Resumo Rio-2016 – Atletismo: barreiras e revezamentos

110m com barreiras masculino

Athletics - Men's 110m Hurdles Final

Quatro grandes ausências marcaram a prova: os americanos Aries Merritt e David Oliver, que não passaram pelas seletivas americanas, o russo Sergey Shubenkov, por conta do banimento russo do atletismo, e o jamaicano Hansle Parchment, machucado. A melhor marca de inscrição foi de outro jamaicano: Omar McLeod, com 12.98 e vindo do ouro nos 60m com barreiras do mundial indoor deste ano.

Muita chuva nas duas primeiras baterias das eliminatórias. Ainda assim, Omar McLeod fez o melhor tempo com 13.27 logo na 1ª. Bons tempos do francês Dimitri Bascou e do americano Ronnie Ash com 13.31 e do espanhol Orlando Ortega com 13.32. Como a chuva parou da 3ª bateria em diante, foi decidido que os que não avançaram nas 2 primeiras correriam novamente, para tentar classificar por tempo, o que só aconteceu pro jamaicano Deuce Carter, que venceu essa repescagem com 13.51. Nas semifinais, novamente McLeod fez o melhor tempo com 13.15 para vencer a 2ª semi, na frente do francês Pascal Martinot-Lagarde com 13.25. Seu compatriota Bascou venceu a 3ª com bons 13.23. Os dois brasileiros passaram para a semi, mas pararam nela. João Vitor de Oliveira foi 8ª na semi 2 com 13.85 e Éder Souza foi desclassificado da semi 3, por não passar corretamente pelas barreiras.

Na final, McLeod e os franceses Bascou e Martinot-Lagarde estavam lado a lado até a 5ª barreira, quando o jamaicano se desgarrou dos franceses. Martinot-Lagarde bateu forte na 6ª barreira e Bascou não foi limpo na 7ª, dando mais espaço ao jamaicano. Aí, o espanhol Orlando Ortega e o americano Ronnie Ash começaram a alcançar os franceses. Só que na pª barreira, Ash tropeçou e derrubou a 10ª, mas terminou em 3º. Apesar disso, foi desclassificado. Omar McLeod fechou pro ouro com 13.05 e o espanhol Orlando Ortega foi prata com 13.17. Com a desclassificação do americano, Dimitri Bascou ficou com o bronze com 13.24, deixando Martinot-Lagarde em 4º com 13.29. Primeiro ouro jamaicano na prova em Olimpíadas e a primeira vez na história que um americano não subiu ao pódio da prova (tirando o boicote de Moscou-1980).

400m com barreiras masculino

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A prova contou com a ausência do dono da melhor marca do ano, o americano Johnny Dutch, que não passou pelas seletivas. Nas baterias eliminatórias, o melhor tempo ficou com o jamaicano Annser Whyte com 48.37. Alguns fortes nomes ficaram ainda nas eliminatórias. Campeão mundial em 2015, o queniano Nicholas Bett foi desclassificado por derrubar de propósito uma barreira na bateria 5. Além dele, também ficaram de fora o americano Michael Tinsley, prata em Londres, e o campeão mundial de 2013, o trinitino Jehue Gordon, apenas com 49.90 na bateria 4.

Nas semifinais, o melhor tempo foi americano Kerron Clement, com 48.26 na 1ª semifinal. O jamaicano Jaheel Hyde com 49.17 e o sul-africano L.J. van Zyl com 49.00 pararam na semi, também. Na 2ª semi, vitória do jamaicano Whyte com 48.32 e na 3º do irlandês Thomas Barr com 48.39, recorde nacional.

Na final, largada falsa do porto-riquenho Javier Culson, bronze em Londres. Valendo, o cubano Yosmani Copello, que compete pela Turquia, saiu na frente, mas Clement, Whyte e o queniano Boniface Tumuti o alcançaram. Aí era a vez de Clement ir pra frente e começar a abrir. Na 9ª barreira, Tumuti e Whyte estavam emparelhados e Clement já tinha uma certa vantagem sobre os demais, mas aí Copello e o irlandês Thomas Barr começaram a crescer. Kerron Clement caiu um pouco, mas conseguiu manter a liderança para levar o ouro com 47.73, com o queniano Boniface Tumuti na prata com 47.78. Yasmani Copello passou o jamaicano e levou o bronze com 47.92. Thomas Barr foi 4º com 47.97 e Annsert Whyte 5º com 48.07.

Revezamento 4x100m masculino

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Última prova olímpica do mito Usain Bolt, que buscava completar o triplo-triplo, após as vitórias nos 100m e 200m. Nas eliminatórias, o melhor tempo ficou com a equipe dos EUA com 37.65 para vencer a bateria 1, enquanto o Japão, que cresce a cada ano, venceu a bateria 2 com 37.68, recorde asiático. Sem Bolt, a Jamaica correu para classificar ficando atrás dos japoneses com 37.94, apenas o 5º tempo geral. Correndo na mesma bateria, o Brasil fez 38.19 e passou para a final como 8º tempo.

Já na final, EUA na raia 3 e Jamaica na 4, lado a lado. Mike Rodgers pelos americanos e Asafa Powell pela Jamaica começaram bem, com o japonês Ryota Yamagata logo atrás. Depois, foi a vez de Justin Gatlin e Yohan Blake. Na 2ª passagem, para Tyson Gay e Nickel Ashmeade, o Japão estava emparelhado, com o recordista mundial de menores Yoshihide Kiryu. Na última passagem, Trayvon Bromell contra Usain Bolt, que só aumentou a distância. Bromell, que não fez uma boa Olimpíada, viu Asuka Cambridge passá-lo para o Japão seguir para a prata. Usain Bolt completou em 37.27 para faturar seu 9º ouro olímpico e dar a vitória para a Jamaica. O Japão ficou com a prata com 37.60, novamente recorde asiático, com Bromell caindo na chegada para ficar em 3º. Mas 15 minutos depois, enquanto todos comemoravam, veio o anúncio da desclassificação americana, por conta de uma troca errada de bastão. Logo na 1ª passagem, Gatlin largou antes e pegou o bastão de Rodgers antes da zona de troca. Com isso, o Canadá herdou um bronze com 37.64, recorde nacional. O Brasil completou em último com 38.41, mas por conta das desclassificações de EUA e Trinidad & Tobago terminou em 6º.

Revezamento 4x400m masculino

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Era muito difícil alguém tirar o ouro dos americanos na prova. Nas baterias eliminatórias, a Jamaica fez o melhor tempo vencendo a 1ª com 2:58.29 seguida dos americanos com 2:58.38. A Bélgica, com os 3 irmãos Borlée na formação venceram a 2ª com 2:59.25, recorde nacional. O Brasil foi 4º na 2ª bateria com 3:00.43 e passou para a final em 8º, graças à desclassificação da equipe britânica.

Isaac Makwala, de Botsuana, começou voando na final, com a Jamaica logo atrás. Makwala entregou primeiro e Jamaica e EUA foram quase juntas. A prova seguia raiada até o final o da próxima curva. Tony McQuay assumiu pelos americanos e, ao fim da curva, já estava ao lado da Botsuana. Michael Mathieu pôs a Jamaica em 3º, passando a Jamaica, que agora brigava com a Bélgica. No meio da reta final desta perna, Karabo Sibanda pôs Botsuana na frente de novo, mas como o americano entrou na reta antes, Sibanda foi obrigado a ir a raia 2 e com isso Gil Roberts assumiu a liderança pros americanos novamente. Nesse momento, a Jamaica já buscava as 2 equipes e Roberts quase derrubou o bastão correndo sozinho. Na última troca, foi a vez de LaShawn Merritt, bronze nos 400m, correr pelos EUA enquanto Bahamas contava com seu principal corredor, Chris Brown. Na reta oposta, Leaname Maotoanong segurava o 2º lugar para Botsuana, mas Bahamas, Jamaica e Bélgica encostaram. Na curva final, Brown passou o jamaicano Javon Francis e Maotoanong para assegurar o 2º lugar, já que Merritt disparava já com o ouro nas mãos até completar com 2:57.30, melhor tempo do mundo em 2016 e ouro para os Estados Unidos. Jamaica foi prata com 2:58.16 e Bahamas bronze com 2:58.49. Kevin Borlée saltou para tentar passar Chris Brown, mas temrinou em 4º com 2:58.52 e Botsuana foi 5º com 2:59.06. Fazendo péssima prova, Brasil foi 8º com 3:03.28.

100m com barreiras feminino

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Não era difícil imaginar um pódio como foi, com 3 americanas. Apesar do favoritismo, a maior ausência da prova (e uma das maiores dos Jogos) era a americana Kendra Harrison, que bateu o recorde mundial menos de um mês antes na Diamond League de Londres, com 12.20. Mas como ela foi 4ª na seletiva americana, não se classificou pro Rio-2016.

Mesmo sem a Harrison, o show foi americano. Na 1ª rodada, o melhor tempo veio de Brianna Rollins com 12.54 na 6ª e última bateria. Nas semifinais, Rollins seguiu com o melhor tempo ao vencer a 1ª semi com 12.47. Nas outras 2 semis, vitórias americanas com Nia Ali com 12.65 e Kristi Carlin com 12.63.

Desde a primeira barreira da final, Rollins assumiu a liderança e só perderia o ouro por um infortúnio. Nia Ali era a única que realmente estava perseguindo Rollins. Nas primeiras barreiras, as britânica Cindy Ofili e Tiffany Porter brigavam pela 3ª posição e Kristi Carlin estava em último. Mas na metade da prova, Carlin começou a crescer e foi passando uma por uma. Na última barreira, entrou em 4º e saiu em 3º, na frente de Ofili. Brianna Rollins venceu com 12.48, 1m na frente da sua compatriota Nia Ali com 12.59 e, fechando o pódio todo americano, Kristi Carlin com 12.61. Foi o único pódio do Rio-2016 com apenas um país e a 1ª vez que isso acontece nesta prova na história olímpica.

400m com barreiras feminino

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Apenas uma medalhista de Londres e do último mundial estava na prova, a checa Zuzana Hejnová, mas longe da sua melhor forma. Nas eliminatórias, o melhor tempo foi na 1ª bateria com a jamaicana Ristananna Tracey com 54.88, única abaixo dos 55s. A americana Ashley Spencer com 55.12 e a dinamarquesa Sara Petersen com 55.20 com os tempos seguintes.

Nas semifinais, o melhor tempo foi da americana Dalilah Muhammad com 53.89 na 3ª bateria. Muhammad, aliás, era a dona do melhor tempo do ano, com 52.88 nas seletivas americanas. Na mesma bateria de Muhammad, Sara Petersen foi 2ª com 54.55, mesmo de Ashley Spencer, que venceu a 2ª. Tempos fracos até aqui, com nenhuma atleta melhorando seu tempo pessoal.

A disputa da final foi entre Muhammad e Petersen. A americana abriu logo no início, se mantendo sempre a frente da dinamarquesa, mantendo a distância entre as duas constante. Com tranquilidade e sem adversárias, Dalilah Muhammad venceu com 53.13 e Sara Petersen cruzou em 2º com 53.55. Na briga pelo bronze, a checa Hejnová e a jamaicana Janieve Russel iam lado a lado, enquanto a americana Ashley Spencer brigava para não ficar em último, a uns 3m da disputa pelo bronze. Mas na 8ª barreira, Russel cansou e Spencer aumentou o passo, passando as 3 jamaicanas da final e Hejnová para levar o bronze com 53.72. A checa foi 4ª com 53.92. Por mais incrível que possa parecer, essa foi apenas a 1ª vez que os EUA levaram o ouro nesta prova em Olimpíadas!

Revezamento 4x100m feminino

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Provavelmente uma das provas mais polêmicas dos Jogos. Na 1ª bateria eliminatórias, a Jamaica venceu com 41.79, com a Grã-Bretanha em 2º com 41.93. Mas o bicho pegou na 2ª bateria. As americanas vinham muito bem, até que na 2ª passagem, de Allyson Felix para English Gardner, o bastão caiu para desespero da equipe. Sem terminar, viram a Alemanha vencer com 42.18. Quem corria na raia ao lado das americanas eram as brasileiras, que não contavam com Ana Cláudia Lemos na equipe. Aparentemente, Kauiza Venancio atrapalhou a passagem americana e o Brasil também foi desclassificado. Os EUA entraram com um recurso que foi aceito pelos árbitros. As americanas, então, correram sozinhas e só se classificariam por tempo, precisando baixar de 42.70. Se problemas e elas fizeram 41.77, tempo até melhor que o da Jamaica.

Mesmo na raia 1, as americanas fizeram uma prova perfeita. Tianna Bartoletta abriu na frente e entregou para Allyson Felix que manteve a vantagem. Sem problemas na passagem para English Gardner que seguia liderando. A Jamaica, que não começou bem, viu sua 2ª corredora, a campeã dos 100m e dos 200m Elaine Thompson tirar um pouco da diferença e assumir a 2ª colocação. Na última passagem, de Gardner para Tori Bowie, os EUA tinham uma vantagem de 3m sobre a Jamaica. Shelly-Ann Fraser-Pryce chegou a diminuir a diferença, mas Torie Bowie seguiu pro ouro para vencer com 41.01 enquanto a Jamaica levou a prata com 41.36. Na disputa pelo bronze, Daryll Neita passou Trinidad & Tobago e deu o bronze pra Grã-Bretanha com 41.77, recorde nacional. A Alemanha foi 4ª com 42.10 e Trinidad & Tobago ficou em 5º com 42.12.

Revezamento 4x400m feminino

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Sem perder esta prova desde Atlanta-1996, as americanas eram super favoritas novamente. Nas eliminatórias, venceram a 1ª bateria se problemas com 3:21.42, muito a frente da Ucrânia com 3:24.54, enquanto o Brasil ficou em último com 3:30.27. Na 2ª bateria, vitória jamaicana com 3:22.38, com boa vantagem sobre a Grã-Bretanha com 3:24.81.

Desde o início da final, as americanas lideravam, com Courtney Okolo abrindo a prova, e um pouco ameaçada pela jamaicana Stephenie Ann McPherson. Natasha Hastings seguiu liderando para os EUA. A Jamaica seguia perseguindo as americanas, enquanto o resto das equipes ficava cada vez mais longe. Na 2ª passagem, Phyllis Francis seguiu na frente, mas Shericka Jackson, bronze nos 400m, se aproximou da americana. Mais atrás, a briga pelo bronze estava entre Canadá, Grã-Bretanha, Polônia e Austrália. Na última passagem, Jackson encostou em Francis e a diferença era bem pequena, enquanto as outras equipes disputavam outra prova, uns 40m atrás das líderes.

As americanas mudaram a estratégia do Mundial do ano passado, quando Allyson Felix foi a 3ª e fez uma prova espetacular, entregando para Francena McCorory, que acabou perdendo para a jamaicana Novlene Williams-Mills. Desta vez, foi a vez de Felix fechar o revezamento e o fez de maneira incrível. Na reta oposta, Williams-Mills se aproximava a cada passo de Felix e parecia que na reta final iria passar novamente, mas não se brinca com Allyson Felix. A americana acelerou na curva final e seguiu até vencer com 3:19.06, deixando a Jamaica quase 10m atrás para levar a prata com 3:20.34. Fechando com a veterana Christina Ohuruogu, ouro nos 400m em Pequim, a Grã-Bretanha levou o bronze com 3:25.88. Sexto ouro seguido dos Estados Unidos na prova e 1ª pódio britânico desde Barcelona-1992.

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