Judô definido pro Mundial

Após aquela sexta-feira brilhante em Baku com 3 medalhas, sendo duas de ouro, a seleção de judô decepcionou no fim de semana e não conseguiu mais nenhuma mesmo com Mayra Aguiar, Maria Suelen Altheman e Rafael Buzacarini lutando no domingo. Mayra foi a única que chegou às 4as, perdendo para alemã e para japonesa na repescagem.

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Mayra Aguiar segue pro Mundial em busca de sua 7ª medalha

Apesar disso, a CBJ anunciou nesta segunda a equipe que irá ao Mundial de Tóquio com 18 nomes. A escolha foi pelo ranking mundial, com limite de 9 por gênero e 2 por categoria. Por isso o Brasil não enviará ninguém no 73kg masculino, nossa pior categoria da atualidade. Com o ouro em Baku, Felipe Kitadai subiu 15 posições e garantiu sua vaga no último minuto. Eleudis Valentim, 5ª em Baku, e Ketleyn Quadro também só conseguiram a vaga após a competição no Azerbaijão.

É uma equipe muito boa e com nomes interessantes, como Rafael Buzacarini, Larissa Pimenta e Beatriz Souza, todos com uma ótima temporada. Os dois primeiros farão sua estreia em um Mundial adulto. Além disso, temos 5 medalhistas em Mundiais (Mayra, Rafaela, Maria Suelen, David Moura e Rafael Silva) e 5 medalhistas olímpicos (Katleyn, Mayra, Rafaela, Kitadai e Rafael Silva)

Os convocados:

48kg – Nathália Brígida
52kg – Larissa Pimenta e Eleudis Valentim
57kg – Rafaela Silva
63kg – Ketleyn Quadros
70kg – Maria Portela
78kg – Mayra Aguiar
+78kg – Maria Suelen Altheman e Beatriz Souza

60kg – Eric Takabatake e Felipe Kitadai
66kg – Daniel Cargnin
81kg – Eduardo Yudy Santos
90kg – Rafael Macedo
100kg – Leonardo Gonçalves e Rafael Buzacarini
+100kg – David Moura e Rafael Silva “Baby”

A seleção fará treinamento na Alemanha em junho, depois as mulheres vão pra Espanha para treinar e competem no GP de Budapeste em julho, enquanto os homens competem no GP de Montreal, vão pra França, depois os convocados competem nos Jogos Pan-Americanos e aí a seleção segue pro Japão.

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Dois ouros no 1ª dia em Baku

Que dia dos judocas brasileiros no forte Grand Slam de Baku, no Azerbaijão!

Foram 2 ouros e 1 bronze pra seleção brasileira, que começa a ser definida pro Mundial de Tóquio, no fim de agosto.

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Felipe Kitadai vencendo georgiano na final. Foto: IJF

O primeiro ouro veio com o medalhista olímpico em Londres-2012 Felipe Kitadai nos 60kg. Ele já havia disputado 3 Grand Prix este ano, mas não tinha medalhado. E dessa vez levou o ouro em um Grand Slam. Kitadai venceu um azeri, um russo, um georgiano, passou pelo espanhol Francisco Garrigos na semifinal e na decisão venceu o georgiano Temur Nozadze. Na semi, ele perdia por waza-ari e, faltando 30s, empatou e depois fez o ippon faltando 5s pro fim. Na final, dominou o georgiano para vencer em 1min36s.

O 2º ouro veio com a nossa campeã olímpica Rafaela Silva. Muito focada, ela passou por sérvia na estreia. Nas 4as, venceu a francesa Helene Receveaux, de quem já tinha perdido 4 vezes, mas derrotou este ano no GP de Tbilisi e agora novamente. Na semi, derrotou pela 6ª vez na carreira em 8 lutas a húngara Hedvig Karakas e, na final, uma excelente vitória sobre a japonesa Tsukasa Yoshida, atual campeã mundial! As duas levaram duas punições e, faltando 15s pro fim, Rafaela conseguiu um waza-ari, que lhe deu o título. Foi sua 1ª vitória sobre Yoshida!

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Rafaela Silva derrubando japonesa. Foto: IJF

A 3ª medalha veio nos 52kg feminino, com o bronze de Larissa Pimenta. Derrotada nas 4as pela japonesa Ai Shishime, Larissa venceu russa na repescagem e, na disputa do bronze, venceu Eleudis Valentim numa luta brasileira. Eleudis fez ótima campanha, sendo derrotada na semifinal pela francesa Amandine Buchard. Aliás, que temporada da Larissa! Foram 9 torneios internacionais disputados, com 3 ouros (Pan em Lima e dois Abertos Pan-americanos) e 4 bronzes, contando com este, o que a ajudam a se firmar como o principal nome da categoria.

Nos 48kg, Gabriela Chibana foi responsável por uma das maiores zebras do torneio, se não a maior. Nas 8as, ela venceu a japonesa Ami Kondo por estrangulamento em apenas 37s de luta. A cena foi bem forte, tanto que a japonesa chegou a desmaiar e precisou ser atendida pelos médicos, abalando a brasileira, que voltou pro tatame nas 4as e perdeu para a desconhecida portuguesa Maria Siderot. Ela votlou na repescagem vencendo francesa e perdeu na disputa do bronze para outra portuguesa, Catarina Costa.

Foi um belo dia pro judô brasileiro e um péssimo pro Japão, que saiu sem ouro mesmo com sua equipe feminina principal.

Brasil vence Pan de Judô

O Brasil saiu como campeã do Pan-Americano de Judô, disputado de quinta a domingo em Lima, uma boa prévia para os Jogos Pan-Americanos.

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Brasil com o ouro por equipes. Foto: CBJ

No 1º dia de disputas, começamos colocando judocas nas 5 finais disputadas, vencendo dois ouros com Daniel Cargnin nos 66kg sobre peruano e Larissa Pimenta nos 52kg sobre americana. Dois bons nomes da nova geração. Perderam na decisão Eric Takabatake (60kg) para equatoriano, Nathalia Brígida (48kg) para a argentina campeã olímpica Paula Pareto e a campeã olímpica Rafaela Silva (57kg) para a canadense Christa Deguchi. Sarah Menezes ainda foi bronze nos 52kg.

Na sexta-feira, um total desastre. Apenas Maria Portela chegou à decisão, perdendo pra porto-riquenha Maria Perez nos 70kg. Portela tinha um waza-ari de vantagem, bobeou e levou um ippon no último segundo de luta! Eduardo Santos com  bronze nos 81kg foi a única outra medalha brasileira no dia. Nos 73kg masculino e 63kg feminino, participações péssimas do Brasil, nas que talvez sejam nossas piores categorias hoje.

No sábado, o Brasil novamente colocou judocas nas 5 finais! Mayra Aguiar sobrou na competição dos 78kg, faturando seu 5º título continental ao derrotar na decisão a cubana Kaliema Antomarchi. No +78kg, Maria Suelen Altheman perdeu pela 16ª na carreira para a cubana Idalys Ortiz na decisão. Ortiz faturou seu 10º título continental nesta categoria, além de 2 ouros em Jogos Pan-Americanos. Beatriz Souza foi bronze no +78kg. Entre os homens, Rafael Silva venceu David Moura na decisão brasileira do +100kg, enquanto Rafael Macedo foi prata nos 90kg perdendo pra cubano e Leonardo Gonçalves também foi prata nos 100kg, sendo derrotado pelo canadense Shady El Nahas.

No domingo, na disputa por equipes, o Brasil disputou a final contra Cuba. A decisão com David Lima perdendo, Maria Portela vencendo e Rafael Macedo perdendo. Com 2-1 para Cuba, Beatriz Souza entrou para lutar contra a temida Idalys Ortiz, que nada fez na luta, levando 3 shidos e sendo eliminada. Rafael Silva venceu e o Brasil virava para 3-2, só que numa luta polêmica, Rafaela Silva deu um chute na cubana que estava no chão, revidando um chute que havia levado antes, e foi desclassificada. Com isso, a disputa precisava ir ao desempate. A categoria sorteada pro desempate foi a mais pesada feminina e Beatriz e Ortiz voltaram ao tatami. Novamente Bia segurou a cubana, que levou mais uma vez 3 shidos e foi eliminada, dando o ouro pro Brasil!

Este Pan foi muito importante para dar pontos para vários judocas, já que o torneio continental distribui 700 pontos pro campeão no ranking na corrida olímpica. No momento, o Brasil levaria 14 judocas para Tóquio, mas nos 73kg masculino a vaga viria pela quota continental! Nas outras 13 categorias, vagas diretas.

Tem muita coisa pra rolar até o ranking de maior de 2020 e nossos maiores problemas hoje são, com certeza, os 73kg masculino e os 63kg feminino.

O próximo desafio da equipe brasileira será no forte Grand Slam de Baku, em 2 semanas.

Momento delicado no judô

Depois de zerar no Grand Slam de Paris na semana passada, a equipe feminina foi completa para o Aberto Europeu de Oberwart, na Áustria. Uma competição de nível técnico bem mais baixo, seria uma ótima oportunidade de medalhar e ganhar ritmo de luta, apesar do torneio não oferecer muitos pontos pro ranking mundial.

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Foto: CBJ

As medalhas vieram, mas nenhum ouro. Rafaela Silva e Mayra Aguiar chegaram à final de suas categorias, mas as duas perderam. A nossa campeã olímpica perdeu para a polonesa Anna Borowska por ippon. Já Mayra foi eliminada por hansokumake (3 shidos) contra a austríaca Bernadette Graf.

Foram outros 4 bronzes: Larissa Pimenta (52kg), Ketleyn Quadros (63kg), Maria Suelen Altheman (+78kg) e Beatriz Souza (+78kg). Nathalia Brígida (48kg) e Samanta Soares (78kg) perderam as disputas de bronze e terminaram em 5º.

6 medalhas foi bom, mas um pouco abaixo devido ao baixo nível da competição. A equipe segue agora para Düsseldorf onde compete em mais um Grand Slam ao lado da equipe masculina.

Zerado no 1º Grand Slam de Judô do ano

Brasil saiu zerado no 1º Grand Slam do ano no judô, em Paris. Mesmo contando com a equipe feminina completa.

A CBJ mandou 14 judocas, 2 por categoria, mas a única que chegou a brigar por medalha foi a nossa campeã olímpica Rafaela Silva, perdendo o bronze para sul-coreana nos 57kg.

A competição marcou o retorno de Mayra Aguiar, que não esteve no Masters em dezembro na China. Mas Mayra perdeu logo na sua luta de estreia contra chinesa. Também caíram na estreia Tamires Crude (57kg), Ketleyn Quadros (63kg), Alexia Castilhos (63kg), Maria Portela (70kg), Ellen Santana (70kg) e Beatriz Souza (+78kg).

Ao todo as brasileiras fizeram 28 lutas, vencendo apenas 11 (39,3%). Mas o que chamou muito a atenção foi a quantidade de shidos levados pelas brasileiras. Foram 44 em 28 lutas, uma média de 1,57 por luta. Nada menos que 7 judocas perderam uma luta por hansokumake, que é quando um judoca é eliminado após levar 3 shidos.

Lógico que o Brasil tem que participar dessas competições fortes, mas não sei se a tática da CBJ está tão boa. Eles enviam os nossos melhores judocas para as principais competições, que costumam ter chaves muito fortes, com muitos japoneses e os brasileiros caem às vezes muito cedo, conquistando poucos pontos pro ranking mundial. A equipe principal fica de fora dos torneios mais fracos como os GPs e o Pan e acaba perdendo boas chances de pontuar. Aí num Grand Slam ou Mundial não é cabeça de chave e pode pegar logo na estreia uma pedreira.

Ainda é cedo para falar qualquer coisa, pois foi apenas a 1ª competição do ano pra maioria, mas já acendeu a luz amarela.

A equipe feminina segue agora pra Áustria, onde disputa essa semana o Aberto Europeu de Oberwart. Ótima chance de pontuar. 13 das 14 brasileiras serão cabeças de chave.

3 medalhas no Masters de Judô

Na 2ª principal competição do ano, atrás apenas do Mundial, os brasileiros conquistaram 3 medalhas no Masters, realizado em Guangzhou, na China.

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Pódio do +100kg. Foto: IJF

O Brasil contou com 11 atletas na competição que reúne os 16 melhores de cada categoria e medalhou apenas nas categorias mais pesadas. Rafael Silva chegou à final do +100kg e perdeu pro campeão mundial, o georgiano Guram Tushishvili, por imobilização. David Moura ficou com o bronze na mesma categoria e Maria Suelen Altheman também foi bronze no +78kg, após perder mais uma semifinal para a cubana Idalys Ortiz. Eric Takabatake (60kg), Daniel Cargnin (66kg) e Rafaela Silva (57kg) perderam a disputa de bronze.

Foi um ano bem abaixo do esperado pro Brasil no judô. Considerando todas as competições do circuito adulto, juvenil e cadete, o Brasil levou 51 ouros, 40 pratas e 63 bronzes, 158 medalhas no total. Em 2017, foram 206 medalhas (91-47-68).

As medalhas individuais conquistadas em 2018 em competições internacionais foram:
Mundial Adulto – 0-0-1
Mundial Júnior – 0-2-2
Jogos Olímpicos da Juventude – 0-0-1
Masters – 0-1-2
Grand Slams – 1-3-6
Grand Prix – 4-7-18
Pan-American Sênior – 2-3-2
Pan-Americano Júnior – 9-3-3
Pan-Americano Cadete – 8-4-3
Open Pan-Americano – 11-5-12
Copa Europeia Júnior – 5-2-6
Copa Europeia Cadete – 4-4-7
Gimnasíade – 7-6-0

Em 2017, o Brasil levou 1-1-3 no Masters, 3-5-9 em Grand Slams e 10-6-8 em GPs. Agora é ficar de olho na temporada de 2019, que vai valer demais pro ranking de classificação olímpica.

Pelos ranking atuais, o Brasil não teria vaga olímpica nos 90kg masculino. Rafael Macedo está a uma posição da classificação olímpica. Mas a tendência é isso mudar muito até maio de 2020, quando o ranking será fechado.

Judô passa em branco em Osaka

No fortíssimo Grand Slam de Osaka, a equipe brasileira saiu sem medalha.

Se um japonês (ou às vezes dois) numa chave de um Mundial já complica, imagina colocar 4? Esse Grand Slam foi assim e os donos da casa simplesmente destruíram a concorrência. Nada menos que 35 judocas dos 56 que competiram medalharam pro Japão, que saiu com incríveis 11 ouros, 8 pratas e 16 bronzes!

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Rafael Macedo. Foto: IJF

Sete brasileiros chegaram às 4as de final e quatro deles foram pra disputa de bronze, mas acabaram perdendo. Ficaram em 5º: Eric Takabatake (60kg), Rafael Macedo (90kg), Rafael Buzacarini (100kg) e Beatriz Souza (+78kg). Acabaram em 7º: Phelipe Pelim (60kg), Jéssica Pereira (52kg) e Maria Portela (70kg).

Entre os destaques negativos ficaram a nossa campeã olímpica Rafaela Silva, que caiu novamente na estreia nos 57kg, assim como Rafael Silva no +100kg.

Os únicos que conseguiram quebrar o domínio japonês foram a canadense Jessica Klimkait (57kg), o holandês Henk Grol (+100kg) e a cubana Idalys Ortiz (+78kg). Klimkait e Ortiz venceram nada menos que 3 japonesas no torneio! Mas a campanha da canadense foi um sonho, derrotando Kana Tomizawa nas 8as, a fortíssima mongol Sumiya Dorjsuren nas 4as, Haruka Funakubo na semi e Momo Tamaoki na decisão. Interessante que a única japonesa que ela não enfrentou foi Tsukasa Yoshida, que é a atual campeã mundial.

A temporada será encerrada daqui 2 semanas no Masters de Guangzhou, na China.