Dois ouros na vela na Itália

A etapa de Gênova da Copa do Mundo de vela não contou com muitos grandes nomes, mas a equipe brasileira voltou com 2 ouros bem interessantes. E ainda teve muitas regatas canceladas por conta dos fracos ventos.

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Jorge Zarif. Foto: Sailing Energy

Fernanda Oliveira e Ana Luiza Barbachan foram um dos destaques com uma campanha excelente na 470 feminina. Após um 2º, um 5º e um 3º, elas venceram as 3 regatas seguintes numa competição bem reduzida com apenas 6 regatas. Elas foram tão bem e as outras duplas se alternaram muito que as brasileiras foram para as regata da medalha com o ouro já garantido. Na final, ficaram em 3º e levaram o ouro com apenas 14 pontos perdidos contra 45 de dupla chinesa que ficou em 2º.

Já na classe Finn, Jorge Zarif foi top-5 em todas as 8 regatas e brigava pela ouro contra o espanhol Alex Muscat, que tinha apenas 2 pontos a menos que o brasileiro. Na regata da medalha, o brasileiro marcou o espanhol e cruzou a chegada em 6º contra um 9º lugar de Muscat, dando o 2º ouro pro Brasil.

Já na 49erFX, Martine Grael e Kahena Kunze tiveram uma campanha bem mediana, com um 17º e dois 12º. Chegaram na regata final brigando por um bronze, mas acabaram em 6º com 63 pontos perdidos.

A etapa final da Copa do Mundo será em junho, em Marselha.

Vela conquista 3 medalhas e Scheidt quer voltar

Foram 3 medalhas da equipe brasileira na Copa do Mundo de Miami, que terminou no domingo.

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Martine Grael e Kahena Kunze. Foto: Jesus Renedo/Sailing Energy

As campeãs olímpicas Martine Grael e Kahena Kunze fizeram uma excelente campanha de recuperação na 49erFX para ficar com o ouro. Após um início ruim com um 17º, um 18º (descartado) e três nonos lugares, a dupla foi se recuperando com um 2º, um 7º e duas vitórias para chegar na regata da medalha 12 pontos atrás da dupla neozelandesa formada por Alexandra Maloney e Molly Meech, dupla prata no Rio-2016. Na regata decisiva, as brasileiras ficaram em 2º e viram as neozelandesas fazerem uma péssima regata, terminando em 9º e o ouro ficou com Martine e Kahena por apenas 2 pontos!

Na Nacra 17, a dupla Samuel Albrecht e Gabriela Nicolino ficou com a prata com 58 pontos perdidos, atrás de australianos Jason Waterhouse e Lisa Darmanin, vice olímpicos, com 50 e a frente dos argentinos campeões olímpicos Santiago Lange e Cecilia Saroli. Samuel e Gabriela se encaixaram e já estão entre as melhores duplas dessa classe no mundo, após o excelente 4º lugar no Mundial de 2018.

Para fechar a campanha brasileira, Ana Luiza Barbachan e Fernanda Oliveira foram bronze na 470 atrás de 2 duplas alemãs. Elas, que já foram apontadas como grande chance de medalha pro Brasil, parecem estar recuperando a boa forma. Deixaram pra trás grandes velejadoras medalhistas olímpicas e mundiais.

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Robert Scheidt. Foto: Divulgação

Já nesta terça-feira o destaque ficou com a coletiva de imprensa de Robert Scheidt, que anunciou seu retorno às competições aos 45 anos. E sua missão é ousada: disputar os Jogos de Tóquio na Classe Laser. Classe que o consagrou com 2 ouros e 1 prata olímpicos e o 4º lugar no Rio-2016, ela exige muito do físico do velejador. O multicampeão sabe disso, lógico, e acredita que está ainda com físico para tal. O momento é propício, pois não temos um grande nome na classe para Tóquio. O Brasil já tem a vaga olímpica conquistada por João Pedro Souto com o bom 19º lugar no Mundial de Vela de 2018, mas João Pedro não vem de boas campanhas, ficando apenas em 56º na Laser em Miami.

Se Scheidt for bem sucedido, ele poderá chegar a sua 6ª medalha olímpica, fato inédito para o esporte brasileiro até agora. Além disso, ele disputaria a sua 7ª Olimpíada e se tornaria o brasileiro com mais participações nos Jogos, deixando Hugo Hoyama, Rodrigo Pessoa, Formiga, Jaqueline Mourão e Torben Grael pra trás. Nome ele tem.

Boletim Rumo a Tóquio-2020 #2

Neste segundo boletim de acompanhamento das classificações olímpicas, vou repassar as vagas definidas nos Jogos Asiáticos, disputados até os último domingo na Indonésia.

Tiro com Arco

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Kim Woojin (KOR) a caminho do ouro. Foto: World Archery

As primeiras vagas do esporte foram definidas na disputa de duplas mistas, que fará sua estreia olímpica em 2020. Na decisão, o Japão venceu a Coreia do Norte por 6-0 e ficou com o ouro. Como o Japão já tem equipe classificada, a Coreia do Norte garante um homem e uma mulher nos Jogos. Tivemos ainda duas vagas para os países que venceram no individual. O sul-coreano Kim Woojin e a chinesa Zhang Xinyan foram ouro e garantiram vagas pros seus países.

Vela

Eram duas vagas, uma na Laser masculina e uma na Laser Radial feminina, excluindo os países que já tinham garantido vaga pelo Mundial. O sul-coreano Ha Jee-min foi ouro na Laser masculina, mas a Coreia já tinha vaga e quem ficou com a quota foi a Malásia, que foi prata. Na Laser Radial feminina, Japão e China foram ouro e prata, mas já tinham vaga também. Assim, a Malásia também levou a vaga no feminino. Seguem classificados incluindo os garantidos no Mundial:

Laser masculina (15): Alemanha, Austrália, Brasil, Chipre, Coreia do Sul, Croácia, Estados Unidos, Estônia, Finlândia, França, Grã-Bretanha, Malásia, Noruega, Nova Zelândia e Peru

Laser Radial feminina (19): Alemanha, Bélgica, Canadá, China, Dinamarca, Estados Unidos, Finlândia, França, Grã-Bretanha, Grécia, Holanda, Hungria, Itália, Malásia, Noruega, Polônia, Suécia, Suíça e Turquia

Tênis

Os campeões dos Jogos ganharam uma preferência para ir para Tóquio. O uzbeque Denis Istomin e a chinesa Wang Qiang foram ouro e estão garantidos em Tóquio desde que sejam top-300 nos rankings da ATP ou WTA em 8 de junho de 2020.

Hóquei na Grama

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Japão é ouro no hóquei feminino. Foto: AP Photo/Aaron FAvila

Os campeões dos torneios de hóquei na grama se garantiam em Tóquio. Mas apenas o campeão. Só que o Japão veio e estragou a festa de todos. Já garantido no masculino e no feminino por ser sede, o Japão levou os dois ouros. Na decisão masculina, venceu a Malásia nos pênaltis por 3-1, após empate em 6-6, placar bastante fora do comum. No feminino, as japonesas venceram a Índia por 2-1. Como a vaga era apenas para o campeão e o Japão já estava garantido, essas vagas asiáticas vão pro pré-olímpico mundial. Malásia e Índia perderam uma grande chance e vão sofrer para conseguir se classificar.

Quotas

37 países já se classificaram para Tóquio-2020. Malásia, Uzbequistão e Coreia do Norte entraram para essa lista.

Países com mais vagas:

Japão – 363
Brasil – 23
Estados Unidos – 19
Grã-Bretanha – 15
França – 10
Nova Zelândia  – 10
Itália – 9
Dinamarca – 8
Austrália – 7
China – 7
Espanha – 6
Holanda – 6
Noruega – 5

Em setembro teremos vagas em disputa no Mundial de Tiro, de Ginástica Rítmica, nos Jogos Mundiais Equestres e na Copa do Mundo feminina de Basquete.

Boletim Rumo a Tóquio-2020 #1

Nesta série de posts vou repassar todas as vagas olímpicas definidas na semana anterior.

Até a semana passada, além do Japão, o único país que tinha garantido alguma classificação havia sido o Brasil, com a vaga no futebol feminino após a Copa América em abril. Agora já tivemos 101 vagas definidas na vela e 1 no softball.

Vela

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Foto: World Sailing

Como já disse nos posts sobre o Mundial de Vela em Aarhus, Dinamarca, 33 países se juntam ao Japão na competição olímpica de vela. O grande destaque foi a Grã-Bretanha, que conseguiu garantir vaga nas 10 classes olímpicas! Apesar de ter obtido apenas 2 bronzes (49erFX e 470 feminina), sua excelente equipe já garantiu quota completa. O Brasil conseguiu apenas 3 vagas, na Laser masculina, na 49erFX feminina e na Nacra 17. Vagas definidas:

RSX masculina (10): China, Espanha, França, Grã-Bretanha, Grécia, Holanda, Israel, Itália, Noruega e Polônia
Laser masculina (14): Alemanha, Austrália, Brasil, Chipre, Coreia do Sul, Croácia, Estados Unidos, Estônia, Finlândia, França, Grã-Bretanha, Noruega, Nova Zelândia e Peru
Finn masculina (8): Argentina, Canadá, Grã-Bretanha, Holanda, Hungria, Nova Zelândia, Suécia e Turquia
470 masculina (8): Austrália, Espanha, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Itália, Nova Zelândia e Suécia
49er masculina (8): Alemanha, Croácia, Dinamarca, França, Grã-Bretanha, Nova Zelândia, Portugal e Suíça
RSX feminina (11): China, Dinamarca, Espanha, Estônia, França, Grã-Bretanha, Holanda, Israel, Itália, Polônia e Rússia
Laser Radial feminina (18): Alemanha, Bélgica, Canadá, China, Dinamarca, Estados Unidos, Finlândia, França, Grã-Bretanha, Grécia, Holanda, Hungria, Itália, Noruega, Polônia, Suécia, Suíça e Turquia
470 feminino (8): China, Eslovênia, Espanha, França, Grã-Bretanha, Grécia, Israel e Itália
49erFX feminino (8): Austrália, Áustria, Brasil, Dinamarca, Grã-Bretanha, Holanda, Noruega e Nova Zelândia
Nacra 17 misto (8): Argentina, Austrália, Áustria, Brasil, Dinamarca, Grã-Bretanha, Itália e Nova Zelândia

Softball

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Foto: WBSC

A equipe dos Estados Unidos conseguiu a primeira vaga em jogo no retorno do softball feminino aos Jogos. Por ser sede, o Japão já estava classificado. Na semifinal, as americanas venceram 4-3 o Japão e foram pra final. Quando o Japão venceu por 3-0 o Canadá na small final, as americanas automaticamente se classificaram pros Jogos. Na decisão apertadíssima, os Estados Unidos venceu no 10º inning (o normal são 7) por 7-6. Perdia por 6-5 quando conseguiu 2 corridas pra encerrar o jogo e vencer o 11º título em 16 edições. As últimas 7 finais foram entre os dois países. Restam apenas 4 vagas no softball, e todas sairão apenas no 2º semestre de 2019, sendo 2 pra América, 1 pra Ásia/Oceania e 1 pra África/Europa.

Quotas

34 países já se garantiram nos Jogos. Pelo meu controle, o Japão já tem 363 vagas. Apenas não computei o boxe, o rugby 7s e a canoagem velocidade, pois ainda não saíram os seus sistemas de qualificação.

Países com mais vagas:

Japão – 363
Brasil – 23
Estados Unidos – 19
Grã-Bretanha – 15
França – 10
Nova Zelândia  – 10
Itália – 9
Dinamarca – 8
Austrália – 7
Espanha – 6
Holanda – 6
China – 5
Noruega – 5

Em agosto, teremos vagas olímpicos nos Jogos Asiáticos (hóquei na grama, tênis, tiro com arco e vela) e no Mundial de Tiro.

Mundial de Vela – Final

No último dia do Mundial de vela em Aarhus, Dinamarca, sem grandes definições, apesar de faltarem 3 provas.

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Medalhistas holandeses no RSX: Kiran Badloe, Lilian De Geus e Dorian van Rijsselberghe. Foto: World Sailing

Tanto na RSX masculina como na feminina o campeão já estava definido. Com campanhas excepcionais, os holandeses Dorian van Rijsselberghe, campeão olímpico no Rio, e Lilian de Geus já tinham garantido o ouro. A vantagem deles era tão grande que poderiam até ser desclassificados da regata da medalha que nada mudaria.

Van Rijsselberghe chegou em 3º na decisão no masculino e viu seu compatriota Kiran Badloe chegar em 5º e ficar com a prata. O bronze foi pro francês Louis Giard. No feminino, De Geus foi apenas 6ª enquanto a francesa Charline Picon, campeã no Rio-2016, venceu a regata final. Como a chinesa Yunxiu Lu foi apenas a 8ª, Picon tirou a prata de Lu, que acabou com o bronze.

Restava apenas a regata da medalha da Nacra 17, onde o Brasil sonhava com uma medalha. Mas os fracos ventos forçaram a organização a cancelar a regata final, mantendo o resultado anterior. Com isso os italianos Ruggero Tita e Caterina Banti ficaram com o ouro, os irmãos australianos Nathan (ouro em Londres e prata no Rio an 49er) e Haylee Outteridge com a prata e os campeões olímpicos da classe no Rio, os argentino Santiago Lange e Cecilia Saroli, foram bronze. Samuel Albrecht e Gabriela Nicolino foram a grande surpresa da equipe brasileira e conquistaram um excelente 5º lugar.

A Holanda brilhou no Mundial, vencendo 3 provas e 6 medalhas no total. O próximo Mundial da ISAF, que junta todas as classes olímpicas, será em 2022 na Holanda, em Haia. Em 2019, cada classe terá seu próprio mundial, que darão mais vagas olímpicas.

Mundial de Vela – Dia 10

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Annemiek Bekkering e Annette Duetz (NED). Foto: Sailing Energy

Não era fácil para Martine Grael e Kahena Kunze buscarem uma medalha na 49erFX. Na decisão, elas chegaram em 3º numa regata consistente, mas não foi o suficiente. As austríacas Tanja Frank e Lorena Abicht vinham pro ouro, mas no meio da regata, viraram o barco quando estavam na liderança e viram todas as concorrentes as passarem. As holandesas Annemiek Bekkering e Annette Duetz foram pro 2º lugar e somaram 89 pontos, contra 91 das austríacas, que acabaram chegando em último. As britânicas Sophie Weguelin e Sophie Ainsworth pegaram o bronze com 94 pontos e as brasileiras terminaram em 4º com 102.

Na 49er, a vantagem dos irmãos croatas Sime e Mihovil Fantela era tão boa que só perderiam o ouro com um desastre. Eles chegaram em 5º na regata da medalha e somaram 72 par ficar com o ouro. Sime foi ouro no Rio-2016 na 49er com outro parceiro. O alemães Tim Fischer/Fabian Graf conseguiram ficar em 9º e perder a medalha de prata, que foi pros franceses Mathieu Frei/Noe Delpech, que venceram a última regata para somar 91 pontos contra 93 dos alemães.

O Mundial se encerra no domingo com as regatas da medalha da RSX masculina e feminina, já com os campeões definidos, e da Nacra 17, com Brasil sonhando com medalha.

Mundial de Vela – Dia 9

Na sexta-feira, mais duas prova definiram seus medalhistas em Aarhus.

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Pavlos Kontides (CYP). Foto: Sailing Energy

Com boa vantagem, o cipriota Pavlos Kontides soube controlar e ficou em 9º na regata da medalha, marcando o australiano Matthew Wearn, que precisava de u milagre para tirar o ouro de Kontides. Wearn acabou em 8º e, com isso, o cipriota faturou o bicampeonato mundial na Classe Laser. Kontides somou 59 pontos contra 61 de Wearn. O alemão Philipp Buhl foi bronze com 70.

Na Laser Radial, a belga Emma Plasschaert também tinha uma bela vantagem e terminou em 5º na regata da medalha, somando 66 pontos. Ainda assim, com uma boa distância sobre a holandesa Marit Bouwmeester, com 75 pontos, e sobre a dinamarquesa Anne-Marie Rindom, com 85.

A Nacra 17 realizou mais 3 regatas e as coisas estão emboladas, embora para os brasileiros seja um pouco difícil buscar medalha. Samuel Albrecht e Gabriela Nicolino ficaram em 16º, 8º e 10º nas 3 regatas finais e somam 81 pontos no total. A dupla italiana lidera com 69, seguida de um barco australiano com 70, dos argentinos campeões olímpicos com 72 e de um barco dinamarquês com 72. Brasil assegurou mais uma vaga olímpica e chega a 3 barcos garantidos pra Tóquio.

Patrícia Freitas começou o dia com um 5º lugar na 10ª regata da RSX, mas com um 18º e um 16º ela terminou em 20º no geral, ficando sem vaga olímpica por uma posição. Sua briga era com a velejadora da Estônia, que terminou em 19º. A holandesa Lilian de Geus já garantiu o título e nem precisa disputar a regata da medalha, dado a sua performace excepcional nesse mundial. Ela tem 30 pontos de vantagem sobre a chinesa 2ª colocada! No masculino também tem holandês na frente e já com o ouro garantido. O campeão olímpico Dorian van Rijsselberghe tem 52 pontos contra 75 de seu compatriota Kiran Badloe.

Vagas olímpicas definidas (parte 2):

RSX masculino – CHN, FRA, GBR, GRE, ISR, ITA, NED, NOR, POL e ESP
49er masculino – CRO, DEN, FRA, GER, GBR, NZL, POR e SUI
RSX feminina – CHN, DEN, EST, FRA, GBR, ISR, ITA, NED, POL, RUS e ESP
Nacra 17 mista – ARG, AUS, AUT, BRA, DEN, GBR, ITA e NZL

Vale notar que a Grã-Bretanha conseguiu vaga em todas as 10 classes já pelo Mundial.