Resumo Rio-2016 – Ciclismo: Estrada

Estrada masculina

Greg van Avermaet (BEL)

Greg van Avermaet (BEL)

 

Na prova mais longa dos Jogos, os 144 ciclistas de 63 países deveriam percorrer 241,5km pelas ruas do Rio de Janeiro, na prova que foi considerada uma das mais difíceis da história olímpica. Começando no Forte de Copacabana, o pelotão seguia por Ipanema, Leblon e Barra até a reserva de Marapendi, chegando ao circuito de Pontal, onde dariam 4 voltas. Voltando pela mesma estrada costeira, entrava-se na Vista Chinesa, dando 3 voltas nesse circuito na Gávea, até retornar ao Forte. Era o primeiro dia dos Jogos e um fortíssimo esquema de segurança foi montado.

Seis ciclistas abriram logo no início da prova, chegando a abrir 7min do pelotão. Entre eles, o alemão Simon Geschke, o polonês Michal Kwiatkowski e o colombiano Jarlinson Pantano. Ainda no circuito de Pontal, a diferença caiu para 5min. Mas o que chamava mais atenção eram os inúmeros acidentes e problemas mecânicos. Garrafas de água caíam das bicicletas e muitos tiveram problemas nas ruas de paralelepípedo. Ainda no circuito de Grumari-Pontal, o pelotão começou a apertar, buscando os 6 ciclistas que haviam se desgarrado. Os britânicos Ian Stannard e Geraint Thomas forçaram o ritmo e foram seguidos por Chris Froome, pelo suíço Fabian Cancellara e pelos belgas Philippe Gilbert e Greg Van Avermaet. A diferença já era agora de 3min. Chegando ao fim desta parte da prova, a diferença caía para menos de 1min. Froome chegou a parar para trocar de bicicleta, enquanto Thomas parou para espera-lo, para assim retornarem ao pelotão. Antes da chegada a Vista Chinesa, a diferença agora tinha alimentado para 2min.

Lá na frente, eram agora apenas 4 ciclistas antes do duro circuito com fortes subidas na Gávea. Kwiatkowski assumiu a liderança e forçava nas subidas, deixando os outros para trás, menos o russo Pavel Kochetkov. Ainda na primeira subida, o pelotão perseguidor chegava mais perto, enquanto o italiano Damiano Caruso, Van Avermaet e Geraint Thomas forçando um pouco mais a frente, mas foram alcançados pelo estoniano Rein Taaramae e pelo colombiano Sergio Henao. A equipe espanhola vinha atrás, pronta pro ataque com Jonathan Castroviejo. Na 2ª volta da Vista Chinesa, Castroviejo atacou Kwiatkowski e, faltando 45km pro fim, os perseguidores chegaram ao líderes. Os italianos Fabio Aru e Vicenzo Nibali estavam na frente agora, num grupo grande, que contava com o polonês Rafal Majka, o dinamarquês Jakob Fuglsang e o britânico Adam Yates. Este grupo abria 50s de vantagem sobre o resto, com 29km pra chegada, deixando a equipe espanhola com Joaquim Rodriguez e Alejandro Valverde.

Na última volta, 3 italianos estavam na frente: Aru, Nibali e Damiano Caruso. Mas Cancellara forçava atrás e diminuía a vantagem para 30 segundos, enquanto Caruso e Nibali seguiam a frente. Atrás, forçavam o sul-africano Louis Meintjes, Joaquim Rodriguez e o cazaque Andrey Zeits. Nibali tentava se desgarrar, mas os perseguidores apertavam, entre eles o colombiano Sergio Henao, Geraint Thomas, Van Avermaet e Majka. Na descida final, restando apenas 11km, Nibali e Henao surpreendentemente se chocam, deixando o polonês Majka sozinho. Logo depois, foi a vez de Geraint Thomas bater, enquanto o polonês seguia só no plano, com 11s de vantagem. Sentindo muitas dores, Majka não aguentou e viu Greg Van Avermaet e Jakob Fuglsang o passarem e, num belo sprint final, o belga passava em primeiro para garantir o ouro.

Apenas 65 dos 144 ciclistas terminou a prova. O ouro do belga Greg Van Avermaet foi o primeiro ouro belga na prova desde André Noyelle em Helsinque-1952 e o primeiro ouro belga no ciclismo desde Los Angeles-1984. O belga havia vencido no ano também a tradicional prova Tirreno-Adriático e levou o Tour da Bélgica de 2015. A prata pro dinamarquês Jakob Fuglsang foi a primeira medalha do país na prova de Atlanta-1996, enquanto o bronze de Rafal Majka quebrou um jejum de medalhas polonesas no ciclismo masculino de 28 anos.

Contrarrelógio masculino

Fabian Cancellara (SUI)

Fabian Cancellara (SUI)

Com 37 atletas na disputa, a decisão logicamente sairia apenas no final, pois os melhores ciclistas da prova seriam os últimos a sair. Os 5 últimos foram, na ordem, o suíço Fabian Cancellara, campeão em Pequim-2008 e tetracampeão mundial, o alemão Tony Martin, o bielorrusso Vasil Kiryienka, o holandês Tom Dumoulin e o britânico Chris Froome. Todos já haviam medalhado em Jogos Olímpicos ou em mundiais na prova.

O primeiro a fazer um tempo razoável foi o checo Leopold Konig, que completou os 54,5km da prova em 1:15:23.64. 5 ciclistas depois, foi a vez do britânico Geraint Thomas melhorar, assumindo a liderança com 1:14:52.85. Ele perdeu depois para o espanhol Jonathan Castroviejo, que fez em 1:13:21.50, restando ainda 12 ciclistas cruzarem a linha de chegada. Lá atrás, Cancellara dava o ritmo e completou a 1ª parcial de 9,95km com o melhor tempo, tirando pouco menos de 1s do australiano Rohan Dennis. Na 2ª parcial, de 19,7km, Dennis tinha o melhor tempo enquanto o suíço passava apenas em 4º. Campeão mundial em 2015, Kiryienka não vinha bem e aparecia abaixo dos 10 primeiros nas primeiras parciais. Tony Martin já estava melhor no início, mas foi caindo de ritmo e cada vez mais longe do pódio na sua especialidade.

Dumoulin e Froome, por outro lado, começaram bem e forçavam o ritmo, chegando cada vez mais perto da liderança. Com 34,6km, Cancellara já era novamente o líder ao fazer uma parcial espetacular de 19min19, tirando 18s do australiano. Dumoulin e Froome passaram logo depois pela mesma parcial, mas sem o mesmo brilho do suíço. Na 4ª parcial, de 44,35km, mais um show de Cancellara, que fez a marca em 1:01:53.65. Enquanto Martin e Kiryienka ficavam bem para trás, Dumoulin e Froome seguiam bem, mas perdiam terreno pro suíço, que aumentava sua vantagem de 26s para 33s. Na perna final, Cancellara seguia forte até completar em 1:12:15.42, tirando 1:06 de Castroviejo, que ainda era o líder e sonhava com o pódio. Tony Martin, com apenas 1:15:33.75 terminaria em 12º e Vasil Kiryienka com 1:16:05.70 seria o 17º. Tom Dumoulin perdeu mais tempo que o suíço e completou em 1:13:02.83. Quando Chris Froome se aproximava do final, não havia mais como tirar o tempo do Cancellara. Ao completar em 1:13:17.54, o suíço garantiu o ouro e Castroviejo saiu do pódio.

Foi o 2º ouro olímpico de Fabian Cancellara no contrarrelógio, repetindo o feito de 8 anos antes. Ele se iguala ao russo Viatcheslav Ekimov com 2 ouros, mas Ekimov foi bicampeão olímpico seguido, em Sydney-2000 e Atenas-2004. A prata de Tom Dumoulin foi a 1ª medalha da Holanda na prova e a 1ª medalha na estrada masculina desde Barcelona-1992. Já Chris Froome repetiu o bronze conquistado em casa, em Londres-2012.

Estrada feminina

RIO DE JANEIRO, BRAZIL - AUGUST 07:  Anna van der Breggen of the Netherlands celebrates after winning the Women's Road Race on Day 2 of the Rio 2016 Olympic Games at Fort Copacabana on August 7, 2016 in Rio de Janeiro, Brazil.  (Photo by Patrick Smith/Getty Images)

Anna van der Breggen (NED)

Num domingo de sol com temperatura por volta dos 30ºC, 68 ciclistas largaram no Forte de Copacabana para percorrer 136,9km em busca do ouro, mas com mais vento que os homens tiveram que lidar no dia anterior. O circuito começava no Forte de Copacabana, seguia margeando a praia até Marapendi até chegar ao circuito de Pontal/Grumari, onde as ciclistas deveriam dar 2 voltas. Voltando pela praia na Barra até o circuito da Vista Chinesa/Gávea onde dariam apenas 1 volta, até chegar novamente ao Forte.

A belga Lotte Kopecky foi a primeira a atacar e logo ela abriu 2 minutos do pelotão e assim ficou por um bom tempo. Com 45km de prova, a holandesa Elle van Dijk liderou um grupo de fuga com outras 3 ciclistas, mas logo foram seguidas pela americana Kristin Armstrong e pela britânica Emma Pooley. Ainda no trecho de Grumari, a holandesa campeã de Londres-2012 Marianne Vos também forçou para alcançar as líderes. A diferença de Kopecky caiu para 1min30s e seguia diminuindo, até que, graças aos esforços da russa Olga Zabelinskaya, o pelotão já avistava a belga e o grupo de perseguição. No fim da subida, todas juntas novamente.

Na descida rápida e cheia de curvas, dois grupos se formaram, com Vos no 2º e as suas 3 compatriotas no da frente. Logo depois, todas juntas novamente na marca de 60km. Após as 2 voltas em Grumari e no plano de volta da Barra, um único grupo antes da temida subida Vista Chinesa. Antes de chegar na subida, um grupo com Vos e mais 6 ciclistas tinha pouco mais de 1min de vantagem.

A americana Evelyn Stevens diminuiu a diferença para 1min na subida do Joá, mas sua compatriota Mara Abbott começou a aparecer na prova e encostou nas líderes. A italiana Elisa Longo Borghini e a holandesa Anna van der Breggen começaram a forçar, deixando Stevens para trás. Logo depois, 4 ciclistas despontavam: Abbott, van der Breggen, Longo Borghini e a holandesa Annemiek van Vleuten, seguidas pela sueca Emma Johansson. Na descida, van Vleuten e Abbot abriram, mas a holandesa foi com tanta sede ao pote que sofreu um acidente e a americana chegava à Gávea sozinha na liderança, em situação parecida com o ocorrido na prova masculina no dia anterior.

As 3 perseguidoras viram van Vleuten caída e aumentaram a velocidade em busca da americana. Abbott relaxou e, com 300m pra linha de chegada, acreditando que ganharia, bobeou e viu as 3 a passarem. No sprint final, Anna van der Breggen foi mais forte para cruzar em primeiro lugar, com a sueca Emma Johansson em segundo e a italiana logo atrás em 3º. Desacreditada, Mara Abbott cruzou em 4º, 4s depois. Excelente prova da brasileira Flávia Oliveira, que buscou as líderes, cruzando na excepcional 7ª posição, a melhor da história de uma ciclista brasileira em Jogos Olímpicos.

Vice-campeã mundial em 2015, a holandesa Anna van der Breggen ficou com o ouro, repetindo o feito de sua compatriota Marianne Vos em Londres-2012. Em 9 edições olímpicas da prova, foi o 4º ouro para uma ciclista holandesa. A sueca Emma Johansson ganhou sua 2ª medalha olímpica, repetindo a prata de Pequim-2008 enquanto a italiana Elisa Longo Borghini ficou com o bronze, repetindo o feito de Tatiana Guderzo também em 2008.

Contrarrelógio feminino

Kristin Armstrong (SUI)

Kristin Armstrong (SUI)

Com as 3 últimas campeãs mundiais na disputa, a americana Kristin Armstrong buscava um raríssimo tricampeonato olímpico no ciclismo. 25 ciclistas largavam intervaladas a cada 1min30spara percorrer 29,7km no circuito de Grumari.

A primeira a fazer uma marca para medalha foi a canadense Tara Whitten, apenas a 8ª a largar. Forçando bem, completou a distância em 45:01.16 e ficou por um bom tempo na liderança. Bons nomes vinham em seguida, mas não melhoravam o tempo, como a britânica Emma Pooley, prata em Pequim-2008, que fez 46:31.98. Quase 15min na liderança para finalmente alguém melhorar a marca de Whitten. A italiana Elisa Longo Borghini, bronze na estrada uns dias antes, baixou para 44:51.94m assumindo a liderança. Pouco depois, foi a vez da holandesa Ellen van Dijk, campeã mundial em 2013, virar líder com 44:48.74. A americana Evelyn Stevens foi a próxima, mas com 46:00.08, estava fora do pódio.

Bronze em Londres-2012 e inscrita praticamente no limite por conta da suspensão da Rússia, Olga Zabelinskaya fez um excelente meio de prova e cruzou com o melhor tempo, fazendo 44:31.97. A campeã mundial de 2014, a alemã Lisa Brennauer, também deixou a desejar, marcando 45:22.62, já fora do pódio, apesar de ter feito a melhor 3ª parcial da prova, mas pecou por ter começado lenta. Quando a campeã da prova de estrada, a holandesa Anna van der Breggen cruzou com 44:37.80, a russa já comemorava uma medalha. Campeã mundial em 2015, a neozelandesa Linda Villumsen também ficou além do esperado, fazendo 44:54.71, em 5ª no momento, restando apenas Armstrong.

A americana começou bem forte, fazendo o melhor tempo da 1ª parcial, 22s melhor que Zabelinskaya. Na 2ª tomada de tempo, com 19,7km, a americana piorou, perdendo 25s, cruzando atrás da russa por apenas 2s88. Destinada na busca pelo tri, a americana aproveitou a leve queda da russa na parte final, para cruzar com 44:26.42, apenas 5.55 melhor que Zabelinskaya e conquistar o inédito tricampeonato olímpico da prova.

Pela primeira vez na história, uma mulher conquista o tricampeonato seguido de uma prova no ciclismo olímpico. A americana Kristin Armstrong se junta ao seleto grupo com os britânicos Ed Clancy (perseguição por equipes) e Jason Kenny (sprint por equipes), únicos tricampeões olímpicos seguidos. A russa Olga Zabelinskaya termina com a prata, melhorando do bronze conquistado em Londres-2012. Com o bronze, a holandesa Anna van der Breggen se torna a 3ª da história a vencer em uma mesma Olimpíada um ouro na estrada e ganhar uma medalha no contrarrelógio e 5ª a medalhar nas 2 provas em uma mesma Olimpíada.

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