Mundial de Handebol Feminino

Espetacular, inédito, fantástico são só alguns dos adjetivos para descrever a vitória brasileira no Mundial de Handebol Feminino neste domingo. Um ano sensacional para o esporte olímpico brasileiro encerrado da melhor maneira possível, com uma campanha invicta e nada menos que 6 vitórias sobre equipes europeias.

O Brasil já chegou muito bem cotado, vindo de um 5º no Mundial de São Paulo em 2011 e da 6ª colocação nos Jogos de Londres, e foi apontado como um dos favoritos para medalha bem antes do início da competição. Faltavam superar dois tabus: as temidas quartas-de-final e o fato de nunca ter vencido uma seleção europeia em mata-mata em grandes competições.

Primeira Fase

A competição começou da melhor maneira para se obter ritmo de competição e quebrar o gelo. Na estreia, vitória tranquila sobre a fraca Argélia, com 36-20. No segundo jogo, a China não foi páreo, perdendo de 34-21 para a seleção brasileira. Apesar das duas vitórias tranquilas, o Brasil sofria com a indisciplina. Na estreia foram SEIS faltas de 2min, muito alto para um jogo simples onde o Brasil dominou.

No 3º jogo, as donas da casa, as sérvias. Jogo bem mais complicado. As equipes alternaram a liderança algumas vezes no primeiro tempo, até o Brasil ir para o intervalo com 14-11. No segundo tempo, a diferença se mantinha, até o empate em 22-22 faltando 4 minutos. No final, o Brasil venceu por 25-23.

O Japão tinha tudo para ser um jogo tranquilo, uma preparação para o último jogo da primeira fase, quando o Brasil brigaria pelo 1º lugar do grupo com a forte Dinamarca. Em nenhum momento o Japão assumiu a liderança do placar, mas também não deixaram o Brasil desgarrar, e vencemos por 24-20.

Para encerrar a fase, nada melhor que pegar a tradicional equipe da Dinamarca, tricampeã olímpica (96-00-04) e presença constante em pódios mundiais e europeus. O Brasil começou muito bem, abrindo 5-1 e depois 9-2. No primeiro tempo, vitória parcial de 14-9. Depois foi só manter a diferença, fechando com 23-18 e vencendo o grupo B.

Nos outros grupos, a França venceu o A com 5 vitórias. No C a campeã olímpica e mundial Noruega só teve trabalho na estreia com a Espanha, mas venceu suas 5 partidas. No D, a Alemanha liderou também invicta.

Fase Final

Como passou em primeiro, o Brasil pegaria, em teoria, a equipe mais fraca do grupo A, a Holanda. Mas pegar seleções europeias nunca é moleza. Em 22min de jogo, ninguém abriu mais que 3 gols até chegar em 12-12. Aí, 3 gols de Ana Paula, um dos destaques do Mundial, e 1 da Alexandra ajudaram o Brasil a vencer o primeiro tempo em 16-14. No segundo, mais um bom trabalho da equipe brasileira e a vitória veio com 29-23. O Brasil quebrava o primeiro tabu, vencendo pelo primeira vez uma seleção europeia em mata-mata (sem considerar mata-mata classificatórios por colocações menores).

Nas quartas, o jogo que deu o título brasileiro! Sem dúvida, o jogo da história para o handebol brasileiro! A Hungria, apesar de ter apenas um título mundial em 1965, é figurinha carimbada em pódios e semifinais e é uma das referências para o esporte. Brasil abriu 4-1 com 3 gols de Alexandra e as sequências de gols se alternavam entre as equipes, e o primeiro tempo se encerrou em 12-11. No segundo tempo, a Hungria buscou empate em 16-16, 17-17, abriu 20-18, o Brasil empatou em 20-20, a Hungria abriu 22-20, Brasil empatou, abriu novamente em 24-22, Brasil empatou em 25-25 e com a Alexandra, empatou em 26-26, levando o jogo para a prorrogação. O jogo ficou muito nervoso e as equipes marcaram muito pouco. Nos primeiro 5min, apenas 1 gol, das húngaras. O Brasil virou e fez 29-28, mas a artilheira húngara Zsuzsanna Tomori empatou e levou o jogo para a 2ª prorrogação! Alexandra fez dois gols e Mayara 1 e o Brasil abriu 32-30 faltando menos de 1min. A Hungria diminui, mas o gol de Samira selou a espetacular vitória brasileira. O 2º tabu era quebrado e o fantasma das 4as ficava para trás!

Na semifinal, o Brasil enfrentou novamente a Dinamarca, país do técnico Morten Soubak. E não deu chances para as europeias! Elas só estiveram a frente no 1-0, depois, só deu Brasil. Com 7 gols de Alexandra e 11 defesas de Babi, vitória tranquila em 27-21 e a inédita classificação para a final!

Enquanto isso, do outro lado, a surpreendente Polônia, que eliminou a França nas 4as, não foi páreo para a Sérvia, que venceu a semifinal por 24-18. A Sérvia jogava em casa e vinha embalada de uma vitória sobre a Noruega em 28-25. Na semifinal, recorde de público para um jogo de handebol com 18.236 espectadores.

A Grande Final

Com um novo recorde de público de 19.467 pessoas, um novo campeão seria coroado na Arena Kombank em Belgrado. A Iugoslávia foi campeã em 1973, mas a Sérvia como Sérvia ainda não tinha vencido e não disputava um Mundial desde 2003.

O jogo começou como esperado, com ninugém se desgarrando e com gols se alternando. No 6-6, os destaques eram Fernanda da Silva e Dragana Cvijic com 4 gols cada. A Sérvia se mantinha com um gol a frente e o Brasil empatava, até que 4 gols seguidos, sendo 3 de Alexandra, encerraram o primeiro tempo o Brasil na frente com 13-11. No segundo tempo, foram 3 gols seguidos, um da Deonise e dois de Duda Amorim e o Brasil abria 16-11 fatando 25min. Brasil se encaminhava para o título. Aí veio o apagão. Foram 4 gols sérvios seguidos e muitos erros brasileiros. A goleira Katarina Tomasevic fazia a partida da sua vida, e defendeu dois 7m seguidos de Alexandra! Morten pediu tempo e deu uma bronca enorme. Até Alexandra quebrar a zica, após o Brasil ficar 9 minutos sem marcar!

Gols alternaram com o Brasil na frente por 2 ou por 1. Até vir o empate em 19-19 e o jogo ficou mais tenso. Dani Piedade marcou, mas Lekic empatou em cobrança de 7m faltando 3min para o fim. Deborah fez o 21º, Cvijic errou seu arremesso e, quando Ana Paula fez o 22º faltando 1min, a taça estava muito próxima. Krpez tentou marcar, mas Babi defendeu e, com 2 gols, posse de bola e menos de 1min para o fim, o título já era nosso.

Foi a coroação de uma equipe que demonstrou uma grande evolução nos últimos anos e o resultado foi mais que merecido. Duda foi eleita a melhor jogadora do torneio e Babi a melhor goleira. A alemã Susann Muller, com 62 gols, foi a artilheira.

Parabéns a todas, ao Morten, à toda a delegação técnica e à Confederação.

O Brasil se tornou o segundo país não europeu a chegar ao pódio (a Coreia do Sul foi campeã em 1995) e chegará pressionado no Rio-2016. E que chegue mesmo! Pressionado, respeitado e temido. O próximo Mundial será em 2015 na Dinamarca.

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