Resumo Rio-2016 – Canoagem Velocidade: 500m e 1.000m

C-1 1.000m masculino

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Isaquias Queiroz (BRA) e Sebastian Brendel (GER)

Como esperado, a prova foi uma disputa entre o brasileiro Isaquias Queiroz e o alemão Sebastian Brendel. Campeão em Londres e bicampeão mundial da prova, Brendel venceu a 1ª bateria eliminatória com 3:58.044, se garantindo direto na final. Na 2ª série, foi a vez de Isaquias vencer bem com 3:59.615 enquanto Serghei Tarnovschi, da Moldávia, levou a 3ª com 4:05.193. Com os 3 já na final, as semifinais definiram os outros 5 classificados para a final, com destaque pro russo Ilia Shtokalov, que fez o melhor tempo, com 3:58.259.

Na final, Tarnovschi começou mais forte, passando em 1º na parcial dos 250m, com Isaquias a 0.12 e Brendel a 0.41. Só que aí o alemão começou a forçar e já liderava na metade da prova. Ele venceu praticamente todas as provas que disputou nessa distância no último ciclo olímpico e não perderia esta. O brasileiro tentou acompanhá-lo, mas não foi páreo. Brendel fechou em 3:56.926 contra 3:58.529 de Isaquias. Esta foi a 1ª medalha do brasileiro nos Jogos e a 1ª da história do país na canoagem. Na briga pelo bronze, Tarnovschi e Shtokalov se alternavam na colocação, mas o moldávio fechou na frente com 4:00.852 contra 4:00.963 do russo.

Brendel se tornou bicampeão da prova, o primeiro a fazer o feito desde o checo Josef Holecek em 1948 e 1952. Alguns dias após a prova, Serghei Tarnovschi foi suspenso por doping, mas o COI não confirmou se ele perdeu a medalha.

K-1 1.000m masculino

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Marcus Walz (ESP)

A prova foi dominada pela Noruega, que venceu 4 das últimas 5 Olimpíadas, mas dessa vez não mandou nenhum representante. O campeão de Londres (e de Atenas), Eirik Veras Larsen, se aposentou. Assim, o favoritismo caiu sobre o campeão mundial, o dinamarquês René Holten Poulsen, que venceu a 1ª bateria eliminatória com 3:35.722. O melhor tempo foi do português Fernando Pimenta, com 3:33.140 na 3ª bateria, mas ninguém foi direto pra final. Nas semifinais, o australiano Murray Stewart venceu a 1ª série com 3:32.602, seguido de Pimenta e com Poulsen em 4º. Na outra bateria. o russo Roman Anoshkin levou tranquilo com 3:34.833, seguido do alemão Max Hoff, bronze em Londres. Campeão mundial em 2014 e vice em 2015, o checo Josef Dostál passou em 4º para a final. Prata há 4 anos em Londres, o canadense Adam van Koeverden decepcionou e não conseguiu vaga na Final A, mas venceu a Final B com 3:31.872, tempo que lhe daria a prata na decisão.

Na decisão, quem começou muito forte foi o português Fernando Pimenta. Na parcial de 250m, já tinha quase 1s de vantagem e manteve a liderança até a metade da prova. Só que o resto dos atletas começou a apertar o ritmo e o português não aguentou. Murray Stewart, Roman Anoshkin e Josef Dostal cresceram e já brigavam metro a metro na parcial dos 750m. Enquanto isso, o espanhol Marcus Walz estava em 5º, a pouco mais de 2s atrás da briga. Mas numa recuperação espetacular, Walz os alcançou e ainda abriu para fechar com 3:31.447 e levar o ouro. A 0.698 chegou o checo Dostal para a prata e, bem atrás, o russo Roman Anoshkin levou o bronze com 3:33.363.

Marcus Walz levou o 1º ouro da Espanha em uma prova de K1 na história dos Jogos e foi seu 1º ouro em uma competição mundial. Josef Dostal faturou sua 2ª medalha olímpica e levaria a 3ª 4 dias depois. Roman Anoshkin faturou a 1ª medalha da Rússia na prova.

C-2 1.000m masculino

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Em pé: Erlon Souza e Isaquias Queiroz (BRA) e Dmytro Ianchuk e Taras Mishchuk (UKR). Agachado: Sebastian Brendel e Jan Vandrey (GER)

Os brasileiros Isaquias Queiroz e Erlon Silva foram campeões mundial desta prova em 2015, mas tiveram uma atuação ruim na etapa da Copa do Mundo que disputaram antes dos Jogos. Ainda assim, o favoritismo era deles, mas a dupla alemã vinha muito forte com Sebastian Brendel e Jan Vandrey. Na 1ª bateria eliminátoria, os brasileiros venceram com 3:33.269, 2s a frente da dupla da Ucrânia, enquanto os alemães levaram a 2ª, meio segundo a frente de Cuba. Ambas as duplas se garantiram na final, enquanto todas as outras disputaram as semifinais, vencidas por Ucrânia e Cuba.

Na decisão, Isaquias e Erlon abriram muito forte e lideraram quase toda a prova. Com um ritmo de remadas bem superior às outras embarcações, seguiam bem na liderança. Na metade da prova, lideravam por 0.62 sobre a dupla da Rússia e mantiveram a distância com 750m. Enquanto isso, a dupla alemã estava em 6º nos 500m, a um segundo e meio dos brasileiros, mesma diferença nos 750m. Só que a reação veio nos 150m finais. Os brasileiros não caíram, mas os alemães dispararam e passaram faltando menos de 50m. Vitória de Sebastian Brendel e Jan Vandrey com 3:43.912 contra 2:44.819 de Isaquias e Erlon. A dupla ucraniana de Dmytro Ianchuk e Taras Mishchuk assumiu o 3º lugar faltando 400m e ficou com o bronze, seguidos da Hungria e da Rússia.

Sebastian Brendel venceu seu 3º ouro olímpico da carreira e o 2º do Rio, se tornando o 1º da história a vencer o ouro em uma mesma Olimpíada na prova individual e nas duplas da canoa. Jan Vandrey vence sua 1ª medalha em uma competição mundial. Esta foi a 3ª medalha de Isaquias Queiroz no Rio de Janeiro, se tornando o 1º brasileiro a levar 3 medalhas em uma mesma Olimpíada. O bronze ucraniano foi a 1ª medalha do país em uma prova de C2.

K-2 1.000m masculino

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Marcus Gross e Max Rendschmidt (GER)

Campeões mundiais em 2013 e em 2015, os alemães Max Rendschmidt e Marcus Gross eram os favoritos e não decepcionaram. Nas eliminatórias venceram a sua bateria com muita tranquilidade, com 3:19.258, mais de 5s de vantagem sobre a dupla da Eslováquia, já garantindo vaga na final. Na 2ª bateria, os sérvios Marko Tomicevic e Milenko Zoric venceram com 8s de vantagem sobre os australiano Ken Wallace e Lachlan Tame. Nas semifinais, a dupla da Austrália venceu uma e a de Portugal levou a outra.

Os alemães começaram muito bem a final, assumindo a liderança desde o início. Com metade da prova, tinha 0.64 de vantagem sobre os australianos e 0.79 sobre os portugueses, enquanto os sérvios estavam apenas em 6º, a mais de 2s dos líderes. Aí veio a reação de Tomicevic e Zoric, que fizeram as melhores parciais entre 500m e 750m e já apareciam em 3º, enquanto os portugueses assumiam a vice-liderança e os australianos caíam para 4º. Na parcial final, novamente os sérvios fizeram a melhor, tirando 2s dos alemães, que se esforçaram para manter a frente e vencer com 3:10.781 contra 3:70.969 da Sérvia. Fechando muito bem também, a Austrália assumiu o 3º lugar e levou o bronze com 3:12.593 contra 3:12.889 da dupla de Portugal.

Este foi o 1º ouro de Max Rendschmidt e de Marcus Gross, que levaria o 2º dois dias depois no K4 1.000m e o 4º da Alemanha na prova a história. Bronze no último mundial, a prata de Marko Tomicevic e Milenko Zoric foi a 1ª medalha da Sérvia na história da canoagem como país (há outras como Iugoslávia). O australiano Ken Wallace faturou sua 3ª medalha olímpica, sendo que as outras 2 vieram em Pequim-2008.

K-4 1.000m masculino

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Max Rendschmidt, Tom Liebscher, Max Hoff e Marcus Gross (GER)

A equipe da Eslováquia havia vencido o Mundial de 2015 e contava com a mesma composição do barco pro Rio-2016. Prata em 2015, a Hungria vinha com uma equipe completamente diferente e renovada e, portanto, não figurava mais entre as favoritas. Sem vencer o ouro na prova desde Atlanta-1996, a Alemanha chegou embalada nesta que foi a última final dos Jogos, vinda de 3 ouros na Lagoa Rodrigo de Freitas.

A equipe alemã venceu a 1ª bateria eliminatória com 2:52.836 enquanto a República Checa, bronze no mundial de 2015, venceu a 2ª com 2:52.027. Nas semifinais, Austrália, Eslováquia, Portugal e Espanha também avançaram, enquanto a Hungria decepcionou mais uma vez e teve que disputar Final B, assim como a forte equipe russa.

Na decisão, a equipe alemã dominou de início ao fim. Com metade da prova, já tinha perto de 1s de vantagem sobre os eslovacos e foram abrindo. Seguindo o ritmo forte, já tinha 1.78 nos 750m e abriram mais ainda para vencer com 3:02.143 contra 3:05.044 da equipe eslovaca, que se manteve em 2º lugar durante toda a prova. A República Checa assumiu o 3º lugar com 200m de prova e não perdeu mais. Austrália, Espanha e Portugal completaram o top-6.

A equipe alemã foi formada por Max Rendschmidt, Tom Liebscher, Max Hoff e Marcus Gross. Rendschmidt e Gross venceram também o K-2 1.000m no Rio. Hoff levou sua 2ª medalha olímpica após o bronze no K-1 1.000m de Londres e Liebscher faturou a sua 1ª. Na equipe eslovaca, destaque para Erik Vlcek, que faturou a sua 3ª medalha olímpica. Já o barco checo tinha exatamente a mesma formação que em Londres, quando também foram bronze.

K-1 500m feminino

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Danuta Kozak (HUN)

Depois de vencer os 200m, a neozelandesa Lisa Carrington chegava forte para os 500m, com o título mundial de 2015 na bagagem. Ela venceu a sua bateria com tranquilidade, fechando em 1:54.765, apenas o 12º tempo no geral após as 4 eliminatórias. Campeã em Londres-2012, a húngara Danuta Kozak seguia rumo ao bi com força, vencendo a sua bateria. O melhor tempo foi da azeri Inna Osypenko-Radomska, com 1:51.750.

Nas semifinais, a bielorrussa Maryna Litvinchuk levou a 1ª com 1:55.641, ficando a frente de Carrington, 2ª, mas garantida na Final A. Kozak levou a 2ª semi enquanto a alemã Franziska Weber vecneu a 3ª. Bronze em Londres, a sul-africana Bridgette Hartley foi apenas a 5ª na sua semi e foi para a Final B.

A húngara dominou a final A. Largando forte, liderou praticamente desde o início, com a bielorrusa Litvinchuk na sua cola até a metade, com Osipenko-Radomska logo atrás e as outras 6 bem próximas. Kozak aumentou a velocidade e com 350m já tinha quase 1 barco de vantagem. Osipenko-Radomska cansou e foi ficando para trás enquanto 4 barcos seguiam juntos na briga pela prata e bronze, incluindo uma Carrington em recuperação. Danuta Kozak cruzou isolada na frente em 1:52.494 enquanto a dinamarquesa Emma Jorgensen, Carrington e Litvinchuk cruzavam muito próximas atrás. Jorgensen ficou com a prata com 1:54.326 e Carrington com o bronze com 1:54.372.

Danuta Kozak venceria outras 2 provas no Rio e chegaria a 5 ouros olímpicos na carreira, além dos 11 títulos mundiais. Foi o 4º título húngaro da prova. A prata de Emma Jorgensen foi a 1ª medalha dinamarquesa a prova desde Melbourne-1956 e Lisa Carrington chegou a sua 3ª medalha olímpica.

K-2 500m feminino

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Gabriella Szabo e Danuta Kozak (HUN)

Ao lado de Gabriella Szabó, Danuta Kozak era novamente a grande favorita. A dupla veio para substituir a parceria de Katalin Kovacs e Natasa Janics, que já venceu 2 ouros e 1 prata em Jogos Olímpicos. Kozak e Szabo venceram juntas 3 mundiais, mas seriam fortemente ameaçadas pelas alemãs Franziska Weber e Tina Dietze, campeãs de Londres e mundiais em 2013.

Szabo e Kozak venceram bem a 1ª eliminatória, assim como as alemãs na 2ª, ambas avançando diretamente para a final. Nas semifinais, melhor tempo da dupla polonesa de Karolina Naja e Beata Mikolajczyk.

Numa grande final, a dupla alemã começou se impondo. Weber e Dietze lideraram até 230-240m, quando Szabo e Kozak passaram na parcial de 250m e lideraram por 0.28. As alemãs começavam a ficar pra trás e brigar pela prata com a Polônia, mas acertaram o sincronismo e alcançaram a Hungria. Forçando mais ainda, Szabo e Kozak seguraram as alemãs e venceram com 1:43.687, apenas 0.051 na frente das alemãs! Com tranquilidade, a dupla polonesa levou a prata, deixando Ucrânia, Rússia e Bielorrússia em seguida.

Este foi o 3º ouro de Danuta Kozak e o 2º de Gabriella Szabo. Mas Kozak venceria ainda o K-1 500m dois dias depois e ambas levariam o ouro no K-4 500m quatro dias depois. Foi o 3º ouro húngaro na prova em 4 Olimpíadas. Naja e Mikolajczyk repetem o bronze de Londres.

K-4 500m feminino

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Gabriella Szabo, Danuta Kozak, Tamara Csipes e Krisztina Fazekas (HUN)

Desde Seul-1988 o ouro da prova alternou entre Alemanha e Hungria e em 6 dessas últimas 7 Olimpíadas esses dois países levaram ouro e prata. Tirando o Mundial de 2015, vencido pela equipe da Bielorrússia, foram 5 vitórias seguidas da Hungria e 28 seguidos com ouro para um desses países.

A Bielorrússia venceu a 1ª eliminatória com 1:30.320 enquanto a Hungria levou a 2ª com 1:29.497, enquanto a equipe alemã foi apenas 3ª na bateria. Nas semifinais, a equipe alemã venceu a sua bateria para se classificar à final com o melhor tempo com 1:34.710.

Na decisão, Alemanha e Hungria ficaram lado a lado até a metade, passando praticamente juntas na parcial de 250m, enquanto a equipe da Rússia vinha em 3º, com quase 1 barco de diferença. Só que a equipe húngara foi mais forte para fechar e vencer com 1:31.482 contra 1:32.383. A Bielorrússia passou a Rússia no final e levou o bronze. O pódio foi exatamente igual ao de Londres-2012.

Gabriella Szabo, Danuta Kozak e Krisztina Fazekas repetiram o ouro de Londres com Tamara Csipes completando a equipe no lugar da grande Katalin Kovacs, agora aposentada. Apenas Franziska Weber e Tina Dietze estavam na equipe alemã prata em Londres enquanto 3 canoístas da Bielorrússia repetiram o bronze vencido em Londres.

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