Resumo Rio-2016 -Atletismo: meio-fundo e fundo

1.500m masculino

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Matthew Centrowitx (USA)

Prova bem fraca pro nível esperado. Na 1ª rodada, 2 das baterias foram com bons tempos. Na 1ª, o queniano Asbel Kiprop, um dos favoritos, venceu com 3:38.97 com Ayanleh Souleiman, de Djibuti, em 3º. Na 2ª, vitória do argelino Taoufik Makhloufi com 3:46.82. Na 3ª bateria, o melhor tempo da rodada veio com o checo Jakub Holusa com 3:38.31. A principal ausência nas semifinais foi o norueguês Filip Ingebrigtsen, campeão europeu este ano e desclassificado por obstruir outro atleta. Nas semifinais, prova um pouco mais fracas que as eliminatórias. Kiprop levou a 1ª com 3:39.73 e o queniano Ronald Kwemoi faturou a 2ª com 3:39.42.

Na final, ritmo muito fraco, com ninguém querendo assumir a liderança, que estava com os americanos Matthew Centrowitz e Ben Blakenship. Kiprop, Makhloufi e Souleiman estavam no fundo, só estudando. Primeira volta fraca com 66.83. Na 2ª volta, começou a aparecer o neozelandês Nick Willis, que assumiu a ponta. Mas logo viu o Kiprop ir pra frente e o queniano Ronald Kwemoi cair, mas ele buscou o pelotão, já que o ritmo estava bem fraco, tanto que a 2ª volta foi mais lenta ainda com 69.76. Na 3ª volta, Souleiman começou a crescer e se tornou o novo líder, mas ele manteve o ritmo, sem disparar e com isso Centrowitz passou o africano.Na última volta, o Kiprop apertou o passo para acompanhar o americano, que jogou o queniano para a raia 2, que não aguentou o ritmo do americano e teve que se segurar para que o neozelandês Willis não o passasse, mas 4 atletas o passaram no final. Vitória de Matthew Centrowitz com 3:50.00, seguido do argelino Taoufik Makhloufi com 3:50.11 e do neozelandês Nick Willis com 3:50.24. Foi a primeira vitória de um americano na prova desde Londres-1908 e ainda quebrou uma sequência de 5 ouros africanos na prova. Makhloufi, que havia vencido em Londres, caiu uma posição no pódio e Willis, prata em Pequim, volta ao pódio olímpico.

5.000m masculino

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Mo Farah (GBR)

Na 1ª rodada, o etíope Hagos Gebrhiwet venceu a 1ª bateria com 13:24.65 enquanto o americano Paul Chelimo levou a 2ª com 13:19.54. Aliás, os 10 primeiros da 2ª bateria fizeram tempo melhor que o etíope. Vale observar que os 3 quenianos na prova não avançaram para a final. Entretanto, outros 3 quenianos chegaram à final, mas competindo por outros países: 2 pelos Estados Unidos e 1 por Bahrain.

O britânico nascido na Somália Mo Farah queria completar o duplo-duplo (5.000m e 10.000m), tendo vencido a prova mais longa uns dias antes. A prova começou como esperado, com dois etíopes assumindo a liderança e Farah ficando por último. Mas Dejen Gebremeskel e Gebrhiwet aumentaram o ritmo seguidos do americano Paul Chelimo. Com isso, Farah teve que mudar sua tática e foi pra frente do pelotão antes do esperado. A partir da metade da prova, Farah manteve a liderança e controlava o ritmo, com uma fila indiana atrás dele. Nos últimos 600m, a corrida começou a apertar. Farah segurou a tentativa de Joshua Cheptegei, de Uganda, de abrir, mas aí apareceu o etíope Gebrhiwet, que passou por fora dos outros e por fim passou o britânico, não querendo repetir os 2 últimos mundiais, vencidos por Farah.

O etíope não aguentou e com isso o americano Chelimo forçou e ficou no meio dos dois.Os dois disputaram metro a metro na última volta, mas não alcançavam o britânico. Na última curva, Chelimo foi pra fora tentando passar Farah e Gebrhiwet e quase o conseguiu, mas o britânico aumentou o passo e venceu com 13:03.30. Paul Chelimo foi prata com 13:03.90 e Hagos Gebrhiwet completou o pódio com 13:04.35. Em sua 5ª Olimpíada, o americano Bernard Lagat com 41 anos foi 5º com 13:06.78, batendo o recorde mundial máster.

10.000m masculino

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Mo Farah (GBR)

Sem perder em uma competição importante na distância desde 2011, Mo Farah controlou a prova para levar mais um ouro. O queniano Paul Tanui foi para a frente do pelotão e Mo Farah se manteve lá o fundo, como de costume. Permaneceu no final por mais de 2km de prova. Na 7ª volta, Farah e o americano Galen Rupp se chocaram e o britânico caiu na pista. Levantando-se rapidinho, Farah alcançou o pelotão e se manteve em 4º. Com 4 voltas pro final, 6 atletas se destacavam e Farah assumiu a frente, mas sem disparar, apenas controlando a corrida.

Na última volta, o britânico seguia na frente, mas Tanui apertou para tentar passá-lo. Com 300m pro fim, o queniano abriu e passou Farah, mas na última curva o britânico ligou o turbo e deixou o etíope para trás para vencer com 27:05.17. Tanui foi prata com 27:05.64. Na briga pelo bronze, Rupp viu dois etíopes o passarem quase na chegada, mas Tamirat Tola passou com 27:06.26, apenas 1 centésimo mais rápido que Yigrem Demelash. Com 27:08.92, Rupp cruzou em 5º. Farah se tornou o 6º da história a vencer os 10.000m por duas vezes e o 5º a fazê-lo de maneira seguida. Aliás, foi o 3º atleta consecutivo a fazer a dobradinha, seguindo os mitos Haile Gebrselassie e Kenenisa Bekele.

3.000m com obstáculos masculino

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Conseslus Kipruto (KEN)

Expectativa de mais um pódio dominado pelos quenianos na prova. Mas não foi bem assim. Nas eliminatórias, o americano Hillary Bor venceu a 1ª bateria com 8:25.01 e o quenaino Ezekiel Kemboi, ouro em 2004 e 2012, foi o 3º com 8:25.51, ficando entre os 3 primeiros que passavam automaticamente para a final. Na 2ª bateria, mais um americano na frente: Evan Jager com 8:25.86. Na 3ª, a mais forte das 3, venceu o queniano Conseslus Kipruto com 8:21.40. O forte ritmo foi ótimo pro brasileiro Altobeli da Silva, que fechou em 6º com 8:26.59 e garantiu vaga na final por tempo.

Na final, realizada pela manhã do dia 17 de agosto, Conseslus Kipruto largou na frente e já havia uma fila e não um pelotão na prova. Na 2ª volta, Kipruto apertou e só foi acompanhado pelo americano Evan Jager e abriu-se um buraco na prova. O bicampeão olímpico Kemboi, o queniano campeão de Pequim Brimin Kipruto, Jacob Araptany, de Uganda, e Yemane Haileselassie, da Eritreia, se juntaram e estravam se aproximando dos líderes. Quando, no último obstáculo da 3ª volta, Araptany se desequilibrou e levou um tombo feio. Faltando 2 voltas, mais uma queda, agora com o tunisiano Amor Ben Yahia.

A corrida seguiu da mesma maneira, com Jager na frente até pouco antes do sino da última volta. No penúltimo salto sobre o rio, Kemboi passou na frente, mas no obstáculo seguinte o líder já era Kipruto e os quenianos foram lado a lado. No último salto sobre o rio, Kipruto forçou e um cansado Kemboi ficou para trás, assim, Conseslus Kipruto fechou com 8:03.28, novo recorde olímpico e o ouro. Evan Jager aproveitou o cansaço do outro queniano e o passou na reta final para levar a prata com 8:04.28, enquanto Ezekiel Kemboi passou em 3º. Bem longe, o francês Mahiedine Mekhissi-Benabbad, prata nas últimas 2 Olimpíadas, cruzou em 4º com 8:11.52.

Mas depois da corrida, a equipe da França entrou com um recurso, dizendo que Kemboi pisou fora da pista após um obstáculo. Os árbitros viram o vídeo e confirmaram a desclassificação do queniano. Com isso, o francês herdou o bronze. O brasileiro Altobeli da Silva ficou na ótima 9ª posição com 8:26.30. Kemboi anunciou sua aposentadoria após a corrida. Com a vitória de Kipruto, o Quênia agora tem uma sequencia espetacular de 9 ouros olímpicos seguidos na prova e o francês se torna o 1º atleta a subir 3 vezes seguidas ao pódio da prova.

1.500m feminino

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Faith Kipyegon (KEN)

Na 1ª rodada, sem surpresas, pois mais da metade avançava para as semifinais. O melhor tempo foi da etíope Dawit Seyaum com 4:05.33. Nas semifinais, duas provas de nível bem parecido, com a favorita etíope Genzebe Dibaba fazendo o melhor tempo com 4:03.06. Principal ausência na final seria da americana Brenda Martinez, bronze no mundial de 2013 nos 800m.

Na final, o objetivo era não deixar Genzebe Dibaba escapar. A prova começou muito lenta, com a primeira volta sendo completada em altíssimos 1:16.57, com a etíope indo pro fim da fila. Cansadas do ritmo lento, as atletas aumentaram o passo e com 700m Dibaba e a holandesa Sifan Hassan foram pra frente, mas com o pelotão colado. Quem foi pra disputa com a etíope foi a britânica Laura Muir, com 6 vindo logo atrás. No toque do sino, a queniana Faith Kipyegon chegou ao lado de Dibaba e as duas ficaram lado a lado.

Fatando 200m, Kipyegon disparou deixando a etíope pra trás para vencer com 4:08.92. A briga pelo bronze aumentou atrás com as americanas Jennifer Simpson e Shannon Rowbury, Sifan Hassan e Laura Muir. Na entrada da reta final, Simpson abriu e no sprint final quase ultrapassou Dibaba. A etíope foi prata com 4:10.27 enquanto Simpson pegou o bronze com 4:10.53.

5.000m feminino

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Vivian Cheruiyot (KEN)

Nas eliminatórias, o foco foi todo para a 2ª bateria, mas não pelos tempos das vencedoras, mas sim pelo que aconteceu entre as últimas. A americana Abbey D’Agostino e a neozelandesa Nikki Hamblin se chocaram e ambas caíram. A americana levantou antes e, ao invés de correr, parou para ajudar Hamblin. Um pouco depois, D’Agostino sentiu uma lesão e caiu novamente. Aí foi a vez de Hamblin parar para encorajar a americana a levantar e terminar a corrida. Elas foram as últimas, mas ainda assim os árbitros cederam vagas na final. Além disso, ambas receberam o prêmio de Fair Play pelo Comitê Internacional de Fair Play. O melhor tempo das eliminatórias foi da etíope Almaz Ayana nesta mesma bateria com 15:04.35.

A final começou meio confusa com os árbitros corrigindo a saída por 3 vezes. No início, as 4 quenianas na disputa (3 por Quênia e 1 pela Turquia) foram pra frente e forçaram Ayana a acelerar. A etíope disparou e abriu 25m sobre o pelotão e a distância aumentava a cada volta. No último quilometro, a distância entre Ayana e as quenianas parou de aumentar. Com 300m faltando, Vivian Cheruiyot e Hellen Obiri chegaram em Ayana e passaram a etíope. Vivian Cheruyot venceu com 14:26.17, bem a frente de Hellen Obiri com 14:29.77. Almaz Ayana sofreu para terminar e pegar o bronze com 14:33.59. As 3 correram abaixo do recorde olímpico anterior. Por incrível que pareça, esse é o 1º ouro do Quênia nos 5.000m feminino.

10.000m feminino

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Almaz Ayana (ETH)

Foi a primeira final do atletismo nos Jogos e já tivemos um recorde mundial logo na abertura! Foi na manhã do dia 12 de agosto, uma sexta-feira, que Almaz Ayana brilhou. A etíope já tinha corrido no ano para 30:07.00, melhor tempo em 7 anos, mas tinha como grandes adversárias a campeão olímpica em Londres, sua compatriota Tirunesh Dibaba, e a campeã mundial em Pequim-2015, a queniana Vivian Cheruiyot.

Eram 37 atletas na prova, mas após 2km o pelotão da frente já tinha apenas 8 corredoras: 3 quenianas, 3 etíope, a americana Molly Huddle e a turca Yasemin Can. O ritmo foi muito forte, algo inesperado para uma competição mundial, já que não há coelho. Na metade da prova, Ayana assumiu a liderança, que era da queniana Alice Nawowuna e não perdeu mais. Com o fortíssimo ritmo de 71s por volta, Ayana deu pelo menos uma volta em quase 25 atletas e completou com o incrível tempo de 29:17.45! Baixou o tempo do recorde anterior, que vinha desde 1993, em 14 segundos! Prata para Vivian Cheruiyot com 29:32.53, recorde nacional, e bronze para a etíope Tirunesh Dibaba. A prova foi tão forte que tivemos a quebra de 8 recordes nacionais! Em 8 edições olímpicas da prova, este foi o 5º ouro etíope, o 3º seguido.

3.000m com obstáculos feminino

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Ruth Jebet (BRN)

A primeira bateria das eliminatórias foi bem forte com a favorita Ruth Jebet, do Bahrain, vencendo com 9:12.62. Na 2ª, vitória da queniana Beatrice Chepkoech com 9:17.55 e na 3ª da também queniana Hyvin Jepkemoi com 9:24.61.

Na final, Jebet fez sua estratégia, que tem sido bem sucedida em outras competições. Ficou as 2 primeiras voltas com o pelotão, mas, faltando pouco mais de 5, começou a forçar e abrir. Apenas a queniana Jepkemoi e a americana Emma Coburn acompanhara o seu ritmo, e as 3 abriam cada vez mais do pelotão. Após mais 2 voltas, Jebet abriu das duas e já tinha uma boa vantagem, enquanto a queniana deixava a americana para trás. As duas travavam uma boa batalha pela prata, enquanto Jebet estava tranquila na frente. Tanto que Ruth Jebet cruzou pro ouro com 8:59.75, estabelecendo o novo recorde asiático. Na reta final, Coburn passou a queniana, que tirou do fundo energias para um sprint final para ultrapassar a americana. Hyvin Jepkemoi foi prata com 9:07.12 e Emma Coburn bronze com 9:07.63, novo recorde continental. Foi o 1º ouro da história olímpica pra o Bahrain e a 1ª medalha americana nesta prova nos Jogos. O tempo da barenita foi o 2º melhor da história, ficando a menos de 1s do recorde mundial, que ela quebraria alguns dias depois dos Jogos, em Paris.

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