maratona feminina

Numa noite extremamente quente, com temperaturas passando dos 30°C, a maratona feminina foi extremamente dura e intensa. Das 70 inscritas, 68 largaram e apenas 40 terminaram. Na marca de 15km, a prova já começou a ser definida, com 5 atletas indo pra frente do pelotão: as três quenianas Ruth Chepngetich, Edna Kiplagat e Visiline Jepkesho, a barenita Rose Chelimo e Helalia Johannes, da Namíbia. O quinteto seguiu na frente e abrindo do resto.

Na marca de 25km, Jepkesho ficou pra trás e as quatro seguiram na frente até pouco antes dos 40km, quando Chepngetich apertou o passo e foi abrindo. Com 40km, ela já abria 30s sobre Chelimo, que defendia o título mundial, conquistado em 2017, no mundial de Londres.

Sozinha, Chepngetich foi pro título com muita folga, vencendo com 2:32:43. Chelimo foi prata com 2:33:46 e Johannes faturou o bronze pra Namíbia com 2:34:15. Curiosamente, nenhuma das três equipes terminou a prova. Todas abandonaram antes mesmo da marca da metade. Valdilene dos Santos Silva foi 30ª com 2:59:00 e Andréia Hessel 36ª com 3:06:13.

Pista

De volta ao estádio, começamos com os 100m masculinos. Com poucos inscritos, tivemos apenas quatro séries preliminares, que contam com os piores tempos, e 6 baterias na 1ª rodada, algumas com apenas 5 corredores, sendo que os 3 primeiros de cada séries avançariam. Paulo André de Oliveira fez uma boa prova e venceu a sua série com 10.11 (-0,3), deixando o americano favorito Michael Rodgers em 2º com 10.14. Mas o melhor tempo das 1ª rodada foi com o americano Christian Coleman na última bateria com 9.98, único a baixar dos 10s. Rodrigo do Nascimento com 10.25 e Vitor Hugo dos Santos com 10.42, não avançaram.

Correndo apenas para classificar, já que os 4 primeiros de cada série avançavam, Alison dos Santos ficou em 2º na sua bateria dos 400m com barreiras com 49.66, ficando atrás de Kyron McMaster, das Ilhas Virgens Britânicas, com 49.60. Alison claramente correu solto, para classificar. O melhor tempo das baterias foi do Abderrahman Samba, do Bahrein, com 49.08, Márcio Teles com 51.03 (32°) e Artur Terezan com 51.62 (34º) não avançaram.

Nos 800m feminino, o melhor tempos das eliminatórias foi de Winnie Nanyondo, de Uganda, com 2:00.36. Todos os principais nomes da prova avançaram. Lembrando que Caster Semenya está fora do Mundial.

A queniana Beatrice Chepkoech fez o melhor tempo nas eliminatórias dos 3.000m com obstáculos, com 9:18.01, com a americana Courtney Frerichs colada com 9:18.42.

O americano Paul Chelimo marcou o melhor tempo nos 5.000m masculino, ao vencer a segunda bateria com 13:20.18, seguido do etíope Telahun Bekele com 13:20.45. Um dos favoritos, o norueguês Jakob Ingebrigtsen havia chegado em 4º na sua bateria e tinha sido desclassificado, mas recorreu e seu resultado foi restabelecido e ele estará na final, ao lado do seu irmãos Henrik.

Campo

Almir dos Santos conseguiu vaga na final do salto triplo com 16,92m obtidos na sua primeira tentativa. Com 17,10m ele já estaria na final direto. O cubano naturalizado português Pedro Pablo Pichardo fez 17,38m na sua primeira chance e ficou com a melhor marca do dia. Alexsandro Melo marcou apenas 16,26m, ficando fora da final em 27º. Também ficaram fora da final o português Nelson Evora e o americano Onar Craddock.

No salto em distância, apenas o cubano Juan Pablo Echevarria saltou acima dos 8,15m necessários para ir a final, voando com 8,40m na 1ª tentativa. Campeão olímpico no Rio, o americano Jeff Henderson ficou em 2º com 8,12m.

Nove atletas conseguiram lançar o martelo acima dos 72m na quali feminina. A melhor marca foi da americana DeAnna Price com 73,77m. Ela chega a final como favorita, já que a polonesa Anita Wlodarczyk, ouro nos três últimos mundiais, está fora por lesão.

No salto com vara, 17 atletas conseguiram a marca de 4,60m e passaram para a final, incluindo as americanas Sandi Morris e Jenn Suhr, a grega Katerina Stefanidi, a cubana Yarisley Silva, a sueca Angélica Bengtsson e a britânica Holly Bradshaw.

No salto em altura, tivemos apenas 8 passando dos 1,94m, incluindo a americana Vashti Cunningham e a favoritíssima russa Marina Lasitskene. Ficaram fora da final a bicampeã do Pan Levern Spencer, de Santa Lúcia, a britânica Morgan Lake e a lituana Airine Palsyte.

Mundial de Judô – Final

Brasil fatura bronze na prova por equipes e encerra um Mundial com 3 medalhas, mas com sinal amarelo, quase vermelho, ligado.

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Equipe brasileira celebra a medalha de bronze. Foto: IJF

No 1º confronto por equipes, o Brasil pegou a Alemanha. E viu logo a Alemanha abrir 3-0, com derrotas de Maria Portela, Rafael Macedo e Maria Suelen Altheman, que levou um ippon em 11s! Rafael Silva e Rafaela Silva venceram e a pressão caiu sobre Eduardo Barbosa contra Anthony Zingg. O alemão derrubou o brasileiro, mas com um golpe ilegal, puxando-o pelo braço e foi desclassificado sumariamente. Empatado em 3-3, o confronto foi pro desempate. E a luta sorteada foi justamente a entre Barbosa e Zingg. Como o alemão havia sido desclassificado, não houve luta e o Brasil avançou com 4-3.

Nas 4as, pegou o Azerbaijão, que eliminara Portugal por 4-3. Eduardo Yudy Santos e Maria Suelen Altheman abriram 2-0, Rafael Silva perdeu, mas Rafaela Silva e Eduardo Barbosa fecharam o 4-1. Já na semifinal, o Brasil pegou o Japão e perdeu de 4-0.

Na disputa do bronze contra a Mongólia, Rafael e Rafaela Silva abriram 2-0. Eduardo Barbosa perdeu, mas Maria Portela abriu 3-1. Rafael Macedo perdeu novamente, mas Maria Suelen Altheman venceu sua adversária em menos de 1min e deu um dos bronzes pro Brasil. O outro ficou com a Rússia, que fez 4-1 no Azerbaijão.

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Japão é ouro por equipes. Foto: IJF

Na decisão, Japão e França. Kokoro Kageura abriu 1-0 com vitória sobre Cyrille Maret, mas Sarah Cysique lutou demais para vencer a vice-campeã mundial Tsukasa Yoshida e empatar o confronto. O mito Shohei Ono atropelou Guillaume Chaine e Chizuru Arai venceu a campeã mundial Marie-Eve Gahie e o Japão tinha 3-1. Numa luta sensacional, Axel Clerget derrotou Sanshiro Murao nos 90kg e diminuiu para 3-2. Na decisiva, a reedição da final dos 78kg da sexta-feira, mas diferente do que aconteceu lá, Shori Hamada atropelou Madeleine Malonga para vencer e selar a vitória japonesa por 4-2.

O Japão sai do mundo com a melhor campanha, 16 medalhas, sendo 5 ouros, 6 pratas e 5 bronzes, o que seria espetacular para qualquer país. Mas para eles, em casa, à véspera dos Jogos de 2020, foi abaixo do esperado, já que 6 judocas perderam em suas finais. França com 3-1-2 foi o único outro país com mais de 1 ouro. 9 países saíram com ouro e 25 medalharam.

Pro Brasil ficou um gosto amargo. Foram 3 bronzes, 3 quintos lugares e 1 sétimo, mas, tirando a Beatriz Souza, todos os outros 5 que disputaram medalhas já haviam ganho medalha em outros mundiais. Foram várias derrotas para atletas piores ranqueados e alguns atletas perderam na estreia de maneira decepcionante.

A CBJ tem dinheiro, faz o povo viajar, mas a equipe brasileira não consegue sair dos mesmos nomes. Em 2020, dificilmente o Brasil terá um nome no pódio que não seja o da Rafaela Silva, Mayra Aguiar e Rafael Silva, os mesmos que medalharam no Rio-2016. A equipe, claro, tem boas chances e, dependendo da chave, Maria Suelen Altheman ou Beatriz Souza podem chegar ao pódio. Ainda tenho esperanças com Daniel Cargnin e Larissa Pimenta, que teve um azar danado neste Mundial, pegando japonesa na 2ª luta.

Para que isso não aconteça em 2020, os brasileiros precisariam ser cabeças de chave. Portanto, a CBJ tem que priorizar torneios que dão muitos pontos e que costumam ser esvaziados, além de mandar a equipe A pro campeonato pan-americano de 2020. Em outubro teremos o Grand Slam de Brasília, que deve nos ajudar bastante no ranking.

O próximo Mundial será em 2021 em Viena.

Mundial de Judô – Dia 7

Brasil coloca 4 judocas nas finais, mas sai sem medalhas no último dia de disputas individuais em Tóquio.

+78kg feminino

Em seu 2º Mundial, Beatriz Souza começou voando. Precisou de apenas 33s para dar ippon em americana e 1min14s para imobilizar húngara. nas 4as, pegou a temida cubana Idalys Ortiz. Bia já venceu a cubana 3 vezes na carreira, mas dessa vez acabou sendo imobilizada no finzinho da luta. Maria Suelen Altheman conseguiu vencer giagnte chinesa na 1ª luta, depois passou por porto-riquenha e venceu a azeri Iryna Kindzerska nas 4as. Mas na semifinal pegou Ortiz, que nunca perdeu pra brasileira. Não só está invicta como tem um retrospecto pelo circuito da IJF de 16 vitórias!

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Pódio do +78kg. Foto: IJF

Suelen começou bem, tentando causar shidos na cubana, mas acabou se perdendo ao levar um shido bem questionável e levou um wazaari com 30s de golden score. Bia venceu na repescagem Kindzerska e pegou na disputa do bronze a turca Kayra Sayit. Logo no início da luta, Sayit caiu sobre o joelho da brasileira, que sentiu muito e mal conseguia se levantar. Ela tentou lutar, quase aplicou 2 golpes, mas, chorando muito, acabou perdendo de maneira dura. Suelen não teve sorte e pegou na disputa do bronze a campeã mundial de 2018, a japonesa Sarah Asahina, que dominou por completo a brasileira.

Na decisão, a outra japonesa, Akira Sona, de 19 anos, soube segurar Idalys Ortiz e se tornar a campeã mais jovem da história nesta categoria. Sona tinha 2 shidos contra 1 da cubana no golden score e não deixava Ortiz atacar. Ela acabou levando o 2º shido e, com 4 min de golden score, o 3º e foi eliminada com hansokumake. Foi apenas o 2º ouro japonês no feminino no Mundial, apesar de terem colocado judocas em 6 das 7 finais.

+100kg masculino

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Lucas Krpalek (CZE). Foto: IJF

Dono de 2 medalhas olímpicas, Rafael Silva venceu bósnio e romeno, mas acabou derrotado nas 4as para o japonês Hosayoshi Harasawa por hansokumake. David Moura também venceu duas lutas sobre saudita e esloveno, mas acabou eliminado pelo jovem sul-coreano Kim Min-jeong de 18 anos. Ambos foram pra repescagem contra holandeses. Rafael venceu o forte Henk Grol com um belo ippon, mas David foi superado por Roy Meyer. Na disputa do bronze, Rafael pegou o sul-coreano e seguia impassível com os ataques do coreano. Rafael vinha muito bem e se encaminhava para o bronze, quando tentou dar o ippon, mas meio que caiu para trás e levou o ippon do coreano.

Na final, o checo campeão olímpico no Rio na categoria abaixo (até 100kg) Lukas Krpalek pegou o japonês Hisayoshi Harasawa, prata no Rio-2016. Krpalek venceu todas as suas lutas por ippon, normalmente no ne-waza, a luta de solo. Na final, segurou o japonês, que não conseguia imprimir um ataque e foi levando até a prorrogação. Com preparo físico melhor, Krpalek atacava antes até forçar o 3º shido pro japonês e levar o ouro com quase 4min de golden score.

Mundial de Judô – Dia 6

Mayra Aguiar é bronze e se torna a maior medalhista da história do Brasil no judô. França segue brilhando no feminino e o Portugal faz história!

78kg feminino

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Pódio dos 78kg feminino. Foto: IJF

Mayra Aguiar chegou com sangue nos olhos e dominou totalmente suas lutas iniciais. Na sua estreia contra a portuguesa Yahima Ramirez conseguiu um wazaari com 13s e logo em seguida a imobilizou, vencendo em 26s. Na 2ª luta precisou de apenas 16s para dar um ippon em judoca do Gabão. Nas 4as enfrentou a kosovar Loriana Kuka e venceu com um o-soto-gari no finzinho. Na semifinal, enfrentou a francesa Madeleine Malonga, mas a luta da brasileira não encaixou. Levou um duvidoso shido, tentou um ataque e acabou levando um contra-ataque da francesa e foi pra disputa do bronze, onde pegou outra portuguesa, Patrícia Sampaio. Mara precisou apenas de 1min17s para fazer um uchi-mata e derrubar a portuguesa para levar o ouro.

Na decisão, Malonga pegou a japonesa Shori Hamada, campeã mundial em 2018. A francesa foi brilhante e dominou do início ao fim, fazendo um wazaari com 1min20s de luta e depois um o-soto-gaeshi com 2min22s para faturar o ouro! Foi o 3º ouro seguido da França no feminino neste mundial, após as vitórias de Clarisse Agbegnenou e Marie-Eve Gahie. A kosovar Loriana Kuka levou o outro bronze.

100kg masculino

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Jorge Fonseca (POR). Foto: IJF

O português Jorge Fonseca faturou o 1º ouro da história para o seu país! Portugal vem fazendo um grande mundial, colocando 4 judocas nas 4as de final, sendo dois em finais! Nascido em São Tomé e Príncipe, Fonseca venceu chileno, indiano e irlandês até chegar às 4as, onde pegou o número 1 do mundo, o georgiano Varlam Liparteliani e o derrotou com um ippon bem diferente. Depois passou pelo forte azeri vice-campeão olímpico Elmar Gasimov. Na decisão, venceu o russo Niyaz Ilyasov com um wazaari conquistado no 1º minuto de luta.

Os bronzes ficaram com o holandês Michael Korrel e com o japonês Aaron Wolf. Wolf, aliás, quase sofreu a maior zebra desse mundial. Na 1ª rodada teve muito trabalho contra o alto Koffi Kobena, da Costa do Marfim, que quase derrubou o japonês por duas vezes. Leonardo Gonçalves perdeu na 1ª luta para o azeri Zelym Kotsoiev, que perdeu para Wolf na 2ª rodada. Já Rafael Buzacarini passou pelo forte judoca Ivan Remarenco, nascido na Moldávia, mas que representa os Emirados Árabes Unidos, por hansokumake. Na 2ª luta uma excelente vitória sobre o alemão Karl-Richard Frey, mas perdeu nas 8as para Gasimov.

Mundial de Judô – Dia 5

Brasileira é prata defendendo Portugal e Japão perde mais uma final.

70kg feminino

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Marie-Eve Gahie derrota Bárbara Timo na final. Foto: IJF

Depois de ser preterida no Brasil, Bárbara Timo se naturalizou portuguesa e defende o país europeu desde janeiro. Ela começou bem passando por mongol e por belga, quando pegou nas 8as a japonesa Chizuru Arai, bicampeã mundial. Sem se intimidar, Timo conseguiu um wazaari com 1min de luta e segurou a vantagem, derrotando a grande favorita. Nas 4as passou pela holandesa Sanne van Dijke, que foi eliminada por hansokumake, depois arrasou na semifinal a francesa Margaux Pinot, dando o ippon em apenas 53s, para alcançar a final inédita.

Do outro lado da chave, a francesa Marie-Ève Gahié, prata em 2018, seguiu até a decisão brilhando. Em 54s venceu grega, precisou de 1min37s para passar por sul-coreana, derrotou a porto-riquenha Maria Perez por wazaari, imobilizou a britânica Sally Conway em apenas 1min15s e só precisou de 46s para dar uma chave de braço na Timo e ficar co o ouro. Conway e Pinot ficaram com o bronzes. Maria Portela venceu croata na estreia por ippon, mas perdeu nas 8as para Pinot no golden score.

90kg masculino

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Pódio dos 90kg. Foot: IJF

Apesar de não estar entre os favoritos, o japonês Shoichiro Mukai chegou à decisão eliminando nas 4as o cubano Ivan Silva, prata no Mundial de 2018 e ouro no Pan de Lima, e pelo sueco Marcus Nyman na semifinal em uma luta travada onde o sueco foi eliminado com 3 shidos.

Na chave de cima, o espanhol Nikoloz Sherazadishvili, ouro em 2018, perdeu na segunda rodada pro francês Axel Clerget, que foi derrotado nas 4as pelo holandês Noël van ‘t End. Na semifinal, o holandês conseguiu um ippon simplesmente espetacular sobre o sérvio Nemanja Majdov, campeão mundial em 2017. Na decisão, conseguiu um wzaari sobre o japonês e ficou com o ouro. Foi o 4º japonês derrotado em finais neste Mundial até então. O brasileiro Rafael Macedo venceu chinês na estreia, mas perdeu para britânico na 2ª luta.

Mundial de Judô – Dia 4

Polêmica no masculino e mais um ouro para Clarisse Agbegnenou.

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Foto: IJF

Número 1 do mundo, a francesa Clarisse Agbegnenou vinha de dois títulos mundiais seguidos, além da prata no Rio-2016. Após vencer suas 3 primeiras lutas por ippon, passou na semifinal pela holandesa Juul Franssen. Do outro lado da chave, a japonesa Miku Tashiro chegou à decisão após 4 vitórias por ippon. Na semifinal, a eslovena campeã olímpica Tina Trstenjak tentou uma chave de braço ilegal em Tashiro e foi desclassificada por hansokumake na hora.

A final foi uma reedição da decisão de 2018. Foi uma bela luta, mas muito travada, com nenhuma conseguindo aplicar um golpe. Tashiro segurava o braço esquerdo de Agbegnenou e a luta foi pro golden score. E que golden score… Com 11 minutos de luta (7min de golden score), a francesa finalmente conseguiu derrubar a japonesa para aplcar um wazaari, ainda consguiu virar Tashiro e aplicar outro para dar o ippon, a vitória, o ouro e o 4º título mundial! Os bronzes ficaram com a alemã Martyna Trajdos, que derrotou Trstenjak, e Franssen, que venceu sua compatriota Sanne Vermeer na disputa do bronze. O Brasil teve duas judocas na categoria. Ketleyn Quadros começou bem contra senegalesa aplicando o ippon um apenas 11 segundos, mas na luta seguinte perdeu para Franssen por hansokumake, Já Alexia Castilhos não fez absolutamente nada e perdeu para mongol na estreia.

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Foto: IJF

Campeão em 2018, o iraniano Saeid Mollaei chegou como cabeça 1 e favorito. Foi vencendo seus adversários, incluindo o russo Khasan Khalmurzaev e o canadense Antoine Valois-Fortier. Nas semifinal, pegou o belga Matthias Casse, quem tinha vencido nas 4as do mundial de 2018. Antes dessa luta, tivemos a outra semifinal entre o israelense Sagi Muki e o egípcio Mohamed Abdelaal. Muki vinha de uma excelente temporada, com dois títulos em Grand Slams e, numa decisão polêmica, venceu o egípcio, que nem o cumprimentou após a derrota. Com Muki na final, restava saber se o iraniano iria competir na semi, já que os atletas iranianos não competem contra israelenses em nenhum esporte.

O iraniano até entrou na luta, mas acabou levando uma chave de braço do belga, que venceu e se garantiu na final. Com 2min30 de luta, Casse ia fazer o golpe para derrubar Maki, que conseguiu reverter e conseguiu o wazaari. Assim que a luta voltou, Maki fez o mesmo golpe e, com dois wazaari, levou o ippon e o ouro inédito para Israel. Mollaei ainda perderia o bronze para o georgiano Luka Maisuradze e a Valois-Fortier ficaria com o outro bronze. Era de se esperar que, se o iraniano vencesse, ele não subiria ao pódio. O brasileiro Eduardo Yudi Santos venceu georgiano naturalizado português na estreia, mas perdeu na 2ª luta para um pouco conhecido canadense.

Mundial de Judô – Dia 3

Japoneses seguem dominando e Rafaela Silva entra mais uma vez pra história.

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Foto: Roberto Castro

Dá para saber quando a Rafaela Silva vai medalhar. Basta olhar nos olhos dela quando entra no tatame na sua 1ª luta. Num dia longo, com muitas lutas para apenas 2 tatames, Rafaela demorou 4h para fazer sua estreia, contra marfinense. Logo com 3s de luyta ela já fez um wazaari e com 30s mandou um ippon. Nas 8as, pegou a portuguesa Telma Monteiro, dona de 5 medalhas em Mundiais. Numa luta travada, a portuguesa levou 3 shidos e foi eliminada. Nas 4as, derrotou a russa Daria Mezhetskaia com wazaari e depois ippon.

Aí veio o grande desafio na semifinal contra a japonesa Tsukasa Yoshida, quem a Rafa já tinha vencido este ano, na final do Grand Slam de Baku. Mas Yoshida entrou com tudo e soube anular os ataques da brasileira, marcando o braço esquerda dela. Yoshida quase a imobilizou algumas vezes, e, após 2min de golden score, venceu por ippon. Rafa voltou na disputa do bronze contra a jovem francesa Sarah Cysique e venceu por wazaari. Com o bronze, a campeã olímpica Rafaela Silva tem agora uma medalha de cada cor individual, além de duas pratas por equipe.

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Christa Deguchi derrubando Tsukasa Yoshida na final. Foto: IJF

Na final, um duelo japonês. Yoshida pegou Christa Deguchi, que defendeu o Japão, mas hoje luta pelo Canadá. Foi super parelha até que no golden score Deguchi conseguiu virar Yoshida e a derrubar para faturar seu 1º título mundial. O outro bronze ficou com a surpresa polonesa Julia Kowalczyk.

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Foto: IJF

A categoria viu a reedição da final olímpica do Rio, entre o espetacular japonês Shohei Ono e o azeri Rustam Orujov. Ono venceu suas 5 lutas anteriores por ippon ficando apenas 11min06 no tatame, média de pouco mais de 2min por luta. Orujov chegou como número 1 do mundo e derrotou seu compatriota Hidayat Heydarov na semifinal.

Só que Ono foi brilhante e, com pouco mais de 1min de luta na decisão, foi preciso e mandou um belíssimo ippon para faturar seu 3º título mundial. Heydarov e o russo Denis tyartsev conquistaram os bronzes, ambos derrotando judocas de Tadjiquistão nas disputas do bronze.