Beatriz Souza salva a pátria e acirra a briga pela vaga olímpica

Que medalhar no Grand Slam de Osaka seria muito difícil, isso todo mundo já sabia. São 4 japoneses em cada chave, em casa, além de muitos grandes nomes na disputa.

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Beatriz Souza. Foto: IJF

O Brasil não enviou sua equipe completa, mas contou com grandes nomes como Mayra Aguiar, Rafael Silva, Maria Suelen Altheman e Beatriz Souza. E a única medalha brasileira veio com a última da lista.

Não só a Bia medalhou, como ela venceu por ippon nas 4as ninguém menos que Sarah Asahina, a japonesa campeã mundial em 2018. Na semifinal, levou um ippon da fortíssima cubana Idalys Ortiz em apenas 50s, mas voltou na disputa do bronze para vencer a francesa Julia Tolofua e terminar em 3º. Já Maria Suelen caiu nas 8as para outra japonesa, Wakaba Tomita. Com o bronze, Bia subiu para o 5º lugar no ranking olímpico, a apenas 70 pontos atrás de Maria Suelen, 4ª colocada. Isso vai dar uma dor de cabeça pra CBJ…

Larissa Pimenta chegou à disputa do bronze nos 52kg, perdendo para a japonesa Chishima Maeda. Rafael Silva também chegou às 4as, perdendo para o japonês Daigo Kagawa e na repescagem para o também japonês Kokoro Kageura. Nenhum outro brasileiro chegou às disputas de medalha. Até Mayra Aguiar caiu cedo, na estreia para a japonesa Rinoko Wada.

O Japão, aliás, destruiu tudo, como esperado, vencendo 11 das 14 categorias, fazendo pódio completo nos 66kg masculino e 63kg feminino e conquistando 34 das 56 medalhas possíveis!

A seleção brasileira segue agora para Qingdao, na China, onde disputa o Masters, de 12 a 14 de dezembro.

Como está a corrida olímpica do judô brasileiro

Alguns brasileiros foram até a Austrália para o Aberto de Perth de judô em busca de pontos preciosos para a corrida olímpica, que começa a se definir. Foram 3 medalhas, a prata de Rafael Macedo nos 90kg e os bronzes de Beatriz Souza no +78kg e de Eduardo Yudy Santos nos 81kg.

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Rafaela Silva com o bronze do Mundial este ano

No momento, o Brasil teria equipe completa se classificando para os Jogos de Tóquio, com as 14 vagas possíveis.

O ranking final será o 30 de maio de 2020. Este ano ainda temos o Grand Slam de Osaka e o Masters na China. Em 2020 temos os Grand Slams de Paris, Düsseldorf, Ekaterinburg e Baku, o Masters de Doha e os Grand Prix de Tel Aviv, Rabat, Tbilisi e Antalya. Além disso, teremos o campeonato pan-americano em abril e vários Opens continentais. Tem muito ponto em jogo ainda. Ou seja, tudo pode mudar.

Vou dar uma panorama de como está a definição da equipe:

60kg masculino

Eric Takabatake é o 11º da corrida olímpica com 2422 e ficaria com a vaga. Phelipe Pelim em 32º com 1079, Allan Kuwabara em 34º com 1035 e o medalhista olímpico Felipe Kitadai em 38º com 935  estão um pouco longe do Takabatake, que se garantiria graças à boa fase entre o final de 2018 e início de 2019, que levam apenas 50% dos pontos. A final do Grand Slam de Brasília (700 pts) foi fundamental. Kuwabara só aparece bem pois surpreendeu com o ouro em Brasília (1.000 pts).

66kg masculino

Daniel Cargnin está em 6º no ranking com 2872 pontos e dificilmente perde a vaga. Tem aí os 1.000 pontos do ouro em Brasília e o ouro no campeonato pan-americano de 2019. Campeão mundial júnior em outubro, Willian Lima é o 26º com 1315 e estaria em posição de classificação, mas precisa de muitos bons resultados para passar o Cargnin.

73kg masculino

Nossa pior categoria masculina, só consegue a vaga hoje pelas cotas continentais. Eduardo Barbosa é o 35º com 1166 pontos e teria a 2ª vaga das 10 para as Américas contemplando todas as categorias masculinas. Prata em Brasília, David Lima é 48º com 809 e corre por fora pela vaga da categoria.

81kg masculino

Até semana passada, o Brasil não tinha vaga nesta categoria. Graças ao bronze em Perth (350 pontos), Eduardo Yudy Santos subiu para 23º com 1597 e entra na zona de classificação direta. Os outros brasileiros estão bem longe: João Macedo em 50º com 709 e Guilherme Schmidt em 52º com 704.

90kg masculino

Rafael Macedo é provavelmente o nome mais certo em Tóquio. 10º no ranking com 2341 pontos, faturou 490 hoje com a prata em Perth e não é ameaçado por nenhum outro judoca brasileiro. O 2º melhor é Igor Morishigue na distante 102ª colocação com apenas 182 pontos conquistados com o 7º lugar no Mundial Jr.

100kg masculino

Rafael Buzacarini é o 13º no geral com 2333 pontos, após a prata em Brasília (700 pts). Leonardo Gonçalves não está tão longe, em 21º lugar, mas tem 1562 pontos, 771 atrás de Buzacarini. Tem chances de passá-lo, já que há muito ponto em jogo ainda. A disputa por essa vaga deve ser boa.

Acima de 100kg masculino

Aqui a decisão da vaga deve ir pro photo finish. David Moura hoje tem a preferência, com o 5º lugar com 2777 pontos, que incluem a prata em Brasília, o 7º lugar no Mundial e a prata no campeonato pan-americano. Rafael Silva, bronze nas últimas duas Olimpíadas, vem colado em 7º com 2575, que incluem o 5º lugar no Mundial (720), o 5º lugar em Brasília (360) e o ouro no Pan sobre o David (350 pontos). A disputa será emocionante e pode ficar para a última competição.

48kg feminino

Gabriela Chibana está em 25º com 1298 pontos e estaria com a penúltima vaga direta da categoria ajudada pelo vice em Brasília. Nathalia Brígida vem em 29º  com 1005 pontos, mas não competiu nesse 2º semestre de 2019. Esta é a categoria feminina que o Brasil está pior ranqueado, mas mesmo que nenhuma brasileira consiga a vaga direta da categoria, herdaria uma das vagas das cotas continentais.

52kg feminino

Larissa Pimenta está em 11º lugar com 2632, vindo da prata em Brasília e do bronze no Mundial Jr em outubro. Também carrega do 1º período de pontuação o título pan-americano e algumas medalhas em Grand Slam e Grand Prix. Eleudis Valentim é 23ª com 1493 e teria poucas chances de alcançar a Larissa. A campeã olímpica Sarah Menezes é 43ª, mas não embala nesta nova categoria. Jéssica Pereira, que vinha de bons resultados no final de 2018, segue afastada por doping.

57kg feminino

Campeã olímpica Rafaela Silva já pode comprar sua passagem para Tóquio. É a 2ª do mundo com 4319 pontos, atrás apenas da sino-canadense Christa Deguchi, com 5256. Rafa faz uma temporada excepcional e vem super embalada. A 2ª melhor brasileira é Ketelyn Nascimento, em 44º lugar com 713 pontos.

63kg feminino

Bronze em Pequim-2008, Ketleyn Quadros é a 7ª do mundo com 2768 e vem se firmando como a favorita pra vaga. Foi ouro em Brasília, bronze no Grand Slam de Abu Dhabi e prata no GP de Budapeste. Alexia Castilhos é a 15ª com 2029, mas não tem a constância da Ketleyn. Difícil brigar pela vaga.

70kg feminino

Maria Portela é a 16ª com 2338 pontos e tem a vaga praticamente garantida. Foi bronze em Brasília e carrega pontos importantes do 1º período de pontuação. Embora não tenha emplacado este ano, não deve perder a vaga. Ellen Santana em 45º com 607 é a 2ª melhor brasileira.

78kg feminino

Mayra Aguiar segue rumo a sua 3ª medalha olímpica com folga. É a 6ª do ranking com 3550 pontos, incluindo os 1.000 pontos do bronze no Mundial, o ouro no GP de Budapeste, o título do campeonato pan-americano e do GS de Düsseldorf. Samanta Soares está teoricamente na zona de classificação olímpica, em 26º lugar, mas com 1135, muito longe da Mayra.

Acima de 78kg feminino

Assim como ocorre no pesado masculino, a disputa do pesado feminino está boa entre Maria Suelen Altheman e Beatriz Souza. Sussu é a 3ª do ranking com 4152 e Bia a 5ª com 3592. As duas estão em ótima fase. Bia foi ouro em Brasília, 5ª no Mundial, bronze nesta semana em Perth enquanto Sussu também foi 5ª no Mundial, prata em Brasília  e bronze no Grand Slam de Abu Dhabi. Neste 2º período de pontuação, Bia vem melhor, mas sua idade e menor experiência podem pesar na decisão. As duas estarão no Grand Slam de Osaka no fim do mês em disputa direta pela vaga olímpica.

Mundial de Judô – Final

Brasil fatura bronze na prova por equipes e encerra um Mundial com 3 medalhas, mas com sinal amarelo, quase vermelho, ligado.

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Equipe brasileira celebra a medalha de bronze. Foto: IJF

No 1º confronto por equipes, o Brasil pegou a Alemanha. E viu logo a Alemanha abrir 3-0, com derrotas de Maria Portela, Rafael Macedo e Maria Suelen Altheman, que levou um ippon em 11s! Rafael Silva e Rafaela Silva venceram e a pressão caiu sobre Eduardo Barbosa contra Anthony Zingg. O alemão derrubou o brasileiro, mas com um golpe ilegal, puxando-o pelo braço e foi desclassificado sumariamente. Empatado em 3-3, o confronto foi pro desempate. E a luta sorteada foi justamente a entre Barbosa e Zingg. Como o alemão havia sido desclassificado, não houve luta e o Brasil avançou com 4-3.

Nas 4as, pegou o Azerbaijão, que eliminara Portugal por 4-3. Eduardo Yudy Santos e Maria Suelen Altheman abriram 2-0, Rafael Silva perdeu, mas Rafaela Silva e Eduardo Barbosa fecharam o 4-1. Já na semifinal, o Brasil pegou o Japão e perdeu de 4-0.

Na disputa do bronze contra a Mongólia, Rafael e Rafaela Silva abriram 2-0. Eduardo Barbosa perdeu, mas Maria Portela abriu 3-1. Rafael Macedo perdeu novamente, mas Maria Suelen Altheman venceu sua adversária em menos de 1min e deu um dos bronzes pro Brasil. O outro ficou com a Rússia, que fez 4-1 no Azerbaijão.

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Japão é ouro por equipes. Foto: IJF

Na decisão, Japão e França. Kokoro Kageura abriu 1-0 com vitória sobre Cyrille Maret, mas Sarah Cysique lutou demais para vencer a vice-campeã mundial Tsukasa Yoshida e empatar o confronto. O mito Shohei Ono atropelou Guillaume Chaine e Chizuru Arai venceu a campeã mundial Marie-Eve Gahie e o Japão tinha 3-1. Numa luta sensacional, Axel Clerget derrotou Sanshiro Murao nos 90kg e diminuiu para 3-2. Na decisiva, a reedição da final dos 78kg da sexta-feira, mas diferente do que aconteceu lá, Shori Hamada atropelou Madeleine Malonga para vencer e selar a vitória japonesa por 4-2.

O Japão sai do mundo com a melhor campanha, 16 medalhas, sendo 5 ouros, 6 pratas e 5 bronzes, o que seria espetacular para qualquer país. Mas para eles, em casa, à véspera dos Jogos de 2020, foi abaixo do esperado, já que 6 judocas perderam em suas finais. França com 3-1-2 foi o único outro país com mais de 1 ouro. 9 países saíram com ouro e 25 medalharam.

Pro Brasil ficou um gosto amargo. Foram 3 bronzes, 3 quintos lugares e 1 sétimo, mas, tirando a Beatriz Souza, todos os outros 5 que disputaram medalhas já haviam ganho medalha em outros mundiais. Foram várias derrotas para atletas piores ranqueados e alguns atletas perderam na estreia de maneira decepcionante.

A CBJ tem dinheiro, faz o povo viajar, mas a equipe brasileira não consegue sair dos mesmos nomes. Em 2020, dificilmente o Brasil terá um nome no pódio que não seja o da Rafaela Silva, Mayra Aguiar e Rafael Silva, os mesmos que medalharam no Rio-2016. A equipe, claro, tem boas chances e, dependendo da chave, Maria Suelen Altheman ou Beatriz Souza podem chegar ao pódio. Ainda tenho esperanças com Daniel Cargnin e Larissa Pimenta, que teve um azar danado neste Mundial, pegando japonesa na 2ª luta.

Para que isso não aconteça em 2020, os brasileiros precisariam ser cabeças de chave. Portanto, a CBJ tem que priorizar torneios que dão muitos pontos e que costumam ser esvaziados, além de mandar a equipe A pro campeonato pan-americano de 2020. Em outubro teremos o Grand Slam de Brasília, que deve nos ajudar bastante no ranking.

O próximo Mundial será em 2021 em Viena.

Mundial de Judô – Dia 7

Brasil coloca 4 judocas nas finais, mas sai sem medalhas no último dia de disputas individuais em Tóquio.

+78kg feminino

Em seu 2º Mundial, Beatriz Souza começou voando. Precisou de apenas 33s para dar ippon em americana e 1min14s para imobilizar húngara. nas 4as, pegou a temida cubana Idalys Ortiz. Bia já venceu a cubana 3 vezes na carreira, mas dessa vez acabou sendo imobilizada no finzinho da luta. Maria Suelen Altheman conseguiu vencer giagnte chinesa na 1ª luta, depois passou por porto-riquenha e venceu a azeri Iryna Kindzerska nas 4as. Mas na semifinal pegou Ortiz, que nunca perdeu pra brasileira. Não só está invicta como tem um retrospecto pelo circuito da IJF de 16 vitórias!

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Pódio do +78kg. Foto: IJF

Suelen começou bem, tentando causar shidos na cubana, mas acabou se perdendo ao levar um shido bem questionável e levou um wazaari com 30s de golden score. Bia venceu na repescagem Kindzerska e pegou na disputa do bronze a turca Kayra Sayit. Logo no início da luta, Sayit caiu sobre o joelho da brasileira, que sentiu muito e mal conseguia se levantar. Ela tentou lutar, quase aplicou 2 golpes, mas, chorando muito, acabou perdendo de maneira dura. Suelen não teve sorte e pegou na disputa do bronze a campeã mundial de 2018, a japonesa Sarah Asahina, que dominou por completo a brasileira.

Na decisão, a outra japonesa, Akira Sona, de 19 anos, soube segurar Idalys Ortiz e se tornar a campeã mais jovem da história nesta categoria. Sona tinha 2 shidos contra 1 da cubana no golden score e não deixava Ortiz atacar. Ela acabou levando o 2º shido e, com 4 min de golden score, o 3º e foi eliminada com hansokumake. Foi apenas o 2º ouro japonês no feminino no Mundial, apesar de terem colocado judocas em 6 das 7 finais.

+100kg masculino

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Lucas Krpalek (CZE). Foto: IJF

Dono de 2 medalhas olímpicas, Rafael Silva venceu bósnio e romeno, mas acabou derrotado nas 4as para o japonês Hosayoshi Harasawa por hansokumake. David Moura também venceu duas lutas sobre saudita e esloveno, mas acabou eliminado pelo jovem sul-coreano Kim Min-jeong de 18 anos. Ambos foram pra repescagem contra holandeses. Rafael venceu o forte Henk Grol com um belo ippon, mas David foi superado por Roy Meyer. Na disputa do bronze, Rafael pegou o sul-coreano e seguia impassível com os ataques do coreano. Rafael vinha muito bem e se encaminhava para o bronze, quando tentou dar o ippon, mas meio que caiu para trás e levou o ippon do coreano.

Na final, o checo campeão olímpico no Rio na categoria abaixo (até 100kg) Lukas Krpalek pegou o japonês Hisayoshi Harasawa, prata no Rio-2016. Krpalek venceu todas as suas lutas por ippon, normalmente no ne-waza, a luta de solo. Na final, segurou o japonês, que não conseguia imprimir um ataque e foi levando até a prorrogação. Com preparo físico melhor, Krpalek atacava antes até forçar o 3º shido pro japonês e levar o ouro com quase 4min de golden score.

Mundial de Judô – Dia 6

Mayra Aguiar é bronze e se torna a maior medalhista da história do Brasil no judô. França segue brilhando no feminino e o Portugal faz história!

78kg feminino

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Pódio dos 78kg feminino. Foto: IJF

Mayra Aguiar chegou com sangue nos olhos e dominou totalmente suas lutas iniciais. Na sua estreia contra a portuguesa Yahima Ramirez conseguiu um wazaari com 13s e logo em seguida a imobilizou, vencendo em 26s. Na 2ª luta precisou de apenas 16s para dar um ippon em judoca do Gabão. Nas 4as enfrentou a kosovar Loriana Kuka e venceu com um o-soto-gari no finzinho. Na semifinal, enfrentou a francesa Madeleine Malonga, mas a luta da brasileira não encaixou. Levou um duvidoso shido, tentou um ataque e acabou levando um contra-ataque da francesa e foi pra disputa do bronze, onde pegou outra portuguesa, Patrícia Sampaio. Mara precisou apenas de 1min17s para fazer um uchi-mata e derrubar a portuguesa para levar o ouro.

Na decisão, Malonga pegou a japonesa Shori Hamada, campeã mundial em 2018. A francesa foi brilhante e dominou do início ao fim, fazendo um wazaari com 1min20s de luta e depois um o-soto-gaeshi com 2min22s para faturar o ouro! Foi o 3º ouro seguido da França no feminino neste mundial, após as vitórias de Clarisse Agbegnenou e Marie-Eve Gahie. A kosovar Loriana Kuka levou o outro bronze.

100kg masculino

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Jorge Fonseca (POR). Foto: IJF

O português Jorge Fonseca faturou o 1º ouro da história para o seu país! Portugal vem fazendo um grande mundial, colocando 4 judocas nas 4as de final, sendo dois em finais! Nascido em São Tomé e Príncipe, Fonseca venceu chileno, indiano e irlandês até chegar às 4as, onde pegou o número 1 do mundo, o georgiano Varlam Liparteliani e o derrotou com um ippon bem diferente. Depois passou pelo forte azeri vice-campeão olímpico Elmar Gasimov. Na decisão, venceu o russo Niyaz Ilyasov com um wazaari conquistado no 1º minuto de luta.

Os bronzes ficaram com o holandês Michael Korrel e com o japonês Aaron Wolf. Wolf, aliás, quase sofreu a maior zebra desse mundial. Na 1ª rodada teve muito trabalho contra o alto Koffi Kobena, da Costa do Marfim, que quase derrubou o japonês por duas vezes. Leonardo Gonçalves perdeu na 1ª luta para o azeri Zelym Kotsoiev, que perdeu para Wolf na 2ª rodada. Já Rafael Buzacarini passou pelo forte judoca Ivan Remarenco, nascido na Moldávia, mas que representa os Emirados Árabes Unidos, por hansokumake. Na 2ª luta uma excelente vitória sobre o alemão Karl-Richard Frey, mas perdeu nas 8as para Gasimov.

Mundial de Judô – Dia 5

Brasileira é prata defendendo Portugal e Japão perde mais uma final.

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Marie-Eve Gahie derrota Bárbara Timo na final. Foto: IJF

Depois de ser preterida no Brasil, Bárbara Timo se naturalizou portuguesa e defende o país europeu desde janeiro. Ela começou bem passando por mongol e por belga, quando pegou nas 8as a japonesa Chizuru Arai, bicampeã mundial. Sem se intimidar, Timo conseguiu um wazaari com 1min de luta e segurou a vantagem, derrotando a grande favorita. Nas 4as passou pela holandesa Sanne van Dijke, que foi eliminada por hansokumake, depois arrasou na semifinal a francesa Margaux Pinot, dando o ippon em apenas 53s, para alcançar a final inédita.

Do outro lado da chave, a francesa Marie-Ève Gahié, prata em 2018, seguiu até a decisão brilhando. Em 54s venceu grega, precisou de 1min37s para passar por sul-coreana, derrotou a porto-riquenha Maria Perez por wazaari, imobilizou a britânica Sally Conway em apenas 1min15s e só precisou de 46s para dar uma chave de braço na Timo e ficar co o ouro. Conway e Pinot ficaram com o bronzes. Maria Portela venceu croata na estreia por ippon, mas perdeu nas 8as para Pinot no golden score.

90kg masculino

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Pódio dos 90kg. Foot: IJF

Apesar de não estar entre os favoritos, o japonês Shoichiro Mukai chegou à decisão eliminando nas 4as o cubano Ivan Silva, prata no Mundial de 2018 e ouro no Pan de Lima, e pelo sueco Marcus Nyman na semifinal em uma luta travada onde o sueco foi eliminado com 3 shidos.

Na chave de cima, o espanhol Nikoloz Sherazadishvili, ouro em 2018, perdeu na segunda rodada pro francês Axel Clerget, que foi derrotado nas 4as pelo holandês Noël van ‘t End. Na semifinal, o holandês conseguiu um ippon simplesmente espetacular sobre o sérvio Nemanja Majdov, campeão mundial em 2017. Na decisão, conseguiu um wzaari sobre o japonês e ficou com o ouro. Foi o 4º japonês derrotado em finais neste Mundial até então. O brasileiro Rafael Macedo venceu chinês na estreia, mas perdeu para britânico na 2ª luta.

Mundial de Judô – Dia 4

Polêmica no masculino e mais um ouro para Clarisse Agbegnenou.

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Foto: IJF

Número 1 do mundo, a francesa Clarisse Agbegnenou vinha de dois títulos mundiais seguidos, além da prata no Rio-2016. Após vencer suas 3 primeiras lutas por ippon, passou na semifinal pela holandesa Juul Franssen. Do outro lado da chave, a japonesa Miku Tashiro chegou à decisão após 4 vitórias por ippon. Na semifinal, a eslovena campeã olímpica Tina Trstenjak tentou uma chave de braço ilegal em Tashiro e foi desclassificada por hansokumake na hora.

A final foi uma reedição da decisão de 2018. Foi uma bela luta, mas muito travada, com nenhuma conseguindo aplicar um golpe. Tashiro segurava o braço esquerdo de Agbegnenou e a luta foi pro golden score. E que golden score… Com 11 minutos de luta (7min de golden score), a francesa finalmente conseguiu derrubar a japonesa para aplcar um wazaari, ainda consguiu virar Tashiro e aplicar outro para dar o ippon, a vitória, o ouro e o 4º título mundial! Os bronzes ficaram com a alemã Martyna Trajdos, que derrotou Trstenjak, e Franssen, que venceu sua compatriota Sanne Vermeer na disputa do bronze. O Brasil teve duas judocas na categoria. Ketleyn Quadros começou bem contra senegalesa aplicando o ippon um apenas 11 segundos, mas na luta seguinte perdeu para Franssen por hansokumake, Já Alexia Castilhos não fez absolutamente nada e perdeu para mongol na estreia.

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Foto: IJF

Campeão em 2018, o iraniano Saeid Mollaei chegou como cabeça 1 e favorito. Foi vencendo seus adversários, incluindo o russo Khasan Khalmurzaev e o canadense Antoine Valois-Fortier. Nas semifinal, pegou o belga Matthias Casse, quem tinha vencido nas 4as do mundial de 2018. Antes dessa luta, tivemos a outra semifinal entre o israelense Sagi Muki e o egípcio Mohamed Abdelaal. Muki vinha de uma excelente temporada, com dois títulos em Grand Slams e, numa decisão polêmica, venceu o egípcio, que nem o cumprimentou após a derrota. Com Muki na final, restava saber se o iraniano iria competir na semi, já que os atletas iranianos não competem contra israelenses em nenhum esporte.

O iraniano até entrou na luta, mas acabou levando uma chave de braço do belga, que venceu e se garantiu na final. Com 2min30 de luta, Casse ia fazer o golpe para derrubar Maki, que conseguiu reverter e conseguiu o wazaari. Assim que a luta voltou, Maki fez o mesmo golpe e, com dois wazaari, levou o ippon e o ouro inédito para Israel. Mollaei ainda perderia o bronze para o georgiano Luka Maisuradze e a Valois-Fortier ficaria com o outro bronze. Era de se esperar que, se o iraniano vencesse, ele não subiria ao pódio. O brasileiro Eduardo Yudi Santos venceu georgiano naturalizado português na estreia, mas perdeu na 2ª luta para um pouco conhecido canadense.

Mundial de Judô – Dia 3

Japoneses seguem dominando e Rafaela Silva entra mais uma vez pra história.

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Foto: Roberto Castro

Dá para saber quando a Rafaela Silva vai medalhar. Basta olhar nos olhos dela quando entra no tatame na sua 1ª luta. Num dia longo, com muitas lutas para apenas 2 tatames, Rafaela demorou 4h para fazer sua estreia, contra marfinense. Logo com 3s de luyta ela já fez um wazaari e com 30s mandou um ippon. Nas 8as, pegou a portuguesa Telma Monteiro, dona de 5 medalhas em Mundiais. Numa luta travada, a portuguesa levou 3 shidos e foi eliminada. Nas 4as, derrotou a russa Daria Mezhetskaia com wazaari e depois ippon.

Aí veio o grande desafio na semifinal contra a japonesa Tsukasa Yoshida, quem a Rafa já tinha vencido este ano, na final do Grand Slam de Baku. Mas Yoshida entrou com tudo e soube anular os ataques da brasileira, marcando o braço esquerda dela. Yoshida quase a imobilizou algumas vezes, e, após 2min de golden score, venceu por ippon. Rafa voltou na disputa do bronze contra a jovem francesa Sarah Cysique e venceu por wazaari. Com o bronze, a campeã olímpica Rafaela Silva tem agora uma medalha de cada cor individual, além de duas pratas por equipe.

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Christa Deguchi derrubando Tsukasa Yoshida na final. Foto: IJF

Na final, um duelo japonês. Yoshida pegou Christa Deguchi, que defendeu o Japão, mas hoje luta pelo Canadá. Foi super parelha até que no golden score Deguchi conseguiu virar Yoshida e a derrubar para faturar seu 1º título mundial. O outro bronze ficou com a surpresa polonesa Julia Kowalczyk.

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Foto: IJF

A categoria viu a reedição da final olímpica do Rio, entre o espetacular japonês Shohei Ono e o azeri Rustam Orujov. Ono venceu suas 5 lutas anteriores por ippon ficando apenas 11min06 no tatame, média de pouco mais de 2min por luta. Orujov chegou como número 1 do mundo e derrotou seu compatriota Hidayat Heydarov na semifinal.

Só que Ono foi brilhante e, com pouco mais de 1min de luta na decisão, foi preciso e mandou um belíssimo ippon para faturar seu 3º título mundial. Heydarov e o russo Denis tyartsev conquistaram os bronzes, ambos derrotando judocas de Tadjiquistão nas disputas do bronze.

Mundial de Judô – Dia 2

Se o 1º dia não tinha sido o que o Japão esperava, essa segunda-feira em Tóquio foi perfeita.

66kg masculino

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Joshiro Maruyama (JPN). Foto: IJF

Uma final japonesa era impossível, já que os dois japoneses estavam do mesmo lado da chave. E eles foram vencendo até se encontrarem na semifinal. Joshiro Maruyama, nome menos conhecido da categoria, pulou sobre o bicampeão mundial Hifume Abe no golden score e, no chão, conseguiu virá-lo para levar a vitória e a vaga na final, onde ele enfrentou uma zebraça, o sul-coreano Kim Lim-hwan, apenas 29º do ranking mundial.

A esperança sul-coreana estava no seu outro judoca, o campeão mundial e prata no Rio-2016 An Baul, que perdeu logo na estreia para mongol. Na decisão, Maruyama conseguiu um lindíssimo wazaari, girando o sul-coreano, que chegou a ficar de cabeça pra baixo. Logo depois, um novo wazaari para fechar a luta e levar o ouro. Abe e Denis Vieru, da Moldávia, ficaram com os bronzes.

Daniel Cargnin estreou vencendo turco e depois passou por búlgaro, mas caiu nas 8as para o ucraniano Bogdan Iadov, que o derrubou no golden score.

52kg feminino

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Uta Abe aplicando o ippon na russa na decisão. Foto: IJF

Se Hifume não levou o ouro, a sua irmã, Uta Abe se sagrou bicampeã mundial. E de maneira espetacular, destruindo a concorrência. Na sua estreia pegou logo a brasileira Larissa Pimenta, que levou um wazaari com 8s de luta e depois um ippon com 1min35s. Na chave abaixo, a outra japonesa Ai Shishime perdeu por hansokumake para a campeã olímpica Majlinda Kelmendi, de Kosovo. Na semi, Kelmendi e Abe fizeram um esperado e inédito confronto, que foi muito truncado. Até que, com 3min de golden score, Abe imobilizou a kosovar para ir pra final.

Na decisão, ela enfrentou a russa Natalia Kuziutina, dona de 3 bronzes em Mundial e um bronze no Rio-2016, além de 4 títulos europeus. Só que Abe chegou com sangue nos olhos e deu um ippon lindo e incontestável aos 29s! Shishime e Kelmendi completaram o pódio com os bronzes.

Mundial de Judô – Dia 1

O templo do judô japonês, o Nippon Budokan, recebe o Mundial um ano antes dos Jogos Olímpicos. E não foi um grande início japonês em casa.

48kg feminino

 

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Pódio dos 48kg feminino. Olha a altura da Bilodid! Foto: IJF

Com 18 anos, a ucraniana Daria Bilodid segue como a mulher a ser batida. Muito alta e esguia, ela tem uma enorme vantagem nesta categoria pelo seu tipo físico e é muito difícil pras adversárias conseguirem fazer a pegada, já que a ucraniana tem uns bons 10cm a mais que as outras atletas.

Campeã mundial em 2018, Bilodid pegou na final a japonesa Funa Tonaki, na reedição da final do ano passado e novamente venceu a japonesa. Bilodid conseguiu um wazaari, mas levou 2 shidos por sair do tatame, mas soube segurar a japonesa para levar a vitória. Bilodid tem apenas 5 derrotas na carreira em 111 lutas! Os bronzes ficaram com a kosovar Distria Krasniqi e a mongol Monkhbatyn Urantsetseg, campeã mundial em 2013.

60kg masculino

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Lukhumi Chkhvmiani (GEO), de branco. Foto: IJF

Se no feminino o Japão foi prata, no masculino nem pegou final. E eram dois judocas na chave! Mas a zebraça do dia foi a derrota do russo número 1 do mundo Robert Mshvidobadze na sua estreia pro desconhecido Yang Yung-wei, de Taiwan, por ippon. Yang chegou nas 4as, mas perdeu pro georgiano Lukhumi Chkhvmiani. Do outro lado da chave, a zebra vinha com o usbeque Sharafuddin Lutfillaev, que eliminava o japonês tricampeão mundial Naohisa Takato de maneira surpreendente.

Na semifinal, Chkhvmiani impôs mais uma derrota ao Japão, vencendo Ryuju Nagayama por wazaari. O árbitro havia dado um ippon, que foi retirado e corrigido, mas a vitória ficou com o georgiano. Na decisão, Chkhvmiani ia levar um ippon de Lutfillaev, mas conseguiu reverter e aplicou um wazaari. 40s depois, num belo golpe aplicou o ippon e ficou com o ouro. Os bronzes ficaram com o cazaque Yeldos Smetov e com o japonês Nagayama.

Eric Takabatake venceu tunisiano na estreia por hansokumake, mas perdeu na 2ª rodada para o campeão Chkhvmiani no golden score. Medalhista olímpico Felipe Kitadai caiu logo na estreia pro cazaque Gusman Kyrgyzbaev.