Um amante de esportes e o Oscar

Mais de um bilhão de audiência e cada um torcendo pros seus favoritos. Quando um ganha, a equipe toda celebra e a vitória é contabilizada num quadro informal, não oficial. Muitos são ídolos de adultos e crianças, que nos emocionam em seus dramas e em suas vitórias. Alguns chegam como grande favoritos e só perderiam por uma desgraça. Outros são azarões e vencem quando menos se espera. Algumas competições tem regras estanhas, competidores que nunca ouvimos falar e dificilmente veremos novamente. Vem de vários lugares do mundo, buscando o seu melhor.

Seria a descrição de uma competição olímpica, mas na verdade é sobre a cerimônia do Oscar deste domingo.

Esporte e cinema são dois assuntos que acompanho de maneira intensa e o Oscar é o auge para mim. Desde criança não perdi uma cerimônia. Rio das piadas bestas, adoro os número musicais cafonas, amo quando meus atores favoritos vencem, tenho ódio quando um filme que detestei ou algum ator que não suporto leva o prêmio. Exatamente como na maior festa do esporte.

Dois temas aparentemente bem diferentes ontem se encontraram de uma forma bem sutil.

Não estou falando do filme Foxcatcher, que falava da história dos irmãos Schultz, vencedores de ouros olímpicos e mundiais na década de 80 e que contava com 5 indicações, perdendo todas. O que me chamou a atenção na noite passada foram os discursos e as temáticas abordadas por alguns filmes.

Em sua maioria, belos discursos, como do JK Simmons, Oscar de ator coadjuvante, do Graham Moore, roteirista de O Jogo da Imitação, da Patricia Arquette, Oscar de atriz coadjuvante. Da temática de Para Sempre Alice e de A Teoria de Tudo, que renderam aos seus protagonistas um Oscar cada.

O discurso do Moore foi o mais emblemático. Foi seu primeiro roteiro para um longa-metragem e logo lhe rendeu um Oscar. Ele afirmou que na adolescência tentou cometer suicídio por se sentir diferente e estranho (different and awkward) e falou aos adolescentes que se sentem assim que saibam que há um lugar para eles no mundo: “Stay weird, stay different” (Fiquem esquisitos, fiquem diferentes, em tradução livre).

Na canção vencedora do filme Selma e no discurso do rapper Common que aborda o racismo; no discurso inflamado de Patricia Arquette pela igualdade dos sexos (o que rendeu uma Meryl Streep gritando em acordo); na tripla vitória do Alejandro Gonzalez Iñarritu, um diretor mexicano em pleno EUA; na busca pela consciência do Alzheilmer e da esclerose lateral amiotrófica. São temas difíceis e que só o cinema consegue levar para o grande público.

Na busca por uma sociedade mais justa e igualitária, a premiação do Oscar me fez pensar nos valores olímpicos que tanto são prezados, mas muitas vezes esquecidos: na igualdade de todos, seja por gênero, cor, raça, país, origem, orientação sexual, na forma limpa e justa de competir, na esportividade e honestidade, entre muitos outros.

O que vemos numa premiação do Oscar todo ano, nos filmes que assistimos e atores que adoramos e por quem torcemos tanto, é a busca pela reflexão e por um mundo mais justo, mais divertido, mais discutido e mais igualitário. Assim como no sonhos de um francês há mais de 120 anos, um tal de Pierre de Coubertin.

A Carta Olímpica é clara e busca através do olimpismo um desenvolvimento harmonioso da humanidade, para promover um sociedade em paz, preservando a dignidade humana. Nos dias de hoje, parece que isso está cada dia mais longe…

Deixo aqui retratada a minha paixão por esses dois temas e que, embora nunca fale de cinema aqui, ele está fortemente presente na minha vida, tanto quando o esporte.

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